Anteriormente:

Nessa hora eu reparei que ele estava com lentes de contato azul. O azul lhe caía bem.

–Seus olhos estão lindos. -comentei.

–Posso sempre usar essas lentes. Só pra você.

E de repente por impulso, eu pedi:

–Alec, me beija.

Agora:

–Desculpe, mas não posso. –Alec falou me surpreendendo.

–Porque não?

–Porque você está com o Seth.

Eu não estou com o Seth. Agente só fica algumas vezes. Mas como ele sabe disso?

–Eu não estou com o Seth. –falei em um tom defensor.

–Any, eu sou Alec Volturi.

–E...?

–E... eu sei de tudo o que acontece.

Como ele ousa a me acusar desse jeito? E além de tudo é convencido.

–Acredita em mim. Eu não estou com ele. Agente só... fica às vezes. Não é nada de mais.

–Mas ele sabe disso? –ele falou olhando para a pulseira que Seth havia me dado.

–Isso foi só um presente.

–Um presente que vale mais de bilhões de dólares.

–O que? Nada disso. Seth não comprou. Ele fez.

Ele riu sem achar graça.

–Você não entende? Ele fez essa pulseira pensando em você. E fez com todo o amor. Isso aqui, -ele pegou meu braço, e fez eu olhar para a pulseira- vale mais do que todo o dinheiro do mundo. Porque foi dado com o coração. E isso não tem preço.

Fiquei olhando a pulseira por um bom tempo, até que ele tornou a falar:

–Você o ama.

–Não. Eu... Bom, sim, eu o amo, mas não tanto quanto amo você.

Achei que ele ia ficar feliz por eu dizer que o amo, mas ele não demonstrou nenhuma emoção.

–Se não der certo entre eu e você, pelo menos ainda tenho o Seth.

–Está usando ele como um plano B? –ele perguntou indignado. –Isso é a prova de que você não vale nada.

Ele se levantou para sair, mas antes falei:

–Alec, eu te amo.

Ele olhou para mim, e falou ríspido:

–Azar o seu.

E então saiu do quarto, fechando a porta bruscamente.

Senti-me vazia. E o que ele disse sobre mim, começou a fazer sentido. Eu não valho nada. Sou uma idiota. Mas mesmo que isso seja verdade, doeu muito ouvir isso... Ainda mais dele.

Eu não acredito que eu fui burra em falar “eu te amo” logo agora.

“Azar o seu”? Será que ouvi bem? Então agora tudo faz sentido. Ele não me ama.

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De manhã, eu decidi que já era hora de sair do quarto. Mas antes, resolvi ligar para Seth, e acabar com isso de uma vez por todas. Eu precisava parar de usar ele.

Depois de três toques ele atendeu.

–Oi. –ele falou com uma voz rouca.

Eu estava nervosa. Eu não iria conseguir magoar Seth desse jeito. E além disso, eu amo ele. Talvez não do jeito que ele quer, mas o amo. E eu não suporto a idéia de ficar sem ele. Mas era preciso. Estou fazendo isso por ele.

–Seth...

–Aconteceu alguma coisa? –ele perguntou preocupado com o meu tom de voz cheio de tristeza.

–Na verdade sim.

–Me conta. Deixa eu te ajudar.

Ele é fofo demais. E eu precisava ser dura com ele.

Mudei meu tom de voz, e falei firme:

–Seth, eu lhe peço que não crie qualquer expectativa. Nunca vamos ter algo. Você é um lobo. E eu uma vampira. Isso não vai rolar.

–O que está dizendo? Porque está falando isso?

–Eu não gosto de você. Nunca gostei. Tudo não passou de fingimento. Eu só queria esquecer o Alec, mas a verdade é que eu nunca vou esquecê-lo. Eu amo ele. E nunca vou amar você. Você me pareceu fácil demais, e eu sabia que você tem um imprinting por mim. Você nunca ia me negar. Você iria me consolar, me animar, me ajudar... E isso era tudo o que eu precisava naquele momento. Mas não preciso mais de você. Cheguei a uma conclusão que tudo o que eu faço, vou estar pensando em Alec. Sinto muito por te magoar, você não merecia isso. Mas era a única forma de eu tentar me recuperar. Não me procure mais.

Antes que ele falasse alguma coisa, desliguei.

Eu queria chorar. Porque fiz isso com Seth? Ele vai me achar uma estúpida, e sem valor, assim como Alec me chamou algumas horas atrás.

Pelo menos, parei de usar o Seth como plano B.

Saí do quarto, e olhei para o corredor.

Não havia ninguém.

Olhei para o meu quarto, e as lembranças da noite passada voltaram quando vi a porta arrombada.

Tentei ouvir algum som naquela casa. Mas não ouvi nada. Não havia ninguém.

Ouvi a porta da frente abrindo. Alguém estava entrando. Só queria saber quem.

Os passos estavam na escada nesse exato momento.

E de repente ele entrou meu campo de visão.

Quando me viu, correu até mim, e me abraçou.

–Desculpe. Desculpe pelo que disse a você. –Alec começou a suplicar.

–Não. –falei fria.

Ele se afastou, e sua expressão era de dar dó.

–Eu entendo. –ele falou.

Ele virou em direção da escada, e já estava indo embora, quando eu chamei:

–Alec.

Ele olhou para mim, e eu falei:

–Estou brincando.

Ele riu e tornou a me abraçar.

–Eu liguei para o Seth. –falei.

Ele se afastou e olhou para mim, esperando eu continuar.

–E fui uma estúpida. Fiz ele me odiar. Ele nunca mais vai querer saber de mim.

–Any... Você não precisava fazê-lo odiar você. Você podia conversar com ele numa boa.

