Espelho
10 Acampamento?
Notas iniciais
Antes mesmo de eu terminar de pensar, vi uma garota
um pouco mais baixa que ele, morena, de cabelos longos, cacheado, num tom de mel e olhos da mesmo cor, se aproximar dele.
Ela cumprimentou ele com um beijo na bochecha e os dois saíram de mãos dadas.
Não aguentei comecei a rir, mais uma das minhas manias, eu sempre começo a rir quando estou nervosa.
—Já intendi tudo....
Depois de rir feito idiota por um longo tempo eu finalmente entrei na sala.
Tive a leve impressão de que todos estavam me olhando como se eu fosse doida.
—Não ligo, "quanto mais loucos mais felizes somos"
A aula e o resto da semana passou bem depressa, todos os dias eu esbarrava com o Deive pelo corredor, ele sempre me cumprimentava, mas não passava disso e ele sempre estava com aquele garota.
A Pérola me confirmou que eles estavam namorando. Ela tá com raiva dele porque agora ele também mal está falando com ela. Ela diz que ele é muito ingrato e esqueceu dos amigos só porque começou a namorar.
Eu conversei com minha mãe sobre o Haru e ela disse que eu podia trazer ele aqui pra casa, mas o Deive inventou uma desculpa e não me entregou. Ele me garantiu que sempre ia me dar notícias dele.
Meu namoro com o Mayc está indo pra frente e cada dia que passa eu gosto mais dele, confesso que no começo eu estava um pouco confusa, mas agora eu vejo que a gente pode dar certo. Ele é super fofo, carinhoso, romântico e agora eu estou naquela fase boba da vida, de ficar rindo pras paredes, ficar horas e horas falando com ele pelo telefone.
Combinei de ir na casa dele hoje depois da escola.
Antes de ir eu passei em casa para trocar de roupa e deixar a mochila.
Liguei pra ele várias vezes, mas ele não atendeu
—Estranho ele nunca demora pra atender, principalmente quando sou eu que ligo, ele tem até um toque personalizado pra saber que é eu.
Liguei mais umas vezes e comecei a ficar bem preocupada.
—Será que...aí meu Deus
Sem pensar duas vezes eu sai correndo em direção à casa dele.
Bati na porta várias vezes, mas não obtive resposta. Tentei abrir a porta, mas tava trancada.
Mordi o lábio de nervoso.
—Aí o que que eu faço agora...
—A janela....
Antes de terminar de pensar corri até o outro lado da casa e subi em uma árvore perto da janela da sala e entrei por ela.
Quando a gente era mais novo a gente amava entrar na casa por aqui, fiquei feliz por ainda conseguir passar, uma das vantagens de ser magra.
Cai de cara no chão.
—Aí, esqueci que isso também sempre acontecia.
Ignorei a dor e a vergonha e subi as escadas correndo em direção ao quarto dele.
Gelei ao vê-lo caído no chão com o celular um pouco longe de sua mão, ele provavelmente tentou pegar e não conseguiu.
Ele estava usando apenas uma calça moletom e estava com o cabelo molhando. Ele deve ter acabado de sair do banho.
Juntei todas as forças que eu tinha e arrastei ele até perto da cama, subi nela e puxei ele pra cima, deixei a cabeça dele apoiada no travesseiro e sai com cuidado pra não machuca-lo.Fiquei olhando pra ele por um tempo e entrei em desespero.
—Acorda...acordada...acorda...Por favor, eu não quero te perder...não faz isso comigo por favor...
Vasculhei o quarto dele todinho procurando o remédio dele.
—Cadê aquela porcaria?! -gritei
Olhei em todo lugar e finalmente achei a bombinha de ar dele caída perto do local onde ele estava.
Coloquei a mão perto do nariz dele e vi que ele estava respirando bem pouco. Tentei acorda-lo até que ele finalmente abriu os olhos.
—C-como...- falou com a voz bem fraca
—Toma...-ajudei ele a tomar a bombinha de ar.
Com o tempo ele foi recuperando o fôlego novamente.
—Ei...não chora por favor...
—Você quase me mata do coração caramba....
—Desculpa...eu não queria te assustar...
—Eu fui tomor banho e quando eu sai, percebi que meus pais tinham saído...der repente eu comecei a ficar sem ar e...
Ele começou a chorar.
—Ei...não chor...-antes de eu terminar de falar ele me puxou me fazendo deitar ao seu lado.
Ele me abraçou bem forte.
—Eu tô com medo...muito medo...isso é tão assustador...
—Shhhh...eu tô aqui, não precisa ficar com medo -falei fazendo cafune no cabelo dele.
Quando ele estava quase dormindo eu tentei levantar, mas ele me segurou mais forte pela cintura e apoiou sua cabeça no meu peito, acabamos dormindo assim.
