Esnobando o Amor

10 Capítulo 8 – Shopping.


Notas iniciais
Hey! Eu sei que faz a maior cara que eu não posto, e sei que hoje não é domingo também, mas é que apesar de eu estar de férias e com alguns capítulos adiantados já, todo domingo acontece alguma coisa e não dá tempo para postar. Então espero que não me odeiem haha E muuuuito obrigada por me ajudarem a atingir a marca de 1002 leituras, apesar de não ter muitos comentários, me deixa feliz que estejam lendo. Vocês são os melhores! Mas chega de papo e vamos ao capítulo, espero que gostem!

– Senhor Rodrigo? – chamou uma voz feminina ao longe, provavelmente de minha secretária, que parecia impaciente e me tirou de meus profundos pensamentos.

– Hm? – resmunguei levantando meus olhos para seu rosto, confuso.

– A Senhorita Fátima está lá fora. – afirmou com sua voz doce, mas ao mesmo tempo formal. Fitei seus olhos castanhos por um momento antes de bufar e esfregar o rosto com as mãos.

– Pode manda-la entrar. – indaguei me jogando no encosto de minha enorme cadeira, que mais parecia um trono.

Normalmente eu não chamo Fátima para conversar na empresa, na verdade eu nem permito que ela compareça aqui, pois não acho um ambiente apropriado para ela. Gosto de deixar meus problemas pessoais bem longe desse prédio.

Mas hoje eu precisava lhe falar com urgência. Passara quase a manhã toda fazendo meus contatos no hospital, tirando a prova de que ela ficou sem internet durantes todos os dias lá. E, feliz ou infelizmente, era verdade. Estava confuso quanto minha satisfação. Por um lado, estava aliviado por não estar sendo traído, mas por outro, se ela realmente estivesse nesse site, seria mais fácil cancelar o casamento. Ah, o casamento. Cada dia fico mais inseguro quanto a isso. Me sinto num beco sem saída, de onde olho para trás e vejo Cristina. Ela mudou tudo. Antes dela chegar, estava um tanto quanto confiante. Mas ao vê-la de novo... Tudo mudou. Mas não posso me arriscar a largar tudo por uma mulher que eu não sei se me ama. Então está decidido: o casamento ainda está de pé.

E o fato de minha noiva ter dito a verdade só me deixa com uma conclusão: armaram para nos separar, e a maior suspeita é minha própria filha. Eu sei que foi ela, apesar de não poder provar. Mas prefiro deixar as coisas como estão, ao invés de arrumar confusão com Elisa mais uma vez. Afinal, eu sei que ela se sente mal com toda a história do casamento, ainda mais que ela e Fátima não se bicaram. Por isso vou deixar essa passar, pelo bem geral.

Me levantei para pegar um copo d’água no bebedouro próximo da janela, e fiquei observando a paisagem da cidade. Os arranha-céus de São Paulo, o trânsito frenético. Eu sinceramente adoro isso tudo. Fui feito para isso.

Ouvi o som da porta se abrir atrás de mim, mas não me virei para olhar. Continuei com meus olhos na paisagem, mas pude ver o reflexo da mulher loira pelo vidro. Respirei fundo e fechei os olhos, tomando coragem para me virar. E me virei.

A encarei por alguns segundos, antes de falar alguma coisa.

– Bom dia Fátima. – a cumprimentei com um tom grave, ainda parado onde estava.

– Bom dia Rodrigo... – indagou um pouco insegura, me olhando nos olhos.

– Espero que tenha passado bem a noite. – afirmei jogando o copo que estava em minha mão no lixo, e me aproximando de minha mesa, apoiando o peso de meu corpo em meus braços, sobre a mesa.

– Na medida do possível. – respondeu, aparentemente próxima de perder a paciência.

– Sente-se. – indiquei a cadeira em frente minha mesa.

– Estou bem de pé. – respondeu seriamente, ajeitando a bolsa no ombro – Que tal pararmos de enrolação e irmos direto ao ponto? Para você ter me chamado aqui, deve ser algo sério.

Suspirei e fechei os olhos, abaixando a cabeça.

– Sinto muito por ter te acusado ontem. – me desculpei, ainda cabisbaixo – Eu confirmei com o hospital, você esteve sem acesso à internet durante esses dias. – continuei agora olhando para o lado, encarando um vaso grande e cinza escuro, que combinava perfeitamente com o design interno da minha sala. Possuía uma planta que dava uma flor em poucas épocas do ano. Senti um aperto no coração ao lembrar que Cristina foi quem escolheu aquele vaso, com aquela planta. Apertei os olhos e respirei fundo, tentando espantar as lembranças – Não tinha como você ter entrado naquele site. Me desculpe.

