Especial Inner Beauty
15 Capitulo Quinze - Final de Ano II
Notas iniciais
Final de Ano
Parte II
Nunca é demais.
Era isso que tomava minha mente incessantemente a cada beijo que se iniciava e terminava, como se tivesse descoberto o botãozinho que tem acesso direto com a parte do meu cérebro que causava a sensação de deleite e felicidade.
Estava tarde, nossos pais já tinham ido dormir – ou não – mas se tinha uma coisa que eu não sentia no meio daquele turbilhão de sensações era sono. Entre um beijo e outro ele soltava um risinho que já nem me incomodava.
Ele estava ali, deitado sobre mim e eu estava naquele quarto cujo há muito tempo não pude entrar, tudo tinha mudado drasticamente de novo. Só que dessa vez, era uma mudança que eu tinha aprovado.
Era a primeira vez depois de muitos anos que o sentia tão ligado a mim, de modo que os beijos realmente pareciam nunca ser o suficiente.
Ofeguei por uns instantes quando se separou dando uma típica risadinha abafada, o que não era um problema desde que depois de rir ele tornasse a me beijar. Felizmente foi o que fez, porém indo no rumo do meu pescoço, arqueei a cabeça para trás permitindo que toda a extensão dele ficasse exposta. Assim que os lábios dele tocou a curva do meu pescoço acabou escapando um gemido da minha garganta – tinha vários presos, mas alguns eram impossível de segurar.
Levei minhas mãos até sua cintura o abraçando – eu não conseguia fazer muitas coisas naquele estado, embora uma voz interior me dizia que eu devia. Quando senti que de beijos carinhosos ele começou a lamber meu pescoço fiquei bem perto de ter uma parada cardíaca. De impulso apertei o tecido da sua camisa soltando um gemido nenhum pouco sutil como os demais que saíram.
O Michael que é um imbecil sacana, deu uma risadinha no meu ouvido e continuou – nenhum protesto da minha parte, aquilo foi... Muito bom. O apertei contra mim no abraço e acariciei suas costas por debaixo da camisa.
Momento cientifico: Como a textura da pele dele era diferente, bem firme, comparada a textura da pele de uma mulher que é mais suave sem tanta rigidez, ou será que isso era culpa dos músculos?! Será que mulheres musculosas tem a pele assim? Fato do momento é que aquilo atiçou minha curiosidade.
Segui a linha da sua espinha acariciando quase tentando me lembrar de respirar as vezes. Cheguei até a região da escapula e querendo muito estar de frente para elas, mas sem interromper aqueles beijos/lambidas/provocações/indecências do Michael que fazia meu ritmo cardíaco acelerar de uma forma muito agradável.
Abaixei as mãos alisando até o elástico da sua bermuda e ia estender minha curiosidade até a região inferior se o Michael não tivesse dado um salto olímpico para fora da cama.
— Opa, opa, opa! Aí não, que o controle vai embora de vez! — Demorei uns bons minutos tentando entender a exclamação dele. Mas meu raciocino se encontrava lento e tudo que me passou pela cabeça foi: “Por que ele parou?”.
— O quê? — Me sentei na cama notando ele se aproximar. — Como assim? — Deu uma risadinha nervosa.
— Não vamos avançar o sinal, certo? — Pisquei algumas vezes. Sinal?
— Hun?! Sinal? De semáforo? — Tornou a rir, sentou na beirada da cama.
— Ok, já é um desafio enorme me segurar... — Mal prestava atenção ao que falava, engatinhei até bem perto dele num sorriso tímido. — ...Ne-nesse ritmo, não va-vai dar para parar... — Claro que eu corei ao entender, mas já estava grudada a ele novamente sentada no seu colo.
— Eu não me importo... — Sussurrei o beijando carinhosamente. Ele retribuiu o ato soltando um choramingo abafado na garganta. E quando eu pensei que voltaríamos ao clima de antes, segurou meus ombros e me afastou interrompendo o beijo.
— Eu me importo, estamos na minha casa e seus pais estão no quarto ao lado. — Semicerrei os olhos cruzando os braços olhando para ele em pé na minha frente. De repente meu raciocínio voltou e veio cheio de raiva.
— Isso não pareceu ser um problema quando dormiu com a Claritta! — Contradisse. Tornou a choramingar entre um riso nervoso e outro negando.
— É diferente, eram seus pais e não os dela, e não é a mesma situação. — Franzi o cenho sentindo uma pontada no peito.