Acordei bem sedo, um pouco antes do sol nascer.
—Aí não acredito, eu apaguei dormi de um sono só. Deve ser porque eu me sinto tão bem e segura perto dele que acabei esquecendo que eu tenho uma mãe em casa que com certeza vai me matar -rindo de nervosa.
Tirei o braço dele de mim com cuidado para não acorda-lo e levantei da cama sem fazer barulho, mas tropecei em um sapato no chão e cai em cima da mesinha do computar. Resumindo sou desastrada e acordei ele. Me amo.
—Bom dia dorminhoco
—Bom dia meu amor -ele falou com aquela voz de sono que eu amo.
—Desculpe te acordar, já estou saindo, volte a dormir...ah e caso eu não sobreviva saiba que eu te amo e amei ser sua namorada, adeus -sai do quarto antes dele ter tempo de responder.
Desci as escadas com cuidado pra não ser notada por ninguém.
Abri a porta, tranquei por fora e joguei a chave por debaixo da porta.
Fui o caminho inteiro rezando pra minha mãe não me matar.
Nunca dormi fora de casa antes, só nós acampamentos, mas isso já é outra história, nunca sai sem avisar.
Bati na porta com uma linda cara de taxo. E depois de alguns minutos alguém abriu.
—Mãe eu...
—Sua idiota, onde você tava? quer me matar do coração?!
—Bom dia pra você também maninha.
—Vem logo, aproveita que nossa mãe ainda não acordou.
Subimos pro meu quarto e ela já entrou se jogando na minha cama.
—Vamos lá mocinha desenbucha -cruzou os braços e fez cara de brava
—Eu liguei umas mil vezes pro Mayc, liguei pro Deivid,
pras suas amiguinhas da escola e nada....
—E-eu...dormi na casa do Mayc...
—QUE?! aí meu Deus...não acredito -sou falsa expressão brava sumiu.
—Ei, pode ir tirando esse sorrizinho besta da cara, não é nada disso que você está pensando
—Ele passou mal e eu tive que cuidar dele.
—De novo...fico tão preocupada com ele...
—É triste...ele tem tanto medo...e ele nunca pede ajuda, ele não quer que sintam pena dele...e eu entendo esse sentimento...
Deitei do lado dela e ficamos em silêncio por um tempo.
—Minha mãe vai me matar.
—Relaxa, eu cuidei de tudo, falei pra ela que você tinha ido pra casa das suas amigas da escola terminar um dever e talvez ia dormir lá.
—Nossa, é por isso que eu te amo -falei abraçando ela.
—É, mas por culpa sua eu nem dormi, fiquei super preocupada e passei a noite te esperando
—Desculpa, não vou mais fazer isso
—Acho bom mesmo mocinha -fez bico
Rimos, conversamos mais um pouco e dormimos de novo.
*********
—Quem é esse? é seu namoradinho -falou segurando forte meu braço.
—Não é da sua conta -gritei
—Acho bom que não seja, você não tem idade pra namorar -segurou forte meu rosto com a mão. A final não se deve confiar em qualquer um, não é mesmo... Ele riu com aquela risada nojenta e irritante.
Eu tentei sair, mas ele me segurou forte e me jogou na cama.
—Me solta -gritei e comecei a chorar.
**********
Acordei assustada com o toque do celular.
—Alô...
—Conta tudo, TUDO -Emilly querida, bom dia pra você também, dormiu bem?
Rimos
—Sua irmã me ligou ontem te procurando, onde você tava?
—Na casa do Mayc...-antes de eu terminar de falar ela já se deixou levar pela curiosidade e empolgação.
—Ei sua mente poluída, não é nada disso que você está pensando
—Ah não, então me explica
Contei tudo pra ela.
—Nossa que bad....eu não sabia que ele...
—É ele não gosta que fale sobre isso.
—Entendo...
Conversamos mais um pouco e decidimos fazer um programa entre amigas.
Decidimos ir acampar, passar um fim de semana em meio a natureza. Isso é muito bom, eu amo acampar e já faz um tempinho que eu não faço isso.
Arrumei todas as coisas e que eu ia precisar e sai com Pérola.
Combinei de encontrar as meninas perto da escola e fomos para uma chacara um pouco longe da cidade, mais ou menos uma hora de caminhada.
Infelizmente para a tristeza delas, tivemos que ir caminhando, eu amo caminhadas, mas elas não.
—Affs quanto tempo ainda falta pra chegar? eu tô super cansada, e ainda tenho que caminhar com esse peso nas costas-falou Emilly
—Eu tô começando a me arrepender de ter vindo-completou Stella
—Calma gente, vai valer a pena eu prometo.
