Escuridão

1 Capítulo 1: A hora de acordar


Notas iniciais
Fic 100% original e criada por mim, protegida sob direitos autorais. A reprodução dela sem minha permissão será considerada crime.
Capítulo 1: A hora de acordarLondres, 23 de fevereiro de 1193Uma misteriosa criatura corria pela cidade de Londres. “Tenho que ser breve!”, pensou ela. “Tenho que achar a nova hospedeira! Eu consigo sentir o medo! Ela está próxima!”. Ela continuou a correr, indo para o oeste da cidade. Chegou até uma casa simples, feita de barro e com telhado de palha. A criatura virou um ser humano comum, alto, de cabelos negros, que chegavam até os ombros e vestia uma armadura pesada. Andou até a casa e arrombou a porta. Ao entrar, viu uma moça morta no chão, e ao seu lado havia um jovem armado com um arco-e-flecha e um mosquete.-Chegou atrasado. Eu já a matei.

-Não! Eu não acredito! Você de novo? Por que você sempre interfere em meus planos?! Já é a terceira vez que você destrói a hospedeira da Semente! Por que você faz isso, Áries!?

-É simples. Você é um carcereiro, e eu sou um Espírito Eterno. Estranho seria se eu não tentasse interferir em seus planos.

-Está é a última vez que você vai me perturbar!O homem pegou uma espada e tentou cortar Áries. Ele se desviou, preparou seu arco-e-flecha e atirou. O homem foi atingido bem no peito. Ele tentou virar uma fera de novo, mas Áries não parou de atirar. Quando suas flechas acabaram, Áries aproximou-se do homem e mirou seu mosquete nele, à queima-roupa.-Atire! Vamos! Você sabe que não pode me matar. Não importa quanto tempo leve, eu voltarei!

-Quando você voltar, haverá outros de mim para detê-lo. Quer uma dica? Da próxima vez que voltar, escolha uma hospedeira melhor. Alguém que realmente o alimente. Caso contrário, é melhor ficar inerte mesmo.Londres, 18 de abril de 2007Yumi estava fugiu para a cidade. Um homem acabara de espancar sua mãe, e agora estava a sua procura. Ela sabia quem era, mas não queria acreditar — e, posteriormente, lembrar. Ela tentou achar refugio em outras casas, mas ninguém atendia. Viu uma pequena mata ali próxima e foi se esconder nela. O homem viu quando Yumi entrou na floresta. Foi procurá-la por lá, mas não achou nada. “Deixe-a. Não quero matá-la. Aliás, este corpo nem me é mais útil. Vou destruí-lo de uma vez. Pode ajudar em meus objetivos.” O homem pegou um isqueiro, que usava para acender seus cigarros, e botou fogo na nas árvores. Logo começou um incêndio, e as chamas se alastraram por toda mata. Yumi fugiu para o mais profundo dela. Acabou saindo pelo outro lado. De longe, podia ver o homem. Ele olhou para Yumi, e entrou nas chamas, que o engoliram e mataram lentamente. O que parecia ser o espírito de um menino saiu de seu corpo carbonizado e começou a andar sobre as chamas, sem se queimar. Aproximou-se de Yumi, que estava sem reação, e disse lentamente:-Esta na hora de acordar...

-O quê?!

-Está na hora de acordar Yumi! — disse Allan — Estamos atrasados para aula!Yumi acordou assustada. "Esse sonho de novo... Por que todas as noites eu tenho este sonho? O que a minha mente está tentando me dizer?"-Está na hora de acordar!!!- disse Allan mais uma vez.

-Ok, ok! Já estou indo!Yumi era uma garota órfã, de 16 anos. Tinha cabelos ruivos, que chegavam até a cintura. Tinha 1,84 de altura. Allan era seu melhor amigo. Tinha a sua idade e era um pouco mais alto — media 1,89. Tinha o cabelo castanho. Os dois viviam em um internato na cidade de Londres, chamado Santos. O internato era grande, muito grande. Além do colégio, onde eles estudavam, tinha os dormitórios, refeitório, biblioteca, quadra de esportes... Havia também uma mata que cercava todo o complexo, com exceção da saída.