–Não podia não. Se eu fosse gentil, ele ainda ia gostar de mim. E eu não quero que ele se machuque.

Alec suspirou.

–Você já o machucou há pouco tempo atrás. Provavelmente muito. Quaisquer que tenham sido suas palavras.

–Caramba. Eu sou um monstro.

–Sim, você é.

–É isso o que você acha de mim? –perguntei desapontada.

–Sim. Você é minha monstrinha. Você sabe disso.

Ele observou minha expressão se suavizar, e depois sorriu. Mas logo o sorriso se desfez.

–Você precisa falar com ele pessoalmente. Falar a verdade. Mas antes... Pense no que você realmente quer.

–O que você está querendo dizer? –perguntei. Mas eu já sabia o que ele queria dizer.

–Sua escolha. Faça a escolha certa, para depois não se arrepender.

–Eu quero você. Não tenho dúvida disso. –falei decidida.

Mas e como ficaria o Seth? Eu me importo muito com ele. Eu não quero que ele sofra. Ele tem um imprinting por mim... E dispensá-lo, iria deixá-lo arrasado. Ele não teria mais razões para viver. E se ele tentasse se matar?

Fechei os olhos só de pensar nisso.

Eu amo ele. E se ele tentasse se matar, eu iria querer morrer também.

Estremeci.

Alec olhou para mim com a testa franzida.

–Aconteceu alguma coisa? –ele perguntou colocando uma mão no meu ombro.

–Nada. –tentei sorrir.

Ele apertou os olhos. Ele estava desconfiado. Eu às vezes odeio a idéia dele me conhecer tão bem. Eu não posso esconder nada dele.

–Você viu minha família? –perguntei mudando de assunto.

–Eles foram embora. Não te avisaram?

–Como assim?

–Eles querem que você passe um tempo com as Denali. Depois eles vêm te buscar. Achei que eles lhe falaram isso.

–Não.

–Ah... Não se preocupe. Eles vão ligar mais tarde. Tenho certeza.

Assenti.

Logo Tânya apareceu.

–Any. Você está bem? –ela perguntou preocupada.

–Estou melhor.

Ela sorriu.

–Vocês querem dar uma volta? Há um lugar lindo que vocês podem ir.

–Eu sei onde é. –Alec falou.

–Então vamos. –falei já me animando.

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Alec me levou até uma montanha. Realmente era lindo. Dava para ver tudo. Um vista simplesmente maravilhosa. A neve estava por toda parte.

Alec estava com a cabeça em outro lugar. E para chamar sua atenção, eu o cutuquei e depois saí correndo.

–Me pegue. –gritei.

Eu corria o mais rápido que eu podia. E Alec estava bem atrás mim. Ele era bem mais rápido que eu, por isso, ele logo me alcançou. E quando fez isso, ele me derrubou no chão, ficando por cima de mim.

–Peguei. –ele falou vitorioso.

–Eu acho que não. –falei, e tentei sair debaixo dele.

Mas não aconteceu o que eu queria. Acabamos rolando várias e várias vezes pela neve.

Se eu fosse humana, estaria tontinha.

Acabei ficando sentada nele, e falei:

–Eu que peguei você.

Ele sorriu de lado.

–Okay Cullen. Você venceu.

Estávamos cheios de neve.

Sorri, e saí de cima dele. Nós nos sentamos lado a lado, e ficamos olhando a vista.

–Então... Esse vai ser nosso lugar? –perguntei.

–Não sei. Por quê?

–Todo casal tem um lugar só dele. –expliquei.

–Somos um casal? –ele perguntou em um tom de voz sensual.

–Claro.

–Você vai me pedir em namoro? –ele perguntou tentando ficar sério.

–Você é quem deveria me pedir.

–Eu não sou desses, Cullen. Vai ter que se contentar em ficar sem o pedido.

–Isso não é romântico. –falei de brincadeira.

–Eu acho isso um pouco... Velho de mais. Estamos no século XXI.

Não consegui disfarçar minha expressão de desapontamento.

Alec percebeu, e logo ele começou a brincar com algumas madeixas do meu cabelo.

–Ficou triste? –ele perguntou.

–Um pouco desapontada.

Ele sorriu.

–Por que está sorrindo? –perguntei brava.

–Porque você caiu direitinho. –ele riu alto.

–O que? –eu estava confusa, e esperei ele explicar.

–Eu sou antigo. Muito antigo. Acho que você já sabe. Nasci antes de 800 d.C. Já fui da época do cavalheirismo, e sei muito bem me portar como tal. Já vivenciei até a época dos casamentos arranjados.

–Mas como você disse, já estamos no século vinte e um. E o cavalheirismo está desaparecendo cada vez mais.

–Isso porque os homens não são os mesmos daquela época. Mas eu pertenço àquela época. As moças saíam com seus melhores vestidos, e atraíam os homens com o olhar. Os homens abriam a porta para elas, puxavam a cadeira, beijavam-lhe as mãos, e até... Faziam o pedido de casamento. Mas no nosso caso, um pedido de namoro. –ele sorriu para mim, e completou- Ainda.

E nesse momento, Alec levou sua mão ao bolso do sobretudo preto. E de lá... Ele tirou uma caixinha.

Arregalei os olhos.

Ao ver meu rosto, Alec riu.

Eu já estava gritando mentalmente para ele abrir a caixinha.

E como se ele pudesse ler minha mente, ele abriu.

O anel era perfeito. Tinha a cor prata, e uma pedrinha de diamante.

–Rauany Carlie Cullen, você quer...?

–Sim, sim, sim. Claro que sim. –eu explodi em emoção.

Com um sorriso enorme, ele colocou o anel em meu dedo.

Aquele era o nosso momento. E ninguém podia nos tirar.