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38 Capítulo XXXVIII
Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são meus, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
ESCUTE SEU CORAÇÃO
Chiisana Hana
Beta-reader: Nina Neviani
Capítulo XXXVIII
A ceia de Natal acabara mais cedo para Ikki e Pandora. Depois de se retirarem separadamente do ginásio, os dois se reencontram no quarto que ocupam na casa de Kanon. Ikki está deitado na cama. Com a cara fechada, Pandora acaba de sair do banho.
(Ikki) Vai ficar de mau humor?
(Pandora, sem olhar para ele) É, eu vou.
(Ikki) Para com isso, Pand.
(Pandora) Só se você admitir que estava pensando na Esmeralda.
(Ikki, consigo) Toda vez é a mesma coisa...
(Pandora) É, é a mesma coisa porque assim não dá, Ikki. Você nunca vai parar de pensar nela e eu já estou me cansando disso!
(Ikki) Você quer controlar até meus pensamentos?
(Pandora) Não, mas o mínimo que eu espero é que você me dê mais importância do que dá a ela.
Ele nada responde.
(Pandora) Não vai dizer nada, não é? Você sabe que eu tenho razão, que é só ela que conta. Pois bem, Amamiya, se eu sou apenas um passatempo...
(Ikki, interrompendo) Você sabe que não é um passatempo! Eu estou tentando reconstruir minha vida com você!
(Pandora) Apenas tentar não é mais o suficiente para mim. Eu quero uma reconstrução efetiva, sem os ecos do seu passado por aqui.
(Ikki) Eu não posso, e não sei se quero, controlar meus sentimentos do jeito que espera que eu controle.
(Pandora) Certo, Ikki, certo. Então acho melhor procurar alguém que consiga conviver com isso, porque eu não aguento mais. Só tem um problema: acho muito improvável que você encontre alguém tão abnegada assim.
Pandora pega a mala e começa a guardar seus pertences, sob o olhar atento porém inabalável de Ikki. Ela fecha a mala estufada com algum esforço.
(Pandora) Para mim já chega. Cansei de brincar. Não vou voltar para o Japão com você.
(Ikki) Deixa de palhaçada, Pandora.
(Pandora) Ah, tá, você chama a minha decisão de "palhaçada"? Muito bom. Adeus, Ikki.
Arrastando a mala, Pandora deixa o quarto.
Na cozinha, Kanon e Pani encontram-se e tentam estabelecer uma conversa...
(Kanon, sentando-se à mesa) Também está sem sono?
Pani, também sentada à mesa, sorri e balança a cabeça em afirmação.
(Kanon) Foi boa a festa, não é?
Ela novamente balança a cabeça.
(Kanon) E aí? O que você fazia antes de ir trabalhar na casa do Ikki?
A mocinha cora a abaixa o olhar.
(Kanon) Você entende o que eu falo?
Ela novamente balança a cabeça, dessa vez sem olhar para ele.
(Kanon) Menos mal. Mas então, não vai falar nada?
Pani sorri tímida.
(Kanon, consigo) Está difícil... (para Pani) Se eu te beijar, você vai gritar?
A mocinha arregala os olhinhos negros, enquanto Kanon se aproxima cada vez mais, até beijá-la. Ela corresponde. O beijo é interrompido por Pandora, que acabara de entrar na cozinha arrastando sua mala.
(Pandora) Desculpem, eu só queria pegar um copo de água.
(Kanon) Erh... sim... tudo bem... eu... nós...
(Pandora) Finjam que nem me viram e eu finjo que não vi vocês, certo?
(Kanon, confuso) Certo.
Pandora bebe um pouco de água e sai. Kanon e Pani recomeçam a trocar beijos, mas poucos minutos depois são interrompidos outra vez.
(Ikki) Vocês viram a Pandora?
(Pani) Sim, senhor, ela saiu com uma mala.
(Ikki) Isso eu sei. Ela disse aonde ia? Chamou táxi?
(Pani) Não sei, senhor.
(Ikki, antes de sair correndo) Também não sabe de nada!
