Uma manhã muito nublada eu estou caminhando pela calçada quando preciso atravessar a rua. É muito arriscado, é muito perigoso, mas não tem outro jeito, é necessário. A neblina é muito espessa e mal é possível enxergar meia quadra para os lados, o que torna a tarefa de atravessar a rua um verdadeiro desafio e jogo de sorte. Mal é possível perceber os carros, quando enxergamos a luz dos faróis já está muito perto. Quase em cima de nós.

Confesso que gosto mais do frio do que do calor. Calor demais não é muito bom. Sentir o suor escorrendo pela pele é uma sensação desconfortável e nada agradável, ao menos para mim. Eu adoro neblina, me faz sentir como se eu estivesse em Forks. Mas hoje está demais. E a cada instante parece que a nuvem fica ainda mais densa. Ao invés de se dissipar fica ainda mais compacta.

Paro na beirada da calçada para tentar ver se algum carro se aproxima. Não, não vem nenhum veículo. Assim eu percebi. Me preparo para dar os primeiros passos no asfalto, quando ouço uma mulher dizendo:

— Cuidado, querida! – fico encantada com a voz, tão enternecida que nem penso que foi para mim. Fico distraída apreciando a delicadeza daquela voz. Tão melodiosa. Tão linda. Tão harmoniosa como eu jamais ouvi na vida, que me esqueço de andar.

Eu gostaria de ter uma voz melhor. Não gosto da minha voz. Na verdade, como eu escuto é diferente de como as pessoas me ouvem. Eu ouço por dentro da minha cabeça e os outros me ouvem através da atmosfera, por onde as ondas sonoras da minha voz se propagam até chegar em seus ouvidos.

No próximo segundo consigo ver a forma de um carro que se aproxima. Fui desperta do transe por causa do susto de ver que era inevitável meu atropelamento. Era iminente.

Não o vi antes porque estava com os faróis apagados. Que idiota andaria com os faróis desligados com uma cerração dessas impedindo a sua visão? Só mesmo um inconsequente, um maluco. Eu consegui evitar ser atropelada diversas vezes, sempre tomei todo o cuidado. Por mim e pelos outros. Ao atravessar a rua sempre andei na faixa ou em linha reta onde não havia faixa de pedestres. Sempre preferia atravessar em semáforos onde é mais seguro. Mas às vezes tinha aqueles apressadinhos que forçavam passar no sinal amarelo e tentava antever e estar precavida para esses imprevistos previsíveis. Afinal nós pedestres somos as figuras mais frágeis do trânsito e ninguém quer ser atropelado, certo? Nas esquinas eu sempre redobrava o cuidado com os motoristas que não dão seta ao virar. E mesmo quando eu me preparava para atravessar a rua, às vezes o carro da frente parava para me deixar passar, mas o de trás não. Então eu preferia deixar de passar do que tentar passar e ser atropelada.

Sempre tive muito apreço pela minha vida. Mas nem todo o cuidado que eu tomei foi capaz de evitar esse acidente. Tem sempre um imbecil no trânsito. A culpa não é minha. Minha parte eu fiz. Mas agora a maior prejudicada serei eu com certeza. Vitima de trânsito. Eu. Quem diria!

Instintivamente, por reflexo coloco minha mão sobre o capô do veículo e ergo um pouco minhas pernas. Não quero ter elas quebradas, vai doer muito e eu detesto sentir dor. Se eu posso evitar sentir dor, evito. Meu corpo é impulsionado para cima e meu ombro bate no pára-brisa quando eu caio por cima do veículo. Eu rolo para frente do carro e caio no chão, ele dá ré e foge.

Covarde. Nem para ver se eu estou bem. Não se importa comigo. Bom, na verdade, não me importo. Raramente alguém se importou comigo. Não é novidade para mim ser tratada dessa forma.

Eu desfaleço, mas antes que minha cabeça bata no asfalto alguém me segura. Sinto que essa pessoa consegue me erguer com mais facilidade do que eu penso que seria possível, pois eu me considero muito pesada. Ou será que não é uma pessoa, mas sim um anjo?