Notei por minha visão periférica que ela sorria, e senti ela se aproximar.

– Viu? Eu não sou uma traidora. Eu não te traí. E nem tem como, afinal eu te amo. – disse numa voz doce, agora com seu rosto próximo do meu, e acariciando minha mão com a ponta dos dedos.

Virei minha cabeça para encará-la, e me concentrei em seus olhos. Infelizmente, não era o que os mesmos diziam. Eles tinham um brilho, mas não era de amor. Era de satisfação, de ganância. Nada comparado com os de Cristina... Droga!

Suspirei e sorri fraco, prendendo sua mão entre a minha e a mesa. Por um lado, não posso negar que sinto algo por Fátima. “Ela precisa de mim.” – pensei, enquanto analisava seu rosto com os olhos. Não tenho aquele amor arrebatador por ela, mas lá no fundo, tem alguma coisa. Pena, talvez. Atração sexual. Apego. Quem é que sabe? Será que isso é o suficiente para segurar um casamento? Não sei. E nem quero saber. Vale o risco.

Me inclinei depois de minutos a olhando em silêncio, e nossos lábios se tocaram. Sem emoção, nem atração. Só um beijo entre duas pessoas, vazio. Vi um sorriso se espalhar em seus lábios, e sorri fraco também.

– Então o casamento está de pé? – perguntou com um riso leve, ainda com o rosto perto do meu, me olhando nos olhos.

– Sim. – respondi com um misto de emoções, algumas contraditórias e outras favoráveis.

Ela se aproximou e me beijou novamente, agora com um pouco mais de desejo, o que acendeu uma pequena chama dentro de mim, mas não o suficiente para me fazer perder o controle. Separei nossos lábios depois de um tempo, tentando recuperar o ar.

– Que tal almoçarmos juntos e depois irmos para um lugar mais... reservado? – sugeriu com uma voz sexy, aproximando sua boca de meu ouvido.

Até uma semana atrás, esse seria um convite irrecusável. Há uma semana atrás, eu pegaria meu paletó, minha carteira e meu celular e a arrastaria por aquela porta imediatamente, talvez nem parando para almoçar. Mas as coisas mudaram. Eu tinha duas pessoas que, sinceramente, eram mais importantes do que sexo extraordinário no meio da tarde.

– Sinto muito, mas hoje não vai dar... – respondi tentando fingir frustração – Já combinei com Elisa e Cristina de ir ao shopping ver o vestido de daminha hoje, e vamos aproveitar para almoçar. Desculpa...

– Ah Rodrigo, você vai recusar uma tarde comigo para passar com elas?! – perguntou aparentemente indignada – Esquece isso e vem comigo amor, por favor... – continuou num murmúrio sexy.

– Nós vamos poder passar todas as tardes do mundo juntos, depois que nos casarmos. – afirmei me afastando, e pegando meu paletó de sobre o encosto de minha cadeira – E outra, o casamento é dentro de três dias, e precisamos decidir isso hoje... – continuei pegando as chaves do carro, a carteira e o celular – Agora vem, quer que eu te leve a algum lugar?

– Não, eu acho que vou a um Spa, eu pego um táxi. – respondeu com um sorriso falso, visivelmente desapontada, o que eu ignorei.

– Okay, então eu te acompanho até lá embaixo. – sorri e passei um braço por sua cintura, arrastando-a para fora de minha sala.

Avisei a secretária que não voltaria mais hoje, e desci com Fátima, ambos em silêncio por todo o caminho, o que eu agradecia. Me despedi dela com um selinho e peguei meu carro na garagem, partindo para minha casa.

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Uma hora depois, estávamos nós lá, na praça de alimentação do shopping. A única pessoa que havia se pronunciado o percurso toda fora Elisa, que tagarelava sobre vestidos e festas que já tinha ido, que eu nem prestei tanta atenção assim. Ainda me sentia tenso perto de Cristina, desde o incidente na loja de vestidos. E prometi a mim mesmo que isso nunca mais iria acontecer. Eu não iria mais perder o controle. Eu vou me casar com Fátima esse final de semana, e não posso sair pegando minha ex-mulher, ainda mais em público, e ainda mais perto da minha filha. Então isso nunca mais vai acontecer. Ela pode me deixar louco com apenas um olhar, mas eu vou me controlar, nem que eu tenha que tomar mil banhos gelados num dia.

