Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são meus, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.

ESCUTE SEU CORAÇÃO

Chiisana Hana

Beta-reader: Nina Neviani


Epílogo

Peru, aeroporto de Lima.(1)

Ikki acaba de desembarcar e vai direto a uma empresa de táxi aéreo, onde tenta fretar um helicóptero.

(Atendente) Desculpe, senhor, mas para onde mesmo o senhor disse que deseja voar?

(Ikki) Ilha da Rainha da Morte.(2)

A atendente abafa um sorrisinho. A ilha tinha fama de ser uma lenda, alguns até falavam de uns tais cavaleiros que viviam lá, mas ninguém sabia dizer se era verdade. De toda sorte, a moça tem certeza que nenhum piloto aceitará voar para um lugar que se supõe nem existir.

(Ikki) Pago quanto for preciso. O dobro, até o triplo do valor de um voo normal. É só me deixar lá e ir me buscar. Só isso.

(Atendente) E quando seria?

(Ikki) O mais rápido possível.

(Atendente) Eu vou checar a disponibilidade dos pilotos. Só um momento.

Minutos depois, a moça volta.

(Atendente) Há um piloto disponível, mas como a viagem é incerta e de risco...

(Ikki, impaciente, interrompendo) Quanto é que ele quer?

(Atendente) Cinco vezes o valor.

(Ikki) Fechado. Quando ele pode ir?

(Atendente) Amanhã logo cedo, se o tempo estiver favorável.

(Ikki) Ok. Estarei aqui. (pensando) Esmeralda, eu vou tirar você daquela ilha... eu prometo.

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Atenas. Condomínio Olympus.

Seiya, Shiryu e Dohko estão sentados na porta da casa do mestre, conversando. Dohko ainda tem a perna engessada, mas já se sente melhor e até tem ido visitar Fatma, que continua no hospital.

(Dohko, batendo de leve no gesso) Que ironia precisar de muletas quando tenho meu corpo jovem outra vez.

(Shiryu) Para o senhor ver como a vida de jovem tem seus riscos.

(Dohko) Mas olha quem fala! Você age como um velho desde que tinha oito anos!

Os três riem alto do comentário.

(Shiryu) É, eu acho que tenho mesmo cabeça de velho.

(Seiya, enfático) Tem!

(Dohko) Mas por um lado é até bom. Isso faz de você um cara responsável, em quem os amigos sempre podem confiar. Os amigos e a Shunrei. Por falar nela, como vão as coisas entre vocês?

(Shiryu) Vai tudo muito bem. Mesmo quando temos alguma briguinha boba eu sinto tanto amor por ela, tanto que eu não consigo ficar com raiva por mais de um minuto. E o bebê já é algo tão real pra mim. Até já sonhei com ele... Está tudo tão perfeito que me assusta.

(Dohko) Que bom, filho. Vocês têm muita sorte.

(Shiryu) Eu sei, mestre. É por isso que eu agradeço aos deuses todos os dias, por permitirem essa trégua, onde eu e ela podemos aproveitar esse tempo de bonança.

(Seiya) Trégua? A guerra acabou. Estamos em tempos de paz.

(Shiryu) Não sei não. Algo me diz que não é bem assim. (voltando-se para Dohko) E o mesmo algo me diz também que o senhor sabe disso.

(Dohko) Eu não sei de nada, meu filho. Ou melhor, sei sim, sei que todos nós devemos tocar nossas vidas porque se há mesmo algo para acontecer, não vai ser nem tão cedo.

(Shiryu) Mas como o senhor explica o comportamento da Saori? Desde que o Seiya me contou o que houve na mansão Solo eu não consigo parar de pensar nisso.

(Seiya) Você acha que pode ser alguma parada de deuses malucos de novo?

(Shiryu) Não sei, Seiya... Sinceramente não sei, mas acho muito estranho...

(Dohko) Vocês dois ficam procurando coisas onde não há nada! Saori é só uma mulher confusa. Não se preocupem com isso. Shiryu, aproveite o tempo com sua mulher e seu filho que vai nascer. E você, Seiya, faça o que sempre fez: lute pelo que acredita.

(Seiya) Estou tentando. Mas eu penso, penso, penso e não entendo a Saori...

Dohko dá uma gostosa risada, deixando Seiya e Shiryu intrigados.

(Dohko, ainda rindo) Mulheres não são para serem entendidas! Você só tem que amá-las. Entendê-las é algo que não se pode fazer.

