Escute Seu Coração
35 Capítulo XXXV
Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são meus, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
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Chiisana Hana
Beta-reader: Nina Neviani
Capítulo XXXV
Shiryu, Shunrei e Kiki são os primeiros a chegar ao aeroporto. Uma comissária de bordo os acompanha ao avião da Fundação GRAAD. Os três acomodam-se nas confortáveis poltronas da aeronave. Pouco depois, chegam Seiya, Seika e Shina e sentam-se perto de Shiryu e família. Depois de todos se cumprimentarem...
(Seiya) Ehr... Shunrei, me empresta o Shi um pouquinho? Queria conversar com ele.
(Shunrei, rindo) Contanto que me devolva depois, pode levar!
(Seiya, também rindo) Devolvo, sim!
(Shunrei, rindo) Então tá. Pode levá-lo.
(Shiryu) Já volto, amor.
Shiryu e Seiya sentam-se em poltronas afastadas.
(Shiryu) Eu não preciso nem tentar adivinhar sobre o que você quer falar, não é mesmo?
(Seiya) A Shina não dá pra mim!
(Shiryu, fazendo uma careta) Novidade!
(Seiya) É sério!
(Shiryu) Seiya, pelo amor de Deus, ainda esse assunto?
(Seiya) Eu tenho feito tudo que ela quer, estou trabalhando para deixar a escolinha de futebol pronta. Ano que vem já vai dar para começar a funcionar. Estou virando um cara sério.(fazendo um gesto obsceno) Mas ela não libera...
(Shiryu) Deve ser porque você só parece estar crescendo, mas não está crescendo de verdade.
(Seiya) Como?
(Shiryu) Depois eu que sou lerdo. Seiya, você tem que tomar jeito de verdade! Fica só pensando naquilo! Assim ela não se convence que você quer algo sério.
(Seiya) Mas eu quero! Juro que quero!
(Shiryu) Não sou eu quem tem que saber isso.
(Seiya) Você não quer me ajudar!
(Shiryu) E o que eu posso fazer? Além do mais, se quer saber, acho que ela não se sente muito segura com relação a você.
(Seiya) O que quer dizer? Que ela acha que eu não a amo?
(Shiryu) É por aí.
(Seiya) Mas eu...
(Ikki, interrompendo) Oi, povo. Estão tão concentrados que nem me viram chegar, né? Aposto que falavam alguma putaria.
(Shiryu, rindo) Olá, Ikki.
(Seiya, pensativo) Putaria... é, mais ou menos putaria...
(Ikki) Sabia. (dando um tapinha nas costas de Shiryu) E como é que vai o papai do ano?
(Shiryu, rindo) Muito bem. Bastante ansioso pela chegada do pequeno.
(Ikki) Para quê? Aproveite enquanto ele não nasce! Você vai deixar de dormir depois disso. Nunca mais uma noite de sono, Shiryu.
(Shiryu) Eu sei, mas quando você tiver um filho, vai perceber que o amor é maior que qualquer noite de sono perdida.
(Ikki) Filho? Eu? Nem brinca!
(Shiryu) Ué? Por que não?
(Ikki) O mundo é uma droga. Para quê botar o moleque nessa merda?
(Seiya) Eita pessimismo! O mundo não é uma droga. Na verdade, está bem bonzinho. E em grande parte, graças a nós. Tirando o fato de que a Shina não dá pra mim, eu acho o mundo muito legal.
(Ikki) Ainda isso? Estou achando você muito fraco, Seiya. Cuidado. De repente você começa a gostar de outras coisas...
(Seiya) Eu, hein! Morro antes de gostar de homem!
(Ikki) Sei... Aliás, olha lá o Shun chegando com a loira bombada.
(Shiryu) Vocês não vieram juntos?
(Ikki) Não. A loira e a Pand não podem nem passar perto uma da outra.
(Shiryu) Ah, sim, eu lembro que foi por isso que você resolveu sair do apartamento que dividia com Shun.
(Ikki) Pois é. Se não saísse, ia ter morte.
(Shun, aproximando-se) Olá, pessoal!
(Todos) Olá, Shun!
(Seiya) Senta aí, Shun. Ei, onde é que vocês vão ficar hospedados?
(Ikki) O Kanon me chamou para ficar na casa dele.
(Shiryu) Hum, que gentil.
