Esnobando o Amor
11 Capítulo Bônus – Jantando com Max.
Notas iniciais
Raiva. Era isso que eu sentia, enquanto andava de um lado para o outro no quarto de hóspedes, me lembrando da cena no cinema.
“Mas que droga Cristina, pare de fazer uma tempestade num copo d’água!” – pensei bufando, e fui até o banheiro para jogar uma água no rosto.
Ainda com o rosto encharcado, vi uma notificação de mensagem aparecer na tela do meu celular. Me aproximei do aparelho e ao pegá-lo nas mãos, me deparei com um número desconhecido. Franzi o cenho e desbloqueei o celular, abrindo a mensagem.
De: Número desconhecido
Boa tarde Cristina, é o Max, amigo do Rodrigo, dono do restaurante, lembra de mim? Não sei se estará disponível hoje à noite, mas se estiver, que tal um jantar para nós dois? Eu sei que está bem em cima da hora, mas me retorne assim que possível. Pelos velhos tempos.
Sorri ao ler a mensagem. Isso seria perfeito! Rodrigo sempre morreu de ciúmes do Max, apesar de não admitir. Afinal os dois eram os melhores amigos, mas ele sempre fora apaixonado por mim. E agora parece que o jogo virou.
Max é um homem alto e musculoso, com a pele bronzeada e os cabelos castanho-escuros, assim como os olhos. É tudo que uma mulher sempre quis, além de ser extremamente simpático e educado. Ele é o típico galã, daqueles indispensáveis. Um ótimo partido, eu diria.
Mordi meu lábio e salvei seu número, respondendo sua mensagem logo em seguida.
Para: Max
Olá Max! Mas é claro que eu lembro de você! Adorei a ideia, estou super disponível hoje à noite. A que horas nos encontramos?
Sorri satisfeita e saí do banheiro, indo para o quarto e me jogando na cama, esperando por uma resposta, que veio brevemente.
De: Max
Que maravilha! Que tal umas 20:00? Está bom para você? Ah, e você prefere que eu te busque, ou nos encontramos aqui?
Para: Max
Por mim às 20:00 está perfeito! Não se preocupe, eu peço para o motorista do Rodrigo me levar! Nos vemos às 20! :)
De: Max
Tudo bem, até! J
Suspirei alegremente e fui até minha mala, procurar algo descente para vestir.
“Sexy sem ser vulgar.” – pensei enquanto revirava minhas roupas, escolhendo atentamente a roupa perfeita.
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Olhei no relógio.
“19:30, obrigada Deus!” – respirei aliviada, e dei mais uma olhada no espelho. Optei por um vestido preto tubinho mesmo, que me deixa elegante e sexy, mas sem ser vulgar, indo a um palmo acima do joelho e com um decote e “V” não muito aberto. Nos pés usava um scarpin da mesma cor do vestido, com alguns detalhes dourados, assim como um cinto fino na minha cintura e uma maquiagem não muito forte, apenas alguns brilhos sobre os olhos e um batom vermelho caprichado.
Sorri para meu reflexo, satisfeita com meu trabalho. Peguei minha bolsa-carteira e respirei fundo antes de sair do quarto. Desci as escadas rapidamente, me deparando com Vera na sala.
– Mas menina, onde a senhora vai assim? – perguntou a empregada, me olhando de cima embaixo com um sorriso malicioso.
– Primeiramente, é senhorita. E segundo, vou jantar com o Max. – respondi calmamente, com a maior naturalidade do mundo.
– Max?! O melhor amigo do Rodrigo?! – exclamou numa mistura de surpresa e indignação.
– Sim, esse mesmo, o dono do restaurante, por que a surpresa? – rebati ainda naturalmente, olhando-a.
– N-nenhuma, horas, só não sabia que vocês ainda mantinham contato.
– E não mantemos, na verdade foi um convite surpresa, que veio bem a calhar... E onde o Rodrigo está? – questionei, a curiosidade falando mais alto. Não sabia se temia que ele me visse antes de sair e me impedisse, ou se desejava esfregar na cara dele que estava indo jantar com outro cara.
