Espadas & Corações
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Gepeto olhava pela janela o céu que aos pouco se tornava escuro, então escutou um uivo de lobo e sabia que estava na hora, e ao se virar viu Regina envolta das cobertas e uma flecha cravada um pouco acima do coração. Ela apenas suspirou profundamente tentando conter a dor que irradiava do ferimento, e se desesperou ao ouvir o uivo agoniado do lobo.
— Como ela está? – perguntou assim que Gepeto se virou para ela.
— Não se preocupe, ela está bem! – respondeu ele ao se aproximar e viu que ela suspirou tranquilamente e voltou sua cabeça as cobertas – Agora precisamos tirar essa flecha de você. – e se encaminhou até a porta abrindo apenas uma fresta – O garoto já chegou? – perguntou a sua neta que respondeu afirmativa com a cabeça – Peça para ele entrar! – e voltou ao lado da morena deitada na mesa, para logo em seguida ouvir o garoto entrar na cabana.
— Lady Regina! – disse assim que se aproximou – Peço perdão! Não foi minha intenção feri-la! Por tudo que é mais divino, me perdoe.
— Calma Henry! – ela pediu ao vê-lo agoniado – Apenas me conte o que houve.
— Eu fui pego pelos guardas novamente... – começou e Gepeto o olhou incrédulo – Então houve uma batalha horrível... – continuou o rapaz envergonhado – Swan lutou como um bicho enfurecido, eu tentei ajudar e apenas atrapalhei... Pois joguei uma pedra em um guarda e ele acertou o falcão que estava plainando sobre o campo... – fez uma pausa e engoliu seco – Por minha causa o falcão foi ferido... E Comandante Swan também acabou sendo ferida... Por favor Lady Regina, me perdoe, eu só quis ajuda-la. Não tive intenção nenhuma em machucar vocês duas.
— Henry se acalme! – pediu Regina tranquilamente – Você não tem culpa de nada... – e olhou para Gepeto, vocês trataram o ferimento de Emma?
— Eu não sabia que ela estava ferida Regina... – comentou o senhor – Não tivemos tempo para nada, para ser sincero, pois o sol já estava se pondo... – e suspirou pesadamente e virou-se para o rapaz – Agora saia! – ordenou já o empurrando porta a fora – Mulan chegou com o que pedi? — e prontamente a mulher estava sua frente e entrou tudo o que havia pedido – E a água? – então um cantil apareceu a sua frente – Lembrem-se não se aproximem do lobo branco e não atirem... David e Ruby montem acampamento, ascenda uma fogueira... – e sua neta apenas o olhou – Certo façam o que tenham que fazer! — terminou e fechou a porta novamente, agora estando apenas ele e Regina dentro da cabana.
Minutos depois ele macerava um pouco da raiz forte, junto com umas pétalas de flores, jogou alguns pingos de água, para voltar a misturar tudo novamente e então acrescentar mais alguns ingredientes e ir em direção a morena deitada. Com uma espátula pequena pegou um pouco daquela mistura e com cuidado colocou sobre o ferimento. Instantaneamente ouviu-se um uivo de lobo. E nos aposentos de Robin, o rapaz estava dormindo e repentinamente sentiu uma sensação estranha tomar conta de todo o seu corpo por uns breves segundos. Com a pasta envolta da flecha, com cuidado Gepeto segurou a mesma, e instintivamente Regina colocou sua mão por cima do homem. E novamente Robin sentiu a mesma sensação estranha de momentos atrás, mas um pouco mais forte dessa vez. Gepeto apenas sorriu triste e tomando coragem, e colocou sua outra mais sobre os olhos da morena que imediatamente a retirou para olhá-lo nos olhos, e colocar a mesma sobre o ombro direito do senhor apertando levemente. Em um aceno de cabeça Gepeto apertou mais forte a flecha, e Regina já respirava com mais dificuldade. Robin então foi tomando novamente pela sensação estranha e essa durou mais tempo que a outras duas anteriores. Num só movimento de força, Gepeto puxou a flecha toda fazendo Regina gritar de dor, e ao mesmo tempo o lobo branco uivar e Robin se sentar acordado em sua cama.
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— Perdão meu rei! – disse o guarda ao entrar ao mesmo tempo em que ele se sentou na cama respirando pesadamente. – Mas Graham chegou! – saiu em seguida para dar espaço, então uma enorme sombra se aproximou da porta, e o homem tirou o capuz para ver seu rosto e um sorriso malicioso surgiu em seus lábios com um breve aceno de cabeça.
