Espelho, espelho...
4 Capítulo 4 - Talvez, quem sabe?
Notas iniciais
Capítulo 4 — Talvez, quem sabe?
Draco não sabia o que fazer. Pela primeira vez, Draco Malfoy foi pego no ato de não saber o que fazer. E isso o irritava muito.
Ele estava sentado a meia hora sobre as pedras ao lado do campo de lírios, e por mais que ele tentasse, seu corpo parecia não estar de acordo com sair dali. Lágrimas grossas corriam pelas bochechas rosadas, e ele sabia que era perda de tempo tentar seca-las. Deixava-as correrem até que parassem, nem que levasse a tarde inteira.
Colocou a mão no peito, agarrando as roupas grossas de inverno.
Chorou rios e mares de lágrimas de uma vez só, era muita informação para aceitar de uma vez. Ele se sentia perdido, quebrado e principalmente sozinho. Ele se arrependia de muitas coisas, entre elas estavam se tornar um comensal pelo bem de sua família, ou até mesmo ter sido um peso para seus pais. Mas o que ele mais se arrependia era ter ficado longe de Harry por tanto tempo.
Se ele tivesse ficado ao lado dele, nada disso teria acontecido. Ele ainda teria eu moreno ao seu lado, poderia segurar a sua mão para se sentir seguro, poderia beijar seus lábios doces para se sentir amado, e principalmente, poderia tê-lo ao seu lado... para se sentir completo.
Ele amava Harry como nunca pensou que fosse capaz de amar alguém, ele se lembrava a princípio que recusou seus sentimentos por anos, até que finalmente se desse conta do amor que nutria por um certo Grifinório.
Se lembrava vagamente de seu primeiro beijo com ele, o gosto dos lábios finos rosados, o toque suave de sua mão na sua cintura. Tudo aquilo era perfeito. Ele mal sabia como corresponder ao beijo, mas no fundo ele sabia que Harry não se importaria com o jeito desajeitado.
Doía, doía muito.
Ele não sabia o que fazer, ele queria voltar para o dormitório e dormir até que tudo parasse, mas isso era fraco demais. Ele queria ficar ali e chorar até que seu corpo drenasse toda a água restante; mas também era implausível.
Pela primeira vez em anos, ele tinha realizado o que mais temia. Ele tinha perdido seu namorado, Harry.
E sua alma gêmea, também Harry.
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– Que coincidência! — Gina quase gritou para que todos naquele círculo de amigos sentados na grama pudesse ouvir. — Eu também amo cerveja amanteigada!
Todos os amigos de Harry e mais alguns alunos da casa da Grifinória estavam estudando nos campos próximos a casa de Hagrid. Eles sempre escolhiam fazer trabalhos em grupo em algum lugar que pudessem gritar sem levar xingões dos alunos de Corvinal.
Gina estava claramente flertando com Harry, o garoto nem ligava muito de inicio, mas logo começou a cair pelos assuntos da ruiva.
– Ela nem quis experimentar! — Ron sussurrou para Hermione ao seu lado.
– Podíamos ir tomar uma dessas algum dia desses, certo Harry? — Gina continuou recebendo um "Claro!" sorridente em resposta.
Ron olhava para o mais novo casal com raiva. Ele detestava estar presente em qualquer que fosse a situação em que sua irmã estivesse flertando, ou namorando, ou fazendo qualquer coisa que se relacionasse com beijar que ele pudesse imaginar.
Hermione assistia o circo pegar fogo de um modo mais triste. Ela se lembrava somente do jeito que Draco a tinha empurrado. Ela olhava para Harry muito desapontada, odiava ver o moreno flertando com alguma garota enquanto ele esquecia completamente quem deveria ser o amor de sua vida (ao menos era isso que Harry falava o tempo todo quando ele descrevia Draco).
Agora ela via o moreno de mãos dadas com a irmã de Ron, sem nem pensar em Draco.
E aquilo era terrivelmente doloroso pra quem sabia de tudo.
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Draco tinha finalmente parado de chorar. Ele tinha parado, mas ainda não criava coragem para levantar dali e ir para seu dormitório, mesmo sabendo que logo ele teria o sinal de recolher e ele não teria escolha.
Depois de refletir por alguns motivos enquanto contornava o anel de prata em suas mãos, Draco resolveu que entraria no castelo. Mas não iria direto para os calabouços
Levantou calmamente da gigantesca pedra a qual esteve sentado a algumas horas, espreguiçou praticamente todo o seu corpo, deixando um pequeno anel prateado o qual tirou de seu dedo minutos depois cair.