— Clarooo, por que sou eu, não é? A Sophie é diferente...! — Falei a última palavra com desdém. Se aproximou com semblante como se fosse óbvio.
— Mas é evidente que você é diferente Sophie, como pode...
— Diferente ao ponto de você conseguir dormir com qualquer uma, exceto comigo? — Cortei a frase dele o encarando indignada.
— Nãooo! Diferente ao ponto de... Érr... — Ele fitou o teto procurando palavras para completar. Me encolhi abraçando meus joelhos quando se aproximou. — ...Sophie, aqui não, espera mais um pouco... — Ahhh minha noite perfeita se quebrou naquele instante.
— ...Eu espero por você desde onze anos Michael... — Resmunguei mais para mim do que para ele. Michael havia acabado com o encanto do momento completamente.
— ...Ahhh não diga isso...! — Retrucou e eu virei o rosto para o outro lado nervosa. — ...Já fiz tanta besteira envolvendo você, que não quero cometer mais erros. — Sentou ao meu lado me abraçando. — Vamos ficar numa distância segura e você vai poder fazer o que quiser comigo, hein?! — O fitei pelo canto do olho.
— Está com medo do meu pai? É isso? — Perguntei entre sorrisos.
— O quê? Nãooo! Que loucura! Não estou com medo do seu pai, eu estou com medo da minha mãe! Ela vai me matar só de sonhar que eu beijei você. — Gargalhei alto não acreditando. Relaxei nos seus braços devolvendo o abraço pela cintura.
— O incrível Michael tem medo da mamãe? — Brinquei e ele deu uma risadinha falsa.
— Querida, você NUNCA viu dona Eloise nervosa, talvez tenha visto com uma leve irritação, mas zangada? Jamais! No ano passado meu pai chegou atrasado no aniversário de casamento deles, no dia seguinte... Minha nossa, parecia que tinha sido arranhado por uns cinquenta gatos e mordido por uns dez cachorros raivosos, se ela faz isso com o meu pai, que ela ama de paixão, imagina comigo! — Girei até ficar de frente para ele e no seu colo. Não entendi por que ele deu um tremelique junto a um tique nervoso quando eu fiz isso, mas enfim.
— Por que a tia Eloise ficaria tão zangada por conta disso? Meu pai tem lá seus motivos ‘tradicionais’, só que a tia Eloise não. — Suas mãos iam para minha cintura, porém recuou no mesmo tempo e tentaram ir para as pernas que Deus sabe por que ele recuou também, concluindo seu dilema e cruzando os braços engolindo em seco. Eu não compreendia as atitudes dele.
— Minha mãe te adora, em contrapartida não aprovaria nem em mil anos nosso relacionamento, por se tratar de mim e minha péssima reputação. — Disse com a embargada.
— Você está bem? — Toquei seu rosto o forçando a me olhar nos olhos. Ele engoliu em seco de novo afirmando. Foi então que a ficha caiu de que se tratava por eu estar sobre ele, me veio até um flash de uma cena de filme de um casal assim – embora estivessem nus e não conversavam. Aproximei a boca no seu ouvido sorrindo. — Quer que eu saia? — Choramingou negando.
— Não... Sim... Não... Sim... Nãoo... — Murmurou e não teve como segurar o riso. Ele finalmente estava de fato me vendo de forma diferente.
— Sabe que eu quase achei que o ‘meu’ diferente significava que você não se atraia por mim?! — Sussurrei depositando um beijo na sua orelha. A respiração dele travou. — Então, em que eu sou diferente Michael? — Continuei. Desci o beijo agora para os seus ombros puxando a argola para mostrar mais pele. — Hum?!
— Ahhh foda-se...! — Disse voltando a respirar fundo. Puxou meu rosto pelo queixo me dando um beijo nada descente e bastante exigente.
Deixei escapar um gemido na garganta de surpresa com aquela boca quase me devorando, não tinha mais risinhos, nem calma e muito menos suavidade. A língua dele avançou contra a minha de uma maneira que nem ao menos consegui seguir o ritmo. Sua outra mão enlaçou minha cintura com força comprimindo o pouco espaço que havia entre nossos corpos, o que me fez soltar outro gemido abafado com abrupta atitude.
Nos primeiros instantes até o raciocínio eu perdi, não captei como que de ‘Michael-vamos-com-calma’ ele havia se tornado o ‘Michael-segure-se-quem-puder’. Tentei reagir entrelaçando meus dedos sobre seus cabelos e seguindo os movimentos da sua língua que mantinha a política de Napoleão, dividir e conquista, principalmente conquistar, pois a minha estava a um ponto de se render naquela altura.
