Espelho

8 Bad combina com sorvete!!


Notas iniciais
Mais um capítulo quentinho pra vocês, espero que gostem. Boa leitura *--*

Acordei morrendo de preguiça de levantar hoje.

Meu fim de semana foi bem diferente do que eu imaginei, comecei a namorar, algo que eu nunca imaginei que fosse acontecer, tipo eu namorando?! e com meu melhor amigo?! inacreditável.
E eu me lembrei do garoto de olhos bonitos que eu passei dois anos pensando nele, nunca pensei que eu e ele seríamos amigos um dia.

Depois de muita preguiça finalmente levantei da cama e fui tomar banho.
Vesti um short bem folgado e confortável, uma bluzinha branca e amarrei uma camisa xadrez na cintura, deixei o cabelo solto e passei uma leve maquiagem.

Tô me sentindo muito bem e confortável.

Tomei meu café da manhã e sai com minha irmã.

Chegamos na escola alguns minutos depois e cada uma foi pro seu lado.

Avistei o Deive de longe e fui falar com ele.
—Oi Deive -falei animada
Oi -respondeu seco e passou reto por mim
É impressão minha ou ele me ignorou?! confesso que fiquei um pouco chateada com isso.
Será que ele tava ocupado? ou será que eu fiz algo de errado e ele tá com raiva de mim?

Fiquei pensando em várias possibilidades e no fim resolvi acreditar que era coisa da minha cabeça.

Fui pra sala e encontrei com as meninas, conversamos sobre várias coisas, sobre como tinha sido nossos fins de semana, quase nem prestamos atenção na aula.

—Tenho uma novidade...
—Qual? -perguntou Stella
—Adivinha -falei
—Tá namorando? -perguntou Emilly
—Sim
—Mentira?!
—Sério?!
—Aí meu Deus
As duas ficaram tão animadas como se fossem elas que estivessem namorando.
—Agora a pergunta que não quer calar é, você tá com seu melhor amigo ou com o Deivid? -perguntou Stella
—Com meu pandinha
—Pandinha?!
—É coisa nossa -ri

Continuamos a conversa animadas até a hora que o sinal tocou.

Quando o intervalo começou, eu me separei das meninas e fui falar com o Deivid.
Ele estava na quadra com uns amigos.

Me aproximei dele um pouco envergonhada.
—D-deivid...
—Oi Scarllet
Aquilo foi tipo uma flexada no peito, não que eu já tenha recebido uma pra saber como é, mas acho que a dor é parecida com essa.
Ele nunca me chamou assim, ele nunca falou comigo assim, com um tom tão frio e seco.

Tentei ignorar aquilo e não parecer abalada.
—Podemos conversar...
—Pode falar, não tenho nada a esconder dos meus amigos.

Aquilo me deixou com uma mistura de vários sentimentos e um deles era raiva.
Raiva por ter acreditado que com ele poderia ser diferente, raiva por ter confiado nele, raiva por ele me tratar assim só porque tá com os amigos, raiva por ser egoísta e me sentir mal só por causa disso.

—Deixa pra lá, não é nada de mais....

Sai de lá o mais rápido que pode.
Fui pra biblioteca e fiquei lá sozinha por um tempo, não queria falar com ninguém.

Passei o resto da aula toda calada. As meninas estranharam, mas eu não quis dizer nada
No fim da aula me despedi delas e fui embora.

Fui o caminho inteiro tentando entender o que eu tinha feito de errado pra ele agir assim, mas não cheguei a nenhuma conclusão.

Cheguei em casa e fui direto pro meu quarto, tirei o sapato e me joguei na cama.

Alguns minutos depois meu celular começou a tocar, mas eu nem me mexe pra ver quem era. Devia ser o Mayc, mas eu não estou afim de falar com ele agora.
O celular tocou várias vezes, até perdi a conta.

Fiquei pensando em várias coisas até que fui interrompida por batidas na porta.
—Let...Let...por favor fala comigo...estou preocupado com você...

Lutei contra a vontade de ignora-lo até ele ir embora e abri a porta.
—Oi...eu tava dormindo...
—Tá tudo bem?...você não parece bem.
—Estou bem...só tô com sono...entra...

Ficamos conversando por um tempo sobre coisas aleatórias.

Tentei parecer bem, mas acho que ele percebeu que era mentira. Mas como sempre ele não perguntou nada. Ele é sempre assim, prefere respeitar meu tempo e nunca insiste muito. As vezes isso me irrita, eu queria que ele insistisse até eu conseguir falar, queria poder chorar no colo dele até me livrar de tudo que estou sentindo.

—E como foi seu dia hoje meu amor?
—Foi legal...eu tenho duas amigas super legais -sorri
—Que bom...fico feliz por você...
Sorri.

Ele ficou olhando pra mim por um tempo.
—Você tem um sorriso lindo sabia...
—O-obrigada...