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Henry fora o único que havia permissão para adentrar a cabana, e levava consigo uma bandeja com comida para Gepeto e Regina. Ele se aproximou do senhor entregando uma caneca com bebida, pois Ruby havia dito que ele precisaria. – É ela, não é? – disse assim que o senhor pegou a caneca o olhando, para retornar seu olhar para a janela.
— Sim... – respondeu num fio de voz – Ela esta agoniada porque não sabe se Regina está bem ou não, pois ainda não foi encontrá-la na floresta... – começou a explicar para o garoto – Apesar de elas não se lembrarem do que acontece quando estão em sua forma animal, isso não quer dizer que elas não podem sentir... – fez uma pausa e bebeu de sua caneca – Elas sentem que uma pertence a outra, e que somente elas podem se aproximar da forma animal da outra sem medo de se machucarem... Hey isso não é água! – exclamou fingindo estar bravo.
— Não! – riu Henry – É vinho! Sua neta que deu, pois ela sabia que o senhor iria precisar.
— O que eu faria sem minha neta! – riu gostosamente Gepeto acompanhado de Henry. Então escutaram um barulho atrás e viram a morena em pé, e vestida, pronta para sair – Aonde você pensa que vai? – perguntou o senhor preocupado e indo para perto.
— Eu preciso ver Emma... – respondeu colocando a capa da loira com um pouco de dificuldade – Eu TENHO que vê-la, falar que estou bem! – terminou de amarrar a capa – Por favor não me impeça... Daqui a pouco estou de volta! – e saiu sem chance de impedirem, mas mesmo se quisessem não a impediriam.
Regina mal havia fechado a porta atrás de si, quando viu todos seus amigos ali, em volta da fogueira, apenas sorriu e foi apressadamente em direção aos uivos do lobo. David iria até chama-la, mas a mão de Ruby em seu braço a impediu – Depois ela conversará conosco, agora ela vai ter o momento dela com o loirão. – brincou por fim.
A morena andava apressadamente por entre as árvores, na expectativa de ver o lobo, se guiando pelos uivos. Até que então a viu numa pequena clareira, o lobo estava sentado, com sua cabeça para o alto e mais um uivo saia de sua boca. Regina ao se aproximar, fez um leve barulho que acabou chamando a atenção do lobo que virou a cabeça em sua direção no mesmo instante, um lindo sorriso surgiu nos lábios da morena que continuou caminhando, agora devagar, na direção do lobo que parou e se sentou sobre seus calcanhares ao ver o lobo vir apressadamente em sua direção. O lobo estava feliz por vê-la novamente, ele agitava seu rabo freneticamente, e assim que se aproximou da morena no chão, a cheirou inteiramente, passando seu focinho todo feliz, por entre as mãos, braços, passou sobre o colo, dava algumas voltas em torno da mesma até que se aquietou e sentou de frente para a mulher que no segundo seguinte abraçou o lobo fortemente. – Oi meu amor! – disse enquanto passava as duas mãos nos pelos das costas do lobo – Eu estou melhor! Não precisa mais se preocupar! – disse e soltou o lobo, para o mesmo encostar a cabeça no peito da mulher – Sinto tanto sua falta! – sussurrou ao encostar sua cabeça a do lobo.
Algum tempo depois Regina retornou para junto de seus amigos, sentou-se entre David e Ruby, que não perderam tempo a abraçaram ao mesmo tempo, um de cada lado, para logo em seguida Killian e Mulan se juntarem ao abraço coletivo. Ficaram ali conversando durante certo tempo até decidirem como iriam revezar na vigília, e Regina foi para dentro da cabana, queria descansar, mas assim que entrou viu Henry acordado, deitado em sua cama improvisada.
— Sabe... – começou ela – Os acontecimentos de hoje me trouxeram uma lembrança muito triste...
— Quer compartilhar? – perguntou o rapaz ao se sentar e a olhar melhor. A morena apenas concordou com a cabeça.
Naquele dia chovia terrivelmente, pois parecia saber que no momento era o dia mais triste que o reino estava passando. Seu rei havia falecido durante a noite devido a ataque cardíaco fulminante durante a madrugada.
Cora andava de um lado a outro, fazendo os preparativos para o enterro de seu marido, e até então não havia mostrado nenhum sinal de choro e muito menos de tristeza. Sem séria e dando ordens como se não tivesse acontecido.
