Espelho, espelho...

7 Capítulo 7 - Um Estudo Em Cinza


Notas iniciais
Gente, eu estou de queixo caído. A fanfic está com 3.500 acessos, 50 comentários, e 115 acompanhamentos! Se alguém recomendar eu tenho um troço aaaaaah! Espero que gostem! x.

Capítulo 7 — Um estudo em Cinza.

De todas as vozes ouvidas, Harry nunca tinha ouvido tal coisa. Sempre a voz de Draco falava algo irrelevante, uma brincadeira ou um comentário. Mas nunca algo tão... comprometedor.

Almas gêmeas? Ele e Draco?

Eles nunca seriam mais que amigos. Draco era irritante em todos os sentidos, desde a covardia a astúcia. Ele não o suportava. Então por que diabos as vozes na sua cabeça o diziam o contrário? Aliás, o que eram essas vozes na sua cabeça?

Isso era de longe impossível, implausível, indiscutível. Eles eram inimigos declarados, Draco era um comensal!

Ex comensal.

– Cale a boca! — Harry gritou no meio da sala de aula, fazendo professora McGonagall parar tudo o que fazia e encara-lo com olhos venenosos.

– Harry, eu sei que minha leitura pode ser chata, mas... Não é necessário berrar para que eu cale a minha boca!

– Desculpe. — Harry disse, pensando que deveria explicar tudo depois a professora. Por algum motivo ele sentia que podia confiar nela.

A bruxa velha olhou para a mesa de Harry, colocando os olhos em um papel em branco, o qual identificou como magia negra. — Harry, o que é isso? — McGonagall disse, fazendo o pedaço de pergamínio levitar.

– Apenas papel professora, eu pedi emprestado para fazer o dever de casa. — O garoto moreno tentava alcançar o papel no ar, sem sucesso.

– É isso que veremos. — A mulher pegou o papel nas mãos, dizendo algum feitiço tão baixo que foi impossível ouvir. Talvez Harry não deveria escutá-lo. Se ele soubesse talvez mais alguma encrenca viria.

Logo no papel apareceram algumas letras escritas em tinta preta, fazendo a mulher arregalar os olhos.

– "Pedimos com gentileza a Professora Minerva, que não meta o nariz gigante no que não é seu" — Ela leu em voz alta, fazendo alguns alunos rirem. — pensei que fosse papel para dever de casa!

– Bem, eu...

– Já chega não concorda, Sr. Potter? — McGonagall estava brava até demais, era melhor não interferir no que podia ser uma briga de vida ou morte.

O garoto de olhos verdes se calou na cadeira, ele tinha acabado de perder o mapa do maroto. De novo.

Era incrível a capacidade de Minerva de sempre colocar os olhos no bendito mapa. Era sempre ela que descobria, ou ela, ou professor Lupin. Já que uma das opções tinha sido descartada, ele teria de tomar cuidado. Será que ele podia tentar pegar de volta? Se por acaso aquilo fosse pro lixo, seria um completo desperdício.

A aula terminou. Harry pensou que seria melhor deixar de lado um pouco e ir falar com Gina. De tarde ele pensaria melhor no assunto.

Ele só sabia de uma coisa.

Ele precisava recuperar aquele mapa, nem que fosse a última coisa que fizesse.

✸✸✸

Draco corria em direção a biblioteca o mais rápido que podia. Ele tinha recebido um bilhete de Hermione, e só podiam ser boas notícias.

O loiro pensou que talvez eles tivessem encontrado o feitiço para tirar as memórias da varinha de Ron e por um fim em tudo aquilo. Era só enfiar a cabeça de um certo Grifinório dentro da água e ele se lembraria de tudo.

Nada conseguia deixar Draco mais feliz.

– Nossa, essa foi rápida. — Hermione disse, ao dar de caras com um Draco ofegante. — Eu pensei que teria que esperar a tarde inteira.

– Me poupe. — Draco começou, grosso. — O que descobriram?

– Olha Draco... — Hermione encarou o ruivo, que parecia querer ignorar a situação para não se sentir ainda mais culpado. — Ron e eu passamos a tarde inteira aqui... Mas nada. Não encontramos absolutamente nada que possa nos ajudar a tirar essas memórias da varinha. Nada!

Ele não conseguia acreditar. Por que tudo tinha que dar errado sempre? Por que ele não podia ter seu moreno de volta simples e facilmente? Ele sempre tinha que ter um porém, sempre tinha que ter uma missão de vida ou morte, sempre um tormento, sempre uma desgraça atrás da outra. Ele só queria Harry! Só isso! Ele passou a vida inteira procurando algo que fizesse sua vida valer a pena e quando ele encontra, ela é tirada dele do jeito mais doloroso possível.