—Eu tô com fome e com sede-reclamou Pérola
—Vocês são tão diferentes de mim-risos
—Ei, gente...a gente podia ter chamado os meninos
—O-os meninos
—Sim, o Deivid e o Maycom-completou Stella
—É, seria muito legal, eu tô super ansiosa pra conhecer o seu namorado, você fala tanto dele, ele parece ser incrível-falou Emilly -Até parece que minha mãe ia deixar um bando de adolescentes sairem pra acampar sozinhos.
—Ela só deixou a gente vim porque só vinha meninas-completou Pérola
—Mas a gente não vai fazer nada da mais-retrucou Emilly
—Mas ela não vai está aqui pra ver isso.
Depois de uma longa caminhada cheia de conversas aleatórias, brigas e pirraças, finalmente chegamos ao nosso destino.
—To morta- Stella disse se jogando no chão
—Eu também-disse Emilly deitando do seu lado
—Descansem um pouco vocês merecem-falei rindo
Enquanto elas descansavam um pouco eu fui pegar um pouco de lenha pra fazer o almoço e pra fazer fogo a noite.
—Felizmente eu já conheço esse lugar de cór, já vim aqui várias vezes.
Peguei vários pedaços de madeira e depois de um tempo, quando eu já não conseguia segurar mais nada a Pérola apareceu pra me ajudar, depois voltamos pro lugar onde íamos ficar.
A Emilly e a Stella ja tinham organizado as coisas e estavam tentando montar a barraca. Uma situação bem cômica.
—Ponto para a barraca, se fosse uma briga de verdade vocês já teriam perdido faz tempo-brinquei
—Ha ha, muito engraçado-ironizou Stella
—Para de rir e vem me ajudar...
—Você que manja dessas coisas-completou Emilly
—Okay, okay, deixa comigo...Pérola me ajuda
Depois de um tempo montamos a barraca e arrumamos nossas coisas lá dentro.
Eu e Emilly preparamos a comida, fizemos uma macarronada e suco de laranja.
—Affs, aqui não tem sinal
—E você acha que ia ter isso aqui, no meio do mato?!
—Eu queria falar com meu namorado
—Você tem namorado? você nunca me disse isso Emilly...
—Sério? Jurava que já tinha falado, a gente namora já faz um tempinho
—Nossa que legal...como ele é? -Moreno, alto, cabelo cacheado, tem um sorriso perfeito-nessa eu não pode evitar de lembrar do Deive-é engraçado, simpatico,inteligente, ele tem 18 anos, já tá na faculdade-falou toda orgulhosa -Nossa que legal, ele tem a mesma idade do mayc, imagina só se eles já tiverem se visto na faculdade -Seria bem legal, eles poderiam até ser amigos-falou animada
Ficamos um bom tempo conversando sobre eles, os dois tinham se conhecido em um jogo de basquete e ele tinha um irmão mais novo, de 17 anos, irmão por parte de pai, mas ela nunca tinha visto ele.
Depois do almoço a gente descansou um pouco e trocamos de roupa para ir explorar a natureza e depois tomar banho no rio.
Eu mostrei todos os lugares legais pra elas, a gente viu um monte de pássaros, flores, vários tipos de árvores com frutas bem gostosas, tivemos um dia muito agradável.
—E chegamos, eu lhes apresento o rio mais legal que eu já visitei
Era um rio com uma água bem verdinha, tinha uma cachoeira bem grande, com umas rochas lindas, uma vista muito agradável de se ver, te dá um sentimento calmo, cheio de paz.
Todas nós tiramos a roupa e ficamos só de biquíni. A Pérola tava com um verde florido, a Emilly com um azul turquesa a Stella com um roxo e eu tava com um laranja estampado e um short combinado com ele.
Ficamos nadando e brincando durante um bom tempo e quando começou a escurecer voltamos pro lugar onde estávamos.
Eu acendi a fogueira e preparei uma sopa pra gente comer no jantar.
Já havia escurecido quando nos sentamos na beira da fogueira.
—Agora a melhor parte, hora de contar histórias de terror pra ninguém dormir hoje -Pérola disse rindo
—Não, nem pensar-falei
—Sim, sim, sim-disse Emilly empolgada
—Eu começo hahaha-Pérola falou colocando a lanterna no rosto
—Em uma tarde de verão quatro amigas resolveram fazer um passeio na floresta...mas elas não sabiam o que lhes aguardava.....
Nesse momento ela foi interrompida por um carro vinda em nossa direção com os faróis ligadas.
A gente levau um grande susto.
—Olá gatinhas-David falou em tom brincalhão, saindo do carro
—Sentiram nossa falta-completou Mayc, piscando pra mim
—Como vocês chegaram aqui?
—E desde quando vocês se conhecem?-completou Pérola
—É uma longa história-falaram rindo.
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