Escuro
1 Acabando
Vagava pela rua, acabara de sair do trabalho, pasta na mão, sobretudo que não adiantava muito naquele dia frio. As ruas estava totalmente desertas, justamente por estar um dia frio e uma garoa fina, quase nebulosa. As luzes noturnas da cidade estavam me incomodando, mas tinha de voltar para casa. Me sentia meio decepcionado de não ter ninguém em casa para me esperar, mas também me confortava de não fazer ninguém sofrer. Sim, eu tinha uma vida dupla, embora ninguém sabia, apesar de que não faria a minima diferença, já que eu não valia nada para o mundo mesmo.
Ao virar a esquina, entrei numa rua deserta, as luzes estavam fracas e ia diminuindo de intensidade a cada passo meu. Algo me observava, já de muito longe observava. Não eu já não tivesse percebido, estava esperando para ver até onde iria aquilo. Abri a pasta que carregava, andando, tirei de lá uns papéis, que molharam com a chuva, e joguei-os no chão. O que ou quem me observava se aproximou mais um pouco, eu já sabia, então, onde estava. Não deveria ser um perseguidor muito experiente, mas seus movimentos leves confundiriam qualquer um.
Parei por um momento, encostando no poste, a luz piscava, seus picos iluminavam o outro lado da rua, embora suas dimuidas mau me iluminavam embaixo dele. O perseguidor parou. Desabotoei os quatro últimos botões do sobretudo, deixando aberto até a altura da cintura e indaguei a quem quer que estivesse ouvindo:
- Você quer alguma coisa?
Algo se aproximava pelas minhas costas, com cautela, não queria que eu percebesse.
- Pare, já percebi.
Um silêncio ecoou pela rua. O sinal do perseguidor desapareceu.
Olhei para trás, mas logo o perseguidor apareceu na minha frente, rapidamente me virei e saquei a arma, apontando-a para o que era.
- Ora, ora. Uma FGX? Você não faz dos tipo caçadores.
A luz estava muito fraca, não conseguia ver o rosto dela, sim, uma voz delicada de uma mulher, mas também aterrorizante como a de uma assassina.
- Parece que hoje não é um dos seus dias de sorte. -disse.
- Parece pra você?
A luz voltou ao normal, ela era da raça que controla o fluxo de energia, não tive duvidas.
- Para mim parece que a comida de hoje está muito boa. -disse ela lambendo os lábios, pude ver suas presas aparecendo.
- Se é do tipo Manipuladora, por que não percebeu que eu era um caçado? -perguntei ainda com a arma apontada para ela.
- Digamos que eu estava de regime e resolvi quebra-lo hoje.
- Haha, sem gracinha, responda logo.
- Hm, além de ser um gato é do tipo durão? Adoro o tipo durão.
- Não foi isso que eu perguntei.
- Você tem o selo, esqueceu? -disse apontando para o meu peito.
É eu realmente deixei passar esse detalhe, nenhuma criatura do tipo sensorial poderia me rastrear.
- E então, devo te matar agora?
- Ahh, por que? Nos conhecemos agorinha de pouco...
- Mais um passo e essa redondeza irá se encher de cérebro de vampiro.
- Hm, é mesmo do tipo durão né?
- Só faço o que tenho que fazer.
- Bom, queria pagar pelo seu trabalho.
- A Fraternidade não aceita pedidos de caça, me desculpe.
- Eu poderei te dizer onde ficam outras criaturas, te dar dinheiro, além de te dar várias outras coisas... -disse passando a mão pelo corpo.
- Por que não foi pedir isso na Sede? Veio até mim, porquê?
- Acha mesmo que eles aceitariam uma vampira entrar lá e dizerem: "Ok, vamos ajudá-la afinal somos bonzinhos", claro que não bobinho, vim até você por acaso, digo, por causa da sua beleza. -disse ela em tom irônico.
- Me de um motivo que eu te ajude e não exploda sua cabeça aqui e agora.
- Já vi que com você não tem conversa mesmo... Primeiro vamos manter a calma -as presas dela recuaram- e conversar.
Baixei a arma, mas já a deixando preparada por incovenientes.
- Diga, te dou 5 segundos.
- Estou com sua irmã.
- Haha, não tenho família. -disse apontando a arma novamente pra ela.
- Não que você saiba. Como acha que eu te achei?
Sim, fazia sentido. O cheiro do sangue de um familiar é idêntico a de outro da mesma família.
- Ok, você pega minha irmã, me acha, e pede meus serviços, para quê?
- Para ajudar a destruir minha família.
- Aham, e porquê?
- Você só pergunta "porquê?"...
- Responda.
- Tudo bem, eles querem dominar a raça, e logo que chegarem ao topo, irão destruir todos os outros, aliados ou não.
- E você vai me ajudar?
- Sim.
- Primeiro minha irmã, depois a resposta da proposta.
- Como queria cavalheiro. Aceita o vale transporte?
- Não tem outro jeito mesmo...
Ela poderia me levar até uma emboscada com o teletransporte dela, mas mesmo assim eu não tinha nada a perder, e também aumentaria e muito as minhas estatísticas em algum caso de emboscada...
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