– Logo depois que vocês chegaram, o Senhor Rodrigo entrou por um minuto e já saiu, pegou o carro e nem disse aonde ia. – respondeu com uma pitada de desconfiança.
– Ah sim, e onde está o Gerson?
– Ele está no jardim.
– Obrigada Vera, tchau. – acenei e sorri, partindo em direção ao jardim.
– De nada, e tenha um bom jantar, juízo. – afirmou, e poderia dizer que ela estava me encarando.
Apenas sorri e neguei com a cabeça, enquanto procurava pelo motorista naquele enorme jardim. Avistei-o perto da piscina, e me aproximei.
– Gerson? – chamei tranquilamente, parando um pouco distante.
– Sim? – perguntou virando-se para mim, com um sorriso educado no rosto.
– Você poderia me levar ao restaurante do Max? – pedi educadamente.
– Claro, é o Cultura Gourmet certo?
– Sim, é esse mesmo! – respondi sorrindo animada, e pensando nas possibilidades daquela noite.
– Okay, vamos. – assentiu e pegou seu chapéu, que se encontrava sobre uma das mesinhas que ficavam em volta da piscina, e caminhou até o carro, comigo seguindo-o.
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– Cristina! – exclamou Max vindo ao meu encontro, com um sorriso iluminando seu rosto.
Sorri de volta e coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, um pouco desconsertada. Fazia muito tempo que não ia a um encontro, e agora teria que encarar isso com o melhor amigo do meu ex-marido, que eu evitei quase a vida toda. Parece que o jogo virou, e na verdade eu até que estava gostando disso.
– Olá Max. – sorri timidamente me aproximando dele, tentando ao máximo parecer confiante.
– Está linda! – disse agora mais próximo de mim, me medindo com os olhos e me abraçou, dando um beijo em meu rosto como cumprimento – Fico lisonjeado que tenha aceitado meu convite tão inesperado. – continuou agora me fitando, a alguns centímetros de distância de mim novamente.
– Obrigada, e eu não tenho feito muita coisa aqui por esses dias, na verdade seu convite caiu como uma luva. – afirmei simpática, e não estava dizendo nenhuma mentira, bom, pelo menos não tenho feito muita coisa útil esses dias, além de ficar me pegando escondida com meu ex-marido.
Ele abriu um sorriso extremamente sedutor, daqueles que qualquer mulher cairia babando por ele agora, mas como não sou desse tipo, mantive a compostura e apenas retribui o sorriso, espantando qualquer pensamento impróprio.
– Então venha, vamos nos sentar e fazer nossos pedidos. – indagou após alguns instantes de silêncio.
– Ah, claro! – concordei e o segui, me sentando na cadeira que ele afastara de uma mesa para dois, num canto bem reservado do restaurante. Agradeci e me ajeitei no assento, encarando o lugar que logo foi tomado por ele.
– E então, já sabe o que vai pedir? – perguntou me entregando um cardápio.
– Não, deixe-me ver... – peguei o cardápio e comecei a folheá-lo, passando os olhos rapidamente por cada prato, um com um nome mais estranho que o outro – Ah, quer saber, você é o dono do restaurante e me conhece bem, faça sua sugestão. – falei por fim, me cansando de tentar decifrar os pratos do cardápio. Normalmente quando Rodrigo e eu vínhamos nesse lugar, ele que escolhia tudo, porque conhecia as opções de trás para frente e de cor e salteado.
– Tem certeza? Depois não adianta se arrepender... – afirmou com um sorriso de lado, que me fez o acompanhar.
– Tenho certeza absoluta, sei que vai se sair bem na escolha e que não vou me arrepender. – indaguei com convicção na voz, o olhando nos olhos.
– Tudo bem. – gesticulou discretamente para um garçom, que veio rapidamente – Nos traga dois especiais da noite por favor, e o vinho número 9. – ordenou educadamente, enquanto o rapaz anotava – Por enquanto é só.
O garoto moreno e baixo, aparentando ter no máximo 20 anos assentiu e se afastou rapidamente, nos deixando sozinhos novamente.
