Notas iniciais
Então é aqui que, definitivamente, terminamos essa primeira parte da história. Eu sei que o final talvez não foi como a maioria esperava, mas acalmem-se que ainda tem muito por vir. Gostaria de agradecer a todos que leram até aqui, que favoritaram, comentaram, e fizeram minha vida um pouquinho melhor. Levo todos vocês no coração! Venho também convidá-los a ler a segunda parte. Eu sei que muitas pessoas desanimam em ter que começar a ler outra história, mas por favor, não desistam de mim! Espero de todo o coração que tenham gostado até aqui. O link da parte 2 estará nas notas finais. Boa leitura, e tomara que gostem do último capítulo! Vejo vocês nos comentários, e na outra história!

18 meses depois.

1 ano e meio. Tudo isso desde toda aquela polêmica do meu casamento. O que me impressiona é como passou rápido. Parece que foi ontem que eu vi aquele carro sair com as duas mulheres da minha vida pela segunda vez, me deixando para trás com o coração em pedaços.

Se te disserem algum dia que o tempo cura, saiba que não é inteiramente verdade. Pelo menos, não foi para mim. Talvez não tenham se passado meses o suficiente, não sei. Mas não há um dia sequer, que a cena do carro saindo da minha garagem não se repete na minha cabeça. Isso não significa que eu fico trancado em casa o dia todo me lamentando, muito pelo contrário, eu ando mais sociável do que o normal. Por outro lado, aquele aperto no peito continua sempre ali, meio camuflado.

São 18:00 de uma sexta-feira, o sol já está baixo devido ao solstício de inverno. E eu estou aqui na empresa, lendo alguns contratos antes de passa-los para meu advogado.

— Senhor Rodrigo, o senhor ainda vai precisar de mais alguma coisa? – perguntou uma voz leve e simpática, que eu sei muito bem de quem é.

— Não Aline, muito obrigado. Já pode ir. – respondi sem tirar os olhos da papelada à minha frente.

— Tudo bem... Bom final de semana. – falou docemente, me fazendo olhá-la e sorrir fraco.

— Igualmente, Aline. – afirmei sorrindo e assenti com a cabeça, a analisando com o olhar. Ela é uma boa menina, simpática, educada, centrada, e muito bonita, é claro. Mas eu estou em um momento de celibato, por não me julgar preparado para me envolver ainda.

Ela correspondeu o sorriso e saiu da sala, me deixando sozinho novamente. Tirei meus óculos de leitura e os joguei sobre a mesa, esfregando o rosto com as mãos, já exausto pela semana de trabalho. Olhei em volta e bufei, sentindo o cansaço finalmente me atingir.

“Chega!” – pensei ao me levantar. Peguei minhas coisas e parei de frente para a enorme janela, observando o fim do pôr-do-sol e o início da noite. Fiquei ali assistindo aquilo por alguns minutos, até que tomei coragem e saí da sala. Peguei o elevador e desci até o estacionamento, onde meu carro já estava estacionado na mesma vaga de sempre, reservada para mim. Entrei no carro e relaxei no banco, antes de pôr o cinto de segurança e dar partida, finalmente ganhando a rua.

A muito custo, consegui finalmente estacionar meu carro na garagem de casa. Devido ao fluxo muito grande de carros, acabou demorando mais do que eu esperava para chegar em casa. Entrei pela porta da sala e joguei minhas chaves num pote cheio de coisas que se encontrava no canto do cômodo, afrouxei a gravata e subi para meu quarto, sem fazer questão de procurar ninguém da casa. Em poucos minutos, tirei toda aquela roupa do trabalho e vesti uma regata branca e uma bermuda solta, calçado também com meus tênis de caminhada. Peguei o celular e os fones de ouvido e saí, seguindo para uma pista de caminhada não muito longe dali.

Dei play na minha lista de reprodução intitulada “Músicas para Malhar” e acelerei o passo, correndo enquanto observava as pessoas ali. Algumas iam só para passear, outras para correr de verdade, algumas até levavam suas bicicletas, skates e patins para andar ali.

