Notas iniciais
"Você vai parar corações, hoje, baby!"

Ela vive numa cidade pequena. O cara é o mais pegador da cidade, mas ela, vivendo em seu mundinho de amigas íntimas e livros, nunca ouviu falar dele. Enquanto isso, o nome dele corre por todas as escolas, as meninas alvoroçadas e animadas ao saber que ele está na porta. Quem será a escolhida da vez? Aí, do nada, ele a escolhe. Aí diz que mudou, ela acredita, eles lutam contra o mundo e depois ficam feliz juntos.

Quantas histórias você já ouviu assim? Quantas vezes você já suspirou por histórias como esta?

Pois bem, vamos dar uma reviravolta nisso. Vou te contar a minha história.

Vou te contar uma coisa: estar apaixonada é uma merda. Eu não sei se é pior não ser correspondida ou ser, e depois tudo acabar.

E aqui estou eu, afundando-me e me afogando em lágrimas de um amor que terminou.

— Linda, acorda! – a suave voz da minha mãe me desperta. Ironicamente falando.

— Estou indo – respondo com minha costumeira voz de zumbi matinal.

Levanto-me, concluo a minha higiene e me arrumo para a faculdade. Hoje é um grande dia, cheio de coisas importantes. Só que não. É só mais uma manhã de grande enchimento de paciência, já que é a primeira semana do meu segundo semestre. Eu só esperava que a aula fosse um pouco mais animada, sabe?

Mas, veja vem, esta não é uma história de uma universitária que se apaixona pelo seu professor e blábláblá – até porque meus professores parecem ser mais velhos do que os dinossauros. Não. Esta é a história de uma garota – neste caso, eu – que levou um belo pé na bunda. É, eu sei, nada interessante.

Até você saber da minha vingança.

Bem, Luís, meu ex-namorado filho da puta, me traiu. Em uma festa que aconteceu no fim de semana passado, eu o vi aos amassos com uma loira oxigenada peituda. Ao ver a cena, fiquei chocada e só senti nojo. A ira veio depois. Depois que fiquei horas chorando no meu quarto e me entupindo de chocolate. E também depois que eu o vi desfilando com ela pelo campus.

— Este filho da mãe vai me pagar – prometi.

Hoje, eu estou indo ao ataque!

— Meu Deus, para quê tudo isso? – É assim que meu melhor amigo gay me cumprimenta, na porta da universidade.

— Ah, cala a boca!

Isso a que ele se refere é a minha super saia justa e minha blusa semitransparente, num estilo recatada e sensual. Meus cabelos cheios e ondulados não precisam de grandes alterações; seu jeito natural já emite uma aura sexy. Porém, hoje em particular, destaquei os olhos com lápis preto e uso um gloss vermelho escuro, chamativo sem ser vulgar.

— Você vai parar corações, hoje, baby! – ele comemora, fazendo uma dancinha esquisita. Eu rio.

— Leo, você é o melhor amigo que uma garota pode ter!

— Awn, eu sei que sou diva!

Rio novamente e balanço a cabeça.

— Ok, diva, vamos ao purgatório.

Adentramos os corredores daquele prédio caindo aos pedaços que sempre está em reforma. Como o profeta Leo previu, muitas cabeças masculinas se viram para me ver passar. Inclusive – inserir dancinha da vitória aqui – a de um certo ex-namorado traidor.

— Filho da puta! É isso mesmo, babe, baby, babe! – Leo rosna. – Tomara que ele broche na hora H e que ela saia espalhando para todo mundo.

— Você está revelando em voz alta os meus planos de vingança!

— Uh...! Então teremos vingança? Vamos arrancar as bolas dele com um alicate?

Rio alto e faço todos os passantes olharem para mim. Puxo Leo até o meu armário e respondo:

— Não. Pelo menos, por enquanto. – Luto com o meu cadeado. – Droga! Não quer abrir, de novo! Tenho que ir à secretaria, Leo – suspiro. – Vai para sala. Depois te encontro.

— Ok. Cuidado para não ser sequestrada, hein? – Pausa. – Exceto se ele for gostoso. Se for, pergunta se pode me levar também.

— Você não vale nada! – exclamo, indo em direção à secretaria.

— Vai, gostosa! – ouço seu grito.

Não consigo conter uma risada. Leo é um maluco! Amo estar com ele, mas falei sério quanto à vingança. Volto-me ao fundo da minha mente, para meus planos vingativos. Distraída estou e distraída continuo, quando entro na sala administrativa. Falo rapidamente com a mulher da recepção, que me olha como se quisesse comer meu fígado e chama o senhor responsável pela manutenção daquele lugar: é o tiozinho da limpeza! Agradeço à megera que me atendeu e viro-me para sair.

Quando dou de cara com uma muralha.

— Porra! Você não olha por onde anda? – brigo.

— Linda, olha a boca... – ralha a tia da recepção.

— Eu não estou mais no Ensino Médio! – replico e ergo a cabeça para desafiar meu obstáculo. – E você? Por que está parado aí ainda?

O cara simplesmente dá de ombros.

— Eu estava assistindo o espetáculo. Aluno novo. Benjamin Albuquerque. Mas pode me chamar de Ben.

— Ah! Benjamin! – a megera intervêm de novo. – Você está atrasado.

— Eu sei. Tive alguns problemas.

Reviro os olhos.

— Tá bom. Estou indo para minha aula, que eu ganho mais.

— Um momento, Linda. Será que você poderia mostrar ao Benjamin onde é a sala dele?

— Na verdade, não – respondo.

— Tudo bem, senhora Carlla – diz a muralha de nome Benjamin. – Eu a sigo. Algo me diz que fazemos o mesmo curso.

— É? E o que seria este algo?

— Este jaleco aí, saindo da sua mochila.

Abro a boca, mas não há o que responder. Puxo o jaleco, tirando-o de vez da minha bolsa e resmungo:

— Mereço!

Saio andando, sabendo que Benjamin está me seguindo.

Notas finais
Ooi! Sim, estou de volta! Quero dizer, "de volta" não é bem o termo a ser utilizado, já que também estou postando uma outra história, mas eu trouxe história nova! O que acharam? Senti falta de escrever algo assim, sério. Então, se sentirem vontade, porque né?, comentem se gostaram e o que esperam da história!
Beijos da Luna!