Espada de Esmeralda
1 Capítulo N
Aaron cavalgava há horas por entre aqueles troncos de árvores, pareciam todos iguais, mas Aaron sabia que não eram, fazia tudo parte do encantamento. As copas das árvores impediam a passagem da luz do sol, na Floresta de Khrad era sempre noite e criaturas estranhas rastejavam e se escondiam naquela eterna escuridão. Continuou cavalgando, quanto mais avançava, mais a Floresta tentava atrapalhá-lo, agora ouvia sussurros distantes e ininteligíveis, o som era inquietante e assustador, mas Ele fez o possível para ignorar, seu cavalo, porém, começou a ficar agitado
—Acalme-se, rapaz — afagou a crina do animal, que se aquietou.
Sentia sempre que estava sendo observado, não apenas pelas criaturas da Floresta, outra coisa…algo diferente…
Ele sabia que a Floresta ainda tentaria pará-lo, ficava mais atento a cada passo de seu cavalo, ouviu o farfalhar de folhas e galhos, virou a cabeça e não viu nada, ouviu novamente e quando se virou, um enorme galho o atingiu no peito e o derrubou do cavalo, que empinou e correu. Quando Ele se levantou viu uma criatura estranha de que só ouvira em lendas, um golem de madeira, nascido das profundezas da Floresta, era enorme, feito de pedaços de troncos e toras, com folhas espalhadas nos galhos, era um dos guardiões da Floresta e dos segredos que nela contém. Ele sacou a espada que trazia na cintura, uma lâmina comum, de aço, feita para combates comuns, não sabia se serviria contra aquela criatura. Desferiu golpes contra os galhos que se projetavam contra seu rosto, quebrava-os com dificuldade e desviava de outros mais. Avançou contra o monstro lançando e rachando a madeira, desviando e defendendo os golpes, Ele vacilou e o monstro o arremeçou alguns metros, Ele rolou pelas raízes e folhas no chão, percebeu que sua espada não seria tão eficaz, e pensou “ele é feito de madeira, terei que queimá-lo…”, buscou nos compartimentos do cinto alguma coisa que seu mentor lhe dera para a viagem, vasculhou três deles e por fim encontrou o que procurava: um pequeno frasco redondo com um líquido vermelho dentro. Não notara a criatura se aproximando rápido, mal teve tempo de mirar, atirou o frasco no monstro que acendeu em chamas rubras, parando e começando a urrar, o monstro fugiu aos berros, debatendo-se e batendo nos troncos que surgiam a frente. Logo Ele se acalmou, recuperou o fôlego, embainhou a espada e chamou o cavalo com um assobio, sem sinal do animal, então pensou “ainda deve estar assustado, logo ele voltará.”. Pegou o mapa que trazia no cinto, estava fora da rota (mesmo sendo muito difícil trilhar aquela floresta, Ele ainda tinha sanidade o suficiente pra isso), acertou o rumo e seguiu caminho esperando que não fosse mais atacado daquela maneira, sabia que seria, mais cedo ou mais tarde. O caminho o conduziu para a entrada de uma caverna que tinha ramos e raízes de uma árvore cobrindo a entrada, a árvore crescia logo em cima, enorme e imponente, no meio do tronco estava esculpido um rosto raivoso, com olhos profundos e uma boca enorme e aberta, como se estivesse gritando. Ele pensou “Isso não me assusta.”, e continuou andando, quando chegou perto, sacou a espada e começou a golpear as raízes, golpeava e golpeava mas nada acontecia, era como se batesse numa parede de pedras, “Outro encantamento…” Ele pensou já imaginando o que fazer contra aquilo. Tirou outro daqueles frascos de fogo líquido e atirou nas raízes, as chamas explodiram e queimaram vermelhas, mas quando se apagaram, as raízes se mantinham intactas, aquilo o deixou frustrado. Então Ele ouve uma voz sombria, grave e ecoante fala:
—Não consegues passar pelas minhas raízes, ó, nobre guerreiro? Sinto em dizer que sua jornada acabou já que não consegues destruí-las.
