–Ed. — o chamei.

–O que foi? Quer que eu tire o seu cinto?

Eu estava atordoada demais para responder. Ed desprendeu meu cinto com cuidado.

–Vem. –Ele segurou minha mão, e me acompanhou para fora do brinquedo.

Ele ficou me encarando.

–Foi você, não foi? –perguntei irritada.

–O que eu fiz?

–Não se faça de inocente.

–Bella, eu não tenho a menor idéia do que você está falando.

–Ah, esquece. –Porque eu estava culpando ele? –Que horas são? –pergunto querendo mudar de assunto.

–Cinco da tarde.

Arregalo os olhos.

–Está na hora de irmos embora. –me desespero.

–Calma Bella. –se recomponha primeiro.

Sentamos em uma mesa de plástico. E o silêncio tornava-se constrangedor.

–Você quer um sorvete? –ele ironizou.

–Você não perde o censo de humor. – digo. –Ed, eu queria dizer uma coisa.

–Fale. –ele ficou sério.

–Eu tive um marido...

–O que? Você teve um marido?

Apontei para o anel em meu dedo, como resposta.

–Bella, quantos anos você tem?

–Dezoito.

–E quantos anos você tem, de verdade. Você sabe... Se ainda fosse humana.

–Vinte e um.

–Eu não acredito que você é viúva. E porque você se casou tão cedo?

–Isso não vem ao caso agora. Enfim, eu queria te contar que, você é... Exatamente... Bom, não exatamente, mas...

–Diga logo. –ele pediu.

–Bom, você se parece muito com meu marido falecido.

–Ele morreu então? O que aconteceu? Quero dizer... Sinto muito.

–Foi em uma guerra entre vampiros. A guerra era por minha causa. Por isso acho que se eu nunca tivesse existido, ele nunca teria morrido.

–Bella, não se culpe. Eu acho que ele não pensa a mesma coisa. Ou pensaria. Pois se você nunca tivesse existido, ele viveria para sempre sem um dia feliz ao seu lado. Acho que ele estaria mais que agradecido por ter, pelo menos, um tempo ao seu lado. –Talvez ele tenha razão. Mas não foi justo ele morrer por minha causa. — Termine o que você começou a falar. Você disse que ele se parecia comigo?

–Sim.

–Que estranho, mas o que você quer que eu faça?

–Nada. Só estou dizendo que, é estranho o modo que se parecem tanto. E eu queria confessar que... Da mesma forma que me sentia com ele, que eu me sentia ligada a ele, eu sinto com você também.

Ele enrugou a testa. Parecia estar raciocinando.

–Bella, quando você disse que ele morreu?

–Não disse.

Ele olhou para mim, esperando que eu dissesse.

–Foi há três anos. –digo por fim.

Esperei que ele dissesse alguma coisa. Eu praticamente acabei de confessar o que sinto perto dele.

–Eu tenho que ir. –Ele disse se levantando.

–Espera. Aonde vai?

–Eu não sei. –Ele parecia estar sem foco.

–Vou chamar os outros, para irmos embora. –digo decidida.

–Tudo bem. Eu espero.

*******************************************************************************************

Eu estava no meu quarto do hotel. Já era madrugada, e eu estava definitivamente sem nada para fazer.

Eu peguei um livro para ler, e já estava acabando quando escuto batidas em minha porta.

Abro-a e tenho uma surpresa.

–O que está fazendo aqui? –pergunto.

Os olhos de Ed estavam sem foco. E ele não me respondeu.

–Ed?

Ele entrou no meu quarto sem permissão.

–Ed, você é sonâmbulo. –afirmo. Eu não devia ter dito o nome dele.

–Não. –ele responde com uma voz arrastada.

–O que está fazendo? –pergunto ao ver ele deitando em minha cama.

Ele resmunga baixinho algo enrolado, mas se eu consegui entender bem, foi... “Não me confunda com ele”.

Aproximei-me da cama.

–O que? –perguntei.

–“Lembra de mim?” – ele novamente falava com a voz arrastada.

Ah, era só o que me faltava. Tem um aluno deitado na minha cama, e não quer sair mais.

–Volte para seu quarto. –peço.

–“Não.”

De novo alguém batia na porta.

–Oi. –digo abrindo a porta.

–Está com algum problema? –O homem que devia ser algum funcionário do hotel, perguntou.

–Porque eu estaria com problemas? –tentei disfarçar.

–Eu escutei vozes vindas daí de dentro.

–Eu falo sozinha. Ás vezes é bom falar sozinha. Você liberta o que está sentindo. Você já tentou?

–Não, senhora. Eu já vou indo.

É, provavelmente ele me chamou de louca mentalmente.