O tal do fogo? Ah... Não sei nem como explicar ele nesse momento, sei que era tanto que a sensação térmica do ambiente começou a mudar.
Quando o Michael se separou – a boca, a mão na cintura continuava a me pressionar como se quisesse me fundir com ele – eu respirei quase como se tivesse afogado. Esperei uma pequena trégua ocorrer, porém a coisa ficou mais intensa ainda do que o esperado.
Sua outra mão – não a que me queria me engolir por osmose – investiu em baixo da camisa do meu pijama com destino definido ao meu busto. Arrepiei dos pés aos cabelos quando esta mesma mão encontrou a barreira do meu sutiã – nude, droga! – no caminho, parei de respirar arregalando os olhos sem acreditar que de uma hora para outra chegamos a isso.
Sentir sua mão deslizando dentro da minha blusa até minhas costas procurando o feixe, foram os segundos mais longos da minha vida. Mas a inteligência dele havia sido drenada pelo libido que fez o feixe parecer que tinha um cadeado com senha cujo ele não sabia qual era. Na impaciência que se encontrava achei que fosse desistir e partir para outra região anatômica minha, entretanto ele resolveu o problema de forma bem simples e agressiva empurrando meu sutiã para cima dos seios.
Momento cientifico: Naquele instante eu não morri, mas a sensação era de desespero misturada com uma onda de prazer indescritível que me fazia ficar como se uma maré vermelha tivesse me tomado de tão corada que eu me encontrava. Curiosamente, meu coração acelerado como nunca, meu estomago dando pontadas de dores agradáveis e a sensação gélida nos pés e nas mãos que por algumas vezes eu até pensei que iria morrer... Não de um jeito dramático ou mórbido e sim de uma forma em que meu corpo não iria suportar tantas sinapses ao mesmo tempo.
Eu entendi a função da mão na minha cintura quando a outra tocou o centro do meu peito direito, com toda certeza eu teria caído para trás, derretido ou alguma coisa assim parecida. Joguei a cabeça para trás e o Michael já estava com os lábios contra meu queixo indo no rumo do pescoço – não eram beijinhos carinhos, eram beijos salientes, úmidos envolvendo muitas mordidas e chupões.
Consegui relaxar um pouco e voltar a consciência quando a mão boba deixou de brincar com meu mamilo, até estava cogitando novamente em segurar o rosto do Michael para um outro beijo talvez, só que ficou apenas no pensamento. Aquela mão boba não havia saído dali sem um proposito definido, ela desceu até barra da blusa e subiu numa aspereza que até mesmo esqueceu da parceira dela presa nas minhas costas impedindo que fosse até onde queria.
O controle da minha respiração estava uma loucura, hora respirava, hora esquecia, hora não me lembro como se respira mais...Eu parecia uma asmática, naquele instante.
As mãos entraram num consenso – ainda não tinha decidido se para minha felicidade ou não – e só consegui segui o ritmo delas que apressadamente puxou a blusa erguendo meus braços que não tinha vida própria no momento.
— Micha... — Num breve retorno de consciência eu ia clamar para ele ao menos me dar dois minutos para respirar. Minha nossa... Eu estava sem blusa com o sutiã erguido e com os seios à mostra. Óbvio que eu precisava de alguns segundo para absorver que o que eu queria ter feito com o James no baile estava para acontecer agora no quarto do Michael. Em intensidades opostas, mas enfim...
Acho que ele não ouviu ou fingiu que não ouviu, nem me deixou terminar para avançar com a boca no rumo do meu seio. Tudo que me veio à cabeça no instante que ele foi se abaixando foi ‘Hein?! O quê? Como assim?’ até uma língua quente envolver de cima até o centro e dar um chupão nada delicado.
— Awnnn!!! — Não teve outra, esse gemido não ficou entalado na garganta, ele saiu de forma clara e audível num raio de dez quilômetros – exagero meio, embora tenha sido alto suficiente para o Michael acordar do transe de sátiro que o possuiu.
As mãos dele foram direto para minha boca numa tentativa inútil de abafar um gemido que já tinha escapado em toda sua potência. O olhar de desespero dele sobre minha pessoa seria digno de riso se eu não estivesse tão voltada para a sensação que ainda tomava o meu peito.