Ele olhou para os lados e não avistou nada, nem ninguém, isso o deixou assustado e em guarda.
—Quem está aí?!
—Pobre tolo, não há mais ninguém nessa floresta além de você, ninguém seria tão ingênuo. Estou atrás de você, não precisa gritar tão alto, as criaturas deste lugar não estão acostumadas com sons altos...cuidado…
Ele se virou e deu alguns passos para trás e notou que as feições da árvore haviam mudado, tornara-se um rosto zombeteiro, como se zombasse Dele.
—Que tipo de encantamento é esse!?
—Não faria diferença pra vós se eu dissesse. Não seria capaz de entender.
—Eu preciso entrar nessa caverna! Deixe-me passar! Agora! Ou eu…
—Ou o quê, jovem guerreiro? Não pode me causar danos, não com o que tens. Mas há uma maneira de entrar na caverna, mas terá que ser como eu disser.
—Diga, árvore. O que queres de mim?
—De você, nada. Você terá que acertar um enigma que irei te propor. Se acertar, entra, se errar… bem, pergunte aos outros golens de madeira.
—Como quiser. Qual o enigma, criatura hedionda?
—“Enquanto desconhecido, existo, se me conhecem, desapareço. O que sou eu?”
Ele pensou, e pensou mais ainda, nada lhe vinha à mente, não fazia ideia do que poderia ser.
—Vamos rápido, ó, aventureiro, nosso tempo é curto…
—Deixe-me pensar!
Tudo o que Ele imaginava não fazia sentido, não entendia e agora ficava cada vez mais angustiado e nervoso. Até suava e mordia o lábio.
—Não consigo pensar em nada… isso é frustrante…
—Ah, mas é uma pena...terei que matá-lo aqui mesmo. Ninguém saber ou se lembrará de você. Sua vida terá um fim aqui na Floresta, escondido e isolado, em segredo… ninguém jamais saberá…
—Ei, espere… SEGREDO, a resposta é segredo. Se todos sabem, não é mais segredo. É isso! Agora deixe-me passar.
—Não acredito que conseguiu! Isso não foi justo… você…
—Eu acertei sua charada, árvore. Cumpra sua promessa. Eu passarei.
Sem dizer mais nada, as raízes se abriram e Ele entrou na caverna, estava muito escura, ele procurou nos bolsos algo para iluminar, algum daqueles amuletos que seu mentor lhe dera, tirou de um bolso uma pedra de resina azul e pegou no chão uma pedra comum e um galho que estava perto da entrada. Bateu a pedra na resina que acendeu uma chama azul e vermelha, no galho amarrara um pedaço de pano que pegou fogo ao ser aproximado da resina em chamas. Continuou andando, adentrando a caverna, cada vez mais fundo e cada vez mais pra baixo. Ouvia barulho estranhos, de criaturas se rastejando e de insetos dentro das paredes, havia teias de aranhas em toda parte, grandes, pequenas, fina e grossas, algumas pegavam fogo quando Ele passava e delas caíam aranhas de vários tamanhos que se escondiam nos buracos nas paredes.
Após alguns metros andando na escuridão, Ele chega à uma grande câmara, ampla e espaçosa, tirou mais duas pedras de resina, ateou fogo nelas e as jogou, uma pra direita e a outra pra esquerda, o mais longe que pôde. Isso iluminou a câmara, e mostrou todo o seu esplendor… Por toda parte haviam cristais verdes de vários tons e tamanhos diferentes, a luz do fogo azul refletida nos cristais deixava lugar com um ar místico e misterioso, tão belo quanto se podia imaginar. A beleza daqueles cristais era hipnotizante, os olhos Dele estavam fitados neles, Ele nem piscava, apenas olhava fixamente. Sua cabeça começou a rodar e rodar, estava tonto e caiu de joelhos, estava tendo alucinações, via monstros saindo dos cristais e se fundindo com eles, os olhos deles eram amarelos brilhantes e eles andavam e corriam encarando-O, o medo era quase palpável, Ele queria sair dali… “Isso é só mais uma ilusão. Só mais um encantamento…”. Fechou os olhos e se concentrou, quando abriu já não estava mais na caverna, não sentia medo, não sentia mais o peso da armadura e nem o cansaço da viagem, olhou em volta e percebeu que estava em casa, deitado em sua cama, ainda se perguntava como fora parar ali, tão longe de onde estava, sentou-se na cama, confuso, sua esposa estava do seu lado, ela virou sonolenta…
—O que foi, querido?