(Shun) June e eu ficaremos na casa do Camus.
(Shiryu, Ikki e Seiya, surpresos) Camus?
(Shun) É. Ele nos convidou.
(Ikki) Muito estranho. Você não tem nenhum contato com ele.
(Shun) É, mas ele convidou e nós vamos. E você, Seiya? Fica na casa de Aiolia e Marin?
(Seiya) Mas é claro que não! Vou ficar na casa da minha namorada.
(Ikki) Se ela deixar, né?
(Seiya) Lógico que deixa!
(Ikki) Sei... pra mim esse negócio seu com a Shina vai de mal a pior.
(Seiya) Você também jogando praga? Não basta o Shiryu?
(Shiryu) Eu?
(Seiya) É, você mesmo.
(Shiryu) Deve ser porque as coisas não vão realmente bem e todo mundo já percebeu.
(Seiya) As coisas estão ótimas!
(Ikki) Se as coisas estivessem bem, o sexo já teria acontecido naturalmente.
(Seiya) Ah, pára, Ikki!!
(Ikki) Estou mentindo?
(Shiryu) Ikki, não piora.
(Ikki) Vai, me diz, Shiryu. Se você não tivesse se casado com a Shunrei agora, se continuassem só namorando, qual seria o próximo passo?
(Shiryu) Bem... eu... não...
(Ikki) Ah, Shiryu, não venha me dizer que ficaria só olhando para ela e esperando sei lá o quê? Você é tonto, mas não tanto quanto parece.
(Shiryu) Eu não sei....
(Ikki) Vocês se amam. O natural seria que transpusessem essa barreira e deixassem esse amor fluir também na cama.
Seiya, Shiryu e Shun arregalam os olhos e voltam-se para Ikki.
(Shiryu) Eu realmente ouvi isso da boca do Ikki?
(Shun) Transpusessem foi profundo.
(Seiya) Ele deve ter lido isso em algum lugar.
(Ikki) Eu não sou um ignorante como você.
(Shun) É, meu irmão está mudando, como vocês podem ver.
(Ikki) Não estou mudando coisa nenhuma. Foi só um devaneio.
(Seiya) Estou com medo, sabia? Ikki falando coisas profundas e Shun morando com a June. Inacreditável. Aliás, Shun, já que você está pegando a loira, como é que foi a primeira vez de vocês? Foi "natural" como o Ikki disse?
(Shun) Ah, foi... estranho...
(Seiya) ESTRANHO?
(Shun) É... sei lá... foi rápido...
(Seiya, pensativo, coçando o queixo) É, eu acho que também vai ser rápido comigo... a expectativa é muito grande... vou ficar nervoso...
(Shun, arregalando os olhos e corando) Não estou falando dissooooo! Estou falando que aconteceu de um jeito inesperado. Acho que eu ainda não sei lidar muito bem com isso.
(Seiya) Como assim?
(Shun) Não sei explicar. Só tenho a impressão de que tudo está andando muito rápido.
(Ikki) É que a loira domina, sufoca, sabe?
(Shun) Não é bem assim, Ikki.
(Ikki) É sim.
(Shun) Ela às vezes exagera, mas é por amor...
(Ikki) Quanto a isso eu até não tenho dúvidas, o que eu duvido que você agüente muito tempo.
(Shun) Não se trata de "agüentar". Eu gosto dela.
Os rapazes continuam conversando. Seika, Shina e Shunrei também aproveitam o tempo para conversar. Pandora e Pani sentam-se perto delas e de Kiki. June vai para o lado oposto, bem longe de onde as outras estão. Pouco depois, Saori chega, quase ao mesmo tempo em que Agatha e suas meninas. Treinadora e pupilas acomodam-se perto de June, a quem cumprimentam calorosamente. Saori, por sua vez, cumprimenta a todos com um sorriso melancólico.
(Saori) Olá, pessoal. Desculpem o atraso.
No burburinho ela distingue um "tudo bem" e um "não tem problema", e sorri, agora um pouco mais alegre. Depois, senta-se numa poltrona afastada e aperta o cinto. Uma comissária de bordo avisa que o avião já vai decolar e cada um dos rapazes vai para perto de sua respectiva mulher.
(Shiryu, beijando a testa de Shunrei) Voltei.
(Shunrei, meio desanimada) Oi, meu amor.