Ter Harry era seu maior sonho.

Ele nunca pensou que poderia se devotar tanto ao bruxo de olhos verdes como agora. Até mesmo a mensagem pelo espelho da criança de que Harry era sua alma gêmea tinha o atormentado. Ele demorou muito até realmente engolir o fato de que Harry e ele seriam um "para sempre".

Aquela dor mutilava seu peito, ele queria chorar tudo o que podia ali e agora, ele conseguia sentir as lágrimas se formando nos seus olhos. Mas seu orgulho não permitiria. Ele não se rebaixaria duas vezes na frente dos amigos de seu ex-namorado. Era muito patético.

Ele era patético.

– Hey, o que todos nós estamos fazendo aqui? — Uma voz aveludada pegou um susto em Draco, que logo sorriu triste.

– Agora estou ouvindo coisas...– Sussurrou.

– Malfoy? — Uma mão forte pegou seu ombro, o forçando a virar-se para ele. Não eram apenas coisas que ele ouvia, Harry Potter estava de fato ali, o encarando com um olhar preocupado. Provavelmente eram as lágrimas. — Draco... o que houve?

Você consegue acreditar que somos um para sempre?

Dessa vez a voz de Draco na sua cabeça não chamou a atenção de Harry, por algum motivo a visão de Draco chorando era o que tomava seu foco naquela hora.

– Eu... — Draco olhou diretamente nos olhos verdes, tendo uma vontade imensa de beijá-lo ali e agora, mas ele tinha que se conter. Harry poderia não entender. — Eu só estava indo até a Prof. McGonagall, pedir a ela um... — Olhou para os dois amigos preocupados atrás de si. — por um conselho.

– Um conselho? — Harry repetiu. — Se importa se eu for junto?

– Acho melhor ele ir sozinho, Harry. — Hermione disse, preocupada mas ao mesmo tempo consolativa.

– Não me importo se Harry for. — Disse Draco, ainda muito próximo de Harry. — Afinal... é só um conselho. — Draco ameaçou olhar novamente paras as íris verdes, com medo de se tentar demais.

– Vamos então, preciso pegar uma coisa de volta com ela mesmo.

Draco deu uma última olhada para os amigos de seu ex-namorado e suspirou, tomando caminho até a sala da professora aproveitando cada momento. Pois se ele não conseguisse recuperar Harry de volta, ao menos podia olhar para ele e se lembrar de tudo.

✸✸✸

Caminharam em silêncio o caminho todo. Era incrível a quantidade de vozes que vinham na sua cabeça quando Draco estava perto dele.

Podíamos sair de fininho, ninguém vai perceber.

A minha roupa não ficou estranha? É formatura afinal.

Você viu nossa criança? Ela tem seus olhos! Não é justo!

Harry tinha aprendido simples e facilmente e ignorar as vozes irritantes. Ele estava tão concentrado em Draco e em como o garoto loiro falava pelos cotovelos que nem pensou em ligar.

Mas o que realmente chamava a atenção de Harry naquele momento eram os olhos de Draco.

Aqueles olhos cinzas profundos sem brilho algum. Ele queria entende o porquê de sempre que imaginou Draco, seus olhos nunca se destacaram. ele imaginava Draco com uma testa gigante cabelos quase brancos de tão loiros e caras emburradas, mas nunca seus olhos. E merda seus olhos eram lindos. Aquele tom de cinza parecia inexistente na tabela de cores possíveis na cabeça do escolhido. Draco era uma pessoa rara. Alguém o qual ele nunca deveria ter se tornado inimigo. E isso era apenas por causa de seus olhos.

– ... então ele me disse que eu — Draco parou na frente da porta da sala da professora. Queria poder bater e ninguém responder, pois assim, teria mais tempo para falar com o seu amado Harry Potter.

– Acho que chegamos. — Harry disse, forçando um sorriso enquanto olhava novamente para as íris cinzas. "Esses olhos já foram estudados? Parecem como jóias" pensou.

– É... Chegamos. — Ele sorriu. — Devemos entrar, sim?

Draco se dirigiu a porta ainda olhando para Harry com seu sorriso amarelo, assim que levantou o pulso, a porta se abre descaradamente, batendo em Draco que caiu no chão atordoado com a mão massageando a testa.

– Ai meu Deus, Draco! — Harry gritou, correndo em direção ao loiro ainda esparramado no chão. Tentava de todas as formas ajudá-lo, mas o garoto parecia atormentado com algo.

De fato, Draco estava. Ele conseguia ouvir as pessoas murmurarem, seus colegas de casa rirem, e parecia que quanto mais a batida começava a doer, mais ele não ligava, mais ele queria fugir e sair daquela escola estúpida.