– Oh droga! Aonde está agora? — Agachou-se calmamente, segurando a franja para que não ficasse na frente de seus olhos, e finalmente, depois de muita procura, encontrou o anel.
"Para o meu Draco" Leu mentalmente. Estava cravado dentro do anel de prata que Harry tinha dado para ele depois de seu ano de namoro. De repente a vontade de se sentar novamente e começar a chorar dominou seu corpo, mas ele não iria. Não agora, agora ele seria forte.
Botou o anel no seu anelar da mão esquerda, e voltou a seu caminho. Ele precisava falar com a professora, talvez somente ela pudesse ajuda-lo.
A velha sabia da relação dos dois, mesmo que tenha sido de um jeito muito estranho. Ele se lembrava claramente, Harry e ele estavam estudando na sala de feitiços e se beijavam a cada minuto, infelizmente um desses minutos McGonagall entrou pela porta buscando por alguns papéis. Ela não fez nada senão manda-los parar com o afeto na sala de aula, assustando o casal. E então, desde esse momento ela começou a ser a "conselheira" dos dois.
O loiro bateu na gigantesca porta de madeira da sala da velha professora. Respirou fundo, limpando algumas lágrimas que ainda estavam em seus olhos, arrumou as vestes e colocou a mão na maçaneta, abrindo-a.
– Oh! — Fingiu McGonagall — Draco! Esperava que viesse uma hora ou outra, vamos, sente-se.
– Desculpe professora, estou incomodando?
– Não, não! — A velha guardou algo na primeira gaveta de sua gigantesca mesa feita de madeira de pinheiro envernizada. — Mas deve ser um assunto urgente!
– O assunto é sobre...
– Sobre Harry Potter. — Terminou Minerva, sorrindo. — Acha que não percebi esses lindos olhos cinzentos tão vermelhos assim? Só podia estar chorando, e se me lembro bem, esteve deixando um de meus alunos muito triste durante um tempo... o que me resulta a pensar em...
– Harry. — Disse Draco, terminando sorrindo. Ele amava ser o último a falar, enchia o seu peito de orgulho por algum motivo. Mas dessa vez, ele apenas tirou o sorriso do rosto, afinal, era de Harry que os dois bruxos conversavam.
– Então me diga o que aconteceu, Draco.
– Ele não se lembra mais.
– Não se lembra mais de que? De seu aniversário de namoro? — Riu um pouco.
– Ele não se lembra mais de mim. – Draco respondeu ríspido.
– Ora, ora. — Minerva se ofendeu. — E como isso aconteceu? Com certeza não foi durante a guerra. Deve ter sido a pouco tempo, eu me lembro dele escrevendo seu nome em uma de minhas provas.
Draco sorriu, um sorriso triste.
– Ron... Ron Weasley foi o que aconteceu. — Draco apertou os dedos da mão com tanta força que deixou marcas de unhas em sua pele. — Ele apagou a memória de Harry.
– Apagou? Usou um Feitiço?
– Exatamente. Não sei se entendi direito, mas pelo que sei ele apagou-as porque Harry estava sofrendo muito, então ele achou que me tirar de suas memórias seria mais fácil do que acalma-lo. — Falava com raiva, não sabia aonde colocar tanta raiva comprimida, e nesse meio tempo, acabou por descontar na pequena mesa para chá que tinha ao seu lado.
– Acalme-se por favor, Senhor Malfoy! — Minerva levantou de sua cadeira em protesto. Fazendo Draco controlar-se. — Se Weasley lançou esse obliviate com a permissão de Harry, não podemos fazer nada afinal ele é maior de idade e sabe suas escolhas. Mas se ele tiver feito sem a permissão, teremos de conversar com ele.
– Mas é claro que Harry não pediu para aquele ruivo idiota que ele fizesse isso! — Draco parou um pouco, McGonagall o encarava suspirando pesadamente — Não...é?
– Eu não queria deixá-lo mais triste ainda, Senhor Malfoy, mas, pode haver essa possibilidade.
– Não! — Draco berrou. — Ele não pode querer isso, Professora! Ele não... — Draco começou a chorar.
Olhava para a professora com muita raiva, a mesma levantou de sua cadeira para chegar até o louro e consolá-lo, mas falhou. Draco já estava na porta e completo de vergonha enquanto limpava as lágrimas incessantes, correu para fora daquela sala.
Era hora de dormir de uma vez.
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