Numa velocidade inacreditável ele me tirou do seu colo, pegou minha blusa no chão, passou a mão sobre o rosto com força e fez sinal para eu me vestir. Lógico que eu demorei um pouco a entender o que se passava, então bem lentamente peguei a blusa e...
— Rápido, rápido, rápido! — Pediu descendo o meu sutiã e acenando para eu erguer os braços me vestindo. Eu devia mesmo estar fora de mim para permitir que ele me vestisse. — Fingi que está dormindo, deita, se cobre e fingi que está dormindo... — Disse sussurrando.
— O quê? Por quê? — Pela cara de pavor dele coisa boa não era.
— Minha mãe tem uma audição dos infernos Sophie, ela consegue ouvir os vizinhos transando, então ela com certeza...
Toc-toc-toc!
Arregalei os olhos junto com ele que acenou desesperado para que eu me deitasse, e claro que obedeci me cobrindo com a coberta fechando até os olhos para parecer convincente. Ouvi seus passos indo até a porta e era a própria madrinha Eloise com cara de poucos amigos.
— Michael...! — Chamou ele baixinho em timbre de condenação. — Eu ouvi um gemido e pelo bem das suas genitálias eu acho bom não ter vindo desse quarto. — Minha nossa, eu até mesmo gelei ouvindo aquilo.
— O quê? Como pode pensar isso mãe? — Ele disfarçou bem.
— Eu não sou surda, eu ouvi claramente um gemido vindo daqui! Não me diga que você...
— Nãooo! Eu não fiz nada, veja... A Sophie está até dormindo. — Eu imagino que ela deu uma espiada apesar de não ter visto, pois estava com os olhos cerrados.
— Hum! Fizemos um acordo Michael, a Sophie ficaria no seu quarto e você não traria nenhuma das suas ‘namoradas’ para cá! — Falou namoradas com imenso desdém – estou contigo madrinha.
— E eu não trouxe, e não vou trazer, então relaxa!
— Só que ouvi um gemido, Michael! — Acusou ela em timbre duvidoso.
— Tem um casal no quarto ao lado mãe, já parou para pensar que poderia ser eles e não eu com... — Pigarreou. — ...Outra pessoa?
— Hummm! A Kailyn não é de sexo na casa dos outros, mas... É, quem sabe?! Bom para ela que quebrou esse tabu.
— Meio bizarro você saber disso, porém está tarde e eu quero dormir, entãoooo... Boa noite mamãe.
— Boa noite, e não vá fazer gracinhas com a sua prima como colocar pasta de dentes no rosto dela quando estiver dormindo. — Depois disso ele fechou a porta dando um suspiro longo. Me sentei na cama com a mão no coração de medo, quase que ela descobre!
— Ufa! Essa foi por pouco... — Disse passando a mão no pescoço como se uma guilhotina quase tivesse cortado ali.
— Sua ideia de ‘distância segura’ está completamente válida agora. — Michael riu afirmando. Aliás, meus pais com certeza só não escutaram, pois meu pai tira o aparelho auditivo para dormir e minha mãe dorme que nem uma pedra.
— Ah sim, depois desse gemido uma distância segura significa no mínimo outra cidade. — Brincou e eu não achei graça nenhuma. Fiquei envergonhada e me deitei novamente.
— Boa noite Michael! — Revidei nervosa me cobrindo. Deu para ouvir ele rindo alto e sentir a cama mexer com ele pulando em cima dela.
— Sophieee...! — Me abraçou. Na raiva que eu estava o empurrei.
— Saí! Se não, eu grito a madrinha. — Ordenei o que o fez rir mais ainda.
— ...Não foi uma crítica Sophie, eu vou adorar ouvir isso em todos os timbres possíveis que você conseguir... — Cochichou no meu ouvido. Ah, eu certamente fiquei mais vermelha ainda.
— Pervertido... — Murmurei, mas já não tão constrangida. Recebi um beijo no pescoço – esse era carinhoso.
— É provável, nem te conto a animação que eu ficava ao lavar suas calcinhas... — Contou entre risos desfazendo o abraço se deitando de barriga para cima.
— O quê? Quando você lavou minhas calcinhas? — Ele gargalhou me fitando.
— Durante seis meses na sua casa, esqueceu que eu que lavava as roupas da sua família? Juro que fiquei um pouco preocupado quando começou a aparecer lingerie nem um pouco descentes entre suas roupas. — Abri a boca perplexa sem acreditar no que ouvia.
