Espectro

1 Invocação obsedante


Notas iniciais
Olá caro leitor. Como você está? Eu espero que bem. Este conto foi concluido no finalzinho do mês de novembro de 2015. Eu o escrevi na intenção de ajudar alguém... amiga''...''a superar uma perda''. Mas no final de tudo isso, acabei reparando que o que está escrito aqui, não foi sobre essa amiga e outra pessoa, foi sobre mim e ela ( Há uma dedicatória que escrevi junto ao texto, mas não vejo motivo para coloca-lá aqui) no final das contas, esse conto também foi exposto em minha escola devido a proposta que a mim foi imposta de criar um conto fantástico para a feira de português. ( para quem não sabe as caracteristicas deste genêro textual, favor pesquisar antes de vir me dizer que não apresentei um nome para a personagem que narra a situação) O assunto basíco desta produção foi paralisia do sono, acredito que esse seja o lado ''cientifico da história'' rs. O espiritual cabe a você entender. Ps: Provavélmente, este conto é uma ''Side Storie'' que explica algo que aconteceu em uma outra história que tenho em mente e que ainda não está postada, mas prevista para ser lançada ainda neste ano, pois a mesma está em fase de ''producação de ídeias.''. Boa leitura.

''Uma estrada solitária, cruzou outra linha fria de estado. Milhas de distância daqueles que amo
um objetivo difícil de encontrar. Enquanto eu me lembro de todas as palavras que você me falou. Não posso evitar, mas queria estar lá.''

— Avenged Sevenfold — Dear God

Minha visão estava embaçadada e denunciava minhas lágrimas. O cheiro de amaciante de rosas em meus lençóis revirava minha mente. Alias, aquele cheiro não era a única coisa que mantinha-me inquieta naquela noite. Sentia minha garganta queimar e meu coração estremecer de arrependimento. Fitei a tela atentamente antes de deixar a dor me tomar por completa, sua última mensagem descrevia uma curta explicação do porquê estarmos tendo aquela briga: ''— É como se...tudo o que eu fizesse para você nunca já mais fosse o bastante'' — Ao terminar de interpretar aquilo, cerrei meus pulsos e me perdi demasiadamente no único e último foco de luz no quarto, uma pequena lamparina vermelha de urso, ganhei-a de minha mãe quando ainda era bem pequena, costumo dizer que ela me protege de todo o mal enquanto durmo, pois é quando a madrugada se inicia e o nevoeiro cai sobre a cidade escondendo inclusive a lua do céu é quando a pequena linha entre a felicidade e a tristeza começa a se tornar mais fina e cada vez mais, menos digna. Minhas mãos se mexeram levemente, trazendo-me de volta ao meu corpo, corpo este que havia de ter se perdido eu meus pensamentos, onde eu acabava de ter colocado meu celular em minha cabeceira de mogno antigo, deixando ali, toda a minha esperança de que ela correria para me pedir desculpas pelo que tinha feito minutos atrás.

Nada mais restava a ser feito a não ser encostar minha cabeça no fofo travesseiro bem a minha frente. Contudo, instantaneamente ao fazer isso, voltei a viajar de forma distante imaginando seus motivos para ter me testado daquela maneira. Jessie e eu éramos amigas a tão pouco tempo e nem sequer nos conhecíamos cara a cara, então...o porquê de tudo aquilo? Porquê nos importávamos tanto uma com a outra desta maneira tão insana? Foram longos e intensos três meses. Lembranças, não quero me afogar nelas! De uma coisa é certa, para nós duas, a hora de acordar era a hora em que íamos dormir. Todavia, eu nem ao menos me importava com o tempo quando conversávamos, perdia-me de tal maneira que não sou capaz de descrever.
Limpei a mente e fiz uma pequena oração em vão pedindo para que qualquer força maior, não me deixasse desmoronar ao deixa-la finalmente seguir em frente, sem explicação, sem adeus, sem maiores despedidas. Notei meus membros ficarem pesados. A sensação de mil agulhas perfurando minha pele e a incrível impossibilidade de locomover um dedo que fosse me assustava, bem como o silêncio do caminhar de passos lentos em minha direção. Me debatia constantemente na tentativa de conseguir me mexer, certamente aquilo não teve nenhum um efeito, pois continuei a sentir-me agoniada por ainda estar imóvel. Então, cansada de tentar lutar contra a inevitavel ídeia de que aquilo não pararia a menos que eu deixasse a sensação me consumir, reuni todas as forças possíveis e impossíveis de se existirem em um ser humano e como um passe de magíca, me vi dormindo, flutuando acima de meu corpo,