(Shiryu) Está enjoada?
(Shunrei) Estou um pouco. Não é nada demais. Posso aguentar.
(Shiryu) Tem certeza?
(Shunrei) Sim. Aguento.
Ele afivela o cinto nela e depois, o próprio.
(Shunrei) Depois que decolar, vou ver se consigo continuar a bordar a manta do bebê.
(Shiryu) Ah, vai ficar linda.
(Shunrei) É. Mas no ritmo que anda, ele nasce e eu não termino de bordar todo o enxoval.
(Shiryu) Tenho certeza de que você vai conseguir terminar.
(Shunrei) Assim espero.
(Shiryu, afivelando o cinto de Kiki) Então, rapazinho, animado para voltar a Atenas?
(Kiki) Muito! Vou ver o mestre Mu! E ainda tem a festa! Eu adoro festa!
Enquanto isso, três fileiras à frente deles...
(Pani, de olhos fechados) Ai, meu pai... vai subir... vai subir.
(Ikki) Tem medo de avião, Pani?
(Pani) Sim, senhor... Ai, meu pai. Ai meu pai... (agarra o braço de Pandora)
(Pandora) Não agarra com tanta força, Pani.
(Pani) Desculpa... ai, ai, ai.
(Pandora) Relaxa, Pani. Já, já acaba.
(Ikki) Já, já? Vai demorar horas! Se quiser, apago ela por algumas horas.
(Pandora) Do jeito que você é, capaz de matá-la acidentalmente e aí vamos ter que descer do avião direto para a delegacia.
E atrás de Ikki, Pandora e Pani...
(Seika) Nem acredito que vou ver meu Shakinha em algumas horas!
(Shina) Nem acredito que vou voltar para a minha casa!
(Seiya) Ué? Estava ruim lá em casa?
(Shina) Não, mas é que o Japão é um saco. Eu não entendia nada do que passava na tevê, não podia ler jornal, só quando você me trazia alguma coisa em inglês, isso sem falar que mesmo a comida que é boa, ainda é bem fraquinha. Vai ser bom voltar para a Grécia.
(Seiya) Mas quando eu voltar para Tóquio, você volta comigo, não volta?
(Shina) Eu não sei.
(Seiya) Pô, Shina! Se você não voltar, como é que eu fico?
(Shina) Ainda nem decolamos e você já está pensando na volta! Vamos dar tempo ao tempo, ok?
(Seiya) Tá... mas você volta para Tóquio comigo?
(Shina) Seiya, não seja chato!
Nas fileiras do lado oposto...
(June, ajeitando a gola da camisa pólo de Shun) Sobre o que tanto conversavam, lindinho?
(Shun) Nada demais. Só estávamos matando as saudades.
(June) E seu irmão, o que disse?
(Shun) Nada especial, June. Era só uma conversa normal.
(June) Sei...
(Shun) Sério. Por que a desconfiança?
(June) Duvido que ele não tenha falado mal de mim.
(Shun) Agora vamos apertar os cintos, sim?
(June, afivelando o cinto) Certo, meu lindinho. Não é legal a Agatha ir também?
(Shun) Ah, sim! Ainda mais que algumas meninas estão namorando dourados, né?
(June) Pois é! Futuras senhoras dos golds! Quem diria?
(Shun) Acha que sai algum casamento?
(June) Está brincando? Acho que saem todos!
(Shun) Ia ser legal um monte de casamentos!
(June) Inclusive o nosso!
(Shun) Ah, Ju, o nosso ainda demora.
(June) Infelizmente. Pelo menos, já estamos morando juntos.
(Shun) É. Pelo menos.
E à frente deles...
(Agatha) Apertem os sinto aí sem bagunça. Rose, precisamos conversar direito. Você senta aqui do meu lado.
(Rose, sentando-se ao lado da treinadora) Claro, Agatha. Pode falar.
(Agatha) Começa a contar direito sua história que ainda não engoli muito bem isso tudo.
(Rose) Foi exatamente como eu contei. Acreditei que ia voltar para os Estados Unidos com ele, me deixei levar pela conversa bonita, pela aparente riqueza dele.
(Agatha) Qual era o nome desse vadio?
(Rose) E adianta alguma coisa?
(Agatha) Nome?
(Rose) Não acredita, né? Acha que inventei esse drama para você me aceitar.
(Agatha) É, eu acho.