Meu ombro dói, onde bateu no vidro, acho que devo ter me cortado. Meu pescoço e minha cabeça também...

Não sei quanto tempo depois recobro a consciência e abro meus olhos. Vejo o céu, quer dizer a mesma neblina espessa de antes. Isso quer dizer que eu não estou morta. Volto a fechar os olhos quando sinto outra pontada de dor em meu ombro. A pessoa que está cuidando de mim pressionou meu braço, fazendo o corte latejar de dor:

— Obrigada – sussurro. Estou realmente emocionada que alguém esteja cuidando de mim, que alguém demonstre se importar comigo. Fico muito tocada com o gesto. Carinho é algo que eu raramente recebo, embora acredito que dou muito.

— Não há de que sweetie.

Quando eu ouço sweetie meu coração dá uma pirueta e falha uma batida. Abro os olhos sobressaltada em busca da dona da voz. É a mesma voz que ouvi antes de ser atropelada. Olho ao redor apenas girando os olhos. Tenho receio de mexer o pescoço: E se eu tiver quebrado? Bom, quebrado com certeza não porque se eu tivesse quebrado não estaria viva. Posso ter machucado, mas não vou arriscar me mover para saber.

— Você está bem, querida? – ouço o alívio e a preocupação na voz dela. Digo ela porque tenho certeza que é uma voz feminina. Quando meu olhar a encontra fico ainda mais surpresa:

— Esme! – agora está explicado como a pessoa conseguiu me erguer com tanta facilidade. É obvio que a pessoa em questão não seria um ser humano.

— Calma, querida. Não fique agitada. Sou eu, apenas eu.

— Não Esme. Não é apenas você, é VOCÊ. Você não imagina o quanto eu sonhei com esse momento. Eu queria tanto poder te abraçar, te beijar. Queria tanto que você me segurasse no colo... Só lamento que nosso encontro tenha ocorrido nessas circunstâncias...

Por um instante eu fico preocupada que o meu sangue desperte o instinto predatório de Esme. Mas ela não parece nem um pouco afetada por isso. Então, vendo que não há perigo relaxo em seus braços.

— Tudo bem, querida! Isso não diz nada sobre quem você é. Você é e sempre será uma das mais lindas pessoas que eu conheço.

É claro, penso, uma das pessoas mais lindas porque Carlisle é com certeza uma dessas pessoas de personalidade encantadora, sensível. Eu tenho certeza que vou adorar quando conhecê-lo e espero que ele também goste de mim.

Após um instante de silencio ela complementa, meio encabulada:

— E, bem, te pegar no colo eu já peguei. Mas posso fazer isso de novo quando você estiver consciente, Carol.

Ela sabe meu nome! Quer dizer que ela me conhece! Quer dizer que eu não vou ter de explicar para ela tudo que sinto! Isso é bom. Não sei se eu saberia dizer se tivesse que me explicar. Não sou muito boa em expressar meus sentimentos. Na verdade, acho que os reprimi demais. Tive que reprimir o que sentia, ‘engolir’ o choro, por exemplo, não podia me expressar livremente quando eu era criança e por isso perdi essa habilidade, e, além disso, sou desengonçada emocionalmente, sentimentalmente falando. Embora eu me considere hipersensível, não sei expressar adequadamente minha sensibilidade. Por isso não gosto de chorar. Me sinto estranha. Exposta. Vulnerável.

— Então, você sabe o que eu sinto por você Esme? – pergunto, para ter certeza absoluta.

— Sim. Sei tudo que você sente por mim e por meu marido. Eu sei tudo o que você pensa sobre nós.

— Como?

— Bom, eu particularmente tenho essa sensibilidade ainda mais aguçada que a de todos nós vampiros.

Eu não tenho medo da palavra vampiro. Não tenho medo de dizê-la se for preciso. Não tenho medo de parecer ridícula ou maluca. Não tenho medo de vampiros como Esme. Tenho medo dos outros, dos vampiros não vegetarianos. Não tenho medo dos Cullen. Eu sei que eles têm respeito pela vida humana.