—E-eu não entendo… eu estava há quilômetros daqui…como é possível…?
—Querido, você estava sonhando… — ela o abraçou…
—Isso não é real...não pode ser… — saiu dos braços dela e levantou da cama.
—O que está dizendo, querido? Tem algo errado?
—Pare de falar comigo! Eu me lembro: era uma caverna com rochas mágicas, me fizeram cair numa ilusão…saia de perto de mim! Isso é uma mentira — Ele começou a se desesperar, fechou os olhos com força, colocou as mãos na cabeça e gritou.
Ele se esforçava pra sair daquilo, lutava incessantemente, de repente tudo ficou escuro e Ele sentia novamente, sentiu mãos passando em seu corpo e ouviu o som do metal da armadura, abriu os olhos e viu as criaturas em cima de si, pálidas, nuas, com os olhos amarelos e a pele gosmenta. Ele gritou e as jogou pra longe, sacou a espada e desferiu golpes em todas as direções, as criaturas se tornaram agressivas e partiram pra cima Dele. Sua espada arrancava membros e cabeças, abria crânios e furava barrigas, mas eles eram muitos, desciam pelo teto e rastejavam de dentro de fendas e buracos, Ele estava cercado buscando uma saída e viu, atrás das criaturas, uma passagem.
—Preciso chegar até lá e fugir daqui…
Ele correu, saltou e abriu caminho com a espada, cortando pela direita e pela esquerda. As criaturas saltavam nas costas e na frente dele, tentando segurá-lo, Ele socava e batia com o pomo da espada. Parecia tão longe… até que viu uma rocha maior e subiu nela correndo e saltou por cima de alguns monstros, entrou na passagem, era um túnel estreito, longo e escuro. Correu por ele com as criaturas atrás, já começava a se cansar e as criaturas chegavam aos seus calcanhares, viu no fim do túnel uma luz fraca e amarelada “O que é isso agora…!?”. Quanto mais se aproximava, mais a luz brilhava, mas ainda não via muito bem. Logo viu que era uma vela e uma porta surgiu e Ele quase deu de cara com ela, “Tenho que abriu isso…”, procurou uma maçaneta ou uma fechadura, e nada, seu desespero aumentava, as criaturas se aproximavam, Ele estendeu a mão pra pegar o candelabro da vela, este apenas dobrou como uma alavanca e a porta se abriu. Ele entrou rápido e os monstros alcançaram a porta e empurravam com força, Ele empurrou de volta com muita força e conseguiu fechar, afastou-se da porta lentamente, as criaturas ainda batiam tentando derrubá-la, mas ela era grossa e resistente, e de repente as batidas pararam. Ele sentou-se no chão e sussurou suspirando….
—Graças aos Deuses…
À sua frente não havia nada, Ele não via nada, estava tudo um breu, não ouvia nada também, era apenas Ele e o escuro. Quando seus olhos se adaptaram vagamente à escuridão, Ele pôde ver, ao longe, um fraco brilho verde, forçou a visão mais ainda não identificava o que era. Procurou outra pedra de resina azul para acender, pegou um saco quase vazio e despejou na mão, havia só mais duas pedras, teria que usá-las bem. Buscou algo para fazer uma tocha, voltou à parede da porta e encontrou um braseiro, colocou a pedra dentro e rasgou outro pedaço de pano da capa, bateu o pomo da espada na resina e ateou fogo no pano que acendeu azul. Agora podia ver ao redor: era uma câmara ampla, enorme, a luz da tocha não era o bastante para iluminá-la por completo, maior do que a câmara dos cristais verdes, porém está estava vazia, sem nada, o chão era plano e não havia olhos em lugar nenhum, o teto era alto e mal era possível vê-lo.