E por aquele segundo ele se lembrou. Lembrou que não fazia mais sentido ele continuar naquele lugar. Lembrou que tinha chegado naquela escola novamente por apenas um motivo. Era aquele garoto de olhos verdes com um olhar preocupado ao seu lado. Ele era o que o fazia forte, desde sempre e pelo jeito, não para sempre.

Ele tinha brigado e implicado com seus pais até ser expulso de casa e não ter mais aonde correr somente para voltar a Hogwarts e ser amado de novo. Amado por Harry Potter seu namorado e a sua alma gêmea. Mas por que diabos ele não conseguia? Por que tudo o que ele tentava ia dar errado? Ele não tinha mais nem o respeito de seus colegas por Deus! Ele se sentia patético. Ele não conseguia mais pensar como um Malfoy, ele não conseguia mais pensar como realeza, ele não conseguia mais pensar.

Quando a porta se abriu mais largamente, uma ruiva jovem e muito branquela saiu pela porta, dando um sorriso que se fechou assim que viu Draco naquele estado, ela correu para o lado de Harry e começou a pedir desculpas para o moreno, que esquecendo completamente de Draco, levantou e disse que estava tudo bem.

E foi naquele momento, que Draco perdeu o juízo.

– Ah, isso só pode ser uma BRINCADEIRA. — Draco berrou, tentando se levantar sozinho, ignorando quaisquer ajudas oferecidas. — Tem mais alguma coisa que essa vadia pode arruinar na minha vida? — Draco estava furioso.

– Draco olha... — Harry começou.

– Cale a boca, Potter! Eu estou falando com Ginerva, você ainda não entendeu? — Berrou, assustando Harry. O moreno se sentiu quebrado por um minuto, fechou a boca e escutou todas as lamúrias do Malfoy. — Desde o minuto que você entrou nessa maldita escola a única coisa que você conseguiu fazer foi besteira! Merda! Lixo! Você parecia a ruiva legal e na verdade, só tenta se provar!

A garota ruiva o olhava com a sobrancelha arqueada e olhos marejados.

– Esteve correndo atrás de Harry esse tempo todo! Sabe, não fazia a menor diferença se você estivesse aqui ou não! Eu estava bem até você aparecer com sua ideia brilhante de cerveja amanteigada! Estava bem até você resolver bater a porta na minha cara! — Draco estava definitivamente exaltado. Mas Harry não prestava atenção nas palavras, e sim, nos olhos cinzas, que agora estavam vermelhos de choro e com as íris mais escuras impossíveis. — Você da em cima dele, diz que gosta de sair com ele, mas na verdade, na puta verdade você só quer ser vista com o "Famoso Harry Potter — o Menino Que Sobreviveu!" Você não se sente patética?! Bom, vou te poupar de pensar, o que deve ser muito difícil! Você é patética.

Terminando de dizer isso, Gina correu para longe dos dois garotos, deixando um Harry decepcionado e um Draco exaltado para longe de si.

Draco não conseguia nem respirar direito, ele estava muito... fora de si. Mas aquilo não era nem metade do que ele queria dizer para a ruiva. Ele queria era, dizer para que ela devolvesse seu Harry, pois essa era, depois de muitas coisas, o que ele mais tinha inveja na garota.

Harry olhava de olhos arregalados ao loiro na sua frente, que, logo depois de encontrar com as íris verdes, desabou a chorar.

Harry não conseguiu fazer nada, ele só ficou parado, vendo aquele lindo garoto loiro o qual ouvia vozes na sua cabeça chorar. Chorar que nem uma criancinha e abraçar a si mesmo em desdém. Ele só conseguia assistir. E ele se sentia tão inútil por isso.

Draco olhou para Harry mais uma última vez.

– Eu sinto sua falta. — Ele disse, saindo calmamente pelo corredor, sem nem se despedir.

Eu sinto sua falta.

Foi a voz que Harry ouviu.

✸✸✸

Depois de ficar um tempo refletindo sobre o que tinha acontecido, Harry resolveu entrar na sala da professora, a procura do mapa.

Chegando lá, Harry encontrou a sala completamente vazia, o que o deixou ainda mais animado. Rapidamente ele sacou a varinha de suas vestes e pontou para a mesa.

– Accio mapa. — E logo uma gaveta se abriu na gigantesca mesa de pinheiro envernizada.

Quase derrubando um cabideiro no caminho, Harry chegou com sucesso na mesa, encontrando o mapa logo em cima, cobrindo alguns objetos.

Tirou o mapa, e justo quando ia voltar a porta e sair da sala, algo pareceu brilhar naquela gaveta.

Era um pequeno espelho de mão.

Notas finais
Desculpe por ficar curto. Bloqueio de escritor :p Um beijo! xoxo