Anos atrás eu não sabia que podiam existir vampiros bons, mas agora que eu ouvi deles, faz sentido que existem.Assim como existem anjos bons e maus pode existir vampiros bons e outros maus. Podem existir vampiros bons, por que não? Eu mesma seria boa se me tornasse de alguma forma, sei lá como, uma vampira. Mesmo se não tive ouvido sobre os Cullen eu escolheria tentar sobreviver de uma forma que não prejudicasse as pessoas. Mesmo se fosse a única, nunca fui muito convencional. sou um tanto excêntrica. Independente. Faço o que eu quero, desde que não prejudique outros. Sou autêntica no meu jeito de ser.

Quando eu pensava que só existiam os maus achava que viver para sempre como um vampiro era um tédio. Mas agora que eu sei da existência dos vampiros bons tudo mudou, a vida eterna pode servir para um propósito, como ajudar as pessoas, assim como Carlisle que é médico e dedica a sua ‘pós-vida’, a sua existência, a salvar vidas de seres humanos. Como eu faria. Como eu quero. Quero ser uma boa vampira, uma Cullen.

— Quer dizer que todos vocês têm essa habilidade?

— Sim. Mas a capacidade vai depender do quanto cada um de nós foi um ser humano empático e sensível ou compassivo.

De repente o som de uma sirene de ambulância interrompe nosso diálogo.

Uóóóóóóóóóóóó...

— O que é isso?

— Eu liguei para a emergência enquanto você estava desacordada. Tinha medo que você não voltasse.

— Se eu não acordasse você poderia ter me transformado. Eu não iria me importar. Na verdade sempre quis ser uma vampira. Eu não iria ficar brava, na verdade, eu iria gostar. Sempre quis ser imortal.

— Você não sabe o que está falando, Carol.

— Na verdade eu sei sim. Já pensei muitas vezes nesse assunto. Um pouquinho de dor para em troca nunca mais morrer é um preço justo.

— Carol, você está enganada. Na verdade a dor é tão intensa que realmente preferiríamos ter morrido.

— Não Esme. Você não imagina o que é viver com medo de morrer a cada instante. Eu não mereço morrer. O que eu fiz para merecer isso? Nada. Sou inocente. Não mereço pagar pelo erro de outros. Não foi minha culpa. Sou inocente. Isso é uma injustiça.

— Deus sabe o que faz, querida. Não há discussão com Ele. É assim e ponto. Você é quem pensa que não tem culpa.

Como é? Então ela acha que eu tenho culpa mesmo e mereço morrer? É isso que ela quer dizer? Não ela não pode fazer isso comigo. Só ela poderia me fazer deixar de amá-la e ela está fazendo isso. Não! Ela não está me rejeitando, está? Mais uma decepção. Ela que era minha ultima esperança. Não vou suportar...

— Mas Esme, por favor, eu não quero morrer. Me ajude, por favor. Só você pode, eu imploro – Tento me levantar para dar mais força às minhas palavras, mas meu esforço é em vão. Parece que Esme não vai ceder.

— E se a alma dos humanos for mesmo imortal? Vocês vivem para sempre só que sem um corpo físico? – ela quer me acalmar, posso ver em seu olhar, ela se ressente de ter me sobressaltado, mas ao mesmo tempo não quer se comprometer a fazer algo apenas para me tranquilizar. Não quer mentir para mim para que eu fique calma ou fazer uma promessa que não poderá cumprir. Ela não quer que eu me machuque, mas ao mesmo tempo não quer me magoar.

— Isso não teria graça Esme. E também eu não quero esperar para saber. Não quero ter de passar para saber. Estamos tão perto da morte todos os dias Esme. Você pode ver. Eu poderia ter morrido nesse acidente. Um velho não está mais perto da morte por ser velho, todos os seres humanos estão a igual distância da morte. Como diz o ditado ‘para morrer basta estar vivo’. Isso é a mais absoluta, a maior verdade. A nossa única certeza é que vamos morrer.

— É assim que deve ser, querida.

— Eu não quero viver assim, com medo de morrer. Não quero viver em tensão constante, como se tivesse uma espada de Dâmocles sobre a minha cabeça. Eu não mereço — Lágrimas escorrem pelo meu rosto. – Esme please, I don’t wanna die.