(Rose) Neil. Neil, ok?
(Agatha) Sobrenome?
(Rose) Eu não sei. Ele não disse.
(Agatha) Como é que você faz um filho com um cara de quem não sabe nem o nome completo?
(Rose) Eu fui uma idiota. Admito. Mas juro que não é mentira.
(Agatha) Certo, Rose, certo. Convenhamos que é uma história fantástica, mas eu vou acreditar em você.
(Rose) Fico muito grata.
Atrás delas, Angélica e Celina conversam.
(Angélica) Estou doida para ver meu Shurinha!
(Celina) Imagino. Com esse fogo todo que você tem...
(Angélica) Pois é, menina. Nem fale. Ando tendo uns sonhos estranhos...
(Celina) 'Estranhos' quer dizer 'eróticos'?
(Angélica) Fala baixo, maluca!
(Celina, rindo) Certo! Certo! Essas crianças de hoje em dia...
(Angélica) Desse Natal não passa, meu bem!
(Celina) Faz muito bem! Mande ver mesmo!
(Angélica) Vou mandar! Ai, se ele pedisse para eu ficar, eu ficaria na Grécia!
(Celina) Que ficar o quê, sua doida? Mal conhece o bofe!
(Angélica) Mas se ele quisesse eu ficaria mesmo! Às vezes a gente conhece uma pessoa desde pequenininha e depois descobre que não sabe direito quem ela é. E outras vezes conhecemos a pessoa apenas há algumas horas e já sabemos exatamente que ela é tudo que esperamos de alguém.
(Celina) Eu acho que isso é excesso de alisante no cabelo. Penetra no cérebro, sabe?
(Angélica) É nada! Se química fizesse mal, você já tinha pirado com tanta tinta vermelha.
(Celina) Quem garante que eu já não pirei de alguma forma?
(Angélica) É mesmo. Às vezes eu acho que você não bate muito bem...
As duas riem alto. Na fileira atrás delas...
(Violet) Estou tão animada, Lily! Vai ser legal ver a casa do Deba!
(Lily, meio desanimada) É.
(Violet) O que foi?
(Lily) Ah, você sabe que eu não gosto dessas festas. Todo mundo se diverte e eu acabo ficando num cantinho.
(Violet) Então você tem que começar a sair do cantinho, Lily!
(Lily) Não é tão fácil.
(Violet) É sim! Você vai ver, querida! Nessa festa você não vai ficar no cantinho! Quando colocarem música, vou puxar você para o meio do salão!
(Lily) Eu nem sei dançar, Violet. Vou dar vexame.
(Violet) Vai ter que aprender! (sussurrando) Mas mudando de assunto, Lily, e a Rose, hein? Ela fez a maior burrada...
(Lily) E como.
(Violet) Agora vai ter um filho! Nossa! Não me imagino tendo um filho agora, sabe? É surreal.
(Lily) Eu gostaria...
(Violet, perplexa) De ter um filho??
(Lily) É. Um filho seria alguém que eu amaria muito e que me amaria só por me amar. Ele me amaria para sempre e eu nunca ficaria sozinha. Ia ser muito bom.
(Violet) Nem fala uma coisa dessas! Filho não é brincadeira, Lily. E além do mais, você não está sozinha! Você tem a mim! E tem a Rose também, por pior que ela seja, ainda é nossa irmã.
(Lily) Mas um dia vocês vão se casar, vão ter suas famílias.
(Violet) E você também, ué? Você ainda vai achar um rapaz que te ame para sempre! Você vai ver!
(Lily) É, talvez...
S — — — — A- — — — I — — — — N — — — — T -- S — — — — E — — — — I — — — — Y — — — — A
Enquanto o pessoal viaja, os moradores do Condomínio Olympus já se eriçam por causa das visitas.
(Camus, na porta da casa de Milo) Já está sabendo da agitação?
(Milo) Que agitação?
(Camus) A festa de Natal aqui no condomínio.
(Milo) Ah, sim. Athena vem.
(Camus) Não só Athena. Os cavaleiros de bronze e as namoradas de Saga, Shura e Aldebaran também vêm. Chegam hoje à noite.
(Milo, tentando não demonstrar interesse) Ah, é?
(Camus) É. Shura já está lá ajeitando a casa com o criado. Aldebaran saiu com o índio para comprar coisas brasileiras para o jantar e Saga está que é só empolgação.
