Espelho

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Postei isso numa rede social e agora resolvi postar no Nyah!É apenas para se buscar uma reflexão.Ou, simplesmente ler.

Um garoto de pele esbranquiçada acalorado com a luz do sol, sentia seu corpo gelado pela aflição falseada a qual ele presenciava. Sentado na beira da cama, olhava para o espelho quadrado e grande a sua frente, observava com seus olhos claros ao fundo, no corredor de seu quarto o esforço repetitivo de sua irmã.

Seus olhos claros brilhavam,suas mãos suavam, observando atentamente. Os olhos em foque na alternada luminescência do corredor, como se houvesse somente luz em seu quarto e luz na parte a qual sua irmã tentava caminhar com esforço. Era como a focalização branca das luzes de teatro.

A garota, esbarrava-se entre as paredes úmidas, acanhada em fazer esforços para prosseguir a sua caminhada. Obstinada e suada, fortificava-se em usar sua força, sua força de vontade e com o olhar mirava para baixo.

O irmão, observou pela janela o céu estava lindo, mas redirecionou o olhar através do espelho em sua irmã, pensou: "Devo ajuda-la ou esperar que ela alcance o seu objetivo? Devo aproximar-me e dizer que ela consegue? Ou devo fingir que não se passa de um esforço próprio que não pede por ajuda?"

Ela caminhava e esbarrava-se, um passo a frente, uma pausa, um passo para frente, caem gotas de suor, um passo adiante, respiração ofegante e a cada passo um fenômeno, mas mesmo que os passos fossem enumerados, o destino não chegará ainda.

Usava pesos em suas pernas, pesos em seus braços e também, o peso da consciência e da culpa. Mas, ainda que o irmão já a tenha tido que ninguém teve culpa ou tem culpa, ela se culpa, porém, não se amargura. "Escolhas erradas e atos errados podem culminar numa consequência inapropriada e não esperada, sem intenção, apenas porque aconteceu e ninguém manda no destino, o destino é que manda em nós", dizia o seu irmão em dias a qual ela acordava chorando ao ter um pesadelo no dia da tal fatalidade, no dia em que ela por birra e por inocente egoísmo, tirou a distração do guia.

Ele envolvido em pensamentos, o colchão afundando num só local, pernas inquietas: Vou ou não vou? Perguntas que flutuavam, umas coloriam-se e outras incolores. Umas se aproximavam e outras se afastavam. Não há a existência desse poder sobrenatural, era um ser a qual imaginava que as perguntas apoderavam-se de cores, quando as perguntas se aproximavam de uma resposta, logicamente aquelas sem respostas sumiam como mágica.

Longínqua sua irmã ainda em movimentos pragmáticos e esforçados no corredor próximo.Toca a buzina, alguém buzinou de dentro do carro. Era o sinal, alguém chamava por ele. O garoto levantou, o colchão se inflou, a luz do sol amenizou-se e trilhou em direção ao corredor, metros dali, ela parou, ela cansou, a irmã cansou. Não por esperteza, mas, saberia ela que o irmão falaria algo.

Os dois bem próximos, ele agachou, levantou o rosto da irmã com simplicidade, olhando nos olhos dela pronunciou:
– Você já se superou, você já provou o suficiente de que é capaz de superar as diferenças e barreiras que acontecem.Não há motivo ainda para se culpar, você é criança, e crianças não precisam e não devem ter sentimento de culpa. Isso não é mais necessário...

Ela o interrompe:
– E você é suficientemente bom nas palavras. Caminha, cuida! Mamãe está te esperando. Deixe que eu cuidarei de mim.

Ele sorriu, e caminhou conforme o que lhe foi falado.

A jovem de madeixas leves e corpo fadigado, também prosseguiu, já estava próximo da porta do quarto do irmão, deu um suspiro e chegou até a cama, sentou-se no mesmo lugar que o irmão e olhou com o auxilio do espelho a caminhada do seu irmão enquanto ele sumia a cada degrau pela escada. A moça, dedicou-se instantaneamente a olhar os próprios olhos através do reflexo no espelho que copiava a sua imagem.

Pensou emitindo a voz em tons baixos:" Ah! meu irmão, agora anda como merecia andar, seus caminhos antes difíceis, agora fáceis...Muito bom nas palavras, me mostrou que o limite é uma ilusão, ou melhor, que não há limites e sim há pessoas que aceitam os limites, e sem antes lutar para vencê-los, desiste.

Caminhando normalmente em direção ao mesmo corredor que ela rastejava-se para locomoção, tornou os pensamentos: " Hoje eu sei o significado da palavra superação, e mesmo assim eu irei continuar a fazer todo esse ritual, todos os dias e repetindo, se possível. Caminharei com esforço, com o esboço de chegar até o quarto do meu irmão, sentar-me em frente ao espelho e lembrar que um dia, ele caminhou sozinho e o acidente que ele sofreu, não o impediu que caminhasse só, as dificuldades de locomoção superaram os olhos de uma mera miragem em um espelho".

Ela voltou ao inicio do corredor e começou outra vez a repetir os gestos do irmão. Ela faz por orgulho, e não por culpa. O orgulho que senti do irmão que superou as próprias perspectivas, surpreendendo os demais, as dificuldades e o destino.

Notas finais
Um grande abraço.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!