Espelhos

1 Capítulo 1


Já fazia mais ou menos duas semanas que estava acontecendo uma série de assassinatos na minha cidade. Algumas vítimas, que conseguiram sobreviver, ajudaram a polícia com o retrato falado do assassino (ou melhor, assassina). Eu raramente saia de casa, então não estava preocupada com isso.
Há três dias atrás, conseguiram enfim um retrato verdadeiro da assassina, que estava sendo exibido no jornal da TV. Aparentava ser nova — uns dezoito anos, tinha cabelos ruivos e um olhar cruel, como se tivesse possuída ou algo assim. Quando a vi, logo vi que a conhecia de algum lugar, mas decidi ignorar isso e fui dormir.


Acordei de bom-humor. Eu estava me sentindo tão bem, que decidi ir no quarto de espelhos. O quarto de espelhos, como o próprio nome já diz, era o quarto da minha falecida mamãe, que adorava espelhos. Ela faleceu há mais ou menos seis meses e, por esse motivo, fiquei com trauma de espelhos e quebrei quase todos os da minha casa, os únicos que restaram mesmo foi os daquele quarto, que só não quebrei ainda porque me trazia boas recordações e pelo fato de que a mamãe gostava deles. Mas eu quase nunca ia lá.
Quando entrei no quarto, vi algo que me assustou. A serial killer dos cabelos ruivos estava parada bem ali, na minha frente. Não pensei duas vezes, tranquei a porta daquele quarto e chamei a polícia.
Peguei uma faca e saí de dentro daquela casa, correndo. Eu estava bastante assustada, minha respiração estava ofegante. Aquela garota me era tão familiar... Será que fiz a escolha certa comunicando à polícia?
Certamente, fiz! Se eu ficasse mais um pouco lá, eu poderia ter sido a próxima vítima daquela psicopata.
Eu fiquei escondida num bosque próximo à minha casa, que provavelmente ninguém nunca me acharia, até ouvir a sirene do carro da polícia. Alguns minutos depois, decidi voltar, pois já me sentia mais segura.
Tinha vários carros de polícia ainda em frente a minha casa. Quando os policias me viram, todos eles apontaram as armas para mim, e um deles me mandou largar a faca que eu estava segurando. Na hora, não entendi porra nenhuma, só fiz o que eles mandaram.
Eles me algemaram e me levaram para a delegacia. Perguntei se eles já haviam conseguido capturar a assassina, mas eles simplesmente me ignoraram. Que bando de mal educados!
Foi quando me dei conta que vi assassina no quarto de espelhos, e que ela não só era familiar, como ela era eu.


Eu era a serial killer.

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