(Milo) Que bobos.
(Camus) A magrelinha também vem.
(Milo, tentando demonstrar indiferença) E eu com isso?
(Camus) Vai me dizer que não quer vê-la?
(Milo) Não quero mesmo. Para que quero ver uma mulher que me despreza? Quero as que dão pra mim.
(Camus) Está querendo enganar a quem? Dias desses você praticamente dispensou uma menina na faculdade.
(Milo) Eu não estava num dia bom.
(Camus) Sei.
(Milo) Você vai ficar participar da festa?
(Camus) Sim, por que não?
(Milo) Será que eu posso trazer umas gatas?
(Camus, balançando a cabeça) A que você quer vem sem que seja preciso trazer.
(Milo) Ah, você está chato hoje.
(Camus) É porque estou falando a verdade.
(Milo) Eu vou é dar um mergulho na piscina. Está muito quente.
(Camus) A sua cabeça é que está quente. Deve estar pensando nela. Quer que eu esfrie com um pozinho de diamante?
(Milo) Vai procurar o que fazer e me deixa em paz, ok?
(Camus) Eu realmente tenho o que fazer. Tenho que ajudar Horace a fazer o jantar para as visitas.
(Milo) Que visitas? Vai ficar alguém na sua casa?
(Camus) Shun e June.
(Milo) É?
(Camus) Eu convidei. Não lembra que Dohko disse que quem quisesse convidasse os cavaleiros para ficarem hospedados em sua casa?
(Milo) Mas você chamou logo o Shun?
(Camus) É. Hyoga não pode vir, então achei por bem convidar o Shun, que é um grande amigo dele.
(Milo) Grande amigo... você sabe o que falam...
(Camus) Aquela história da casa de Libra?
(Milo) Essa mesma.
(Camus) O pessoal inventa muita bobagem. Não tem nada demais no que aconteceu. Qualquer um faria o mesmo que o Shun fez.
(Milo) Eu não deitaria em cima de você, não!
(Camus) Nem para salvar a minha vida?
(Milo) Hummm... eu ia pensar um milhão de vezes antes de fazer isso... a fama é uma coisa muito preciosa para o homem.
(Camus) Muito amigo, você, hein?
(Milo) Faço o que posso. Agora deixa eu ir. Tchau, chato.
(Camus) Tchau.
Camus retorna para sua casa, enquanto Milo vai até a piscina, tira a camisa e mergulha de bermuda mesmo. Depois de algumas braçadas, mais alguém mergulha.
(Máscara da Morte) O que é que há? Você nunca vem aqui sozinho.
(Milo) Quero pensar.
(Máscara) Sobre?
(Milo) Coisas... Já sabe da festa de Natal?
(Máscara) Ouvi alguma coisa sobre a deusa vir, mas não estou por dentro. Estou me lixando para o Natal. Quero é que o Papai Noel se exploda.
(Milo) Por falar nisso, será que alguém vai se vestir de Papai Noel?
(Máscara) Se alguém fizer isso, eu mato o infeliz. É atestado de idiotice e idiotas não merecem viver.
(Milo) Está sabendo que os cavaleiros de bronze também vêm, inclusive seu "amado" Shiryu.
(Máscara) Puta que pariu! Vou arrumar minha mala e me mandar para a Itália!
(Milo) Imaginei que você diria isso.
(Máscara) Mas eu vou mesmo! Já bastou eu ter ido ao casamento daquele mané. Aguentar ele e a tonta da mulher dele no Natal não dá.
(Milo) Aqui estamos no nosso território. Os cavaleiros de bronze são convidados.
(Máscara) É, mas ele é o queridinho do chinês. Vai ficar posando de "filho do mestre".
(Milo) Não sei porque você se incomoda tanto. O rapaz mal olha para você.
(Máscara) Chatos em geral me incomodam. Mas então, no que pensava? Acabou mudando de assunto.
(Milo, saindo da piscina) Pensava em mudar de vida. Mudar mesmo.
(Máscara) Mudar como?
(Milo) Mudando. Vou para casa. Até mais.
(Máscara) Até... (consigo) Eu, hein, o Escorpião está esquisito.
Na casa de Dohko...
(Dohko) Quero a casa bem limpa e arejada para os dois, Arvanitakis.
