"Decifra-me ou devoro-te" (Mito de Édipo)

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Juro que nunca vou te entender.

Uma hora você sorri e brinca; outra hora você está sério e terrivelmente obsessivo. Em época de gravação você parece não ligar para o mundo ao seu redor, concentrado em apenas concluir seu trabalho com perfeição; nos outros dias, parece uma pessoa observadora e intuitiva. Às vezes parece um bobo, mas na maioria das vezes fala coisas inteligentes e profundas. Aparenta ser racional e sério, ao mesmo tempo tem todo tipo de idéia insana e engraçada. Consegue juntar no mesmo discurso insegurança e autoconfiança. É como se tivesse duas personalidades, ou fosse tomado por algum tipo de demônio regularmente.

Até fisicamente você consegue ser dúbio: no dia-a-dia assemelha-se a um garotinho nerd, mas nos palcos e ensaios fotográficos adquire um porte elegante e sensual. A verdade é que você consegue trabalhar com a câmera como ninguém — o que, por sinal, contradiz com sua declarada timidez.

"Você é bipolar?"

"Do que você está falando?"

"... esquece."

Queria poder decifrar o enigma de sua personalidade. Este pensamento não sai da minha cabeça e, quando dou por mim, estou desejando mais do que qualquer coisa te compreender, ou pelo menos ter a oportunidade de ouvir de sua boca uma justificativa para suas atitudes. Mas você é tão fechado comigo, enquanto parece tão aberto com algumas pessoas... é divertido, não é? Pôr interrogações nas cabeças alheias. Como tudo que diz ao seu respeito, os sentimentos que você desperta também são contraditórios. Às vezes eu acho que te odeio pelo que você faz comigo. O mais provável é que, no fundo, eu te ame.

Apesar de tudo, eu não sei se teria coragem de reverter esta situação. O fim do mistério tiraria a graça da dedução. Ou talvez, no fundo, eu me divirta tentando te desvendar.

Meu tormento é também o meu prazer. Eu sou um masoquista.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!