E lá estava eu, ao lado dela, na fila do restaurante mais lotado do shopping, porque era o favorito de Elisa, que estava em nossa frente na fila, aparentemente animada. Ri fraco pensando em como tudo é motivo de alegria para as crianças, e desviei o olhar para o monte de pessoas espalhadas pelas mesas naquela área da construção. Até que meus olhos pousaram em Cristina. Ela aparentava estar distraída, olhando para frente, impaciente. Mordeu o lábio inferior e moveu a cabeça lentamente, até finalmente notar que eu a encarava. Me olhou desconsertada, esboçando um sorriso, que eu retribuí. Ficamos nos encarando por um tempo, até que eu caí na armadilha de olhar seus lábios. Argh! Aqueles lábios carnudos e perfeitos, que se destacavam num batom puxado para o marrom. Engoli em seco e senti um gelo subir por minha espinha, logo sendo substituído por um fogo dentro de mim.

“Não posso fazer isso, lembra da promessa?” – ouvi uma vozinha gritar em minha mente, e apesar de querer muito ignorá-la, respirei fundo e, com muita dificuldade, desviei meus olhos de seu rosto. Continuei fitando minha frente, tentando disfarçar meu momento de fraqueza. Me senti aliviado ao ver que Elisa já estava sendo atendida, e mais ainda quando ouvi a moça me chamar para tomar meu pedido. Me aproximei e escolhi um prato com picanha grelhada e fritas, e um suco como bebida. Esperamos até Cristina fazer seu pedido e fomos nos sentar, ficando em silêncio durante um bom tempo.

–-

Depois do almoço, no qual trocamos algumas poucas palavras, fomos andando de loja em loja. E essa seria a parte difícil. Ter que aguentar isso seria um grande saco, mas faço tudo pelo meu casamento.

Começamos por uma próxima à praça de alimentação. Entramos e ficamos poucos minutos, pois logo de cara Elisa não gostou de nada. E fomos para a próxima, e a próxima, e a próxima. E assim andamos o shopping inteiro, e nada agradara a Elisa.

– E agora filha? Você não gostou de nadinha mesmo? – perguntei enquanto saíamos da última loja.

– Nadinha. – respondeu com convicção, me fazendo bufar.

– Tá, e agora? Vamos à cidade procurar alguma coisa? – questionei impaciente, colocando uma mão no quadril e esfregando o rosto com a outra.

– É o jeito né. – afirmou aparentemente satisfeita e feliz com isso, dando de ombros.

Suspirei e olhei Cristina, que parecia não se importar com a situação. Revirei os olhos e respirei fundo.

– Vamos para o centro da cidade, ver se encontramos alguma coisa.

Vi um sorriso se abrir nos lábios de Elisa, que começou a andar em direção à saída, nos deixando para trás. Fomos a seguindo, até que ela parou subitamente.

– O que foi Elisa? – perguntei preocupado, vendo sua cara surpresa.

– J-Jogos Vorazes! – exclamou apontando o cartaz do cinema do local – A Esperança! Ai meu Deus! Mãe eu preciso assistir! – continuou dando gritinhos e se virando para nos olhar.

Vi que Cristina voltou-se para mim e eu fiz o mesmo, olhando-a indeciso. Eu realmente não estava a fim de assistir um filme que eu nem conhecia. Mas, com a carinha que Elisa nos olhava, estava difícil resistir... Ainda mais que sua mãe também decidiu me fazer uma cara de pidona, que estava derretendo meu coração.

– Está bem, vamos ver essa droga de filme! – revirei os olhos derrotado, enquanto as duas sorriam cúmplices e animadas.

Segui com elas até o cinema, e comprei os ingressos enquanto elas compravam as pipocas e guloseimas de cinema. Nos encontramos na porta da sala, entramos e procuramos um lugar para os três juntos. Elisa se sentou no meio de nós dois, o que me deixou mais aliviado. Só de pensar nas probabilidades do que se pode fazer num cinema, já me senti tentado, e não poderia cair nessa.

Colocamos os óculos 3D e logo o filme começou. Até tentei prestar atenção no filme, mas não entendia nada, então decidi pensar em outras coisas. Me concentrei em comer pipoca, depois tentei pensar no casamento, e na empresa, em todas as coisas possíveis, mas nada parecia fazer o tempo passar. Até que o pensamento de que Cristina estava ali, a uma poltrona de distância, numa sala de cinema escura, me atingiu como um tapa na cara, e tive que respirar bem fundo para espantá-lo. Me ajeitei na cadeira e olhei com o canto dos olhos para Cristina. Ela parecia focada no filme, se deliciando com uma barra de chocolate. Sorri com o fato de que ela sempre fora vaidosa, mas nunca se privou de comer o que queria.

Até que o súbito som de Elisa se levantando me acordou de meus devaneios.

– Preciso ir ao banheiro. – sussurrou tirando os óculos 3D e os colocando sobre a poltrona.

– Quer que eu vá com você? – perguntou Cristina, também num sussurro.

– Xiu! – exclamou alguém atrás de nós, com reprovação.

