Notas iniciais
Oi, gente.. Venho trazendo essa One do desafio do Dia dos namorados do grupo mais legal do Wpp! Quem disse que estávamos enferrujadas! Sério, essa one é só romance e algo de comédia. É o dia. Ou algo que colocaram na água, não sei... hahahaha

Enfim, boa leitura e desculpa por não ter PK hj! hehe

Eu estava, como sempre, com o rosto enfiado em um livro raríssimo que tinha encontrado. Tinham sido meses de procura por aquelas páginas. O livro estava quase se despedaçando em minhas mãos e eu tinha que correr para o alojamento e cuidar dele o máximo que pudesse. Tinha sido muita sorte encontrar aquele idoso com toda aquela tranqueira e, dentre elas, um livro velho que ele dissera na maior tranquilidade que queimaria assim que chegasse em casa. Não discuti. Apenas paguei uma soma mais do que satisfatória ao bom velhinho e fui para casa com minha preciosidade.

Não era um livro especialmente importante para o resto do mundo. Eu apostava que nenhum colecionador no mundo sequer tomaria ciência de que aquele livro existia. Mas era importante para mim. Remetia a uma época mais feliz e eu não conseguia dizer o porquê.

Olhei mais uma vez para a capa envelhecida em minhas mãos enquanto passava na porta do clube. Fairy Tail. Era impossível não sorrir. Ouvi a gritaria que vinha de dentro e parei por um segundo. Apertei o livro em meus braços, inconscientemente. Eram duas fases da minha vida, uma ao lado da outra. A fase em que eu era feliz, que era verdadeiramente eu, mesmo que o resto do mundo nos considerasse monstros sem coração. E a outra fase, tão frágil em meus braços que poderia desaparecer com um sopro mais forte do vento. Mas, por mais delicada que parecesse, era uma imagem que não saía da minha mente. Algo de antes, de quando eu era nova demais até para me lembrar do que eu era. Só do livro. Era a única imagem que eu tinha da minha infância. Um livro empoeirado e uma voz da qual eu já não me lembrava.

Quando dei o primeiro passo para longe das portas do clube, ouvi a gritaria e senti tarde demais o enorme corpo que se chocava contra mim e me levava ao chão. Enquanto eu caía, o tempo pareceu desacelerar. Eu só via que meu livro caía junto. Não sei quando as lágrimas vieram. Se foi enquanto eu caía, ou se enquanto eu olhava para as páginas destroçadas e espalhadas pelo chão.

Meu pulso também estava dolorido, indicando que provavelmente estava machucado. Mas eu não via. Só conseguia ver as páginas amareladas destruídas. Me levantei devagar, segurando meu pulso, e ouvi a voz de Natsu perguntando se estava tudo bem. Não respondi. Foquei os olhos negros e frios da pessoa que tinha caído sobre mim. Ele olhava de mim para os papéis no chão, mas não havia muito arrependimento ali. Funguei para parar de chorar e saí andando para meu alojamento. O livro estava perdido.

Como eu odiava aquele Gajeel! Maldita hora que ele tinha aparecido no clube. Maldita a hora que mestre Makarov pensou em tirar o pobre menino solitário da vida de crimes! Cocei minha cabeça com a mão que não doía. Eu odiava sentir aquilo. Odiava odiar tanto alguém a ponto de desejar que ele voltasse a ser o que era e deixasse a Fairy Tail para sempre. Assim como ele, todos nós tínhamos um passado triste. Eu, abandonada. Ele, forçado a trabalhar como mercenário pelos próprios pais. Ele estava com certeza mais ferrado, mas eu não conseguia sentir pena.

Meu pulso não estava quebrado. Enfaixei da melhor forma que pude. Em anos na Fairy Tail, aquilo não significava nada. Como diria Natsu em sua eterna sabedoria: se eu não quiser apanhar, tenho que bater. Eu queria ser criativa como Lisanna para vinganças. Ou monstruosa como Erza para dar uma boa lição naquele Gajeel, mas eu não era nenhuma das duas coisas. Meu papel era a da traça de livros. Não era um papel que me ofendia, longe disso. Eu adorava ler. Adorava estar entre as palavras.

**

Saí do meu quarto só no dia seguinte. Erza estava no corredor, reclamando de alguém que tinha deixado a toalha molhada no banheiro. Me perguntou como estava meu pulso assim que me viu. Avisei que estava tudo bem.