— Vo-você lavava minhas roupas? Até as intimas? — Franziu o cenho afirmando.
— Sim, e eu sou bom nisso, duram bem mais na minha mão. — Eu perdi a lógica da afirmação dele, pois só conseguia pensar nos seis meses do Michael lavando as minhas calcinhas.
— Eu achei que mamãe só entregava as roupas normais para você, não... Lingeries... Aí que vergonha! — Escondi o rosto dentro da coberta ouvindo ele gargalhar.
— Ahhh Sophie... Isso não tem nada demais! Eu não te falei que ficava todo animado? — Descobri o rosto o encarando.
— Depravado! Você tinha que ter me perguntado!
— Você mal falava comigo e quando falava era para discutir, como é que eu ia chegar na senhorita não me toque e perguntar se por ventura ela não se incomodaria de me deixar lavar suas roupas intimas? — Fiz um bico tendo que concordar que parecia improvável. Me sentei na cama nervosa e apontei o dedo para sua face.
— Pois então estamos quites, por que enquanto você esteve fora eu mexi no seu quarto inteiro, canto por canto, gaveta por gaveta. — Michael riu, droga! Eu queria deixar ele com raiva não achar graça.
— Já que estamos falando de pecados, lembra aquele dia da chuva e da gente fazendo as pazes e tudo mais? — Até fiquei com medo de afirmar. — A gente ficou encharcado... Você estava com uma blusa fina amarelo-claro que ficou completamente transparente com a água... — Cobri o rosto de vergonha.
— Você viu tudo...! — Soltou uma risadinha sem graça.
— Vi, eu falei para mim mesmo que não era correto diversas vezes e para virar o rosto, mas... Não deu! — Suspirei. Àquela altura isso não era grande coisa. — E não foi só isso... — O fitei surpresa.
— Como assim? — Ele abriu a boca para falar, entretanto pensou melhor.
— Quer saber? Esquece! Você nem percebeu mesmo, isso é só coisa da minha cabeça. — Pisquei confusa.
— Percebi o quê? — Negou.
— Nada, você não vai querer saber!
— Eu tenho que saber! O que você fez? — Pigarreou sem jeito.
— Joguei sua blusa amarela fora... E fiz o chocolate quente para me redimir, veja só, fizemos as pazes através disso, então... Não foi tão ruim, não é? — Sem tirar os olhos dele franzi o cenho.
— Por que você jogou minha blusa fora? — Engoliu em seco.
— Eu estava solitário Sophie, olha, eu nem sei por que toquei nesse assunto, não é o mesmo do que o que estávamos falando. — Eu não estava entendo nada.
— Você ficou solitário e jogou minha blusa fora? E isso ajuda? — Dessa vez ele me olhou deboche.
— Sophie... Inocência tem limite, a minha irmã não faria essa pergunta. — Cruzei os braços raivosa.
— O que minha blusa e o fato de tê-la jogado fora tem a ver com inocência? — Ele respirou fundo balando a cabeça.
— Está bem, vou ser direto: Eu vi seus peitos, eles são... Cativantes... — Disse mirando meu busto e escondi eles com os braços. — ...Fiquei excitado, fui tomar banho excitado, tinha uma blusa amarela no banheiro que estava pregada nos responsáveis da minha excitação e usei ela para me aliviar. — Fiquei estática por uns segundos. — ‘Aliviar’ nesse contexto significa ‘mastur...’
— Eu sei o que significa! — O interrompi. — Você... Argh! Você fez essas coisas no banheiro da minha casa? — Confirmou.
— Sim, no quarto suja muito, no banheiro é...
— Argh Michael! Eu tomo banho lá! — Ele lançou um sorriso malicioso no meu rumo.
— Eu sei, era o que deixava a brincadeira mais excitante ainda. — Tapei os ouvidos sem acreditar naquilo. Me virei nervosa para ele.
— O que você ia achar se pegasse uma camisa sua, fosse agora no banheiro onde você toma banho e fazer a mesma coisa, hein?! Você ia gostar? — Revidei zangada e ele mordeu o canto da boca afirmando.
— Uhhh eu ia adorar, me deixa ver isso? — Praticamente implorou. Fiquei completamente perdida – e vermelha, principalmente corada de vergonha – com aquela resposta. Era para ele dizer ‘nãooo, que horror!’ ou algo do gênero. Isso comprovava que meu conhecimento sobre interações sexuais era mínima.
— Boa noite Michael... — Falei por fim me deitando novamente sem conseguir prosseguir.