(Kanon) Com ele você fala, não é?
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Casa de Shaka.
O cavaleiro entra em casa com a caixa da gata na mão, coloca-a no chão e senta em posição de lótus, olhando para ela.
(Shaka, consigo) O que é que eu vou fazer com ISSO?
Através da portinhola da caixa, a gata olha fixamente para ele, como se esperasse uma resposta.
(Shaka) O que é? Não adianta olhar para mim com essa cara.
Miau.
(Shaka) Que miau o quê!? Você vai para um abrigo de animais!
Miau, miau, miau.
(Shaka) Para com isso, ser inferior!
Miau.
(Shaka, coçando a cabeça) Eu estou ralhando com um gato. Que decadência.
Shaka abre a caixa. Imediatamente a gatinha sai dela e se esfrega nas pernas do cavaleiro.
(Shaka) Tá, tá. Sai daqui, sai.
Ela olha para ele e... miau.
(Shaka) Essa coisa deve estar com fome. Só pode ser isso.
Ele vai até a cozinha. A gata o segue. Shaka põe um pouco de leite num pires, e o coloca no chão. Rapidamente a gatinha se aproxima e sorve todo o líquido. Ele coloca mais um pouco de leite e ela novamente bebe tudo.
(Shaka) Sua barriga não enche, não?
Miau.
Ele torna a colocar mais um pouco de leite. Ela bebe tudo e se afasta um pouco do pires.
(Shaka) Agora sim! Eu vou dormir. Criatura irritante, comporte-se. E não destrua a casa.
Miau.
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Casa de Máscara da Morte.
(Celina, vestindo a blusa) Vou nessa, cara. Já está tarde.
(Máscara da Morte) Ah, dorme aqui. Sua patroa não vai se importar.
(Celina, corrigindo-o) Treinadora.
(Máscara) Que seja. Ela não vai se importar.
(Celina) Ela não se mete na minha vida. Mas é que achei que você fosse o tipo de cara que quer sossego depois de... você sabe.
(Máscara) Bom, eu sou, mas seria legal se você ficasse.
(Celina) Tem certeza?
(Máscara) Toda.
(Celina) Então tá, eu fico.
(Máscara) Beleza! Que tal um lanche? O Carmelo deve ter deixado alguma gororoba pronta, já que amanhã ele está de folga.
(Celina) É, um lanchinho cairia bem.
Os dois descem para a cozinha, ela apenas de blusa e calcinha, ele só de cueca, e encontram Nicoletta sentada à mesa, comendo um dos sanduíches que o criado preparara.
(Celina) E aí, mona?
(Nicoletta) Fala, santa. Olha, se eu gostasse da fruta, você faria o meu tipo.
(Celina) Que é isso, amigue? Nós gostamos da mesma coisa.
(Máscara) Não sei, não... essa amizade de vocês não vai dar muito certo. Vão acabar se juntando contra mim.
(Nicoletta) Relaxa, bofe! A minha amizade com a moça pode até ser útil.
(Máscara) Não consigo ver como.
(Celina, piscando o olho para Nicoletta) Mas eu consigo!
(Máscara) Isso não vai acabar bem...
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Casa de Afrodite.
O cavaleiro de Peixes acaba de chegar em casa e se acomoda confortavelmente no sofá. A festa no ginásio tinha sido boa, mas sentiu falta da companhia de Mime.
(Afrodite, ao ver que o criado se aproximava) O Mime telefonou?
(Patricius) Não, senhor.
(Afrodite) Hum... certo. Pode se recolher, Patricius. E tire folga amanhã, conforme combinamos.
(Patricius) Sim, senhor. Boa noite. E Feliz Natal!
(Afrodite) Para você também.
Pouco depois, o telefone toca. Afrodite põe uma das mãos sobre o aparelho, deixa-o tocar mais duas vezes e só então atende.
(Afrodite) Oi.
(Mime) Oi. Como foi a festa?
(Afrodite) Faltou você. E a viagem?