— O que era aquele livro? – perguntou enquanto andávamos juntas para o salão do clube.

— Era um livro velho que eu ia restaurar. Nada demais. – menti. Erza assentiu e cruzou os braços, mas não perguntou mais.

Chegamos ao salão e Cana já nos recebeu com um sorriso enorme. Havia algo de muito suspeito em seu olhar e Erza deu de ombros antes de perguntar o que estava acontecendo.

— Conseguimos. – Cana anunciou.

— Conseguiram o quê? – Erza perguntou. Lisanna logo veio se juntar a nós. Também sorria.

— Convencemos mestre Makarov a fazer um festival do dia dos namorados. – Lisanna respondeu e deu uma olhadinha para Natsu. Eu sabia que ele jamais teria algo com ela, mas ela ainda nutria algum tipo de sentimento doentio por ele.

— Isso é bobagem. Ninguém aqui namora. – Erza deu de ombros.

— Justamente. Nesse festival, vai ter uma hora em que quem quiser se declarar, poderá fazer isso.

— Está brincando! Quem vai ser corajoso o bastante para fazer isso? – perguntei. Eu me sentia envergonhada só de imaginar.

— Relaxa, Levy. Você não precisa se preocupar com alguém se declarar para você. – Lisanna lançou seu veneno. Já não me atingia havia muito tempo. Ainda mais porque eu sabia que Natsu jamais se declararia para ela. Mas isso não a impedia de se declarar para ele. Seria engraçado ver, pelo menos.

— Isso é um grande alívio. – resmunguei e as deixei para trás. Fui até o balcão, onde Mira-san já estava à toda distribuindo o café da manhã. Ela sorriu ao me ver e me cumprimentou.

— O que quer hoje?

— Estou sem fome, Mira-san, mas obrigada.

— E seu pulso? Gajeel foi muito rude em não se desculpar.

— Não espere isso de alguém como ele, Mira-san. Vai se decepcionar. – resmunguei amargamente e Mira-san sorriu. Sentei ao balcão e peguei um livro da minha bolsa. Estava para começar a ler quando senti a coisa macia roçando em minha perna. Era Lily. Todos os dias ele vinha me cumprimentar. Parecia até estar tentando compensar a grosseria constante de seu dono.

O peguei, como fazia todas as manhãs, e Lily se enroscou em meu colo. Fechou os olhos e segundos depois estava dormindo. Mira-san pôs uma xícara de chocolate quente à minha frente e piscou, dizendo que eu não podia ficar de estômago vazio. Agradeci com um sorriso e me pus a ler.

Quase uma hora depois, a porta se abriu com estrondo. Todos os dias a mesma coisa. Eu já sabia quem era. Não olhei para trás para saber que a criatura cheia de piercings estava a poucos metros atrás de mim. Fiquei nervosa. Era sempre assim também. Parecia que a atmosfera mudava quando ele estava por perto. Fechei os olhos por um instante, tentando me controlar, mas já não conseguia prestar atenção no que estava lendo.

Diferente de todos os dias antes daquele, Gajeel não foi para a mesa mais afastada do salão. Veio diretamente até o balcão e se debruçou inconvenientemente sobre mim para pedir seu café da manhã. Ele nunca fazia isso. Sempre esperava Mira-san ir até sua mesa atendê-lo.

Pensei seriamente em chegar para o lado, mas não deixaria ele achando que me afetava de alguma forma. Voltei meus olhos para o livro, mesmo que não estivesse mais entendendo o que estava lendo. Depois de pedir, Gajeel se sentou no banco ao lado do meu e ficou me encarando.

Estava cada vez mais difícil fingir que nada estava acontecendo. Mas as coisas foram longe demais quando ele ergueu a mão para meu lado e acariciou a cabeça de seu gato. Um arrepio percorreu meu corpo e me virei para encará-lo.

— O que foi? – perguntei com o máximo de grosseria que eu podia. O que não era muita coisa, considerando meu tamanho e porte. Ele sorriu daquele jeito estranho dele e não respondeu. – Quer parar de ficar me encarando?

— Seu pulso ficou muito machucado? – perguntou de repente, com aquela voz grossa e desinteressada. Aquilo me pegou de surpresa. Fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando entender qual era o jogo.