Regina por outro lado havia pedido abrigo nos braços de Emma que a recebeu sem hesitar. Ali no quarto da loira, deitadas, choraram, conversaram, choraram novamente. Regina estava inconsolável, e Emma havia perdido novamente um pai. Só saíram dali quarto vieram bater dizendo que a incineração iria acontecer naquele momento.
No lugar dedicado a incineração dos corpos, o sacerdote fez um discurso para acalentar o sofrimento do povo que acompanhava atentamente a última despedida de seu generoso rei. Emma como comandante da guarda real, fez um discurso honroso e cheio de sentimento, Regina por sua vez, teve muita dificuldade em falar, mas conseguiu se expressar, e que o sonho dele nunca morreria. Quando foi a vez de Cora falar, pois era a última, uma lágrima desceu por sua bochecha, e sem dizer uma palavra jogou uma flor em cima do corpo virou e foi embora. Ficaram ali até finalmente as chamas tomarem o corpo do rei e ser consumido.
Aquele foi um dia muito triste para o reino, mas principalmente para as pessoas próximas e seus familiares.
— Depois desse dia, resolvi que o sonho de meu pai nunca morreria... – comentou Regina ao terminar de contar as lembranças – E por isso lutei com unhas e dentes para manter de pé o reino...
— E você está fazendo tudo certo... – tentou animar Henry e sorriu ao final – E eu sei que ao final tudo dará certo! – e olharam e apenas sorriram.
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Robin remexia com um pequeno punhal as peles de lobo que estava em cima de sua mesa, sua cara não era uma das mais felizes.
— Inúteis! – disse ao entregar o punhal a um guarda e se aproximar de Graham, e passar pelo mesmo – Todas elas!
— Minhas armadilhas estão cheias! – se justificou Graham – Não posso matar todo lobo que existe... – virou-se de costas e indo em direção a saída – Desde a praga há mais lobos que homens.
— E há uma mulher! – soltou Robin.
— Majestade! – disse surpreso, virando-se novamente para Robin.
— Uma mulher bonita... – continuou ainda de costas para o caçador, começando a subir uma escada – Com pele de veludo, e os olhos de uma beleza infinita... – fez uma pausa chegando ao topo da escada – Ela viaja a noite, só a noite... O sol dela é a lua... – parou e virou-se para o caçador – Seu nome é... Regina! Encontre-a e encontrará o lobo... O lobo que eu quero! O lobo... – parou de falar enraivecido – O lobo que a ama. Um lobo branco. – terminou e deu as costas ao caçador e saiu andando.
— Regina... – disse quietamente o caçador.
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Regina estava deitada na sua cama improvisada, dormia inquieta, ou pelo menos tentava, muito devido a dor no ombro, outra devido as lembranças que foram desenterradas e muito também pela sensação de que algo iria acontecer. Lentamente começou a despertar, tentou levantar a cabeça, mas foi impedida.
— Não Lady Regina... – pediu Henry – Não levante, pois o ferimento pode começar a sangrar novamente.
Ela então olhou para seu ferimento e viu um pouco de sangue manchando a roupa e olhou para o rapaz – Como você está?
— Eu estou bem... – fez uma pausa e a olhou tristemente, assim que ela virou o rosto com o semblante também triste – Ela disse: Você tem que salvar esse falcão, porque ela é minha vida, meu último e melhor motivo para viver... – fez uma pausa e mesmo assim a morena ainda olhava para o outro lado – Então ela disse: um dia conheceremos a felicidade que duas pessoas sonham, mas nunca conseguem. – ele aumentou um pouco as palavras ditas pela loira, para ver se animava um pouco a mulher a sua frente, ela então a olhou e ficaram uns segundos em silêncio.
— Ela disse isso? – perguntou incrédula ao rapaz, mas sorriu ao final, o fazendo sorrir também.
— Juro pela minha vida! – disse convicto e sorrindo abertamente. Ficaram ali alguns segundos se encarando, e nada disseram, Regina sabia que Emma não era tão sentimental a esse ponto, mas acreditou nas palavras do rapaz, pois talvez ela não tenha dito com essas mesmas palavras, mas seu significado seja o mesmo. Então sem dizer mais nada, Henry se levantou e deixou a morena ali com seus pensamentos e caminhou para fora da cabana.
Um pouco longe dali, alguns guardas de Robin, se aproximavam e pararam ao avistar a cabana.
Henry havia acabado de sair da cabana quando viu a movimentação de todos do lado de fora – O que esta acontecendo? – perguntou ao se aproximar de David.