Fechei a porta, e fui até minha cama, parando em pé ao lado dela.

–Você tem que voltar para o seu quarto.

Ele não respondia. Parece que já estava dormindo.

–Ed. – cutuquei seu braço.

Ele se remexeu e parou de lado, virado na minha direção.

Ele parecia tão sereno. Dormia tão tranquilamente, que tive dó de acordá-lo. Em algum momento durante a observação, meus olhos foram parar em seus lábios vermelhos. E eu confesso que tive vontade de experimentá-los.

Desviei meus olhos antes que pudesse fazer alguma besteira.

Apaguei a luz e sentei na cadeira do computador. Liguei meu laptop e percebi que havia um e-mail de Alice, que foi enviado há três horas. Porque ela está me mandando e-mail? Ela podia ter me ligado.

“Bella,

O que aconteceu com o seu celular? Estou tentando te ligar e toda vez cai na caixa postal. Vê se dá um jeito nele, imediatamente. Preciso falar com você.

PS: Não pode ser por e-mail.”

O que ela queria falar comigo, que é tão importante?

Peguei meu celular no bolso do meu jeans. E... Ele estava descarregado. Que ótimo.

Coloquei para carregar e liguei para Alice.

–Bella, o que aconteceu? –Alice já foi perguntando.

–O celular estava descarregado. Desculpe.

–Que seja. Escuta, eu tive uma visão.

–Diga Alice.

–Ed neste momento deve estar em sua cama. –ela disse.

–Sim. Essa era a sua visão? Obrigada por me avisar, mas eu já sabia.

–Era sim minha visão, mas não era isso que eu queria dizer.

–Então fala logo, Alice.

–Você está louca? Dê um jeito de despachar logo esse garoto daí. Se alguém pegar ele, você estará demitida da escola. E aí, adeus distração. Adeus Ed.

–Você acha que eu não tentei?

–Eu sei que tentou. Mas você ficou com dó. Você está fazendo besteira por estar atraída pelos lábios perfeitos dele.

–Alice. –digo irritada. –Não são sós os lábios, mas ele todo. Porque ele tinha que ser tão perfeito?

Ai, não acredito que acabei de falar isso.

–Quero dizer... –tento retirar o que disse.

–Eu sei como se sente. Não fique envergonhada, Bella. Você sabe que pode contar comigo. Agora, por favor, tire ele daí rapidamente.

–Como, Alice?

–Eu não sei. Se for preciso, jogue um balde de água fria.

–Como você é cruel. –olho para Ed. Ain, não tinha como acordá-lo.

–Bella. Apenas balance o braço dele. Se ele não acordar, você... Dá outro jeito. Vou desligar. Tchau.

–Alice, não desliga ainda. –Mas já era tarde. Ela desligou antes que eu pudesse falar alguma coisa.

Aproximei-me de Ed, e balancei seu braço, como Alice recomendou.

–Ed. – chamei.

Não adiantou.

–Ed. — balancei seu braço mais uma vez.

Caramba. Ele tem sono pesado.

Olhei em volta do quarto, na esperança de aparecer algo que eu pudesse o fazer acordar.

Então escutei um risinho vindo de Ed.

Olhei para ele e o encontrei me encarando sorridente.

–Ta rindo do que? –perguntei.

–Nada. Eu já tinha acordado, na primeira vez que balançou meu braço. Estava apenas esperando para ver o que você ia fazer.

–Engraçadinho.

–Obrigado!

Ele levantou da cama e caminhou até a porta.

–Ah, e me desculpe. Eu sou sonâmbulo. –saiu e fechou-a atrás de si.

–É. Eu percebi.

*************************************************************************************

Era de manhã e estávamos subindo para o ônibus para voltar pra casa.

Eu já havia feito a contagem dos alunos e estavam todos aqui.

Sentei-me no mesmo lugar e Ed também.

–Essa viagem foi boa. –ele disse. –Eu tive a oportunidade de te conhecer melhor.

–É, mas eu ainda não sei o seu segredo. –digo.

–Vai saber.

–Quando?

–Um dia. –ele responde.

–Um dia eu pedi um patins para meu pai. E ele disse, também, um dia.

–E quanto tempo demorou? –ele quis saber.

–Parei de pedir.

–Quem sabe isso não aconteça de novo?

Neguei com a cabeça.

–Não vai acontecer.

E então ele dá um riso abafado.

–Você é teimosa.

–É um de meus defeitos. –Digo dando de ombros.

–Eu amo esse seu defeito. –ele diz com um sorriso torto nos lábios.

E então, a imagem de Edward me veio à cabeça. Esse é o típico sorriso dele, que eu amo.

Notas finais
O que acharam do cap? Comentem, por favor... =D Até o próximo capítulo!