Depois de dar minhas rotineiras 5 voltas, tomei o caminho de volta para casa. Chegando lá fui direto para a mini academia que eu tenho em minha casa, próxima da piscina. Entrei no “cômodo” fechado por vidro e coloquei o som alto no aparelho de som, começando a me alongar logo em seguida. Depois de “andar” um pouco na bicicleta ergométrica, comecei a fazer alguns exercícios que meu personal trainer me ensinara. Iniciei com aeróbicos, e depois fui nos aparelhos, dando o melhor de mim a cada segundo. Vários minutos depois, terminei meu treino com um demorado alongamento, tentando ao máximo relaxar meus músculos.

Me sentei num banquinho e sequei o suor numa toalhinha, planejando rapidamente o que faria a seguir. Levantei-me e mudei a lista de reprodução, colocando nas “Músicas para Relaxar”. Aumentei mais o volume e saí da academia, tirando a camiseta no caminho. Caminhei até a ducha e enfiei meu corpo debaixo do chuveiro rapidamente, apenas para tirar o suor. Com cautela, fui colocando meu corpo lentamente na banheira de hidromassagem que existe ali, sentindo um pouco de frio no começo. Ao me sentar, deixei meu corpo relaxar, enquanto ouvia ao calmo ritmo da música que tocava.

Foi depois que eu já estava imerso em meus pensamentos, enquanto sentia a massagem que a água me fazia, que uma voz feminina me tirou de meus devaneios.

— Senhor Rodrigo, é o Max no telefone, pode atender agora? – questionou Vera, parada com os pés próximos de onde minha cabeça estava recostada.

Abri os olhos lentamente e observei seu rosto enquanto tentava me recompor do transe, raciocinando o que ela acabara de me perguntar.

— Ah, claro, posso sim... – respondi me ajeitando na banheira, e estendendo a mão para ela, que me entregou o telefone em silêncio – Alô... – atendi como se não soubesse quem estava do outro lado da linha.

— Rodrigo, amigão! – indagou com o seu típico ânimo – Está ocupado hoje à noite?

— Não, não tenho nada para fazer. – afirmei, apesar de saber que ele me convidaria para sair, e não estar a fim de socializar. Mas eu sei que é bom para espairecer, então deixo a preguiça de lado.

— Ótimo! Que tal tomarmos uma aqui no restaurante hoje? O jantar é por minha conta também.

— Acho que vai ser legal. – respondi com um tom normal, tentando não parecer nem muito desanimado, e nem muito animado.

— Maravilha! Estou te esperando. Até mais!

— Tchau Max. – falei antes de desligar o telefone – Não precisa se preocupar com janta hoje Vera, vou comer no restaurante do Max.

— Está bem, com licença. – afirmou pegando o telefone de minha mão e se virando para sair.

— Só para constar, não precisa me esperar acordada, Vera. – indaguei olhando para frente e sorrindo irônico. Desde o quase casamento, sempre que saio, ela fica me esperando acordada. Além de desnecessário, acho essa prática extremamente estranha, afinal ela é minha empregada, não minha babá, e muito menos minha mãe.

— Ta, ta... – concordou saindo dali rapidamente, e eu logo soube que ela ignorou meu pedido completamente.

Ri fraco e voltei a relaxar, sem me preocupar com a hora. A noite é uma criança, principalmente numa sexta-feira.

—-

Pouco depois, já me cansara de ficar ali. Me levantei e peguei uma toalha na prateleira que havia ali, me secando rapidamente. Foi quando, pela primeira vez em dias, avistei Caio em seu caminho para a edícula.

— Hey! – tentei chamar sua atenção, enquanto o mesmo passava distraído.

— Hm, ah, boa noite senhor Rodrigo. – respondeu me olhando, aparentemente meio perdido – O senhor precisa de alguma coisa?

— Não, só queria ver se está tudo certo. – afirmei dando de ombros.

— Está sim. – indagou indiferente, assentindo com a cabeça.

— Legal... – disse e desviei o olhar, ficando sem assunto.

— Eu tenho que ir... An, foi bom falar com o senhor. – falou e começou a caminhar em direção à casa.