— Ah não, não vou conseguir tão cedo depois de uma visão dessas... — Me virei no rumo dele.
— Você ficou pervertido de uma hora para outra. — Sorriu largo se aproximando.
— Está no genes. — Entrou dentro da coberta me abraçando. Devolvi o abraço me encaixando nos braços dele.
Ah como era bom estar naquele quarto novamente!
[...]
Acordei aos poucos ouvindo o barulho da porta do guarda-roupa se abrir e fechar, numa sonolência terrível me virei notando o espaço vazio na cama e o Michael sentado numa cadeira calçando os tênis. Só então lembrei da mania que a família dele tem de acordar antes do sol e se torturar correndo as cinco da madruga – coisa de doido.
— Você vai sumir como ontem ou vou te ver mais tarde? — Ficou surpreso ao reparar que estava acordada. Sorriu de lado e se jogou na cama.
— Não sumi ontem, é que fui buscar uma ‘coisinha’ que irá beneficiar nós dois, hein?! — Disse. Bocejei caindo de sono.
— Tivesse me dito então, achei que tinha se arrependido do que aconteceu na rodoviária... — Murmurei com os olhos pesados.
— Quando você acordar de novo eu já vou estar aqui, e aí a gente conversa sobre isso... — Sinceramente eu já estava dormindo antes dele concluir aquela frase. Cinco e meia da manhã é cedo demais para qualquer raciocínio lógico.
Quando despertei pela segunda vez já mais disposta e não tão sonolenta, ele realmente já tinha retornado e se encontrava do meu lado mexendo no celular. Espreguicei entre bocejos.
— Que sono pesado vossa senhoria tem, achei que fosse dormir até dez horas. — Brincou sem tirar os olhos do celular.
— Estou de férias, mereço dormir até as cinco da tarde se o sono deixar. — Retruquei me sentando. — E você não me deixou dormir muito bem, ficou falando besteira no meu ouvido a noite toda. — Deu uma risadinha.
— Ah! Não eram besteiras, eram informações úteis para a senhorita que não acreditava em mim. — Retrucou. Girei os olhos bocejando de novo. Devo dizer que naquela manhã meu humor estava tão elevado que nenhuma brincadeira dele me afetaria.
Me levantei, andei até minha mala pegando alguns pertences e caminhei para o banheiro para uma higiene matinal. Escovei os dentes sorrindo, prendi os cabelos sorrindo, até mesmo troquei de roupa num sorriso largo que não saia do meu rosto. Era como se finalmente, finalmente eu tivesse aquilo que realmente queria.
Retornei ao quarto já com a mente cheias de ideias sobre como melhorar esse dia perfeito.
— Podíamos sair hoje! — Disse empolgada guardando minhas coisas. Sem tirar os olhos do celular negou.
— Nah, não podemos. — Coçou atrás da orelha dando um suspiro. Pronto o dia já não estava tão perfeito.
— Por que não? — Continuou digitando no celular apontando um dedo de espera e já fiquei imaginando que romântico seria o encontro daquele objeto eletrônico com o chão do quarto. — Certo, eu vou tomar o meu café antes que meus níveis de cortisol aumentem a nível prejudicial.
— Seu o quê? — Ia mostrando o dedo do meio, mas isso seria infantilidade e eu decidi naquele momento não estragar um dia tão bonito por conta desse imbecil.
Saí do quarto em direção a cozinha e dou de cara com a minha madrinha – o que me fez lembrar da noite passada e do fato dela ter me ouvido gemer – fiquei vermelha no mesmo instante tentando disfarçar. Ela sorriu largo acenando para a cadeira a sua frente.
— Bom dia, madrinha. — Cumprimentei um pouco tímida.
— Bom dia, Sophie. Tem um bolo delicioso que seu padrinho comprou entro do forno e iogurte na geladeira se gostar. — Fiz que sim pegando uma xícara. A primeiro momento o café bastava. — Dormiu bem? — Afirmei me sentando.
— Muito bem, obrigada. — Pôs a mão no queixo pensativa.
— Hum. Não ouviu nada? — Engoli o café meio assustada com a pergunta.
— Não, nadinha, tenho um sono pesado. — Nisso ela soltou um ‘ahhh’. — Por quê? — Ela suspirou em desagrado.
— Oh, coisas de mãe, querida. Seu primo está escondendo algo de mim, ainda não sei o que é, mas ele está. — Meu sangue gelou nessa hora.