– Pois então Cristina, como andam as coisas? – perguntou agora me encarando, com uma pose um pouco mais despojada.
– Andam bem, a vida em Los Angeles é ótima, a Elisa é do jeitinho dela, mas é uma boa menina, e no geral nossa vida é boa, uma fazendo companhia para a outra. – respondi praticamente visualizando nossa vida em LA, todas as coisas que vivemos juntas... Novamente eu não estava mentindo, na verdade eu realmente gosto de nossa vida, é que às vezes parece faltar alguma coisa...
– Pois é, sua filha parece ter uma personalidade bem forte, sem contar que ela é linda, assim como a mãe. – disse sorrindo galanteador, e eu apenas ri um pouco constrangida.
– Obrigada, e bem, ela realmente tem uma personalidade em tanto, e é mesmo linda...
– Okay mamãe coruja, e a vida amorosa? Deve estar arrasando os corações dos gringos! – falou com um olhar sugestivo e riu.
– Não! – rebati um tanto quanto surpresa – Quer dizer, não ando saindo com ninguém... Tipo, ninguém mesmo. – continuei com meu tom normal, um pouco envergonhada.
– Não vai me dizer que ainda não superou o Rodrigo...
– Não quero falar sobre isso. – o cortei um pouco hostil, e logo me arrependi – Me desculpe, é que ainda é um assunto delicado para mim e não gosto de discuti-lo. – me desculpei arrependida.
– Não, tudo bem, eu é que devo me desculpar, não deveria ter tocado no assunto. – indagou aparentemente também arrependido – Mas e como tem lidado com ele durante esse dias?
“Ah, andamos indo bem, tirando pela parte que fomos pegos quase transando numa loja de vestidos, anda tudo bem.” – pensei relembrando esses momentos, mas logo colocando as memórias de lado e realmente o respondendo – Estamos nos aturando, afinal a Elisa não merece nos ver brigando o tempo todo, então demos uma trégua. – menti tentando parecer convincente, o que parece que funcionou.
– Entendo, deve estar numa situação difícil... E no que tem trabalhado lá em LA? – perguntou mudando de assunto, o que me deixou aliviada.
– Bom, eu tenho feito alguns trabalhos por minha conta mesmo, para algumas empresas que já me conheciam. – respondi agora mais tranquila, de uma maneira mais natural.
– E não pretende arrumar um emprego fixo em alguma empresa?
– Na verdade sim, já até recebi algumas propostas e estou escolhendo a melhor... Mas estou realmente considerando a de uma empresa em Nova York, as condições são ótimas, assim como a cidade.
– Que ótimo! Fico feliz em ver que seu trabalho tem sido reconhecido lá fora... Mas você não pensa nem um pouquinho em voltar para o Brasil?
– Não, na verdade eu nem cogito mais essa ideia. – respondi seriamente, novamente sem dizer nenhuma mentira, não pensava em voltar para cá.
Percebi uma pitada de decepção invadi-lo, e suspirei um pouco arrependida de ser tão direta. Foi quando graças ao bom Deus, o garçom veio trazer nossos pratos e quebrar o clima.
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O resto do jantar foi ótimo, Max realmente acertou nas escolhas, e o papo foi bom, conversamos sobre diversas coisas, desde as mais sérias até as mais bobas, o que nos fez rir muito durante esse tempo. Isso tudo fez muito bem para mim, pois tirou minha mente completamente dos problemas com o Rodrigo e fez eu me concentrar em algo menos tenso e bem mais descontraído.
Acabamos nossas sobremesas e nos levantamos da mesa, indo em direção à saída do restaurante. Já estava tarde, portanto os funcionários já haviam em sua grande maioria ido embora.
– Ainda não acredito que já ligou para o motorista, eu queria te levar em casa, poxa. – indagou fazendo um pouco de manha, e eu ri fraco.
– Ah Max, você mora do outro lado da cidade, não iria te fazer me levar lá na casa do Rodrigo, para depois ter que atravessar São Paulo para ir para sua casa. Acredite em mim, é melhor assim. – afirmei e finalizei com um sorriso, parando na calçada.
