Esnobando o Amor

16 Capítulo 12 – O Grande Dia (Parte 1).


Notas iniciais
Hey! Desculpa o atraso para postar, é que todo domingo alguma coisa acontece, e eu acabo deixando a fic! Esse é o último capítulo dessa primeira parte, que será dividido em 3 partes, cada uma narrada por um personagem. Espero que gostem dessa reta final haha!

Acordei com um barulho vindo do jardim e abri os olhos lentamente, notando que não estava no meu quarto. Minha mente ainda estava uma bagunça, completamente confusa sobre o que acontecera ontem à noite. Mas ao virar para o outro lado da cama, tudo se fez claro. Vi Cristina completamente nua, virada de costas para mim. Sorri me lembrando da noite maravilhosa, mas não demorou para aquilo me atingir como um soco na cara. Eu sou um idiota! Eu não podia fazer isso... Eu estava tão bêbado e fora de mim, que transei com minha ex-mulher na véspera do meu casamento! Como eu deixei aquilo acontecer? Como eu pude ser tão imprudente?

Enquanto esses pensamentos martelavam minha cabeça, eu encarava sua silhueta perfeita. Ela parecia ainda mais linda do que eu me lembrava. Suspirei tomando minha decisão, que na verdade já estava tomada há dias: eu vou me casar. Não posso largar tudo agora só por causa de uma noite... Ou posso? De qualquer jeito, não vai ser aqui deitado nessa cama que eu vou conseguir essa resposta.

Me levantei fazendo o máximo de silêncio possível, recolhi minhas roupas espalhadas pelo chão e me vesti rapidamente. Antes de sair, depositei um beijo levemente na testa de Cristina e tirei seu cabelo embaraçado da frente de seu rosto, deixando sua expressão pacífica à mostra. Respirei fundo e saí do quarto, já começando a me preparar para encarar o que me esperava.

Entrei no meu quarto e olhei no relógio. 7:00. Tenho tempo de sobra ainda. Tirei a roupa e entrei no banheiro, aproveitando para tomar um banho longo e refletir. Depois de vários minutos, saí do quarto decidido que precisava da opinião de alguém. E sabia exatamente a quem pedir.

Desci as escadas e encontrei a sala vazia, segui para a copa e estava com a mesa posta para o café, porém também vazia.

“Estranho...” – pensei e olhei em volta, procurando por algum sinal de vida – Vera?! – chamei e não obtive resposta, me fazendo estranhar mais ainda.

Senti minha barriga roncar e me lembrei que não comi nada ontem à noite, sorte a minha não ter passado mal pelo tanto que eu bebi. Me sentei na mesa e tomei uma xícara bem cheia de café preto, e preparei um pão francês com margarina, presunto e mozarela. Tomei meu café normalmente, e quando terminei, levei minhas coisas até a pia e saí em busca de alguém. Fui para o jardim e encontrei vários empregados arrumando a bagunça que deixaram ontem, o que fez eu me questionar que horas a festa acabou. Procurei Gerson com os olhos em meio às pessoas, sem sucesso.

— Bom dia senhor Rodrigo, está procurando por alguém? – disse a voz masculina que tanto procurava surgindo atrás de mim e me assustando um pouco.

— Bom dia Gerson! Na verdade, eu estava procurando você ou a Vera, tenho algumas perguntas. – respondi ao me virar para ele.

— Então pergunte.

— Primeiramente, onde está todo mundo? Vera, Elisa, Caio...?

— A Vera saiu com a organizadora de casamentos para ver os últimos detalhes, o Caio está ajudando a organizar as coisas aqui e a Elisa pediu para avisar que ela foi dormir na casa da Luísa, mas eu não quis incomodar... – explicou, terminando a frase maliciosamente e sem jeito ao mesmo tempo.

— Você ouviu alguma coisa? – perguntei ficando sério, aquilo era algo que não podia sair dali nunca.

— Não senhor... – respondeu estampado na cara que estava mentindo – Mais alguma pergunta? – mudou de assunto.

— Que horas acabou a festa?

— O último convidado nós mandamos embora há poucos minutos atrás. – respondeu gesticulando em direção à saída.

— Entendi, você tem algum compromisso agora? – questionei sem fazer questão de saber quem foi o último convidado a ir embora.