— Como a senhora sabe? — Perguntei perplexa. Ela sorriu com superioridade.
— Meu anjo, coloquei aquela criatura no mundo, ele acha que não sei de nada, mas a titia está por dentro de tudo. — Nem tudo ou certamente já teria matado ele. — Exceto isso, meu palpite é que tem uma garota no meio, só que isso é estranho... — Pensou alto. — ...Eu nunca proibi o Michael de se aproximar de nenhuma garota, e olha que ele já se envolveu com cada uma que só Deus na causa. — Peguei um biscoito que estava perto sentindo a garganta dá um nó.
— Não deve ser nada demais, madrinha. — Disse já com a voz falha. — Afinal, estamos falando do Michael, e ele não leva ninguém a sério, não é? — Concordou parcialmente.
— Hum. Pode ser, mas o Michael...
— O que tem eu? — Apareceu atrás de mim, achei que a madrinha fosse disfarçar, no entanto, apontou para nervosa.
— Está na minha lista de suspeitos! — Acusou.
— Hein?! E o que eu fiz para estar nela? — Minha madrinha tornou a colocar a mão no queixo pensativa.
— Não sei! Mas vou descobrir! Embora se por acaso você confessar, talvez eu possa relevar sua punição. — Mirei ele que não parecia nenhum um pouco preocupado.
— Não viaja mãe! Eu não fiz nada... Até que prove o contrário. — Brincou, tipo, ele simplesmente cutucou uma onça selvagem com vara curta.
— Uhhh! Me aguarde, por que eu vou provar e quando acontecer... Ahhh garoto! Esteja longe daqui ou o senhor vai sentir o peso do veredicto! — Revidou rosnando com o punho fechado. Ele riu concordando.
— Vou me lembrar disso! Cadê o pai? — Deu de ombros.
— Foi buscar sua irmã e certamente o Logan também virá. — Respondeu.
— Posso usar o seu carro? — Ela estranhou e eu não gostei. Ele falou que não ia sair, talvez não tivesse dito isso, mas deu a entender.
— Para quê? E o seu? — Questionou a madrinha. Eu já estava agourando aquele pedido ‘não deixa, não deixa, não deixa, não deixa!’.
— Está na oficina, só vai ficar pronto mais tarde. — Ela soltou um ‘ahh’ e em seguida apontou para a geladeira. Ele foi até lá pegou a chave em cima da geladeira e eu me segurei para não demonstrar irritação monstra que me consumia naquele instante.
— Você sabe dirigir Sophie? — Respirei fundo forçando um sorriso para a tia.
— Não, meu pai até insistiu, só que acabei não tirando a carteira. — Retruquei pegando mais um biscoito.
— Devia, é importante. — Concordei e o infeliz continuava ali mexendo no celular. ‘Se vai sair, some logo!’ pensei comigo. Enchi a xícara de café novamente me levantando.
— Madrinha se importa de eu usar o tatame para fazer yoga? — Ela me encarou preocupada.
— Meu Deus, sua família é tão politicamente correta...! Minha flor, vá! Não precisa pedir, se quiser pode até dançar nua lá que a madrinha não se importa! — Corei sem jeito, principalmente por que o Michael soltou um assobio rindo.
— Só tente não pensar que meus pais vão muito para lá quando estão empolgados. — Minha madrinha deu um tapa na perna dele.
— Isso não é assunto seu! — Minha vontade de fazer yoga foi sumindo aos poucos. — E quem é você para me criticar? Ela está dormindo na sua cama! Quantas garotas já não deve ter passado por lá, hein?! — E lá se foi minha vontade de ir para o quarto ler alguma coisa.
— Mãe! — Revidou nervoso. Fechei os olhos respirando fundo.
— O quê? Foi você quem entrou nesse assunto! Se ela ficar muito tempo sentada na sua cama é provável até que engravide! — Oh Como eu realmente não queria ter ouvido aquilo.
— Mãee! Que exagero, também não é assim! Não dá atenção...
— Tem algum lugar na casa no qual vocês não usam para o coito? — Questionei e ambos me fitaram confuso.
— Coito é alguma gíria adolescente para sexo? — Mordi os lábios afirmando, não era gíria, mas enfim. — Deixe-me pensar...?! — Quase fiquei roxa de vergonha ao notar que ela realmente estava pensando sobre um possível lugar na casa onde não havia acontecido uma relação sexual. Coloquei a xícara em cima da mesa acenando para ela não responder.