– Dessa vez eu deixo passar, mas da próxima você não me escapa. – sorriu malicioso e deu uma piscadinha, me fazendo rir sem graça.
– Bobo... – dei um tapinha leve em seu braço – A noite foi maravilhosa, obrigada por tudo. – falei agora olhando-o nos olhos.
– Não foi nada Cris, só quero te ver feliz... – falou também me encarando, e de repente ficou sério. Seus olhos brilhavam de desejo, o que me deixou um pouco tensa. Ele se aproximou mais de mim, ficando a pouquíssimos centímetros de meu corpo, e pegou meu rosto gentilmente com as mãos, trazendo-o para mais perto de si. Nossos lábios se tocaram levemente, e eu retribui o beijo calmamente. Mas de repente me lembrei de Rodrigo, e de como os beijos que trocávamos eram diferentes desse. Abri os olhos repentinamente e notei que o carro preto que Gerson dirigia estava parado à nossa frente. Me afastei um pouco e olhei para baixo.
– O motorista está aqui. – sussurrei esfregando meus lábios um no outro, um pouco nervosa – Eu tenho que ir. – falei um pouco mais alto, me afastando bastante dele – Foi bom falar com você Max, vê se não some! – continuei indo até o carro, e antes de entrar no veículo acenei, me enfiando no banco de trás logo em seguida.
– A senhorita está bem? – perguntou Gerson me olhando pelo retrovisor interno, e eu engoli seco, envergonhada.
– Sim, vamos logo para casa. – respondi olhando Max pela janela do carro. Ele parecia confuso e decepcionado, o que me deixou com uma ponta de remorso.
– Okay... – murmurou o motorista, acelerando o carro e deixando para trás o homem da minha noite.
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Entrei na casa tentando ao máximo não fazer nenhum barulho. Encostei a porta lentamente, e quando ia andando descalça pela sala, ouvi uma voz do outro lado do cômodo.
– Onde esteve? – perguntou a voz masculina, aparentemente nem um pouco feliz.
– Não te interessa Rodrigo, assim como não me interessa onde foi depois que chegamos do shopping. – retruquei seguindo em frente.
– Até o momento que você estiver hospedada na minha casa, você me deve explicações de onde esteve e por que chegou tão tarde. – afirmou com uma voz grossa e carregada de fúria escondida.
– Se é assim, estou indo para um hotel amanhã. – rebati começando a subir as escadas, mas fui interrompida no meio do caminho por um aperto no meu braço.
– Não brinque comigo Cristina, me responda, onde esteve? – questionou como uma ordem me virando para si, e me encarando intensamente nos olhos.
– Está bem, se quer tanto saber, estava jantando com Max. – respondi com a maior naturalidade do mundo, dando de ombros.
– Então é verdade... Você saiu com aquele otário! – exclamou incrédulo, me olhando com indignação – Como você pôde?
– Como eu pude o que hein Rodrigo? Eu sou uma mulher solteira, e a coisa mais natural do mundo é que eu saia para encontros com homens, algum problema com isso? – questionei agora também indignada com a falta de vergonha na cara do meu ex-marido.
– Você poderia ter saído com qualquer homem que quisesse, mas com ele Cristina?!
– O que que tem eu sair com ele? – me fiz de inocente.
– VOCÊ SABE O QUE QUE TEM VOCÊ SAIR COM ELE! – berrou segurando mais forte em meu braço – Ele sempre te quis, e agora que apareceu a oportunidade parece que você foi correndo se entregar pra ele! – continuou, agora num tom baixo e carregado de mágoa.
– Sinto muito se ele é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada, melhor que qualquer uma que você já me ofereceu. – indaguei soltando meu braço de seu aperto e continuei subindo as escadas – Ah, e a propósito, só para você não sair falando coisas erradas de mim, eu não dei para o Max... Mas ele beija muito bem. – continuei parando brevemente no final da escada, e depois segui para meu quarto, deixando um clima tenso pairando pela casa.
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