Espelho de dois mundos

11 Capítulo 11: Entrada e saída.


Enquanto via aquilo me veio uma pergunta:

–Sr. Akira? Como sabe que é um espelho?

Ele sem tirar os olhos da linha do papel que estava fazendo respondeu:

–Porque chegamos aqui através de um grande e brilhante espelho, mas não quero falar sobre isso.

–As pessoas constroem essas casas?

–Sim, usamos todo os materiais que nos fornecem a madeira é o principal deles.

–Eles dão tinta também?

–Isso não é tinta menina, é o sangue que escorre pelo rio em volta do portão, o sangue das vítimas.

Eu fiquei sem palavras e meu estomago revirou.

Ouvi a porta se abrir e fiquei com medo de quem ou o que poderia ser, mas para a minha sorte era Shouji. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa olhei para ele e estava cheio de sangue, em seu braço boa parte estava com a pele pendurada com a carne vermelha. Eu quase desmaiei mas me sentei novamente e me acalmei, o senhor se levantou rapidamente e disse se dirigindo a uma gaveta:

–Nossa, Shouji o que aconteceu, se meteu em outra briga?

–Isso é o que ele faz por essa menina inútil -disse a senhora que havia pegado um pano para limpar o braço de Shouji.

–Isso não é nada... eu estou bem.

O senhor então colocou uma linha em algo que parecia uma agulha enorme e começou a costurar a pele com a carne no seu devido lugar. Eu não conseguia olhar então perguntei olhando pro outro lado:

–Mas se vocês estão mortos, como podem sangrar?

–É uma de nossas punições -Disse o senhor- Sangrar mais do que um ser humano normal mas nunca cicatrizar, agora Shouji vai ter que 'viver' com esses maravilhosos pontos no braço pra sempre.

Era por isso então que ele tinha a boca daquele jeito.

Eu me sentia culpada, pois aquilo era culpa minha... afinal por quê eles estavam me ajudando?. Depois de um tempo em que passaram dialogando de como eu iria sair dali Shouji me puxou pelo braço:

–Vamos, temos que ir.

Olhei pra ele e seu braço estava com uma costura agoniante de cima a baixo e em sua mão o mapa.