(Arvanitakis) Sim, senhor. Deixarei tudo em perfeitas condições.
(Dohko) Ótimo, ótimo. Arrume tudo.
(Arvanitakis) Pode deixar. Devo fazer algo especial para o jantar?
(Dohko) Sim, sim. Prepare algo especial, mas bem leve.
(Arvanitakis) Sim, senhor.
(Dohko, pensativo) Arvanitakis, acha uma má idéia eu me vestir de Papai Noel? Seja sincero.
(Arvanitakis) Bom, acho que sim. É uma festa para adultos, senhor...
(Dohko) É, eu sei, mas seria divertido eu chegar de Papai Noel e distribuir presentes. Ficaria engraçado.
(Arvanitakis) Engraçado ficaria mesmo.
(Dohko) Vou pensar direito nisso.
(Arvanitakis, tentando não rir) O senhor é quem sabe...
Muitas horas depois. (1)
Os dourados se reúnem em frente à casa de Dohko para esperar os visitantes.
(Dohko) Estão atrasados. Já deviam ter chegado.
(Aldebaran, nervoso) Será que aconteceu alguma coisa?
(Shura) Não seja pessimista. Não aconteceu nada.
(Aldebaran) Mas e se tiver acontecido?
(Saga) Cala essa boca, Touro.
(Kanon) Se tivesse acontecido algo, já saberíamos. Quando cai um avião dão logo a notícia no rádio.
Dohko, Shura, Saga e Aldebaran olham para Kanon.
(Dohko) Melhor você ficar calado também.
(Saga) É melhor mesmo. Quer voltar pro cabo Sunion, quer?
(Kanon) Está pensando que ainda é o mestre, é? Esqueceu de tomar o remédio?
(Saga) Ora, seu infeliz!
(Aldebaran) Estão chegando!!
Sete carros param um atrás do outro. Saori sai do primeiro deles e os dourados fazem uma pequena reverência. Ela sorri.
(Saori) Esqueçam isso. Você nem imaginam quanto eu tenho me sentido humana nos últimos meses.
(Dohko) É o hábito. Como vai?
(Saori) Eu acho que posso dizer que estou bem.
(Dohko) Certo. (ao ver Shiryu e Shunrei saírem do segundo carro, acompanhados de Kiki) Bom, vou lá ver Shiryu e Shunrei.
(Saori) Vá. Vá ver seus queridos.
(Shiryu e Shunrei) Mestre!
Dohko aproxima-se e os três se abraçam. Depois, Kiki atravessa a rua e corre até Mu.
(Kiki) Mestre Mu!
(Mu) Olá!! Como está a vida com a nova família?
(Kiki) Muito bem! Tirando o fato de Shiryu querer me colocar na escola.
(Mu) Pois se você estivesse comigo também teria de ir! Agora não estamos mais em Jamiel, não tem mais desculpa.
(Kiki) Todo mundo contra mim, né?
(Mu) Todo mundo a seu favor. Queremos que você tenha um bom futuro.
(Kiki) Sei...
(Eiri, sorrindo) Olá, Kiki!
(Kiki) Olá, Eiri. Tudo bem?
(Eiri) Tudo ótimo.
Ikki e Pandora descem do terceiro carro, acompanhados de Pani, que está visivelmente aliviada por ter chegado sã e salva.
(Ikki) Chegamos nessa porra. Até que enfim, né, Pand?
(Pandora) É, né?
(Ikki) Que foi?
(Pandora) Ah, sei lá... preferia ter ficado em Tóquio com você.
(Ikki) Agora que você diz isso?
(Pandora) Deixa. Já viemos.
Os dois, seguidos por Pani, aproximam-se de Kanon.
(Ikki) Olá, Kanon.
(Kanon) Olá.
(Ikki) A Pandora você já conhece.
(Pandora) Oi.
(Kanon) Oi.
(Ikki) A outra é a Pani, nossa empregada.
(Kanon) Ah, olá, Pani.
A mocinha responde com um sorriso tímido.
(Kanon) Bom, vamos lá para casa. O criado fez um jantar. Só não sei se está bom. Ele não é lá um grande cozinheiro.
Do outro lado da rua, ainda dentro do carro...
(Shina) Bom, chegamos e eu vou para a minha casa.
(Seiya) E eu vou junto, claro! Sou seu namorado!