(Mime) Correu tudo bem, acabo de desembarcar em Oslo. Daqui seguirei para Narvik e de lá para Asgard.
(Afrodite) Certo. Comporte-se bem na sua terra, ok?
(Mime, sério) Eu sempre me comporto.
(Afrodite) É o que eu espero. E quando você volta?
(Mime) Surpresa.
(Afrodite) Ah, esses misteriosos guerreiros-deuses gostam de deixar as pessoas apreensivas!
(Mime) É um bom meio para fazer com que elas se apaixonem.
(Afrodite) Estou vendo.
(Mime) Bom, tenho que desligar. Só liguei para desejar Feliz Natal.
(Afrodite) Obrigado, para você também. Quando voltar, darei seu presente.
(Mime) Esperarei. Até logo.
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Enquanto isso, Seiya e Saori deixam o motel em silêncio e retornam ao condomínio, onde a ceia de Natal já chegava ao fim. Na entrada do ginásio, despedem-se apenas com um olhar triste e magoado, e cada um vai para um lado.
(Saori, sem conseguir olhar para ele) Seiya, desculpa. Um dia você vai entender.
Seiya se volta para ela. Sem dizer nada, suspira magoado, e depois segue em direção à casa de Shina. Ao chegar lá, ela já o espera na sala, sentada no sofá, com uma expressão dura na face. Uma mala está ao lado da porta.
(Seiya) Oi.
(Shina, apontando a mala) Sua mala. Não quero mais você aqui nesse raio de casa que eu divido com o chato do tocador de harpa.
(Seiya) Eu posso explicar...
(Shina) Acontece que eu não quero ouvir. Pega a sua mala e se manda.
(Seiya) Shina, eu...
(Shina) Você não tem nada a dizer que eu já não saiba. Saiu da festa com a senhorita Kido, vocês desapareceram por mais de uma hora, e agora você volta para a minha casa com essa cara sem vergonha. Eu não vou nem perguntar o que aconteceu, porque eu sei muito bem o que foi.
(Seiya) Shina, nós temos que conversar.
(Shina) Não, não temos. Já entendi tudo. Vai negar que estava com ela?
(Seiya) Eu estava com ela sim.
Shina respira profundamente, tentando conter-se para não chorar na frente dele..
(Shina, hesitante) Vocês... vocês... fizeram amor?
Seiya não insiste.
(Shina) Fizeram? (gritando) Fizeram?
(Seiya) Shina...
Shina levanta do sofá e agarra Seiya pela gola da camisa.
(Shina) Seja homem! Responda! Fizeram?
(Seiya) Sim.
Shina ela o larga, pega a mala e joga para ele.
(Shina) Vai embora
(Seiya) Shina, nós...
(Shina, empurrando-o para fora) Cai fora, seu moleque!
Assim que ele sai, a amazona deixa-se cair no chão e chora copiosamente.
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Saori entra no ginásio para se despedir de Dohko.
(Saori, fazendo um bico) Já vou voltar para o meu noivo.
(Dohko, enfático) A senhorita tem mesmo que voltar?
(Saori) É, eu tenho.
(Dohko) Certo. Mas eu não posso deixar que volte sozinha nessa moto velha. Eu mesmo a levaria, se soubesse dirigir.
(Saori) Não precisa. Do mesmo jeito que vim, posso voltar. Nessa noite já aconteceu tanta coisa que não pode acontecer mais nada.
(Dohko) De forma alguma deixarei que vá só.
Dohko acena para Camus, que prontamente se aproxima, acompanhado de Eli.
(Camus) Pois não, mestre.
(Dohko) Será que você poderia fazer o favor de levar a deusa até casa de seu noivo?
(Camus) Claro, será um prazer. Eu ia mesmo levar a Eli em casa. Esperem-me aqui enquanto eu pego o carro.
Dohko, Saori e Eli concordam.
(Saori) Certo. Então, até logo.
(Dohko) Até. E o que quer que tenha acontecido nesta noite, com certeza foi porque tinha de acontecer.
(Saori) Como disse?