— Okay... Ah, e a propósito, a Elisa e a Cristina mandaram um abraço. – menti, é claro que a Elisa não faria tal coisa, e a Cristina nunca mais falou comigo desde aquele dia na igreja.

— Ta... – disse sorrindo fraco e seguindo seu caminho, parecendo não se importar muito.

Dei de ombros e bufei, tomando o rumo para o interior da casa. Subi para meu quarto, e num piscar de olhos estava no banho, aproveitando para dar mais uma relaxada. Pouco tempo depois saí do banheiro com uma toalha enrolada na cintura, e outra secando os cabelos. Parei em frente o closet e fiquei analisando as opções de roupas. Optei por uma camiseta de mangas compridas azul marinha, meio aberta no peito com alguns botões de enfeite; uma calça jeans escura e um sapatênis preto. Tomei um “banho” de perfume, peguei minha carteira e celular e desci, procurando Gerson para me levar. Pretendia beber um pouco demais hoje, então acho melhor que alguém me leve para não ficar com o carro.

Olhei em volta na sala e não o encontrei, segui para a copa e ele também não estava lá. Foi quando eu adentrei a cozinha que o encontrei, com os braços em volta da cintura de Vera, que se apoiava em seus ombros. Os dois conversavam sobre alguma coisa, e finalizaram com um beijo rápido. Limpei a garganta para chamar a atenção, e só assim os dois notaram minha presença ali.

— R-Rodrigo... – disse o motorista, sem jeito – Precisa de alguma coisa?

— Gostaria que você me levasse até o Cultura Gourmet. – respondi rindo fraco, tentando disfarçar.

— C-claro... – afirmou se afastando de sua esposa – Já está pronto para sair, senhor?

— Sim. – assenti com um sorriso cínico no rosto – Tchau Vera, e não me espere. – acenei risonho, deixando o cômodo.

Ouvi alguns cochichos entre os dois e logo Gerson me seguiu para fora, indo até o carro. Entramos no carro e fomos boa parte do caminho em silêncio, comigo perdido em meus pensamentos.

— Então, tem falado com a Cristina? – perguntou, aparentemente querendo quebrar o gelo.

— Claro que não. – respondi rindo ironicamente – Ela não quer nem ter notícias de mim. – continuei ficando sério, e fitando a paisagem do lado de fora do carro.

— Eu entendo... – disse sem graça, com os olhos focados na direção – E com a Elisa?

— Com a Elisa sim, todos os dias, nem se for só por mensagem. – afirmei sem tirar os olhos da rua.

— E como estão as coisas...?

— Normais, estão morando em NY, a Elisa ama lá, a Cristina está se dando super bem no emprego... Acho que é isso.

— Hm, que legal...

Mais uma vez o silêncio pairou entre nós, mas dessa vez foi até finalmente chegarmos no restaurante.

— Não precisa me esperar, eu volto de táxi. – afirmei segurando a maçaneta da porta do carro.

— Okay, tenha uma boa noite, Rodrigo. – disse antes de eu sair do carro, sentindo a brisa fria do inverno bater em meu corpo. Entrei rapidamente no restaurante, onde não estava nem frio, e nem calor.

Logo que adentrei o local, já pude avistar Max sentado no bar, enquanto tomava um copo de whisky com gelo e observava o ambiente. Me aproximei com um sorriso no rosto, e cutuquei suas costas.

— Boa noite, patrão. – cumprimentei quando ele se virou para mim um pouco assuntado, rindo fraco.

— Rodrigo! – exclamou se levantando e vindo me dar um abraço – Que bom que topou o jantar, é sempre bom ter sua presença aqui!

— Todo convite para um jantar é bem-vindo. – falei rindo, enquanto me separava dele.

— Sente-se, o que vai querer? – convidou, depois de me acompanhar no riso.

— Para começar, vou querer só o bom e velho whisky com gelo mesmo. – respondi me sentando num banquinho ao seu lado.

— Okay... – concordou com a cabeça e se virou para o barman – Você ouviu, um whisky com gelo para meu companheiro. – continuou apontando para mim.