(Shina) Tá, tá, você fica lá em casa.
(Seiya) Eba!!!
(Seika, saindo do carro) Shakinhaaaaa!!!!!!!
(Shaka, aproximando-se) Olá, Seika!
A moça pula em cima do cavaleiro, que a segura meio sem jeito.
(Shaka) Como foi a viagem?
Seika não responde. Beija Shaka com fervor, deixando o rapaz desconcertado.
(Shaka, depois do beijo) Seika, estamos em público.
(Seika) E eu com isso? Quero é beijar muuuitoooo!
Seiya e Shina saem do carro e cumprimentam Aiolia.
(Shina) E a Marin?
(Aiolia) Está em casa. Mas ela mandou convidá-los para jantar conosco e disse que não aceita um não.
(Seiya) Nós vamos sim! Boca livre é comigo mesmo! Além do mais, estou com saudades dela!(gritando) Seikaaaaa!
(Seika, agarrada ao pescoço de Shaka) Que é?
(Seiya) Vamos jantar na casa da Marin, você vem conosco?
(Seika) Eu não! Vou jantar com meu namorado, claro!
(Seiya, fazendo uma careta) Não sei como você aguenta esse ser meditador.
(Shina) E eu não sei como ele aguenta a sua irmã.
(Seiya) Pô, ela é doida, mas é minha irmã!
(Shina) Tá, tá! Aiolia, vamos passar lá em casa, deixar as coisas, e depois aparecemos para o jantar.
(Aiolia) Certo. (com uma expressão de insatisfação) Ah, Marin disse que chamassem o Orfeu.
(Shina) Chamarei. Até daqui a pouco.
(Aiolia) Até.
Shun e June são recebidos por Camus.
(Camus) Sejam bem-vindos!
(Shun) Obrigado! Tem certeza de que não incomodaremos?
(Camus) De forma alguma. Meu assistente já preparou o quarto, e fizemos um jantarzinho especial.
(June) Hum... que chique!
(Camus) Obrigado. Bom, vamos lá?
(Shun) Claro. E o Hyoga?
(Camus) Falei com ele há alguns dias. Não poderá vir.
(Shun) Ah, que pena.
(Camus) Pois é. Seria bom tê-lo aqui.
Agatha sai de um dos carros, acompanhada de Rose, Lily e Violet. A última corre até Aldebaran.
(Saga, abraçando e beijando Agatha) Ah, que maravilha ter você aqui.
(Agatha) É, também acho. Eu estou precisando dar um tempo em tudo, sabe? As meninas também precisam. Vai ser bom passar esses dias aqui.
(Saga) Vai ser ótimo. E quem sabe vocês até ficam?
(Agatha) Não seja apressado. (sussurrando) E sobre aquele nosso assunto? Novidades?
(Saga) Ainda não. Mas estou no rumo certo.
(Agatha) Ótimo. Estou bastante esperançosa.
(Saga) Eu vou encontrá-la.
(Agatha) Confio em você.
(Saga) Agora vamos lá para a minha casa. Aposto que vocês estão cansadas.
(Agatha) Bom, estamos sim, mas acho que só quem vai para sua casa sou eu, Celina e Rose, talvez a Lily, se ela quiser se separar da Violet, mas acho difícil que ela queira. Sim, porque a Violet deve ficar com o namorado grandalhão e Angélica com o espanhol.
(Saga) E você vai deixar?
(Agatha) O que é que eu posso fazer? Se eu proibir elas pulam a janela à noite e vão.
(Saga) Bom, tem razão.
Violet e Aldebaran trocam um longo beijo. Feijoada late alegremente aos pés do dono.
(Aldebaran, afagando a cachorrinha) Violet, essa é a Feijoada.
(Violet, também afagando-a) Ah, ela é uma fofa. E parece que gostou de mim.
(Aldebaran) Gostou, sim! (abraçando Violet) Estava com muitas saudades.
(Violet) Eu também, baixinho. Tenho tanta coisa pra te contar!
(Aldebaran) E eu também tenho. Ehr... você pode se hospedar lá em casa?
(Violet) Não falei com a Agatha ainda, mas acho que ela deixa sim.
(Aldebaran) Tomara que sim! Mandei arrumar o quarto de hóspedes para você.
(Violet) Ah, que fofo! Será que a Lily pode ficar lá também?