— Guardas de Robin! – respondeu arrumando as coisas – Achei que tínhamos um pouco mais de vantagem sobre eles. – então escutaram alguns relinchos de cavalos – Vá rápido, pegue Gepeto e Regina... Vão na frente que logo estaremos atrás de vocês, pegue Guardião e a Imperatriz... Vá garoto, vá rápido. – virou e correu em direção de Ruby.
Henry sem pensar duas vezes, voltou a cabana e encontrou Gepeto ajudando Regina a se levantar – Alguns guardas de Robin, estão por perto, David pediu para que nós três fossemos a frente, que logo eles estarão atrás de nós. – explicou ao arrumar as coisas e ajudar Gepeto – Também pediu para pegar sua égua e o cavalo de Emma. Eles apenas concordaram com o rapaz e sorrateiramente pegaram os cavalos e saíram pelo caminho.
Ao fundo podia-se escutar o tilintar de espadas, gritos e todo o barulho que um combate produz. Mas não deixaram se desviar a atenção do que fora pedido. Regina apenas olhava ao redor, para ver se conseguia ver seu lobo branco, mas por enquanto não havia nenhum sinal do mesmo. Quando o barulho se aquietou atrás deles, então ela viu um borrão branco, correndo ao lado deles, mas mantinha certa distância. Ao perceber quem era, sorriu feliz.
Enquanto isso uma pequena batalha se desenvolvia, perto da cabana. Os homens de Robin, apesar de estarem levemente mais armados e com alguns homens a mais, até que resistiram bravamente, mas a armada de Emma conseguiu vencê-los sem maiores problemas.
— Isso nem deu para começar a se aquecer! – brincou Killian, ao se aproximar de seus amigos, limpando sua espada.
— Não se preocupe... – respondeu Ruby sorrindo maliciosamente – Quando escutarmos o plano do loirão, você não só terá um aquecimento, mas como uma batalha inteira contra os guardas de Robin.
— Estão todos bem! – disse Mulan que a foi a última a se aproximar – Tivemos apenas um guarda machucado, mas foi apenas um corte leve no braço que já está com curativo... Os três já estão bem a nossa frente, acho que devemos começar a ir atrás deles.
— Concordo! – disse David, olhou ao redor e viu todos prontos – Peguem tudo! Vamos atrás deles, o quanto antes nos aproximarmos melhor, pois estamos cada vez mais próximo do castelo de Robin, com certeza mais guardas irão aparecer em nosso caminho. – assim dito saíram em disparada para alcançar os três que estavam bem a frente.
— Corra! – disse Henry assim que avistou dois guardas, indo atrás deles – Vamos mais rápido! – pediu montando na garupa da égua, com Regina guiando.
— Estou tentando! – disse Gepeto que vinha logo atrás montado em Guardião. E sem perceberem acabaram sendo encurralados, pois precisaram param na beira de um penhasco. Sem alternativa, eles acabaram descendo dos cavalos, que se afastaram, e caminharam os três para perto do penhasco.
Os dois guardas que vinham atrás, também param e sorriram, pois agora eles não tinham escapatória e seriam facilmente presos. Desembainharam suas espadas e lentamente caminharam na direção dos três, Henry instintivamente se posicionou a frente de Regina, para protegê-la, enquanto Gepeto estava ao seu lado.
— Acho que vocês não têm para onde fugirem! – disse um dos guardas, sorrindo maliciosamente – Robin nos dará uma boa recompensa.
— Pena que aquele lobo, não está junto... – completou o outro guarda – Porque ai sim, a recompensa seria bem gorda. – assim que terminou de falar o lobo branco surgiu do meio das árvores, rosnando enraivecido, pulando em cima do guarda que queria que o animal estivesse junto. E sem deixar tempo para uma reação do mesmo, o lobo afundou seus dentes na junção do pescoço com o ombro e começou a arrastar o guarda para dentro da floresta, e esse só gritava em desespero, então não se viu mais nem o lobo e muito menos guarda que fora arrastado.
— Um a menos para dividir a recompensa! – disse e tentou atacar, mas foi impedido por Gepeto, que antes de descer do cavalo, havia pegado a espada menor de Emma.
— Acho que não será tão fácil assim! – disse o senhor.
— Isso é o que veremos velhote! – rebateu o guarda e novamente atacou. E assim duelaram por alguns minutos, e em um estocada do guarda, Gepeto desviou, quase acertando Henry, que por instinto deu um pulo para trás e acertou Regina, a fazendo escorregar na beira do penhasco e cair.
