– Parabéns Sra. Evenson, você está grávida.

E pronto, com apenas essas palavras do médico sua vida virou de cabeça para baixo. Um bebê! Ela teria um filho! Não sabia se ria ou chorava. Sempre quisera um filho, mas aquele bebê em uma situação como essa.... com um pai como esse...

Afastou os pensamentos ruins da cabeça, não deveria estar assim e sim comemorando a vinda de seu pequeno. Já conseguia imaginar um menininho ou menininha gorducho em seus braços, com aquele cheiro bom que só bebês tem.

Esme saiu lentamente do hospital ainda digerindo a ideia, como será que Charles reagiria com a notícia? Será que ele iria amá-lo? Seria um pai amoroso? Será que com um filho Charles pararia de beber?

Eram tantos “se” que rodeavam sua cabeça. Colocou as duas mãos na barriga ainda plana. Não importava o que fosse acontecer, agora mais que tudo precisava estar saudável e cuidar desse serzinho que crescia dentro dela.

Ela sempre quis ser mãe, alguém para amar incondicionalmente e agora tinha isso. Um sorriso bobo escapou dos lábios. Tudo o que tinha passado ia valer a pena, pelo seu bebê. Se Charles não o amasse ele amaria por dois! Ele amaria por mil!

Entrou silenciosamente na cama e viu o marido deitado na cama ainda roncando. Imaginou se deveria contar a boa notícia mas preferiu ficar quieta, e se o marido a machucasse? Pior, se machucasse o bebê? Não. Precisava ficar quieta.

No outro dia apesar dos machucados se levantou cedo como sempre, colocou o leite para ferver e começou a preparar o café da manhã.

Charles desceu as escadas pouco tempo depois e se sentou silenciosamente na mesa esperando ser servido. Esme colocou tudo na mesa e sentou ao lado do marido.

– Seu pulso está roxo, você precisa cuidar disso – o marido disso mordiscando a torrada.

– Irei comprar uma pomada na farmácia hoje.

– Bom.

E silêncio. A conversa do dia se encerrou. Charles não gostava de conversar e ela não insistia.

– Hoje a noite é aniversário do Howard, ele disse que todo mundo está levando as esposas então você vem comigo.

– Tudo bem – murmurou.

– Aqui está dinheiro para você comprar um vestido novo. Você tem que ficar bonita para meus amigos te verem – disse colocando algumas notas de vinte dólares na sua frente – Não gaste demais, os tempos estão difíceis. Compre um vestido que cubra os seus pulsos.

Esme concordou sem querer prolongar a conversa.

O marido saiu logo e Esme ficou sozinha com seus pensamentos. Olhou o dinheiro na sua frente.

– Já tenho vários vestidos que nunca usei porque nunca saímos – murmurou consigo mesma e depois olhou para sua barriga – acho que posso me dar o luxo de comprar um macacãozinho para você.

Com os planos decididos Esme caminhou em direção ao mercado municipal. Ali comprou um macacão amarelo bem pequeno e sorriu feliz com a escolha. Mal podia esperar a hora em que veria o filho ao seu lado com a roupinha.

Arrumou a casa novamente, mesmo que esta já estivesse imaculadamente limpa, e depois do almoço começou a se arrumar, enrolando rolinhos no cabelo para deixá-lo perfeitamente ondulado.

Aquilo era um acontecimento histórico, o marido nunca a chamava para sair com os amigos. Será que aquilo significa que o marido estava mudando? Que ele poderia se tornar o marido carinhoso que ela sempre sonhara para si?

Sentou-se impecavelmente perfeita no sofá esperando o marido chegar e a levar para a festa. O cabelo estava brilhoso e bem preso, maquiagem perfeita, apenas o vestido estava um pouco largo mas ela nem se importou. Melhor assim, já que quando a barriga crescesse ela não precisaria renovar todo o guarda-roupa.

As horas passaram e passaram e marido não apareceu. Esme esperou o quanto pode até que percebeu que Charles não viria. Subiu as escadas e retirou lentamente o vestido, soltou os cabelos e lavou o rosto tirando a maquiagem. Deitou-se na cama e esperou o sono chegar.

– Por que você não foi? – acordou assustada ouvindo o marido gritar – Eu fiquei como um bobo lá esperando você! Todos com suas esposas e eu sozinho! Você me fez passar vergonha!

– Mas... mas... eu achei que você vinha pra casa e nós iriamos juntos – respondeu levantando assustada e ainda grogue de sono.

– Sua idiota! Mas você vai ver o que acontece se me fizer de bobo, ah... você vai ver só!