— Não. – respondi. – Foi só o mal jeito. – e só. Ele também não falou mais. Esperamos em silêncio até Mira-san trazer a comida dele. Então Gajeel se levantou e deixou o balcão. Lily pulou para o chão atrás de seu dono e se espreguiçou antes de segui-lo. – O que foi isso? – perguntei para mim mesma em voz baixa.

**

O dia dos namorados seria dali a duas semanas. E as garotas estavam em polvorosa. Acabei me envolvendo indiretamente em toda aquela organização. Erza, por algum motivo que eu não sabia, tomou para si a tarefa de coordenar tudo. E me encarregou de escrever as frases românticas que seriam espalhadas por todo o salão em balões em forma de coração. Até eu sabia que aquilo estava meloso demais.

Contribuí com frases tiradas dos mais variados livros. E não mentiria dizendo que não foi divertido. Como tudo feito pela Fairy Tail. Os meninos acabaram se envolvendo, mesmo que da forma mais estranha possível. Natsu e Gray apostaram para ver que carregaria mais peso para as meninas. Remodelamos o salão. Lisanna o tempo todo perguntava ao Natsu se ele pretendia se declarar para alguém. Eu ficava imaginando quando apareceria alguém para Natsu. Eu esperava que logo. Acabei sorrindo com o pensamento. Como ela seria? Loira? Será que gostaria de ler? Eu gostaria de uma amiga assim. Balancei a cabeça e me concentrei em continuar escrevendo as frases.

**

O dia do festival chegou e ficou mais maravilhoso do que eu imaginei inicialmente. Havia balões por todos os lados, além de fitas e confetes. As mesas estavam abarrotadas de comida. Nosso jardim, com a enorme árvore que nos dava sombra e sossego, estava enfeitada com luzes lindas e faixas coloridas. Ali aconteceria o baile do final da noite. O momento em que os que tivesse o que dizer, dariam sua cara a tapa e se declarariam na frente de todos. Mesmo com medo, muita gente da cidade apareceu. O que só encheu ainda mais o espaço.

Acabei em um vestido simples, mas muito bonito. Meus cabelos tingidos de azul estavam penteados para cima — Bisca insistiu em fazer aquele penteado – e minha maquiagem não era chamativa.

Foi chegar ao festival para perceber que eu não deveria estar ali. Eu achei que quase não haveriam casais. Ledo engano. Cana estava abraçada ao seu copo de cerveja, mas havia um homem ao seu lado, bebendo com ela e próximo demais para dizer que eram apenas amigos. Evargreen estava estranhamente perto de Elfman. Mira estava trabalhando em servir o pessoal e Erza conversava com um homem de cabelos azuis também. Jellal. Lisanna corria atrás de Natsu enquanto ele comia por três. Juvia e Gray estavam juntos, apesar de eu nunca ter imaginado que ele admitiria. Por todo canto que eu olhasse, havia pelo menos um casal.

Dei um passo para trás, já arrependida por estar ali. Não imaginei que me sentiria tão mal por não ter um namorado. Esbarrei em alguém e já me virei para me desculpar. Gajeel estava ali. As mãos nos bolsos, os cabelos pretos e longos penteados para trás e... um terno? Ele estava de terno. Era uma bela visão. Corei na mesma hora e senti meu coração bater muito forte. Tão forte que ele provavelmente poderia ouvir.

— Seu pulso melhorou. – comentou. Olhei para meu próprio braço. É, eu tinha tirado a faixa havia alguns dias.

— Não te vi na organização. Achei que não participaria.

— Pensei em não participar. Não é uma grande bobagem?

— Não sei. O pessoal parece estar se divertindo.

— Mas acha uma grande bobagem?

— Eu não acho uma grande bobagem. Até pensei que acharia, mas é bonito.

— O que é bonito? – olhei para os casais. O clima estava diferente. Era um clima de paz, de romance. Tranquilo. E as outras pessoas, as que não pertenciam à Fairy Tail, estavam aproveitando. Talvez percebessem que não somos tão animais quanto pensavam inicialmente.

— Tudo. – falei com um sorriso. Gajeel ficou em silêncio e acabei olhando para ele. E ele me encarava. – Você quer parar com isso?

— Com isso o quê?

— Ficar me encarando.

— Não sei. Talvez eu esteja pensando como você. – ele falou e riu. Franzi meu cenho.