Eu não queria ter de usar essa artimanha com ela para conseguir o que quero. Ela olha bem fundo nos meus olhos e responde:

— Carol, I won’t kill you – ela me diz com a voz mais doce possível.

“Não é primeira vez que eu tenho algo que quero negado. Durante toda a minha vida tive de aprender a lidar com a negação. A palavra ‘não’ foi a que eu mais ouvi. ‘Não podemos comprar o brinquedo que você quer’ meus pais diziam, em parte isso era verdade economicamente, não tínhamos condições de gastos supérfluos, nosso orçamento era apertado, o que eu tive de aprender mesmo sem entender completamente quando era criança. Por isso desde muito cedo eu tive de aprender a lidar com a frustração e a não ter todas as minhas vontades satisfeitas.

Mas isso não quer dizer que eu vou desistir, já abri mão das minhas vontades muitas vezes. Para agradar os outros me sacrificava. Muitas vezes eu deixei de comer algo para deixar para meus irmãos. Porém nunca tive o reconhecimento, muito menos a recompensa por ser tão altruísta e generosa. Agora eu vou ser egoísta. Eu quero ser uma vampira. Eu quero ser uma Cullen. Eu quero e vou ser. Não vou mudar de ideia.

Se eu mudar de ideia depois, ao menos já terei sido ‘mordida’, já estarei me transformando e será tarde demais. E se eu não sobreviver, teremos tentado. Ao menos saberei que Esme existe de verdade. Ela é real. Espero que Esme não se sinta culpada por ter me matado, caso isso ocorra.

Sei que talvez a minha atitude não surta nenhum efeito. Pode uma libriana ser capaz de conquistar com o charme outra libriana como sei que a Esme é? Ou será que não, porque nós sabemos dos truques que usamos e por isso sabemos como não cair nesses truques?

Será que eu serei capaz de convencer Esme a me mudar?

Por um lado eu quero muito. Por outro lado eu tenho medo de morrer. Por outro lado eu não gosto de sentir dor (quem é que gosta? Lembro-me da frase do filme van Helsing ‘dor é sinal de vida’. Tá bom, eu abro mão da vida para não sentir dor nunca mais.)

Também não gosto de chorar. Me fizeram chorar muito. Sou sensível de mais. Não quero chorar nunca mais. Já me fizeram sofrer tanto, chorar tanto, que eu estou exausta. Mais do que cansada eu estou exausta. Não quero mais chorar.

Será preciso abrir mão do sol. Tudo bem. Nunca fui muito adepta de bronzeamento. Eu queimo no sol não fico bronzeada. Sol faz mal pra mim. Gosto de ser branquinha, adoro usar filtro solar. Também com os buracos na camada de ozônio, raios ultra violetas e câncer de pele, ficar exposto a radiação solar é muito perigoso hoje em dia. Sei que os vampiros não viram pó e morrem na luz do sol, eu sei que eles brilham. Chama a atenção. E não dá para ser discreto chamando a atenção sobre si, como um holofote ou um letreiro de neon. Sou discreta, por isso saberei muito bem viver oculta, nas sombras e manter o nosso segredo.

E também se for por questões religiosas que me impedem; não me importo em ser caluniada de demônio quando me tornar uma vampira. Não me importo de ser condenada e nunca mais ter o perdão de Deus. Condenada eu estou agora que sou uma humana. Condenada a morrer por um crime que eu não cometi. Não pequei de tamanha forma que mereça a pena de morte como forma de punição. Quando eu for uma vampira eu vou continuar a render graças a Deus, agradecerei por Ele ter me feito tão feliz, me dado a vida que sempre sonhei e merecia por ser tão boa, um anjo como meus amigos e colegas costumavam dizer. Quem me conhecia sempre ficava impressionado com a minha personalidade encantadora. Todos eram unânimes em dizer que eu merecia ser feliz. Vou viver de forma pacifica sem fazer mal aos seres humanos para sobreviver, vou até mesmo ajudá-los. Vou existir de forma que penso que Deus aprovaria. Mesmo que não haja esperança de que Ele nos aceite de volta.

