Espadas de Titânia - Contos De Pathrius
2 O segredo da pequena Elleyn - Capítulo Segundo
Notas iniciais
A trilha percorria por dentro de uma floresta que já não me recordo o nome ou onde fica, apenas os fatos de toda a escuridão, grandes árvores colossais que deixavam entra a mínima luz verde passar por suas folha através das altas e frondosas copas que se entrelaçavam.

Dentro da floresta me recordo de sua umidade e a sensação de perseguição constante, como se estivesse sendo seguido por diversas criaturas carniceiras e sedentas por sangue escondidas a cada curva, sombra e cada raiz mas que apenas sumiam assim que tentássemos localiza-las com os olhos.
Já estava achando que estava perdido mesmo identificando que não estava andando em círculos por que não encontrava meus próprios rastros, e lembro também que conseguia me guiar pela direção que que era irradiada os feixes de luz durante o dia.
Já se faziam 7 dias e 6 noites que a jornada dentro desta floresta enorme que parecia não terminar, quando percebi que minhas provisões já estavam no fim, e com isso comecei a fracionar o que tinha, talvez racionando as provisões eu conseguiria mais 5 dias de comida. Em um devaneio me peguei pensando que algumas pessoas em momentos como esse estariam desesperados e implorando aos Celestiais por suas bênçãos e ajuda. Decide apenas que sempre devo contar com minhas próprias forças e nunca desistir.
Nesta mesma noite, parei e montei acampamento dentro de uma parte oca de uma das grandes arvore e talvez fosse a entrada antiga de uma toca de alguma criatura, porém não tinha sinais de nenhum uso recente. Tudo parecia calmo e seguro quando comecei a pegar no sono escutei um grito de uma criança vindo de dentro da árvore, e me preparei para que algo surgisse mas nada aconteceu por algum tempo a não ser a aproximação da voz, e depois de um eco de algum impacto forte tudo ficou em silencio. Após aguardar por longos minutos resolvi verificar e desembainhei minhas espadas e comecei a adentrar a toca que seguia por um túnel escavado para dentro da terra, era realmente grande e larga, daria para um carroça passar com folga pelo que me parecia.
Continuei por algumas dezenas de metros até seguir por algumas curvas onde as raízes criavam certo bloqueio no caminho, e ao passar pelo primeiro emaranhado me deparei com um corpo de uma pequena criatura coberto por uma capa cinza e muito desgastada jogado a base da raiz que saia da terra e formava um arco voltando ao teto da passagem.
Observei o corpo por um pequeno tempo e mostrava sinais de respiração o que provava que ainda estava vivo, porém poderia estar inconsciente ou fingindo e assim decidi me preparar em muita cautela levantei o capuz com a ponta de uma das espadas e com a outra estava pronto para me defender, e foi aí que vi uma pequena jovem de longos cabelos prateados, pele levemente púrpura e suas orelhas eram estranhas, alongadas para trás, pontiagudas e 2 pares de cada lado, tinha uma afeição realmente delicada e infantil.
Consegui finalmente comprovar depois de algum tempo que estava realmente inconsciente, o eco do impacto anterior realmente deve ter sido ela colidindo diretamente com a raiz e seu rosto mostrava a marca de pancada na fronte, devia estar correndo de algo, talvez fugindo, mas até onde verifiquei não havia nenhum tipo de rastro, no chão, paredes ou teto. Resolvi então carrega-la até a entrada da toca onde havia feito uma pequena fogueira para meu acampamento e a deixei descansar.
Buscando em minhas lembranças sobre o que ela deveria ser, me recordei de um mito que havia ouvido sobre uma antiga raça que nunca se envolvia com qualquer outra espécie e se isolava completamente dentro das profundezas de uma região montanhosa de Soberania, o continente a qual estava, mas não tinha certeza pois tudo apenas não passaria de um mito da região e ninguém nunca teria visto ou havido provas concretas da existência de qualquer um deles, mas eles eram conhecidos como Elwyäns.