(Shiryu) Eu entendo a Shunrei...

(Dohko) Não entende, não. Você pensa que entende, mas ela está sempre um passo à frente...

(Shiryu) Ih, não gostei disso...

(Seiya) Nem eu, porque se você não entende a Shunrei, eu não sei mais de nada nessa vida. Só que eu queria realmente entender por que raios a Saori não admite que me ama e larga aquele mauricinho idiota metido a deus.

Shunrei se aproxima do grupo sem ser notada e, sentando-se no colo do marido, dá seu parecer:

(Shunrei) Porque ela tem medo.

Os três voltam-se para ela que, calmamente, continua a falar.

(Shunrei) Eu não sei bem do quê, mas estive pensando muito nisso, sabe? Me coloquei no lugar dela e pensei no que me faria abrir mão do Shiryu. E sabe a resposta? Medo. Não por mim, medo de que fizessem algo a ele.

(Seiya) Mas o que o Julian poderia me fazer? Eu acabaria com ele em um segundo, ainda mais agora que o espírito de Poseidon não está mais nele... Ou será que ele voltou a despertar?

(Dohko, enfático) Não, não voltou.

(Seiya) Mas então o que Saori teme?

(Dohko) Eu acho que Shunrei tem razão. E acho também que o medo a que ela se refere não é só em relação ao Seiya. É algo maior...

(Shiryu) Acha que ele poderia prejudicar a todos nós?

(Dohko) Acho pouco provável.

(Shunrei) Pois já que me meti no assunto, eu acho que ele não pode fazer nada, mas faz Saori acreditar que poderia...

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Los Angeles, Estados Unidos.

Hyoga e Rumiko aproveitam a noite de folga para sair. O casal caminha pelas ruas quase vazias por conta do frio excessivo, ele pensando em suas pessoas queridas, ela lamentando ter aceitado a ideia de andar naquele frio cortante. Rumiko sofre, mas Hyoga se delicia com a neve fininha caindo sobre os cabelos e o ar gelado que toca a pele do seu rosto. Ela se pergunta como alguém pode se sentir à vontade numa temperatura tão desfavorável quanto aquela, mesmo sendo russo e tendo vivido na Sibéria. Ele surpreende-se ao perceber que ultimamente seu pensamento recorrente não é mais a mãe e sim a filha.

Cansada do frio, Rumiko convence Hyoga a entrar no primeiro restaurante que aparece: um pequeno bistrô francês, simpático e de decoração rústica. Os dois entram e sentam-se uma mesa no canto. Uma garçonete vem atendê-los e oferece o cardápio, sem disfarçar que olha diretamente para Hyoga. Ele devolve o olhar inquiridor.

(Garçonete) Desculpa, é que você não é o rapaz daquele anúncio de perfume? Um bem sexy?

Hyoga sorri. É a primeira vez que é reconhecido na América. Rumiko dirige à moça um olhar insatisfeito.

(Hyoga) Então você viu?

(Garçonete) Está em todas as revistas!

Hyoga dá seu sorriso mais encantador.

(Hyoga) É, sou eu.

(Garçonete) Você deve ouvir muito isso, mas é mais bonito pessoalmente.

Ele dá outro sorriso e estende a mão para a moça.

(Hyoga) Hyoga. Muito prazer.

(Garçonete) Elise. O prazer é todo meu. Então, o que vai pedir?

(Hyoga) O que você me recomenda?

(Elise) Hum... o prato do dia é Saint Pierre com Creme de Camarão.(3)

(Hyoga) Parece muito bom.

(Rumiko, incisiva) Oga, eu quero esse Confit de Pato.

(Hyoga) Está bem, Rumiko. Pode ser esse.

(Elise) Ok. Alguma coisa para beber?

(Hyoga) Agora não, obrigado.

Quando a moça se afasta, Rumiko dirige a Hyoga um olhar fulminante.

(Rumiko, exasperada) Podia pelo menos disfarçar!

(Hyoga) Disfarçar o quê?

(Rumiko) Que ficou babando pela garçonete!

(Hyoga) Eu? Não viaja, Rumiko. Só fui simpático e fiquei feliz por ela ter me reconhecido. Nada mais.

(Rumiko) Sei, sei...

Hyoga nega, mas olha para Elise sempre que pode. É uma moça alta, bastante bonita, com uma beleza exótica, os cabelos castanhos, enrolados atrás da cabeça e arrematados com uma enorme flor cor-de-rosa e grandes olhos quase da cor dos cabelos. Na saída, junto à conta, ela lhe entrega um bilhetinho com um número escrito, que ele pega e, discretamente, guarda no bolso.