— Não, por quê?

— Preciso de um motorista e de um papo entre amigos. – afirmei o olhando seriamente.


—-

Decidimos ir a um bar um pouco longe dali, para conversarmos mais à vontade. Agora você deve estar se perguntando por que eu escolhi conversar com o Gerson. Primeiramente porque ele nos conhecia mais de perto que qualquer amigo meu, e segundo que não tinha tanta afinidade com mais ninguém além do Max, mas ele não seria um conselheiro muito bom nesse caso, levando em conta a paixão que ele tem pela Cristina. Por isso decidi que meu motorista seria a melhor pessoa para me ajudar nesse momento.

Adentramos o estabelecimento, que estava deserto. Nos sentamos nos banquinhos juntos ao balcão do bar, e em questão de segundos o barman veio nos receber.

— O que vão querer? – perguntou nos olhando com impaciência.

— Eu não vou querer nada, está muito cedo para beber. – afirmou Gerson, me olhando em seguida.

— Eu vou querer uma Amarula, só para dar uma esquentada. – respondi sorrindo simpático.

O homem pegou um copo e me serviu com uma dose de Amarula, um licor de chocolate delicioso.

— E então, por que me trouxe aqui? Ou melhor, por que eu te trouxe aqui? – questionou Gerson me olhando.

— É sobre o casamento. – respondi e dei o primeiro gole em minha bebida.

— O que que tem o casamento? – indagou me olhando seriamente.

— Estou em dúvida se devo ou não... – falei dando mais um gole.

— Você vem me dizer que está em dúvida bem no dia do casamento? – ironizou – Só uma pergunta, antes de tudo: você e Cristina... ontem à noite?

— Eu sei que é estúpido, e sim, nós... – afirmei meio sem jeito.

— E isso te fez questionar sua decisão sobre casar ou não?

— Na verdade, desde que elas chegaram eu ando questionando minha decisão... Mas é que depois dessa noite, parece impossível eu me casar com a Fátima, ou qualquer outra que não seja a Cristina, entende... – desabafei encarando o copo de bebida à minha frente.

— Olha Rodrigo, todo mundo já reparou que vocês ainda sentem alguma coisa um pelo outro... Agora outra pergunta, vocês já conversaram sobre o que aconteceu? Sóbrios, é claro.

— Não... Quando eu acordei hoje ela ainda estava dormindo, aí eu decidi levantar e sair para tomar uma decisão...

— Então antes de qualquer coisa, você tem que conversar com ela. Porque se você simplesmente cancelar o casamento e ela não te aceitar de volta, terá sido tudo em vão. – afirmou me olhando com uma mistura de preocupação e pena.

— Você tem razão. – disse antes de virar o resto da bebida num gole só – Preciso conversar com a Cristina. – deixei uma nota de dinheiro sobre o balcão e me levantei – Vamos?

— Vamos então... – indagou se levantando também e seguindo para o carro – E se ela te rejeitar Rodrigo? – questionou antes de entrarmos no automóvel.

— Ela não vai. – afirmei confiante entrei no veículo.


—-

— Obrigado pelos conselhos Gerson! – agradeci ao adentrarmos a garagem.

— Não foi por nada Rodrigo, o senhor sabe que pode contar comigo sempre. – respondeu e sorriu simpático.

Retribuí o sorriso e desci do carro, tomando coragem para ter essa conversa com Cristina. Não seria fácil, mas eu precisava fazer isso, era questão de vida ou morte. Entrei em casa e encontrei Vera de pé em frente as escadas, olhando para cima com um semblante preocupado.

— Vera, você sabe onde a Cristina está? – perguntei sorridente, e ela me respondeu com uma cara de poucos amigos.

— Está no quarto. – respondeu com ódio na voz e se retirou.

Sem entender, franzi o cenho e neguei com a cabeça. Subi as escadas e fui animadamente até a porta do quarto de hóspedes, com as mãos suando devido ao nervosismo. Sequei as mãos na calça e bati na porta, sentindo meu coração bater a mil enquanto esperava resposta.

Notas finais
Esse Rodrigo também não se decide né! E agora, o que vocês acham que vai acontecer nessa conversa? Digam nos comentários! Beijos! ;*