—Isso é muito estranho...sem armadilhas… Sem enigmas… Sem monstros… Sem encantamento… Nada. Bem, manterei guarda e atenção dobrada, caso algo aconteça…
Começou a caminhar desconfiado em direção ao brilho verde que vira no fundo da câmara, parecia muito longe, talvez fosse apenas uma ilusão de óptica. Quanto mais perto chegava mais conseguia identificar a fonte da luz, soube o que era.
—Não acredito…- estava surpreso, correu até o objeto e o alcançou.
No pomo uma joia vermelha como sangue com o interior que parecia uma nuvem negra jazia, o cabo era dourado e ornamentado, como se duas serpentes se enrolassem nele, da cabeça das serpentes saia a guarda, em formato de asas douradas, na cabeça de cada serpente havia uma gema verde e de onde a cabeça de cada serpente repousava (uma de casa lado) formava-se a lâmina, verde escura como a floresta noturna, um verde tão profundo como as lagoas pantanosas, um verde tão profundo que quase se tornara preto, a lâmina era larga como uma mão. A Espada estava cravada numa rocha, parecia muito travada, Ele agarrou o cabo com as duas mãos, apoiou um dos pés na rocha e puxou com toda a força, não adiantou, mas algo aconteceu, ouviu um barulho que ecoou por toda a câmara, não sabia o que era, mas sabia que não seria coisa boa. Continuou forçando a Espada, sentiu ela se mover e o som continuava ecoando, mais alto desta vez…
—Isso não será bom…
Arrumou a postura e puxou novamente, dessa vez com mais força ainda e gritou devido ao esforço…. A Espada saiu, era leve e bela, Ele sentiu o poder da Espada, ela era muito forte, uma espada lendária, forjada há muitos anos, quando a antiga Era das Trevas vivia, agora seria necessária novamente. Enquanto Ele observava e admirava a Espada, não notou que quando Ele a libertou, o chão se abria e o som ecoava mais alto e mais próximo do que antes. Ele se pôs em guarda e se preparou para algo que não sabia o que era…
A rachadura no chão se abria mais e mais, e do fundo subia um brilho alaranjado, subia rápido e então as labaredas atingiram o teto da caverna e o acendeu, seis faixas de fogo desceram do teto pelas paredes, iluminando a enorme câmara , um rugido fez as paredes estremecerem e fragmentos de rocha se soltarem, e aos poucos a criatura foi surgindo, as enormes patas com garras o ajudaram a subir e a enorme cabeça com chifres em espiral emergiu da fenda seguida do corpo gigantesco, era um dragão ergueu-se da escuridão da fenda, seus olhos eram verdes e sinistros, não tinha asas, tinha vários espinhos e ossos em forma de lanças saindo das costas como uma armadura, na ponta da calda tinha uma esfera óssea muito grande, como uma estrela d’alva, as patas eram grossas e tinha garras nos dedos. O dragão era horrível e magnífico ao mesmo tempo. Ele sentia calafrios, estava aterrorizado com a criatura, jamais enfrentara tamanho desafio, nunca imaginara isso, mas Ele tinha que vencer, muita coisa dependia disto, e Ele tinha a Espada, isso teria que ser suficiente.
O dragão se pôs de pé sobre duas pernas, ergueu a cabeça e rugiu algo fazendo a caverna tremer.
—Você sozinho se coloca contra mim, ó, valente e tolo guerreiro? — o desdém do dragão era palpável, ele começou a andar em volta. — Sua insignificância perante mim é inigualável, surpreende-me que tenha passado pelos outros obstáculos e ter chegado até aqui...sua bravura ou sorte é impressionante. Está espada é destinada àqueles dignos dela, mas terá que passar por mim para levá-la, e, como muitos antes de ti, você cairá perante mim. Contemple o seu abatedor, guerreiro e sinta-se honrado por morrer pelas mãos de um dragão, sua jornada termina agora!