O quarto estava vazio e calmo, e eu já não conseguia mais ver o foco de luz da lamparina...a escuridão tomava conta, era a uníca coisa que ainda mantinha o local e o fazia ser terrívelmente encantador, contudo ao mesmo tempo, aquela solidão rondando ali, tirava de mim minhas maiores esperanças, consumia minha alma e tirava dela, o pouco que ainda restava de bondade. No canto da parede, uma sombra branca me observava. Assustei-me dando um berro, porém o meu próprio reflexo deitado em minha cama continuava intacto, sereno e quieto. A cada segundo que se passava, mais aquela sombra consumia-se para perto de mim, ela parecia querer me dizer algo, apontava para a porta de madeira e logo após, para o meu corpo dormindo. Senti como se eu estivesse prestes a desmaiar, tudo girou e quando dei-me conta, estava em um local de área verde, semelhante a uma praça, com grandes árvores, arbustos de frutas silvestres, ao longe, um banco branco daqueles antigos tinha grande destaque.
Coloquei a mão sobre meu peito, senti uma leve pontada de angustia ao conseguir por fim distinguir a sirueta sentada ali. Cabelos escuros, pele não tão clara e não tão escura, covinhas e diferentemente do habitual, um olhar triste em sua face, para mim não havia sombra de duvidas de que, aquela era Jessie. Embora eu nunca tivesse a visto ao vivo e a cores deste modo, eu já mais me esqueceria daquele rosto nas fotos que a mesma havia de ter me enviado. Eu queria chegar perto dela, arrancar dela uma explicação para tamanha falta de animo, todavia optei por aguardar mais alguns minutos a fitando de relance, isso foi o necessário para que minhas perguntas fossem respondidas.

Ela sussurrava meu nome baixinho, apertava os dedos fazendo-os estralar por nervosismo. Fechei novamente meus olhos e fiz o máximo para que minha vontade de abraça-la fosse a única coisa que importava no momento. Realmente, havia dado certo, lá estava eu, sentada ao lado dela, confortando-a...mas era como se ela não pudesse ver-me, só sentir minha presença. Sei disso porquê no momento que toquei sua mão, Jessie retribuiu ao gesto e riu fraco.
Eu podia sentir uma corrente de ar porém não distinguir de onde ela vinha, talvez fosse o clima do local se modificando. Conforme os instantes se passavam e quanto mais o vento batia contra nossa pele, mais eu a sentia desaparecendo, mais eu conseguia saber que ela sumiria de minha vida cedo ou tarde e eu não poderia fazer nada para que aquilo parasse. Conformada com a situação e desesperançosa, fechei meus olhos pela última vez sem esforço algum, quando os abri, estava de volta ao meu quarto.

A sombra branca continuava no mesmo lugar da parede e agora, sorria sem motivo aparente enquanto estendia seu braço em minha direção. Suspirei e dando-me por vencida, segurei sua mão. Tudo ficou claro, como se eu tivesse encontrado a minha paz interior. Momentos depois, sucumbi-me de volta ao meu corpo, levantei-me da cama desesperada e berrei o mais alto que consegui sem ao menos sentir. A janela do quarto estava aberta e o sol acabava de nascer por de trás dos prédios. Meu celular encontrava-se com o alarme ativado e por isso apitava mostrando-me a hora, lembrava-me de ter o deixado na cabeceira, porém ele não se encontrava sobre tal. Procurei-o entre os cobertores e não demorou-se muito para que eu agarrasse uma superfície dura. Na tela, procurei pelo nome de Jessie, hesitei ao apertar o botão de discagem rápida, tentando decidir se queria ou não, ouvir sua voz. Optei por arriscar.

— Você...argh! Porquê fica invadindo a minha cabeça desse jeito? — Vociferei assim que ela atendeu

— Bom Dia para você também — Disse ironicamente, pude imaginá-la revirando os olhos para cima — Eu não sei do que é que você está falando.

— Eu sonhei contigo esta noite — Afirmei.

— Oh, isso é uma baita de uma coincidência! — Exclamou, gargalhando alto — Acabei de acordar e posso afirma que eu ia dizer-lhe o mesmo. É quase como se...eu tivesse conseguido sair daqui e ir te abraçar, quem me dera, não? — Quase pude vê-la sorrir com suas palavras — Sabe? Eu só quero que você me mantenha em mente. Pois eu a ainda estou aqui e eu não vou embora tão cedo.

Notas finais
Até breve. Espero que tenha gostado. XX - MRSC
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!