(Aldebaran) Claro, minha violetinha. Como você quiser.
(Violet) Ótimo!! Vem, Lily! Vamos ficar lá na casa do Debinha!
(Lily, olhando discretamente para onde Milo está) Hã? Ah, sim.
Milo também olha para ela e os olhares cruzam-se rapidamente, fazendo a moça corar.
Enquanto isso, Shura abre a porta do último carro para Angélica. Os dois abraçam-se e beijam-se.
(Shura) Parece que se passou uma eternidade desde que estive em Tóquio.
(Angélica) Não é? Também acho!
(Celina, saindo do carro) Ih... eu que não vou ficar segurando vela. Tchauzinho.
(Shura) Mandei o Gus arrumar a casa e preparar comida mexicana para nós.
(Angélica) Hummmm... mexicana é? Com muita pimenta?
(Shura, sussurrando ao ouvido dela) Muita pimenta... vai pegar fogo de tão quente...
(Angélica) Ai, não fala assim...
(Shura, ainda sussurrando) Estou louco para ficarmos sozinhos...
(Angélica) Ai, meu pai, esse espanhol quer me matar.
(Shura, rindo) Só um pouquinho. Vai lá para casa?
(Angélica) Se a Agatha deixar... (sussurrando) Se ela não deixar, eu fujo.
(Shura) Fugir é uma ótima idéia.
(Angélica) Vamos lá para a sua casa. Se ela quiser que eu fique na casa de Saga, ela manda alguém me chamar. (sussurrando) Aí você me sequestra e fugimos juntos.
(Shura) Está combinado. Fugimos num cavalo branco.
(Angélica, rindo) Que romântico. Mas eu preferia que fosse num carro mesmo.
Enquanto isso, Dohko, Shunrei, Shiryu e Saori conversam na sala da casa do mestre.
(Saori) Como estão os preparativos para a festa?
(Dohko) Contratei um bom restaurante para fazer a comida e uma empresa decorará o ginásio. Cogitei fazer a festinha do lado de fora, no gramado, mas está frio. Não é conveniente.
(Saori) Ah, sim, melhor lá dentro. Fico feliz que já esteja tudo pronto. E já que é assim e que estão todos acomodados, eu tenho que ir.
(Dohko) Não vai jantar conosco?
(Saori) Infelizmente não. Prometi ir direto para a casa do meu noivo.
(Dohko) Ah, sim... o noivo...
(Saori) É. Ficarei lá com ele. Mas a ceia de Natal será aqui com vocês. Isso já está certo.
(Dohko) Que bom. Você vai adorar a festinha.
(Saori) Tenho certeza que sim! Até a ceia, então.
(Dohko) Até.
(Shunrei) Até, Saori. Se precisar de alguma coisa, telefone.
(Shiryu, intrigado) É.
(Dohko, também intrigado) Sim, a senhorita tem o número daqui de casa?
(Saori) Não.
(Dohko, anotando num papel) Aqui está.
(Saori) Obrigada.
Saori deixa a casa. Dohko e Shiryu voltam-se para Shunrei.
(Shunrei) O quê?
(Shiryu) Não entendi. Por que falou para ela telefonar?
(Shunrei) Achei que ela podia precisar de uma amiga.
(Dohko) Fez bem, querida. Agora vamos jantar, né? O pequeno aí não está reclamando?
(Shunrei) Na verdade, não. Ele já reclamou bastante durante o vôo. Fiquei enjoada. Agora já passou, mas não estou com fome.
(Shiryu) É, mas vai ter que comer alguma coisinha. Já faz tempo que você não come nada.
(Shunrei) Certo... eu vou comer... não tem jeito mesmo.
(Shiryu, rindo) Boa menina.
S — — — — A- — — — I — — — — N — — — — T -- S — — — — E — — — — I — — — — Y — — — — A
O motorista de Saori chega à mansão de Julian Solo, lugar que ela já conhecia desde o fatídico aniversário do rapaz. Ele a recebe na porta, com flores exóticas e presentes.
(Saori, antes de sair do carro, pensando) Vamos lá para o sacrifício.
(Julian, abrindo a porta do carro para ela) Minha amada. Como esperei pelo momento de tê-la outra vem em minha casa, agora como minha noiva e, espero que em breve, como minha esposa.
(Saori) Olá, meu querido.
Continua...
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