Só porque serei uma vampira não significa que eu sigo o Diabo. Não necessariamente. Uma coisa não leva a outra. Serei uma vampira sim, mas uma vampira do bem. Repudiarei o mal, como repudio enquanto humana.

Penso também, no lado da Esme. Não quero que ela se torne um monstro assassino por minha causa. Não quero ser o motivo de ela se desviar da dieta de sangue animal e prefira o sangue humano depois que provar meu sangue.

Quero que a minha imortalização seja segura, tanto para mim quando para Esme que vai me transformar. Que eu receba uma boa quantidade de morfina para diminuir, senão aplacar completamente a dor. Que não seja perigoso para Esme, que haja uma outra forma de me transformar sem precisar diretamente me morder, como através de uma injeção com o veneno dela ou um copo para eu tomar com o veneno dela. Eu definitivamente teria coragem de tomar, tenho certeza. Tomaria com prazer, por dois motivos: primeiro, preservaria Esme do sacrifício e segundo, porque beber o líquido me tornaria uma imortal.

São várias condições que eu tenho, mas nenhuma delas descabida. São todas legítimas e plausíveis.”

A ambulância estaciona ao nosso lado. Os socorristas me colocam um colar cervical e me põem em cima da maca. Um dos homens pergunta para Esme:

— Você é parente da vítima?

— Não. Sou amiga dela.

— Só familiares podem acompanhar os feridos.

— Deixa ela ir – eu peço.

— Tudo bem – diz o homem gentil se rendendo ao meu olhar implorador. — Podemos abrir uma exceção. – Esme pisca para mim. Imediatamente me lembro da frase dela. ‘Para toda regra há exceção’.

— Meu marido trabalha no hospital em que vocês provavelmente vão levar a menina.

— Quem é ele? O faxineiro? – pergunta o motorista da ambulância com voz de deboche, querendo tirar uma com a cara de Esme.

— Não. Ele é o Dr. Cullen, conhece? Claro que não, você é um simples motorista... – hahaha ele quis ridicularizar Esme. Bem feito. Quem ri por último ri melhor! A resposta dela foi um tapa na cara dele. Quem mandou ele falar assim. Quem fala o que quer, escuta o que não quer. Bem feito. Podia dormir sem essa. Toma.

Eu acho que nenhuma profissão deve ser menosprezada, todos tem sua importância.

— Ah, me desculpe Sra. Cullen – diz ele com o rabinho entre as pernas.

— Tudo bem.

Se ele tivesse mais respeito com todos, independente da posição que ocupam, não teria passado por essa situação. Não controla a própria língua, passa por constrangimento. Espero que não procure Esme mais tarde para machucá-la. Bem, se ele tentar, ela vai ser obrigada a mostrar para ele que não é tão frágil quanto ele pensa. E se ela estiver com Carlisle ele é quem vai defendê-la.

Esme vai atrás da ambulância comigo. Vou conhecer Carlisle. Não acredito! Aguenta coração!

Como se respondesse ao meu pensamento ela me diz, susurrando:

— Carlisle vai adorar conhecer você! – ela segura a minha mão e afaga meus cabelos com a outra mão.

Conhecer Esme foi muito emocionante encontrar Carlisle então será indescritível, uma maravilhosa sensação! São muitas emoções para um dia só e para uma pessoa só. É tanta felicidade que eu mal caibo em mim de contentamento. Oh meu Deus!

Será que é tudo verdade? Me belisco para ver se é mesmo real e sim, é verdade. Eu estou em uma ambulância ao lado de Esme. Eu sempre quis conhecê-la e tive meu sonho realizado. Eu sabia que dificilmente isso aconteceria, mas aconteceu. E se não acontecesse eu sei que eu não seria a primeira e nem a última pessoa a morrer com um sonho não realizado. Gosto de pensar que os cemitérios são assim como campos em que diversos sonhos estão enterrados com seus donos. Isso é triste. Mas é verdade. Nem todo mundo realiza seus desejos antes de morrer.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!