Dohko olha as estrelas e então, sussurra.
(Dohko) Eu vi que a senhorita saiu com o Seiya.
(Saori, corando) Sim...
(Dohko) Não se culpe por isso.
(Saori) Eu não devia ter ido. Agora ele e Shina estão brigando. Sente a energia que vem da casa dela?
(Dohko) Sinto, claro. Mas a senhorita bem sabe que não é com ela que ele quer ficar.
Ela balança a cabeça afirmativamente.
(Saori) É, eu sei.
(Dohko) Então...
(Saori) Então nada. Eu simplesmente não posso...
(Dohko) Por que não? O que a impede?
(Saori) Também não posso explicar, mas eu sei que você desconfia. Ou melhor, eu sei que você sabe, como sempre sabe de tudo.
(Dohko) Pode ser. Só espero não estar certo.
(Saori) Tomara que eu também não esteja.
(Dohko) Assim espero.
Os dois ficam em silêncio. Eli, que estava bem próxima, ouvira a conversa mas pouco entendera. Assim que Camus chega com o carro, Dohko abre a porta para a deusa e para Eli.
(Saori) Agora devo ir.
(Dohko) Boa sorte com seu noivo. E qualquer problema, pode chamar. A senhorita sabe como.
(Saori) Sei. Obrigada, Dohko. Obrigada por tudo.
(Dohko) Não há de quê.
O mestre retorna ao ginásio, onde Fatma o espera.
(Dohko) Vamos?
(Fatma) Para a sua casa?
(Dohko) É. E renovo o convite para que passe a morar lá.
(Fatma) Você não desiste, não é?
(Dohko) Nunca.
(Fatma) Eu vou ficar lá... por uns tempos...
(Dohko) Já é um começo.
(Fatma) É. Será que podemos ir lá no Santuário? Preciso buscar algumas roupas, sabe?
(Dohko) Podemos, sim. Mas só se você dirigir.
(Fatma) Claro, meu bem! Eu sou A motorista!
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Violet e Aldebaran voltam para a casa do cavaleiro e, ainda ao longe, avistam Lily e Milo trocando carinhos.
(Violet, para Aldebaran) Estou mesmo vendo isso?
(Aldebaran) Sim, está!
(Violet) Que graça! Não vamos atrapalhar, né? (puxando o cavaleiro) Vem, depois a gente volta para casa.
(Aldebaran) Podemos dar a volta e entrar pela porta dos fundos. Que tal?
(Violet) É, excelente idéia!
Enquanto isso, em frente à casa...
(Milo) Convencida de que quero realmente um relacionamento sério?
(Lily) Pra falar a verdade, não. Mas acho que quero tentar.
(Milo) Pode apostar que eu vou ser o melhor namorado do mundo.
(Lily) Tomara.
Os dois se abraçam carinhosamente e Milo acaricia os cabelos loiros da moça.
(Milo) Então, seu verdadeiro nome é Lilyana?
(Lily, envergonhada) Não. É só Lily mesmo...
(Milo) Ah, sim. Pensei que fosse, já que a sua irmã te chamou de...
(Lily, interrompendo) É um apelido maldoso...
(Milo) Maldoso?
(Lily) Lily Anoréxica. Lily-Ana...
(Milo) Tá, você é magrinha, mas daí a dizer que é anoréxica vai uma distância grande. Essa sua irmã é bem sacana, hein???
(Lily) O que é que eu posso fazer?
(Milo) Ela não tem direito de tratá-la assim.
(Lily) Eu já me acostumei.
(Milo) Pois não devia! Não tem que se acostumar com insultos! Se ela falar isso de novo na minha frente vai ver só!
(Lily) Deixa, Milo. Esquece isso. Não vamos pensar nela, sim?
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Pouco depois, na mansão Solo.
Camus deixa Saori em frente à casa e segue com Eli. A deusa respira fundo e entra. Sentado no sofá, na sala iluminada apenas por um abajur, Julian espera pela noiva. Ela entra sorrateira e se assusta ao ouvir a voz dele.