— Não! – disse assustado, virando-se para ajudá-la a se segurar, pois na queda ela havia conseguido segurar uma mão nas pedras – Não, por favor... – segurou a mão dela, tentando puxá-la para cima. Gepeto viu e tentou afastar o guarda deles, para que o garoto conseguisse ajudar Regina a subir. Mas sua mão estava suada por causa do nervosismo, e ele não estava conseguindo um agarre forte, e as mãos estavam começando a se soltarem. – Segura! – pediu o rapaz, mas a mão soltou um pouco, e ele precisou usar as duas para segurar a mão da morena, que apenas gritou em susto. Henry até tentou trazê-la para cima, mas sua força não era suficiente. Tentou novamente, mas suas mãos escorregaram, conseguindo apenas agarrar com uma mão, aos poucos seus dedos foram se soltando até que Henry não conseguiu mais segurá-la e ela despencou penhasco abaixo – Não! – falou por fim e estendeu seus dois braços para tentar alcançá-la, mas foi em vão, pois Regina já estava em queda livre.
Então por entre as montanhas, o sol clareava seus primeiros raios do dia. Henry apenas ficou observando, paralisado, enquanto Regina caia, quando os raios de sol chegaram a tocar seu corpo, ela começou a se transformar em falcão, e no minuto antes de se espatifar uma pedra gigante, um piar de falcão se ouviu, e viu a ave peregrina alçar voo, Henry com os olhos cheios de lágrimas olhou o sol nascendo entre as montanhas e agradecendo ao ver o falcão longe planando ao redor do penhasco, enquanto piava.
Henry então se virou ao escutar um grito de dor, e Gepeto jogado ao chão, sem forças para se levantar, e entrou em desesperou ao ver o guarda de aproximar, com a espada pronta para atacar.
— Onde está a moça? – perguntou o guarda bravo.
— Ela foi embora voando. – respondeu ele sincero.
— Onde ela está? – perguntou novamente, mais bravo ainda.
— Eu juro! – disse com medo – Ela voou!
— Você... – o guarda não teve tempo de terminar, pois uma flecha o havia acertado, o derrubando penhasco abaixo. Então o rapaz se apoiou em seus cotovelos e viu ao longe perto de seu cavalo, Emma com sua besta na mão, ela havia acabado de atirar no guardo. Henry todo feliz, apenas fez um aceno com a mão – Vale sempre apena dizer a verdade, seres superiores! – murmurou para si – Obrigado!... Agora estou vendo isso! – deitou-se novamente e olhou para o céu em agradecimento.
— Estão todos bem? – disse ao se aproximar do garoto e do senhor, eles apenas confirmaram com a cabeça — Onde estão os outros? — perguntou por fim, olhando ao redor, e percebendo que não estavam mais na cabana. Em seguida olhou para o céu para ver o falcão.
— Estamos aqui loirão! – respondeu Ruby assim que chegaram. – Acho que perdemos a festa rapazes. – brincou e sorriu. No momento seguinte ao descer, a mulher já estava pendurada no pescoço da loira, em um abraço apertado – Saudades de você, loirão. – escutaram o falcão piar bem perto, para logo vê-lo fazer um voo rasante perto delas, e subir novamente – Calma Regina, é apenas um abraço de irmãs! Não quero nada com seu loirão, eu já tenho a minha mulher. – brincou novamente, fazendo Emma rir.
Depois de abraçar rapidamente todos os amigos, Emma se encaminhou para a beira do penhasco, olhou para o alto, e viu o falcão planando nas correntes de vento, ergueu seu braço esquerdo para o falcão, que piou novamente e foi pousar na luva assim que terminou seu voo rasante – Oi minha vida! – fez um afago carinhoso no falcão – Que bom que você está melhor, e que deu tudo certo ontem a noite. – passou o falcão para seu ombro e se dirigiu para seus amigos – Vamos viajar mais alguns quilômetros e então faremos uma pausa para comer, descansar... – disse assim que montou em seu cavalo – Assim vocês me contam porque não estamos mais na cabana e também conto como faremos para invadir o castelo de Robin.
— E vamos cuidar de seu ferimento... – disse Gepeto ao se aproximar, com Henry em sua garupa, ele apenas ergueu a mão para loira não a deixando responder – Regina sabe que você está machucada, então é melhor eu cuidar do ferimento. — mostrando que ele iria cuidar do ferimento querendo ela ou não e sem mais palavras, todos estavam montados nos cavalos e partiram em viagem.