O dragão avançou contra Ele com a boca aberta, os dentes eram como adagas afiadas, o hálito do dragão era terrível e quente, Ele se jogou no chão para evitar a mordida, o dragão mordeu o ar, Ele se levantou e ficou em guarda, o dragão avançou novamente e Ele brandiu a Espada contra a cara do dragão, acertou e arrancou uma escama, o dragão recuou e Ele correu até as pernas do animal, ali as escamas não eram tão grossas e os golpes teriam mais efeito, enfiou a espada em uma das patas, o sangue escorreu e as escamas se abriram, o dragão urrou de dor
—Maldito! Beberei seu sangue! – o dragão estava em fúria.
A perna ferida se dobrou, mas o dragão o atingiu com outra pata e o jogou para longe, Ele caiu alguns metros, rolando e se levantou, o dragão abriu a boca e enormes chamas vermelhas vinham na direção Dele, não podia escapar, Ele viu toda a sua vida refletida naquelas chamas, os momentos todos tingidos de amarelo, laranja e vermelho. “Isso não pode ser o fim…”. Num instante, instintivamente Ele ergueu a Espada à sua frente como se pretendesse cortar as chamas, sabia que isso era impossível, mas algo o fazia se manter firme, algo o fazia confiar na Espada… o fogo se aproximava mais e mais, e no último momento, antes de tocar na lâmina, as chamas se dividiram ao meio e não atingiram Ele, isso o deixou surpreso… “Inacreditável…que poder…”.
Ele se sentia capaz de matar aquele dragão facilmente, sentia o poder correndo pelo seu corpo, como raios passando pelas suas veias. Colocou-se novamente em guarda, confiante dessa vez, a fumaça baixava e pôde ver o dragão novamente.
—Impressionante, bravo guerreiro. Mas isso não é o bastante.
—Cortarei você, fera!
O dragão começou a cuspir bolas de fogo, mas Ele avançou correndo contra ele desviando das chamas, rebateu uma bola de fogo com a Espada e a fez explodir na parede, não estava perto o suficiente para os golpes do dragão, que tentou atingi-lo com as garras, Ele defendeu usando a Espada e desviou de outro golpe, o que abriu uma brecha para Ele poder enfiar a Espada na parte de baixo da perna do dragão, atordoando-o e o fazendo cair de lado. Ele viu sua chance, saltou com a Espada na mão pronto para arremeter contra o peito do dragão. A fera o agarrou no meio do ar antes que Ele pudesse matá-lo
—Você ainda não acabou comigo…
A boca do dragão acendeu em chamas e ele queimaria tudo. Num último momento de desespero Ele joga a Espada contra o peito do dragão, que se enterra entre as escamas. O dragão grita e de debate, soltando Ele no chão, labaredas são lançadas ao teto e o dragão se desespera e se descontrolada e avança com os chifres contra a parede, quando o dragão bate a cabeça ele silencia e a parede racha até o teto e o teto racha também. De repente a caverna começa a tremer e desmoronar, Ele teria que sair dali o mais rápido possível, corre até o cadáver do dragão e apanha a Espada das escamas e volta correndo até a porta por onde chegara ali, rochas se desprendiam do teto e caíam fazendo estrondos enormes, uma rocha quase o atingiu mas Ele saltou para o lado e continuou correndo, pulou por cima de outra pedra e contornou mais uma. Chegando na porta, abriu-a rápido e saltou por ela, uma rocha enorme cai e impede a passagem no último instante, o corredor surge longo à frente, Ele corre por ele enquanto as paredes começam a tremer e pequenas pedras caem, Ele percebe que as paredes começam a se fechar, Ele precisava correr para não ser esmagado entre elas. Ele corre o mais rápido que pode, mas o corredor era longo, Ele então decide usar sua espada antiga de aço para retardar as paredes colocando-a entre uma e outra, e funciona, por enquanto, por tempo suficiente para Ele sair daquele corredor. Faltava pouco, mais alguns metros, e então Ele escuta a espada ceder na rocha e as paredes se fecham mais rápido agora, “Não vai dar…” Ele pensa, e numa última tentativa Ele salta e consegue sair com um rolamento.