(Julian, pernas cruzadas, expressão dura na face) Boa noite, senhora minha noiva. Ou eu deveria dizer bom dia, já que são quase duas da manhã?
(Saori) Como quiser.
(Juliana) O que a senhorita tem a me dizer?
(Saori) Eu fui à festa dos meus amigos. Você ficou numa festa com os seus. É só.
(Julian) E você acha isso correto?
(Saori) Acho. Agora se me dá licença, eu quero dormir. A noite foi bastante longa.
(Julian) Ah, é? E como foi a festa?
(Saori) Com certeza foi muito melhor que a sua!
(Julian) E por que quando um dos meus seguranças foi até lá não viu a senhorita no recinto?
(Saori, indignada) Mandou alguém me seguir?
(Julian) Não exatamente. Mas quando o segurança viu a senhorita sair na moto do jardineiro obviamente veio me contar. Então eu mandei o rapaz até o condomínio para trazê-la de volta, mas misteriosamente a senhorita sumiu.
(Saori, nervosa) Eu fui dar uma volta. Você não me deixa respirar!
(Julian) Respirar... então o que você foi fazer com aquele imbecil no motel sujo de beira de estrada se chama "respirar"?
(Saori) Você está delirando.
Julian segura Saori pelo braço, puxando-a para bem perto de si.
(Julian) O cheiro dele ainda está em você.
(Saori) Que cheiro? Você é doente! Vai procurar um psiquiatra!
(Julian) E você vá tomar um banho para tirar esse cheiro do seu corpo.
(Saori) Pare com essas tolices!
(Julian) Você nem se dá ao trabalho de negar.
(Saori) Não tenho nada para negar.
(Julian) É lamentável que alguém do seu nível faça coisas como as que você faz.
(Saori) Me deixe em paz.
(Julian, soltando o braço dela) Pois não, vadia. Você merecia um bom tapa, mas eu não vou fazer isso, porque algumas coisas são piores que a dor física. Agora suba e se lave, de preferência com desinfetante.
(Saori, subindo a escada) Vá esperando...
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Casa de Dohko.
Shiryu e Shunrei já estão no quarto, preparando-se para dormir, quando o criado bate à porta do quarto.
(Arvanitakis) Desculpe incomodar, mas o senhor Seiya está lá embaixo e deseja falar-lhe. Disse que é urgente.
(Shiryu, de roupão, ao abrir a porta) Por favor, diga que já vou descer. Obrigado.
O criado consente com a cabeça e desce.
(Shiryu, para Shunrei) O que será que ele quer a essa hora?
(Shunrei) Meu palpite é: brigou com a Shina. E você sabe o porquê...
(Shiryu) É, eu posso imaginar o motivo. Bom, vou lá. Isso está com cara de que vai demorar. Melhor você não me esperar.
(Shunrei) Melhor mesmo. Vou me deitar. Amanhã você me conta o que houve.
(Shiryu) Conto. (beijando-a) Boa noite.
(Shunrei) Boa noite, meu amor. Diga ao Seiya que mandei um abraço e que espero que fique tudo bem.
(Shiryu) Direi.
Shiryu vai para a sala, onde Seiya o aguarda, com a mala pousada no chão, e uma expressão realmente preocupada, bem diferente de seu habitual ar alegre.
(Shiryu) E então, o que foi? Shina colocou você para fora da casa?
(Seiya, fazendo um bico de insatisfação) É.
(Shiryu) Você fez por merecer, não é? Saiu da festa atrás da Saori, e depois os dois sumiram. Meio óbvio, não?
(Seiya) É, mas eu não planejei nada, nem pensei nas consequências. Sabe, era a minha única chance de me entender com a Saori. E até parecia que tudo correria bem, mas quando eu falei que ia terminar com Shina a Saori veio com aquela conversa de que não pode ficar comigo, que tem que ficar com o Julian e aquele blablablá todo. Eu me senti um lixo. Realmente não entendi porque ela fez isso. Não é estranho? Ela topa fugir da festa comigo, vamos para um motel, fazemos amor, e nessa hora eu tenho certeza de que ela ainda me ama. Então, digo que vou terminar com a Shina, mas logo depois a Saori diz que não pode ficar comigo. Acho que ela está meio louca.