— Está falando de quê?

— Talvez eu esteja achando tudo muito bonito. – respondeu e me deixou sozinha. Senti o rosto arder de vergonha e novamente meu coração palpitou. Respirei fundo e resolvi procurar alguém que estivesse no mesmo barco que eu. Andei até Mira-san.

**

Não fiquei muito tempo com Mira-san. Ela estava toda romântica enquanto olhava para os casais por ali. Procurei por Laxus, mas ele também não estava em lugar algum. Natsu estava preocupado comendo e Gajeel tinha sumido. Me sentei numa mesa vazia e fiquei ali. Pelo menos eu podia ver enquanto todos se divertiam.

No final da noite, a hora fatídica chegou. As declarações. Lisanna foi a primeira a pular para o palco improvisado. Trazia uma caixinha nas mãos e estava corada enquanto dizia o quanto a pessoa para quem tinha preparado o presente lhe era especial. Olhei ao redor, procurando por Natsu, mas nada. Quando Lisanna estava a ponto de dizer o nome da pessoa por quem era apaixonada, Gray caiu da árvore. E a poucos centímetros da garota. Todos se surpreenderam. O moreno se levantou logo e começou a xingar alguém. Ouvimos a gargalhada de Natsu vindo dos galhos mais altos da árvore. Como ele era estúpido. Erza ficou vermelha de ódio na mesma hora.

— Os idiotas não estão vendo que as declarações já começaram?! – gritou para o alto e só não escalou a árvore porque Mira-san a impediu. Natsu começou a mostrar sua língua e as pessoas começaram a reclamar da bagunça. Olhei para baixo, procurando por Lisanna, mas o presente estava amassado em seus dedos e ela tinha desistido. Saiu batendo o pé a acabei rindo. Obviamente pus a mão na boca para que ninguém percebesse. Alguém percebeu.

Olhei para o lado e Gajeel ria abertamente. Os cabelos já estavam ligeiramente despenteados e eu sentia uma vontade enorme de ajeitá-los. Ele olhou para baixo e virei o rosto. Natsu descia da árvore e ria enquanto algumas pessoas perguntavam se ele tinha ouvido o que Lisanna estava dizendo. O parvo apenas coçou a cabeça e perguntou:

— Lisanna estava falando?

Depois daquilo as coisas começaram a correr bem. Juvia deu a Gray mais um travesseiro de tamanho real dela mesma. No que Gray dispensou sem cerimônias e Juvia chorou. Elfman deu um halter para Evargreen, no que ela jogou o halter na cabeça dele e tiveram que socorrê-lo pois o sangue não parava de fluir. Bisca ganhou uma pistola nova e deu um poncho novo. O beijo do casal tirou um grande “Own” de todos ali. Enfim, outras pessoas começaram a distribuir seus sentimentos. Fossem em forma de presentes físicos, em forma de versos, de música ou de gestos pequenos que me deixaram muito feliz. Quando achamos que tudo tinha acabado, Lily subiu ao palco. Parecia até ter sido treinado para tal. Prendi minha respiração. Todos pararam de respirar. Ele trazia um envelope pequeno amarrado ao pescoço. Depois que todas as atenções estavam viradas para ele, o pequeno gatinho preto andou calmamente até mim, virou seu corpo e me encarou até que eu tivesse desamarrado o cartão.

Agora todos me encaravam. Abri devagar e só havia uma frase.

“Venha à meia-noite.”

A expectativa era geral. Todos sabiam quem tinha mandado o cartão. Meu rosto passou de vermelho para roxo em um segundo e senti minha cabeça girar de tanta vergonha. Os olhares estavam cada vez mais intensos. Todos queriam saber o que havia no cartão. E eu sentia Gajeel por perto, me encarando. Me levantei e corri antes que alguém pudesse me segurar. E não parei de correr até estar de volta ao meu quarto, com a porta trancada e a janela fechada.