Ele se aproximou mais de mim e eu quase me beijou, mas eu virei o rosto. Não entendi porque eu fiz isso...foi por impulso.
—Por que você....
—Olha Deiv...Maayc eu...-interrompi
—Deive?! já entendi tudo -interrompeu. É aquele garoto né?! é por causa dele que você tá assim...olha eu te conheço e sei muito bem como você é...eu sei que você troca o nome das pessoas quando está nervosa e sei também que você fala o primeiro nome que vem a cabeça...é ele que está na sua cabeça? eu sou um idiota né?! como pude achar que você gostaria de mim...por que aceitou namorar comigo?...você ainda me vê como irmão...você gosta dele...só você que não percebeu isso ainda...
—C-calma...não precisa gritar comigo, eu só...
—Chega, não quero mais ouvir...eu vou embora...você não precisa de mim...-saiu batendo a porta.
—preciso sim...é justamente agora que eu mais preciso de você...eu gosto sim de você...-sussurrei pra mim mesma...me desculpa...eu só não estou bem...você sabe que eu tenho problemas...as vezes eu tô bem e as vezes não...

Cai no chão perto da porta e comecei a chorar.
Não consigo mais segurar.

Chorei por um bom tempo.
Parabéns pra mim, em menos de uma semana eu arrumei um namorado incrível e fiz ele terminar comigo e me odiar...

Ouvi batidas na porta
—Let...abri a porta...eu sei que você tá aí...eu ouvi o Mayc gritando, tá tudo bem?
—Tá tudo bem Pérola...vai embora...quero ficar sozinha...
—Olha eu tentei ser legal, mas agora a escolha é sua ou você abre a porta ou eu arrebento ela e quebro a sua cara -falou brava
Não consegui não rir, ela é sempre assim meio bipolar, tem um jeito diferente de demonstrar carinho.
Abri a porta e ela entrou me abraçando, eu precisava daquilo e ela sabia disso.

Ficamos abraçadas um bom tempo, só assim, sem dizer nada, aquilo me fez bem.

—Tá melhor agora?...
—Um pouco...
—Que bom...agora chega de bad e vamos partir pra TDFS
—Vamos -falei animada
TDFS é algo que a gente inventou, sempre que uma de nós está triste a gente faz uma Tarde De Filmes e Sorvetes.

Fomos pra cozinha, pegamos sorvete de chocolate, morango, flocos, creme, pegamos uns biscoitos, paçocas, coisas normais em dias de bad.

Fomos pro quarto da Pérola, escolhemos uns filmes pra assistir no notbook. Nada de romance por hoje, pegamos vários filmes de vários gêneros

—Vamos começar com inabalável?
—Sim, esse filme é muito bom.
É sobre uma garota que quer ser uma missionária, mas descobre que tem câncer e mesmo morrendo no hospital ela consegue trazer fé e esperança para várias pessoas de vários lugares.

Depois assistimos mais outros dois filmes e ficamos conversando sobre várias coisas até cairmos no sono.

No outro dia acordei sedo e fui me arrumar pra ir a escola.

Antes de sair peguei meu celular e vi que tinha várias ligações do Maycon. Resolvi ignorar, com certeza ele ainda está com raiva de mim e eu não estou afim de brigas logo pela manhã.

Peguei minha mochila e sai com a Pérola, quando abri a porta dei de cara com ele.

—É...podemos conversar?
—Eu vou indo na frente...vejo você na escola -ela falou me lançando um olhar encorajador antes de sair.

—Pois não o que deseja? -falei tentando não parecer magoada.
—Olha me desculpa...eu sei que eu fui um idiota...eu sei que você precisava de mim e eu deixei meu ciúmes falar mais alto....eu sei que isso não é desculpa...mas eu tenho muito medo de te perder, você é muito importante pra mim, eu te amo como nunca amei ninguém e como nunca vou amar, você é tudo pra mim...me dá mais uma chance...por favor

Fiquei confusa por um tempo, sem saber o que dizer ou fazer.

Ele se aproximou de mim e segurou meu rosto de forma carinhosa me fazendo olha-lo nos olhos.

—Me dá mais uma chance... -falou quase sussurrando.

Aqueles olhos, aqueles lindos olhos azuis, sempre que eu olhava pra eles eu ficava perdida, era como mergulhar em um mar de mistérios, mas sem medo algum.

—Você é idiota sabia -falei baixo com a voz falha, mas ele ouviu.
—Eu sei -sorriu antes de encostar seus lábios nos meus.

É acho que eu ainda tenho namorado -ri com meus pensamentos idiotas.

—Vamos eu te levo na escola.
Sorri.

Caminhamos de mãos dadas até a escola.

—Tchau, tenho que ir...
—Vai não...fica -falou me segurando pela cintura.
—Não posso...tenho que ir pra aula...
—Ah não...senti tanto a sua falta...um dia sem falar com você é tipo uma eternidade...acredita que eu nem dormi ontem...eu fui um idiota -falou meio envergonhado.
—Você é tão gay -sorri
—As vezes é bom ser gay -piscou
—Baka -mostrei a língua, me afastei e entrei na escola.
—Tchau, até mais tarde -gritei e sumi antes de ouvir uma resposta.

Espero que meu dia continue bom. Não quero que estraguem meu humor hoje.

Caminhei até a minha sala e antes de entrar avistei alguém conhecido.

David...será que devo ir falar com ele... ir ou não ir.

Notas finais
Meio triste esse capítulo, não?! Espero que o Deive faça a coisa certa...