(Shiryu) Não sei bem se é loucura, mas que é estranho isso é.
(Seiya) Pois é. Mas o caso é que quando eu voltei nem precisei dizer nada a Shina. ela já foi me dando a mala e me chutando para fora de casa.
(Shiryu) E com toda razão, não acha?
(Seiya) É, mais ou menos.
(Shiryu) Mais ou menos, Seiya? Toda razão do mundo! Se apronto uma dessas, Shunrei me coloca pra fora a vassouradas.
(Seiya) Duvido!
(Shiryu) Você não sabe do que uma mulher magoada é capaz.
(Seiya) Tá, tá. Mas agora estou desabrigado e vim pedir arrego até voltarmos para o Japão.
(Shiryu) A casa não é minha, mas é como se fosse. Sei que o mestre não fará objeções.
(Seiya) Beleza!
(Shiryu) Vou pedir para o Arvanitakis preparar o outro quarto para você.
(Seiya) Valeu. Pelo menos vou ter um lugar para dormir...
Pouco depois Shiryu retorna à sala, e os dois voltam a conversar.
(Seiya) E agora?
(Shiryu) Agora é a parte da história onde você cria juízo.
(Seiya) Eu já tenho juízo!
(Shiryu) Não é o que parece. Você mesmo admitiu que não pensou na Shina quando foi para o motel com a Saori. Aliás, você usou camisinha?
(Seiya) Ehr... também não pensei nisso.
(Shiryu) Excelente, Seiya. Muito responsável. Parabéns!
(Seiya) Valeu!
(Shiryu) Agora reze para ela não engravidar.
(Seiya) Eu ia adorar!
(Shiryu) Está vendo? É por isso que eu digo que você não tem juízo!
(Seiya) O Hyoga também engravidou a Eiri e ninguém disse nada.
(Shiryu) Porque segundo ele, a Eiri disse que estava tomando anticoncepcional. Mas você e Saori sequer pensaram nisso.
(Seiya) Ah, de repente ela está tomando e eu não sei. Não acho que ela queira ter um filho daquele idiota.
(Shiryu) Pode ser, mas você tinha de ter pensado nisso.
(Seiya) Agora já era. Esquece. Bem, e você sabe por onde a Seika anda? Eu vi quando ela teve algum atrito com o Shaka e deixou o ginásio.
(Shiryu) Também vi quando ela saiu, mas não sei para onde foi.
(Seiya) Perder a Seika era só o que faltava acontecer procurá-la por aí.
(Shiryu) Eu vou com você.
(Seiya) E a Shunrei?
(Shiryu) Eu disse ela que podia demorar. Aliás, ela mandou dizer que espera que tudo se ajeite.
(Seiya) Tomara mesmo. Mas... como ela sabia?
(Shiryu) Estava na cara.
Seiya e Shiryu saem juntos e batem à porta da casa de Shaka. O criado atende, porém por não conseguir falar, ele não ajuda muito. Seiya então grita para que ele chame Shaka. Ao ouvir o barulho, o cavaleiro de Virgem aparece na porta.
(Shaka) Não lhe ensinaram que não é educado vir à casa dos outros a essa hora da madrugada, e muito menos gritar na porta alheia?
(Seiya) Não, não ensinaram. E quando se trata de um problema com a minha irmã, educação é o que menos importa.
(Shaka) Eu não sei onde ela está. Saiu do ginásio sem mim, e eu não a vejo desde então.
(Seiya) Vocês brigaram feio?
(Shaka) Creio que sim.
(Seiya) Reze para não ter magoado a minha irmã, senão vai se ver comigo.
(Shaka) Eu vou me ver com um moleque que não sabe nem lidar com os próprios problemas? Só pode ser uma piada. E de péssimo gosto.