— Ahm! Querem saber?! Eu vou tomar um pouco de sol no jardim. — Anunciei com um sorriso forçando caminhando até a saída controlando minha respiração.
Sentei no gramado em posição de lótus.
O vento agradável soprava contra meus cabelos, o barulhos tranquilos das folhas nas arvores de debatendo e o cheiro do ar puro já conseguiu manter os níveis do meu cortisol na média. Apontei o dedo no exato momento em que notei sua presença ao meu lado.
— Eu-não-quero-saber! Vá de uma vez onde quer que seja e me deixe apreciar meu momento de paz. — Disse sem nem abrir os olhos.
— Não fique zangada com o que minha mãe disse, ela é exagerada. — Respirei fundo, abri os olhos por um momento e ergui o rosto o fitando.
— Não, ela não é exagerada. Eu sei que você é um mulherengo, dormiu com minha melhor amiga! Se esse fato fosse me deixar zangada eu nem me aproximaria de você. — Ele se sentou do meu lado nervoso.
— Isso é injusto! Eu não saio com ninguém a um tempão, e quando eu falo ‘sair’ eu me refiro a sexo, e ninguém percebe isso. — Cruzei os braços incrédula.
— Você quer uma medalha por manter o zíper da sua calça fechada? — Suspirou negando.
— Não, eu só quero que parem de falar como se... Eu continuasse sendo isso, veja só, desde aquela noite de despedida lá na sua casa eu não bebi mais! — Semicerrei os olhos duvidosa.
— Nem durante os jogos? — Ele se encolheu.
— Está bem, digamos que eu bebo em quantidades menores e em ocasiões especiais. — Bati a mão no ombro dele rindo.
— Parabéns! Está quase ganhando uma medalhinha dos Alcoólicos anônimos. — Debochei e ao menos ele sorriu.
— Dá para você não jogar mais isso de que dormir com a sua melhor amiga? — Arqueei uma sobrancelha.
— Você dormiu e na minha casa. — Pigarreou sem jeito.
— Eu seiiii! Só que nós já fizemos as pazes e quando você diz, não parece que fui 100% perdoado. — Girei os olhos.
— 100% é uma porcentagem muito alta. — Tornou a rir.
— Mas... — Me virei para concordando.
— Eu entendi. A negação te faz sentir melhor, vou evitar esse assunto. — Fechou os olhos suspirando.
— Você é tão... — A frase foi cortada pelo som do celular que soou uma chamada. — ...Ah! Oi! — Disse ao atender. — O quê? Como assim coringa? — Se levantou nervoso. — Não, cara! Não! A questão é que amanhã eu já não vou estar aqui! — Eu não gostei nem um pouco de ouvir aquilo. — Ahhh agora eu que vou ter que dar um jeito, não é? Uhum... — Falava contrariado. — ...Ok, ok, ok! Eu saquei, vocês não estão nem aí e eu vou ter que e virar! Beleza! Na próxima a gente se acerta, viu? — O timbre foi ameaçador.
Pensei seriamente em perguntar, porém ele saiu às pressas nem um pouco contente e não me deu tempo para fazer isso. Que belo início de relacionamento nós estamos tendo. Ele desaparece e eu tenho que ser compreensiva.
[...]
Anoiteceu e tudo que eu queria naquela noite era matar o Michael. Pensei nele sendo esquartejado diversas vezes durante o dia que percorreu sem que ele desse o ar da graça. Não que meu dia dependesse dele para ficar aceitável, porém eu esperava que depois do que havia ocorrido no dia anterior pudéssemos... Sei lá, ir num encontro modesto e conversar sobre o que estávamos tendo.
Então, ás duas da manhã, quando meu corpo só queria cama e eu não tinha raciocínio para mais nada além de dormir e dormir, aquilo aconteceu... Bom, pelo menos foi o que acho que ocorreu já que eu estava tão mole que não me recordo nem de ter andado.
— Vem Sophie... — Chamou a voz do infeliz me puxando da cama. — ...Shhh! Não faz barulho, vem comigo. — Vendo tudo embaçado o fitei perdida percebendo que eu tinha caminhado até as escadarias.
— Para onde vamos? — Perguntei apoiada nele.
— Shhh... Você vai ver. — Sussurrou me guiando.
Depois disso eu recordo das luzes na janela do carro, de estar debruçada num balcão e pôr fim do Michael cochichar: Pode dormir agora.
E foi o que eu fiz, seja lá onde fiz.
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