Eu ouvi enquanto os sons da festa foram minguando. Mas eu duvidava que estivesse acabando. Provavelmente eles tinham voltado para dentro do salão, onde festejariam e beberiam até o dia nascer. Abri as janelas devagar, incapaz de fechar meus olhos e esquecer que tinha recebido um cartão de Gajeel. Eu iria até lá? E se fosse, o que aconteceria? Tinha sido naquela árvore que nos conhecemos. Quando Gajeel apareceu pela primeira vez na Fairy Tail a mando de um contratante qualquer que queria denegrir ainda mais nosso clube. Eu tinha sido sua vítima junto com meus dois melhores amigos. Ele nos humilhara e me amarrara àquela árvore. Tinha sido horrível. O medo que eu vinha nutrindo por ele desde então só não tinha ido além por ver as óbvias mudanças que o clube tinha feito nele. Mas isso não significava que eu aceitaria me encontrar com ele, sozinha, no meio da madrugada. Não que eu tivesse medo dele. Não mais. Mas... Só de pensar em ficar sozinha com ele, meu coração já martelava no peito.

No entanto, assim que o relógio do meu quarto bateu à meia-noite, me levantei. Eu não tinha trocado de roupa. E tampouco pensara em fazer isso. O que deixava claro que apesar dos meus receios, eu pretendia ir até lá. Enganei a mim mesma dizendo que era por curiosidade. Afinal, por que um brutamontes grosseiro como Gajeel me convidaria para ir até a árvore à meia-noite? Por que se daria ao trabalho de deixar todas aquelas pessoas achando algo que não existia?

Deixei o quarto devagar, com os sapatos nas mãos para o caso de já haver alguém dormindo. Deixei o alojamento e só me senti segura quando estava perto o bastante para ver a árvore. Respirei fundo e andei decididamente até lá.

Quando cheguei, Gajeel estava sentado com as costas contra a árvore. Sozinho. Tinha um embrulho azul em seu colo e ele estava com os olhos fechados. Quando cheguei perto o bastante, vi quando ele inspirou o ar profundamente e abriu os olhos diretamente para mim. Se levantou devagar e esperou eu me aproximar.

— Estou aqui. – falei.

— Toma. – Gajeel me estendeu o embrulho.

— O que é? – não peguei.

— Pega. – ele estava nervoso.

— Por quê?

— Tem motivos para me odiar. Não estou tentando me desculpar, nem nada. – deu de ombros, mas eu já não estava convencida daquele teatro para se manter frio. Tentei outra abordagem. Eu sabia o quanto ele podia ser orgulhoso.

— É um presente para mim? – perguntei enquanto estendia a mão para o embrulho. Gajeel estava com o rosto virado e vi quando sua bochecha assumiu um tom mais rubro. O que fez eu mesma corar. Então era um presente?

Abri o embrulho devagar e meus dedos congelaram por um momento. Meus olhos estavam fixos na capa do livro e foi inevitável não me surpreender. Era ele. O mesmo livro que Gajeel tinha terminado de destruir ao cair em cima de mim. Minha boca estava aberta e voltei a encará-lo. Agora seu rosto estava ainda mais vermelho. Sem pensar duas vezes, corri até ele e o abracei. Seu corpo ficou rígido e seu coração estava batendo muito, muito forte. Mas não importava. O meu coração também estava batendo muito forte. O apertei o mais forte que pude e senti quando seus braços me envolveram em retribuição. Ficamos ali por um tempo enorme, mas eu não pensei em sair dali.

— Como conseguiu? – perguntei contra seu peito.

— Cobrei alguns favores. – ele respondeu contra meus cabelos.

— Por quê? – não tive resposta verbal. Ao invés disso, senti sua mão erguendo minha cabeça. Segundos depois seus lábios estavam nos meus. Não achei que me sentiria tão confortável até me ver retribuindo ao beijo. Então eu queria aquilo? Era por isso que meu coração batia forte quando ele estava por perto? Senti meu corpo sendo impulsionado para cima e agora estávamos da mesma altura.

Nossos olhos estavam fechados. Nossas cabeças, unidas. Meus braços estavam em torno de seu pescoço e nossos corações batiam juntos. Quando abri meus olhos, Gajeel já me encarava.

— Isso foi um presente de dia dos namorados. – comentei.

— Sim.

— Significa alguma coisa?

— Tudo.

Sorrimos um para o outro e voltamos a nos beijar. Foi nesse dia que começamos a namorar.

Notas finais
Bem simples, bem água com açúcar, Gostaram? Semana que vem voltamos à programação normal. hahaha
P.s. A Lucy não apareceu de propósito. Estou com um projeto de fic de Fairy Tail e coloquei essa one no mesmo universo, só que antes da Lucy.
Bjs e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!