Andaram praticamente o dia, parando apenas para comerem e descansarem, e Gepeto cuidar do ferimento de Emma, e aproveitaram para contar o que tinha acontecido na noite anterior. Gepeto e Henry contaram a todos sobre a maldição, e principalmente como quebrá-la.
— Estou tão orgulhosa de você, vovô! – disse a morena com mechas vermelhas abraçando o senhor – Sabia que conseguiria... Afinal não foi tanta loucura te mandar infiltrado no castelo daquele homem.
— Ainda devo uma punição a todos vocês... – disse Emma apontando a cada um de seus amigos – Mas eu agradeço por vocês não desistiram de nós, e pela ajuda de vocês.
— E qual é plano, loirão? – perguntou Ruby ao se sentar ao lado dela.
— Chamem todos! – pediu assim que terminou de beber seu vinho – Assim cada um saberá o que fazer quando chegar a hora. – então com a ajuda de Henry e Gepeto desenhou em um papel um mapa do castelo, com suas entradas, posição de guardas, janelas principais, corredores e todos os detalhes necessários – Tudo terá início ao raiar do dia, a leste do castelo entrarão Ruby, Gepeto e mais cinco guardas, vocês serão os primeiros a atacar, chamando assim a atenção dos guardas... – e apontou os guardas que iriam compor o grupo daquele lado – Logo em seguida, ao oeste Killian e vocês – apontou mais cinco guardas – Irão atacar para também chamar a atenção dos guardas, dividindo assim a guarda. – virou-se para a outra mulher — Ao norte entrarão Mulan e mais cinco guardas, para dividir mais ainda a atenção dos guardas! – e novamente apontou os guardas que iam com a mulher – Vocês entrarão e irão direto ao salão principal do castelo, ou seja, a sala do trono... – fez uma pausa – Os guardas que sobraram irão montar guarda do lado de fora do castelo, não deixarão nada se aproximar e irão olhar os cavalos... – olhou para David – Você irá entrar comigo pelo sul, pelo portão principal, seremos os últimos a entrar, com a confusão formada em outros lados do castelo, não terá muitos guardas a frente, então não teremos muitos problemas para entrar. – então olhou para Henry, que a olhava ansioso para saber qual seria a sua tarefa – E você terá uma tarefa muito importante... – olhou seriamente – Enquanto o eclipse não aparecer, você irá cuidar com a sua vida do falcão, e quando Regina tomar a forma humana, a leve imediatamente para o salão principal. Você entendeu? – perguntou colocando a mão sobre o ombro do rapaz, que apenas concordou com a cabeça, então voltou a olhar a todos – Se meus cálculos estiverem certos, quando nos reunirmos na sala do trono, o eclipse já terá começado... Não quero ninguém atacando Robin, ouviram bem? Ninguém ataca Robin! – olhou um por um, e cada um acenou positivamente entendendo – Quando tudo tiver terminado, ele será meu. – rosnou por entre os dentes – Alguém tem alguma dúvida ou sugestão? – ninguém se manifestou então a mulher continuou – Vamos arrumar as coisas e continuar a viagem. – sem dizer nada, todos arrumaram seus pertences e partiram em seus cavalos.
O dia estava se esvaindo e uma tempestade se aproximava lentamente.
— Vai cair muita água! – comentou Ruby ao lado de Emma.
— Sim... – murmurou Emma com o falcão em seu ombro – Temos que arrumar um abrigo... – fez uma pausa – O sol está se pondo...
— Como você sabe? – questionou David que estava do seu outro lado.
— Meu amigo... – olhou para o rapaz – Depois de tantos por do sol, você sabe... – fez uma pausa e se aproximou do cavalo de Gepeto, pegou na mão de Henry e passou o falcão para mão do rapaz e olhou para David – Vocês continuem em frente, provavelmente irão encontrar um bar com um celeiro perto, poderão usá-lo como abrigo... Eu os encontrarei no raiar do dia... – fez uma pausa novamente – E não deixem o ocorrido da noite passada acontecer novamente! – fez outra pausa e olhou para o garoto – Diga a ela que a amo. – sem dar tempo para alguém falar, Emma desceu de seu cavalo, entregou a rédea a David e adentrou pela floresta. – Vamos continuar! – ordenou David assim que viu que Emma havia desaparecido no meio das árvores.
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