– Não precisa mamãe. – afirmou e saiu rapidamente da sala.

“Ou ela está muito apertada, ou está aprontando alguma coisa.” – pensei olhando o caminho em que ela seguiu.

De repente o silêncio habitual do cinema, se tornou algo incômodo, pois o clima ficou estranho entre Cristina e eu. Passaram-se longos minutos, até que uma pessoa entrou na sala, e pediu para Cristina pular para a cadeira ao lado, que era de Elisa. Ela hesitou, mas aceitou. Foi quando a tensão ficou ainda maior. Nós estávamos mais próximos, e apesar de me esforçar, devido ao aperto das poltronas, nossas pernas se tocavam. Droga! Qualquer contato físico com ela, e eu quase perco o controle. Senti que ela também se encontrava tensa, e engoli em seco.

“Essa droga desse filme não vai acabar nunca não?!” – pensei começando a ficar realmente impaciente – “E essa minha filha não vai voltar nunca do banheiro?”

Respirei fundo e, num ato involuntário, levei meu braço ao braço da poltrona, e me deparei com a pele macia de Cristina, que já se encontrava lá. Engoli seco e a olhei, seu rosto sendo iluminado apenas pelas cores do telão. Ela virou-se para mim também, e nossos olhos se encontraram. Mordi minha boca por dentro, para tentar me controlar, mas num impulso, coloquei minha mão em seus cabelos e puxei-a para meus lábios, com um fervor dentro de mim. Foi quando estava próximo de beijá-la com toda minha saudade, e nossas bocas praticamente se tocavam, que as luzes do cinema se acenderam. E todas as pessoas começaram a se levantar, a maioria fazendo comentários sobre o filme. Pisquei várias vezes para tentar me recompor, ainda segurando em seus cabelos, com nossas faces próximas, e as respirações irregulares. Engoli em seco e a soltei, me afastando lentamente. Peguei os potes de pipoca e o resto dos nossos lixos e me levantei, caminhando para a saída, sem ter a capacidade de olhá-la. Joguei tudo no lixo e me virei, encontrando-a ainda sentada, na mesma posição. Respirei fundo e bufei. Eu sou um completo idiota!

Fiquei encarando-a até a mesma se levantar e caminhar rapidamente até mim.

– Vamos, precisamos encontrar Elisa. – afirmou parando por um segundo na minha frente, mas sem me olhar, e seguindo para a saída.

Assenti e a segui, estranhando um pouco a claridade do corredor do shopping. Olhei em volta, e vi Cristina indo na direção de Elisa, que se encontrava sentada num banco perto dali. Fui atrás dela rapidamente.

– Onde esteve? – perguntou Cristina, aparentemente irritada.

– Eu me perdi, e quando encontrei o cinema, o cara que fica na porta da sala não me deixou entrar, porque o filme já estava no fim. – respondeu minha filha, calmamente.

A mulher bufou, e depois respirou fundo.

– Vamos. – indagou com nervosismo na voz.

– Aconteceu alguma coisa? – questionou a mais nova inocentemente, se levantando.

– Não, só quero ir embora. – rebateu hostilmente minha ex-mulher, fazendo eu me sentir culpado.

– Tá né. – falou dando de ombros, e começou a caminhar até a saída.

– Cristina? – a chamei inseguro, dando uma corridinha para lhe alcançar, e segurando seu braço, fazendo-a virar-se para mim.

– Sim? – perguntou com uma pitada de ironia, erguendo uma sobrancelha e me encarando.

– E-eu não sei o que dizer... – gaguejei. E eu realmente não sabia.

– Então não diga nada. – retrucou livrando-se de minhas mãos.

– Mas Cristina... – coloquei uma mão sobre seu ombro.

– Olha Rodrigo – indagou rudemente – Eu não tenho culpa se você não ama sua noiva, e vem querer se satisfazer comigo, que sempre fui louca por você. Mas saiba que eu mudei. Você não vai mais me fazer de trouxa. Sinto muito se você vai se casar forçado, mas não posso fazer nada. – continuou e se virou jogando os cabelos em meu rosto, e saindo pela porta automática que dava no estacionamento.

Bufei e esfreguei o rosto com as mãos, passando-as por meus cabelos. Ela parecia tão confiante. E isso me irritava, pois eu finalmente notei que estava realmente a perdendo.

“Você vai se casar, aceite.” – pensei antes de sair por aquela porta também, seguindo para o carro.

Notas finais
Eae, o que acharam? O Rodrigo está nessa confusão, e vocês, o que acham o certo? E parece que a Cristina está deixando de ser trouxa né hahaha será que ela vai conseguir, com um homem desses no pé dela? Digam o que acham nos comentários! Beijos e até o próximo! ;*