Passei a noite completamente em guarda enquanto ficava atento sobre qualquer aparição de perigo ou mesmo de alguma reação da pequena jovem contra mim, mas algumas horas após o amanhecer ela começou a despertar e parecia confusa não entendendo onde estava até me notar e ficar com medo.
— Tsy fantatro hoe iza ianao, fa masìna ianao, aza handratra ahy! — Disse a pequena jovem a mim em alguma linguagem quem eu não compreendia.
— Não sei o que está dizendo, não compreendo, mas não vou feri-la! — Respondi mais calmamente que conseguia sem mostrar nenhuma intenção contra ela — Consegue me entender? — Perguntei com esperança que ela compreendesse e falasse o idioma Soberaniense.
Ela pós a mão no rosto onde havia batido contra a raiz onde agora apresentava além da marca escura na pele, estava um pouco inchado e levemente escoriado e depois disse: — Sei entender e me expressar em sua linguagem, espero que não me machuque! – Ela respirou profundamente e continuou — Tu és um aventureiro? Preciso sair para o mais longe possível em segurança e... – Interrompeu a frase para dar mais uma profunda inspiração no ar frio da manhã tentando conter o seu medo – E, poderia pedir sua ajuda?
— Fico feliz que tenha me entendido e não precisa ter mais medo! — sabia que minhas palavras não iriam resolver mas já seria o primeiro passo para que ela ficasse mais tranquila — Então pedir minha ajuda você até pode, mas antes de aceitar, quero que me conte o que está acontecendo!
Então fizemos nossas apresentações e assim ela começou a me contar sobre seu inicio de jornada, ela se apresentou como Elleyin e me contou sobre sua linhagem, o que acabou revelando não serem, na realidade, apenas mitos mas verdadeiros comprovações da existência dos Elwyäns, de sua cultura de exílio dentro das cidades subterrâneas abaixo da Floresta do Segredo Verde em Soberania. Elleyin começou a contar sobre a sua raça e como ela vive isolada de todas as outras raças e se esconde vivendo pela auto existência, e que é assim por causa de rígidas leis regidas pelos grandes lordes, lideres e senhoras de suas cidades, ao ponto que quem descumprir era punido com a morte, as leis de nunca entrar em contato com o mundo externo e suas raças impuras, muito menos se relacionar e procriar com elas diluindo e sujando a linhagem sagrada dos Elwyäns, que nas recentes gerações só tem surgido fêmeas de sua raça, os últimos machos são os 12 patriarcas das famílias de lordes e com isso por volta de 200 anos eles começaram a formar seus haréns de esposas para manter as linhagens mas desde então ainda não tem nascido nenhum descendente masculino em nenhuma das famílias e todas as mulheres são obrigadas a se tornarem esposas quando assim é deseja pelos lordes. Não aceitando se tornar mais uma das esposa de um Lorde pois sempre ouviu de sua falecida ancestral que existia algo mágico chamado amor que juntava 2 almas em pura felicidade, prosperidade e união, era a magia do Amor, e em busca de amar o seu parceiro ela preferiu arriscar a própria vida fugindo e desistindo de toda sua cultura e de sua cidade e parentes. Ela fugiu e acreditando que estava sendo perseguida, e decidiu seguir por caminhos nunca mais usados a centenas de anos e foi assim que encontrou o seu atual protetor.
Após ouvir tamanha força de vontade e crenças pra mudar sua realidade e alcançar seus sonhos apostando a vida... aceitei protege-la e guia-la para longe de seu cativeiro...
O dia havia passado ouvindo suas histórias e contando sobre as minhas e passamos mais uma noite nesse acampamento sem nenhum problema, porém toda provisão havia acabado. No amanhecer seguinte segui os rastros de luz e finalmente parecia que estávamos com sorte, pois logo após a escuridão chegar alcançamos o fim da floresta. Esta foi a ultima noite na floresta do Segredo Verde e já poderíamos seguir pela estrada que se via até a cidade que ela levava...
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