Espectro de homem
1 ESPECTRO DE HOMEM
Estamos tão longe da realidade que se alguém me dissesse que agora estou sonhando eu acreditaria, nada me prova, infelizmente, que ao fechar os olhos no escuro azul da Lua eu não alcance os seres celestes e viva com o meu corpo espectral.
Há tantas músicas num loop (infinito), pleonástico. Olho para baixo e o que vejo se parece mais com o caos, linhas desordenadas que escoem para o mesmo fundo, para o mesmo som... O grito, o abismo.
Um mascarado me entrega uma viola, começo a tocar, imagino a minha vida, entendo o significado, pelo menos daquele momento. A vida vai além das linhas tortas de uma viola, desafinada, alguns verão simples ruídos naquele dó, outros verão a pura tortura no ré e por fim, haverá aqueles que após cambalear o necessário, dançam conforme a melodia que ouvem.
A corda que puxo me leva a escrever, pergunto-me o que aperto, o laço ao redor do meu pescoço ou a ligação entre dois cordões que me levarão a sair deste paraíso quente e profundo.
Esse conto ou seja lá o que for, é uma história jogada, um apelo que vagamente será esquecido, estou deposto a pena por mero capricho do destino, para preencher um vazio indecifrável que paradoxalmente leva-me a encontrar-me, diferente dos outros escritores, não há uísque, cafeína ou energéticos, apenas combustível mental, lavor, renovado e que sempre leva um preço junto: a minha sanidade.
O dia foi cheio, ótimo, e mesmo assim, aqui estou eu. Um ofício rotineiro ou um vício? Ou será que rotina e vício se apresentam como a mesma coisa?
Acho que devo dormir, os lobos se aproximam, a carne do meu pescoço pode sentir, trajado com um cobertor volumoso talvez eles só mastiguem pelo e um pouco de epiderme. Conto com isso, ou não estarei vivo amanhã para reler esse relatório... Ou pode chamar de história, poema contado.
FIM
10/07/2015
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