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Tóquio, Japão.

Shun, June e Pani tentam jantar em paz. O clima entre os três é tenso desde que voltaram de Atenas. Shun não se conforma com a inesperada partida de Ikki, Pani sente saudades de Kanon e June lamenta o estado de ânimo dos dois.

(June) A vampira ligou hoje.

Shun mexe distraidamente na comida e mal ouve o que ela diz.

(June, mais alto) Shun, a vampira ligou hoje.

(Shun) Quem?

(June) A vampira, Shunzinho. Aquela que namorava o seu irmão.

(Shun) Ah, você quer dizer Pandora, né? Para com isso, June. Ela já nem mora mais aqui...

(June) Felizmente!

(Shun) Mas o que ela queria?

(June) Não disse, mas aposto que ia implorar pra voltar pra ele. Quebrou a cara pois o maluco sumiu.

(Shun) Não fala assim do Ikki, Ju. Ele não é maluco.

(June) Claro que é. Quem é que some assim do nada?

(Shun) Ele tem os motivos dele, infelizmente... Mas eu gostaria que ele pelo menos desse sinal de vida. Já faz quase duas semanas que voltamos da Grécia e ele ainda não deu sequer um telefonema para dizer onde está. Achei que agora as coisas seriam diferentes...

(June) Todos os dias você diz a mesma coisa, Shunzinho. Você sabe como ele é, né? Então esquece.

(Shun) É, eu sei como ele é... mas agora não é só ele. Desde que voltei da Ilha da Andrômeda tem sempre alguém por perto. Pelo menos o Seiya e a Saori, mas agora até eles estão longe.

(June) Eles vão voltar logo, você já está cansado de saber. E além disso, você não está só, eu estou aqui.

(Shun) Eu sei. Gosto muito de você, June, mas sinto falta dos meus amigos.

(June) Não entendo porque tanto drama. Você precisa parar de depender tanto deles, Shun! Sua vida agora sou eu!

(Shun, levantando-se da mesa) Você realmente acha que é o bastante?

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Grécia, mansão Solo.

Saori está trancada no luxuoso banheiro da casa do noivo e olha desolada para o pequeno bastão branco que segura em uma das mãos.

(Saori, consigo) Não é possível, não é possível...

É a terceira vez que refaz o teste de gravidez e obtém o mesmo resultado positivo.

(Saori) Calma, Saori. Não é o fim do mundo, afinal, pode ser filho do Julian. O mais provável é que seja... Mas e se for do Seiya? Como é que eu vou dizer que uma criança japonesa é filha do Julian? Não, eu não faria isso, o Seiya não merece. Mas não posso contar ao Julian agora. Não posso. Preciso falar pra alguém antes que eu exploda... Já sei... Vou falar com o Dohko. Ele sempre sabe o que dizer nessas horas complicadas.

FIM

Notas finais
(1) A Enciclopédia oficial de Saint Seiya diz que a Ilha da Rainha da Morte fica no "Oceano Pacífico, ao sul da Linha do Equador". Sendo assim, e levando em consideração a intensa atividade vulcânica na ilha, decidi localizá-la no Círculo de Fogo do Pacífico, mais especificamente em algum ponto do litoral do Peru. Poderia escolher qualquer lugar ao redor do círculo, até mesmo na Ásia, mas escolhi o Peru porque o nome "Esmeralda" me diz que a ilha deve pertencer a um país de língua hispânica.
(2) No mangá, a Ilha não foi destruída.
(3) Saint Pierre é um peixe.
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Agora acabou de verdade... Bom, essa fic, porque vocês já sabem: tem continuação. Essas ceninhas fariam parte do primeiro capítulo dela, mas resolvi transformá-las no epílogo de Escute Seu Coração. Aliás, eu tenho pensado muito em mudar do formato roteiro para a narração. Quebrará o 'padrão' dessa série, mas talvez seja melhor para o andamento dela. Hum... vamos ver. Ainda não decidi. Então, vou dar uma pausa na publicação dessa série, pois a fic nova só irá para o ar quando eu tiver uma boa quantidade de capítulos prontos para evitar ficar meses sem postar.
É isso, pessoas!
Obrigada a todos que bravamente acompanharam ESC até o final!
Beijos e até a próxima!
Chii
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!