Especial Fim de Ano
5 Listen, the snow is falling! - VCR
Notas iniciais
24 de dezembro. 15:00.
Enquanto tomava chocolate quente com Miranda na varanda do chalé quatro, Katie sentiu que talvez aquele final de dezembro não fosse tão ruim. Embora estivesse triste com a viagem de negócios do pai para outro país, gostava muito do acampamento e não deixar Miranda sozinha no natal era algo que a animava.
– Aqueles dois babacas não param de olhar... — Miranda disse, mas aquela frase habitual fez Katie rir devido ao suéter natalino que deixava a irmã caçula super fofa. — Eu não acredito que você está rindo de mim!
– Desculpa, não é culpa minha. Você está engraçada. — Katie se levantou e correu para dentro do chalé, fugindo de qualquer ataque da irmã.
24 de dezembro. 15:22.
– Quíron, estávamos pensando em uma festa. Natal, sabe? — Connor perguntou.
– Natal? — O centauro parecia incrédulo.
– Por que esses dois sempre insistem em feriados cristãos? Eu não esqueci daquela desobediência com coelhos de chocolate, Condor. — O Sr. D, que jogava pinochle com Quíron, respondeu. — Isso seria uma blasfêmia aos pais de vocês. E a mim, óbvio.
– Olha, não vamos fazer uma festa para um deus rival a vocês nem nada. Só queremos trocar presentes e comer. Como pessoas normais. — Travis suspirou.
Quíron sabia que aquilo era errado, mas pensar que a maior parte daquelas crianças eram órfãos ou simplesmente fugiram da própria casa para manter os pais mortais a salvo fazia o seu coração se encher de tristeza. Ele queria que todos se sentissem em casa.
– Eu acho que é possível. — Constatou. — Mas preciso verificar com os Olimpianos.
Travis e Connor trocaram um sorriso. Esse com um significado que ninguém jamais conseguiu compreender, mas que indicava claramente uma nova travessura dos irmãos Stoll.
24 de dezembro. 16:23.
A neve cobria toda a extensão do acampamento, com exceção dos campos de morango. Esses eram bem cuidados tanto pelos sátiros e Deméter, quanto pelas duas garotas do chalé 4. Pelo menos no momento em que Travis e Connor passaram com caixas suspeitas em direção aos chalés.
– O que esses dois vão aprontar dessa vez? — Miranda murmurou, um tanto quanto decepcionada com as atitudes infantis dos filhos de Hermes.
– Não sei, mas não vou deixar eles destruírem o nosso chalé de novo. — Katie respondeu, se levantando do chão.
– Você quer realmente fazer isso? — Miranda perguntou.
– Deixa de ser preguiçosa.
E então elas seguiram os Stolls. E obviamente falharam. Aqueles dois eram espertos demais para cair na espionagem improvisada delas.
– Qual é o problema? — Travis perguntou, se virando.
– Me diz você. É o causador de todos os problemas do acampamento. — Katie acusou.
– Mas sou a solução dos seus. — Ele piscou.
Os três o olharam para Travis com cara de "Que merda foi essa?". Ele simplesmente deu os ombros, como quem diz "Não custa tentar, certo?"
– O que tem nessas caixas? — Miranda perguntou, tentando espiar. Mas foi repelida por ambos.
– Segredo de estado. — Connor respondeu.
– Agora nos deixem em paz. Temos trabalho a fazer. — Travis sorriu e deu as costas para as duas, seguindo o seu caminho. Connor foi em seguida, antes que fosse assassinado pelas filhas de Deméter.
– Mas eu queria mesmo saber. — Miranda murmurou chateada.
– Nada que venha dos Stoll pode ser bom. — Katie concluiu.
24 de dezembro. 19:30.
Depois de horas Katie e Miranda simplesmente desistiram de atrapalhar os planos dos filhos de Hermes. De qualquer forma poderiam se vingar no dia seguinte, deixando o chalé onze cheio de grama ou algo do tipo.
Quando saíram do chalé quatro para o jantar perceberam que o acampamento estava praticamente deserto. Bem, pelo menos a maior parte dos campistas que ficavam durante o ano todo se refugiram nos chalés e apenas alguns jantavam no refeitório. Mais precisamente filhos de Hefesto, que jantavam quietos... Nada dos Stolls.
As duas tentavam não pensar nisso, enquanto mantinham uma refeição agradável. Embora a desconfiança, principalmente de Katie, fosse inquietante.
24 de dezembro. 20:30.
Travis tinha um plano em mente enquanto pendurava enormes enfeites natalinos nos chalés de uma forma respeitosa que não lhe causa-se choques. Conquistar Katie Gardner. Ele achava que Connor também tinha um objetivo, mas obviamente não era algo tão importante.
A verdade era que Travis gostava muito daquela garota temperamental que era o motivo da maior parte das suas brincadeiras. E embora esse joguinho de implicâncias fosse uma das suas coisas favoritas, a felicidade de vê-la depois das férias de verão era tão grande que ele teve a brilhante (ou péssima) ideia de falar com ele a respeito.
Quando finalmente acabou foi até o irmão, que montava um tipo de ringue de patinação improvisado com a ajude de uma náiade.
24 de dezembro. 21:00.
Após a fogueira, que felizmente teve a aparição de mais semideuses, as filhas de Deméter voltaram para os chalés. Ou melhor, tentaram. Havia uma "pequena multidão" parada do lado de fora. A maioria de pijamas e casacos grandes por cima. Todos rindo e rodopiando pelo gelo.
Para o azar de Katie ela só notou o gelo escorregadio quando já estava no meio dele. Lutando miseravelmente para não se desequilibrar e cair de cara do chão. E talvez a sorte estivesse realmente contra ela porque quem a segurou foi o seu maior inimigo... Travis Stoll.
– Linda noite, não é? — Travis sorriu.
– Seu miserável! — Ela praguejou.
– Vai dizer que não gostou agora?
– Da sua arma mortífera no chão do acampamento?
– Também, mas eu estava falando da decoração mesmo.
Ela olhou em volta. Todos os chalés estavam enfeitados com a decoração natalina. A filha de Deméter não conseguiu evitar um sorriso.
– Por que você fez isso? Realmente gosta de provocar os Olimpianos com esses feriados cristãos?
– Me pegou outra vez. — Ele riu. — Mas sabe, foi mais porque esse é o primeiro natal que você passa aqui.
Katie o encarou aturdida. Aquilo não era doce demais para alguém como ele dizer?
E então ele afastou gentilmente uma mecha do cabelo da garota que estava atrapalhando e a beijou. Pegando Katie de surpresa, mas surpreendentemente era algo bom.
Do outro lado do ringue da patinação, Miranda os observava incrédula.
– Eu não acredito que eles estão se beijando. Isso é repulsivo. — Ela disse, de braços cruzados.
– Nem me fala... Olha, tem visco aqui! — Connor disse, como quem não quer nada.
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