(Seiya, apontando o dedo indicador para Shaka) Escuta aqui...
Shaka segura o braço de Seiya.
(Shaka) Escuta aqui você, o que havia entre mim e Seika não era da sua conta, e agora que acabou, não tenho mais nenhuma razão para ser bonzinho com você, então dê meia-volta e vá embora.
(Seiya) Não fala assim comigo!
(Shiryu) Seiya, já chega. Ele tem razão. Você não deve mesmo se meter. Só precisamos achar a Seika e já vimos que ela não está aqui.
(Seiya) Mas Shiryu!!
(Shiryu) Vamos, Seiya! E perdoe o incômodo, Shaka.
A contragosto, Seiya é arrastado dali por Shiryu. Depois de procurarem por todo o condomínio, os dois já não conseguem mais imaginar onde a irmã mais velha de Seiya possa estar.
(Seiya, sentando-se na calçada) E agora?
(Shiryu) Agora eu não sei.
(Seiya) Aonde aquela maluquinha pode ter ido?
(Shiryu, pensativo) Hum... ela morou em Rodorio, não é?
(Seiya) Sim! É verdade! Acha que ela pode estar lá?
(Shiryu) É uma possibilidade.
(Seiya) Então vamos lá, ora essa!
(Shiryu) Claro, vamos em casa chamar um táxi e...
(Seiya, interrompendo) Táxi a essa hora? Na noite de Natal? Está sonhando?
(Shiryu) Então como vamos?
(Seiya, fazendo uma expressão de malícia) De moto. Não viu que a moto roubada pela Saori ainda está lá na frente do ginásio?
(Shiryu) Sim, mas daí a roubarmos também...
(Seiya) Não vai ter problema nenhum, já foi roubada mesmo!
(Shiryu) Claro que tem! E além do mais, você não tem habilitação! Vamos ser presos!
(Seiya) Que preso o quê!? Acabei de ir e voltar do motel com a Saori e não aconteceu nada
(Shiryu) Mais um motivo para não irmos: você já abusou da sorte.
(Seiya) Deixa de ser cagão! Não vai acontecer nada!
(Shiryu) Não, não e não! Não conte comigo para isso, não quero fazer minha esposa grávida ir me visitar na delegacia!
(Seiya) Que delegacia!? Se alguém nos parar, o que é muito dificil, diremos que é uma emergência da (enfático) FUNDAÇÃO GRAAD. Ou soltaremos uma graninha para o policial.
(Shiryu) Pior ainda! Suborno também é crime!
(Seiya) Mas você é muito mole mesmo! O que sugere, senhor cagão?
(Shiryu) Sugiro chamarmos alguém habilitado para nos levar à vila de carro.
(Seiya) Quem?
(Shiryu) Algum dourado... mas quem? E a essa hora? Não acho muito prudente.
(Seiya, gritando) Antigamente você não era assim! Foi só casar que virou a cabeça!
(Shiryu) Eu já era assim, sim! E agora estou pior, pois tenho uma esposa e um filho para criar.
(Seiya) Seu filho nem nasceu ainda!
(Shiryu) Seiya, não gosto e nem posso levar as coisas na brincadeira. Agora tenho que ter ainda mais responsabilidade. Se você quiser minha ajuda para procurarmos alguém que saiba dirigir, pode contar comigo. Mais se é para sair por aí sem habilitação, numa moto roubada, pode esquecer.
(Seiya) Tá, desculpa. Vamos procurar outra pessoa.
(Shiryu) Que tal o Mu? Ele poderia nos levar por teletransporte e resolveríamos tudo mais rapidamente.
(Seiya) Ótima ideia!
(Shiryu) É meio chato incomodarmos a essa hora, mas não vejo outra opção.
(Seiya) Então vamos!
Quando os dois já se aproximavam da casa de Mu, Seika aparece na entrada do Condomínio, meio cambaleante, com a roupa amassada e os cabelos desgrenhados.
(Seiya, correndo até ela) Seika!! Onde você se meteu?
(Seika, rindo frouxamente) Eu fui me divertir!