Aliviado Ele recupera o fôlego e coloca a Espada de Esmeralda na antiga bainha, e serve, “Ótimo… falta pouco agora…”. As rochas ainda caíam do teto, agora, na câmara dos cristais que explodiam quando caíam, espalhando uma poeira verde mágica, “Se eu respirar isso não tenho ideia do que possa acontecer”, já havia um pouco daquela névoa pairando na caverna, e Ele não via sinal das criaturas de outrora, correu pela caverna evitando as nuvens de poeira mágica e desviando dos fragmentos que se desprendiam do teto, saltava e pulava, viu a passagem por onde viera, e havia uma rocha bloqueando a passagem com apenas uma pequena passagem em baixo coberta pela névoa, não tinha jeito, teria que ser deste jeito. Correu mais rápido e faltando pouco metros para bater na rocha Ele se jogou no chão e deslizou pela passagem e pela névoa, infelizmente a pedra que bloqueava a passagem soltou-se no momento em que passava e seu braço esquerdo ficou para trás, preso desde o cotovelo, Ele grita.
—Argh! Meu braço! Não!
Ele teria que sair dali, a caverna ainda desabava, Ele estava desesperado, queria viver, tinha que viver. A decisão foi drástica e necessária, desembainhou a Esmeralda e com um único golpe cortou onde o braço ficou preso, e correu dali pra saída e uma nuvem de poeira explodiu atrás dele.
Do outro lado subiu à superfície e caiu de joelhos, a névoa, aparentemente não lhe fizera mal, sentia uma dor inigualável onde ficava o resto do seu braço, se contorcia no chão e gritava, sangrava muito e Ele não sabia o que fazer, estava em choque, atrás dele a Árvore que lhe fizera o enigma fala:
—Então… Você conseguiu sair de lá vivo e...bem, não inteiro. Ainda assim, esplêndido.
—Deixe-me em paz…! Ahrg…
—Posso fazer algo sobre isso… Afinal, sou uma árvore mágica.
—Por favor...faça…alguma coisa!
As raízes da árvore então se esticaram até Ele e se enrolaram onde havia um braço, formando uma espécie de casulo. Ele não sentia mais dor, sentia um alívio e estava confuso. As raízes começaram a se desenrolar e Ele ficou surpreso com o que viu.
—Pronto, terminei. Acho que isso é muito melhor do que seu antigo braço, não?
A Árvore fez um braço de madeira para Ele, era perfeito, como se fosse talhado especialmente para Ele.
—Incrível… — Ele estava sem palavras…
—Ele funciona como um braço normal, porém tem algumas coisas a mais: pode se tornar mais duro e mais forte do que rocha, pode se esticar, regeneração e você pode moldá-lo como quiser.
—M-muito obrigado… Eu nem sei como agradecer…
—Não se preocupe, só pedimos à você uma coisa: use está Espada com sabedoria…
Ele desembainhou a Esmeralda e a olhou… Admirando-a como não tivera o tempo… O brilho dela enchia os olhos, era fascinante, era leve apesar do seu tamanho, parecia uma espada bastarda com uma lâmina larga, ela não era exatamente de esmeralda, era um material que Ele desconhecia, algo nunca visto antes. Os detalhes no cabo e na guarda, cobras aladas guarneciam a lâmina, era muito bela, incomparável em qualquer aspecto.
—Farei o meu melhor… minha vida se for preciso.
A Árvore consentiu com um aceno.
— Agora vá, nobre guerreiro. E cumpra o seu destino.
Ele se virou, embainhou Esmeralda e assobiou alto, o cavalo voltou, Ele montou e partiu correndo daquele lugar.
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