Ri fraco do que disse e coloquei as mãos sobre o balcão, olhando em volta. Esse restaurante fica mais chique a cada ano que se passa, e me alegra saber que eu participei da construção de tudo isso.

A história do Max é bem trágica, por sinal. Ele e a mãe foram abandonados pelo pai alcoólatra quando ele tinha 4 anos, e seis anos depois a mãe dele se matou. Foi quando ele foi obrigado a morar com os avós maternos. Pouco tempo depois de se mudar para lá, sua avó faleceu, ficando apenas ele e o avô ao longo dos anos. E como o pai de sua mãe não tinha a mínima noção de culinária, ele teve que aprender a cozinhar desde criança. E, afinal, ele acabou pegando gosto pela coisa. Depois de abrir um trailer de lanche, vender pipoca na rua e tentar manter um bar, Max finalmente decidiu abrir um restaurante, um tempo depois que comecei com o supermercado. Como já éramos amigos na época, fizemos um acordo, e ele virou meu principal cliente desde então.

— E como vão as coisas? – perguntou, me acordando do transe.

— Vão indo, na medida do possível. – respondi, só então notando o copo de whisky na minha frente. Dei um gole e fiquei em silêncio, tentando não parecer estranho.

— Tem falado com ela? – questionou abaixando a cabeça e encarando o balcão à sua frente.

— Cristina? – ri ironicamente – Não. Mas segundo Elisa, elas estão bem, morando em NY, emprego bom, vida boa... – dei de ombros, bebendo mais um pouco enquanto encarava as garrafas de bebida distribuídas em prateleiras à minha frente.

— Hm... – resmungou ainda sem me olhar, e ficou em silêncio por um bom tempo – Eu sinto muito por ter saído com ela, Rodrigo. Não sabia que ainda se importava com ela...

“É claro que sabia!” – pensei, mas sorri falsamente, rindo fraco – Não tem importância, no final das contas, nenhum de nós conseguiu segurá-la no Brasil mesmo. – falei me virando para encará-lo.

Ficamos um tempo em silêncio, nos encarando. É claro que eu nunca me esqueceria dessa “traição” do meu melhor amigo, mas não há o que fazer, ele sempre foi apaixonado pela Cristina e ponto.

— E então, o que vai querer para comer? – disse Max desviando o olhar, finalmente quebrando o silêncio, depois de ambos ficarmos extremamente desconfortáveis.

— O mesmo de sempre. – respondi ainda o olhando.

— Risoto de camarão, certo?

— Sim.

— Vai querer vinho?

— Claro, pode escolher.

— Okay. – concordou, chamando o garçom com o braço.

—-

— Boa noite Rodrigo. – indagou Vera sentada no sofá, me observando adentrar a sala.

— Vera, são 3 horas da manhã, eu disse para não me esperar acordada... – respondi com a voz embargada, devido ao excesso de álcool.

— O seguro morreu de velho. – afirmou se levantando do sofá – Pelo jeito amanhã o café da manhã vai ser 1 hora da tarde, e um café bem forte né. – continuou se aproximando de mim – Precisa de alguma coisa?

— Não, eu estou bem, Vera. Agora vá dormir, já está tarde e o Gerson não deve gostar disso. – falei apontando para qualquer lugar.

— Durma bem, Rodrigo. – disse antes de se retirar da casa, me deixando sozinho.

Subi as escadas lentamente e me joguei na cama, tirando os sapatos com os próprios pés. Senti o celular vibrar e vi que era uma mensagem de Elisa.

De: Elisa ♥

Pai, tenho uma super novidade, me liga assim que puder!!! :D

Com um pouco de dificuldade, digitei uma resposta.

Para: Elisa ♥

Não posso ligar agora, mas me diz aí, que novidade é essa?!

Não demorou muito, e já obtive uma resposta.

De: Elisa ♥

Mamãe e eu estamos nos mudando para SP!!!!!

Continua.

Notas finais
E então, esse é mesmo o fim. Espero que tenham gostado! Segue o link da segunda parte, vejo vocês lá! ;* https://fanfiction.com.br/historia/701720/Esnobando_o_Amor_2/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!