(Seiya) Onde?
(Seika) Por aí...
(Seiya) Por aí onde?
(Seika) Já disse, por aí. E não encha o saco
(Seiya) Você bebeu?
(Seika) Bebi, e daí?
(Seiya) Seika!!!!! Eu estava preocupado, vi quando você saiu do ginásio, mas não imaginei encontrá-la nessas condições.
(Seika) Que condições? Eu estou ótima. Tá tudo bem.
(Seiya) Você e o Shaka brigaram mesmo?
(Seika) Quem é Shaka?
(Seiya) O ser meditador!!
(Seika) Ah, é. Eu e aquele branquelo brigamos.
(Seiya) Ainda bem! Aleluia!
(Seika) Não quero mais nada com aquele ridículo. Ele é loiro. Ele é magricela. Ele nem tem pelo no peito! E aquele tonto ficou com raiva porque eu dei uma gata a ele, vê se pode.
(Seiya) Ele não era o homem para você!
(Seika) Não era mesmo. Onde já se viu a namorada querer fazer amor e o namorado dizer que não, que "só casando".
(Seiya) Seika!! Não diga essas coisas para mim!
(Seika) Agora eu quero um homem sarado, marombeiro, puxador de ferro. De preferência, tarado e bem dotado.
(Seiya, chocado) Seika!!!!!!!!!!!!!!!
(Seika) Que é? Não enche o saco, não! Não enche, não!
(Shiryu) Agora que já achamos você, vamos para casa, sim?
(Seika) Que casa? Eu estava hospedada na casa do ridículo. Aliás, minhas coisas ainda estão lá. Vamos buscar que eu quero dizer umas coisas na cara daquele branquelo.
(Shiryu) Vamos para a casa do meu mestre, já que vocês dois foram expulsos.
(Seika) Nós dois? O mano também?
(Seiya) É, a Shina me chutou para fora da casa dela.
(Seika) Huhahuuhauhauhauhahuauhhuahuahua! O que você fez com ela?
(Seiya) Nada! Eu só fugi com a Saori... e nós fomos para um motel...
(Seika) Se eu estivesse no lugar da Shina faria o mesmo, chutaria você. Mas quer saber? Ainda bem que você brigou com ela, você combina mais com a Saori
(Seiya) É, mas nós não estamos juntos.
(Seika) Ué? Você não disse que fugiu com ela?
(Seiya) Mas ela me dispensou logo depois que fizemos amor.
(Seika) Nossa! Você é tão ruim de cama assim? Uhahuahuauhahuauhahuahu
(Seiya) Não me deixe ainda pior do que eu já estou!!!
(Seika) Huahhuahuauhuahu! Somos dois ferrados mesmo. Vamos ali encher a cara, vamos? Será que sobrou vinho da ceia? Ainda tem ouzo?
(Seiya) Você já tomou todas! Agora a gente vai para a casa do Dohko, dormir.
(Shiryu) Exatamente. Vamos para casa.
(Seika) Não! Eu quero tomar mais algum...
(Seiya) Nada disso! É cama e não se fala mais nisso.
(Seika) Cama só se for com um bofe sarado.
(Seiya) Para com isso!
(Seika) Só mais um golinho...
(Seiya) Não!
(Seika) Só um!
(Seiya) Já disse que não!
(Seika) Mas eu quero!
(Shiryu, empurrando os dois) Agora chega! Vamos embora logo, ou eu vou ter que agir energicamente com vocês dois.
(Seiya) Aí, ouviu, né? Vamos embora que papai Shiryu está brigando com a gente.
(Seika) Se meu pai fosse gato assim, eu pegava...
Shiryu cora.
(Seika) Pensando bem, você é gato, mas é tão careta, tão chatinho. Quero alguém mais depravado.
(Shiryu, fazendo um bico de insatisfação) Vamos, crianças! Já para casa! E nem mais uma palavra!
(Seiya) Mas Shiryu...
(Shiryu) NEM MAIS UMA PALAVRA!!!!!
Continua...
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