Yumi se arrumou e foi para a sala de aula. Saiu de seu quarto, desceu as escadas, e passou pela grande passarela que a levaria para a sala. Como ela estava atrasada para a aula, não havia ninguém por perto. Yumi estava com o passo apressado, pois não queria perder muito da aula. Ela começou a ouvir uma pequena voz, como um sussurro, pedindo socorro. Era a voz de uma criança. A voz a guiou até a mata próxima dali.-Yumi... Venha até aqui Yumi...

-Quem está aí?

-Venha até mim Yumi... Deixe-me domina-la...

Deixe o medo domina-la, Yumi...

Deixe o carcereiro voltar... Germine a semente da escuridão...

Você sente que não pode resistir ao medo... Liberte o medo que me alimenta!

-Quem está aí?! Do que você está falando?!

-Acorde-me, Yumi... Acorde-me...Yumi estava trêmula. Só ouvia aquela voz de criança dizendo aquelas turvas palavras. A voz inclusive lhe parecia familiar. Era uma voz parecida com aquela de seu sonho. Ela viu um vulto caminhando pelas árvores. O vulto vinha em sua direção, lentamente.

O professor de Yumi já tinha chegado à sala de aula. Ele percebeu a falta de dela. Pediu para que Allan fosse ver onde ela estava. Ele saiu do colégio e foi procurar Yumi nos dormitórios. Foi procurar em vão. Estava voltando para aula, passando pela passarela que ligava os dormitórios ao colégio quando viu Yumi na mata e veio ver o ocorrido. Ao perceber que Allan se aproximava, o vulto fugiu.-Você viu aquilo? — disse Yumi.

-Vi o quê?

-Aquele vulto. Ele queria algo comigo!

-Yumi, acho que você está vendo coisas. Eu vim aqui ver o que estava acontecendo, mas só vi você. Vamos logo! O professor Henry me mandou te procurar!Yumi foi para a sala de aula, muito confusa. "Aquilo tudo era muito real para ser uma alucinação". Allan vinha um pouco atrás dela, mas viu um vulto correndo pela floresta. "Eu devo estar vendo coisas", pensou Allan...-Senhorita Yumi! — disse Henry — Que bom que nos agracia com a sua presença! Sentimo-nos honrados! Poderia nos dizer onde estava?

-Onde eu estava?! — disse Yumi — Eu, bem... Eu...

-Ela estava se arrumando — disse Allan — Ela acordou um pouco tarde, e demorou para se arrumar.

-Pois bem, que não se repita. Onde estávamos? Ah, claro! Freud! Freud foi um grande psicólogo...Yumi assistiu a suas aulas, mas não conseguia parar de pensar em seu sonho. "Eu não lembro de nada ocorrido antes de meus oito anos. Desde aquela época eu tenho este sonho... Mas o que ele representa? Quem é aquele homem? E aquele menino?"-Senhorita Yumi, já que parece saber toda a matéria da prova, não gostaria de dar a aula por mim?

-Como? Ah, desculpe! Estava perdida em meus pensamentos.

-Acho melhor prestar atenção. Isso caíra na prova. Freud dizia que sonhos podiam esconder mensagens sobre a pessoa. A partir deles, as pessoas poderiam revelar medos, desejos e até lembranças. Ele também...Depois que ouviu isso, Yumi começou a prestar atenção na aula. Achou que poderia ajudá-la a entender seus sonhos. Após a aula, ela foi para a biblioteca. Pegou um livro qualquer na prateleira, e tentou lê-lo. Não conseguiu. Sua mente estava muito preocupada para poder ler. Allan chegou na biblioteca, e viu Yumi.

-Você realmente está lendo Yumi?

-Hã? Ah, olá Allan!

-Você está com um olhar muito desatencioso para estar lendo. No que está pensando?

-Realmente, não estou lendo. Estava pensando no que aconteceu hoje de manhã na mata.

-Na mata? Mas não ocorreu nada lá!

-Deixe -disse Yumi- Mesmo que eu explique você não iria entender...

-Tem algo há ver com seu sonho?

-Esqueça Allan, não quero falar sobre isso. Deixe-me sozinha, ok?Allan estava saindo da biblioteca, quando deixou um livro cair de sua mochila. Ele caiu aberto. Yumi pegou o livro. Viu a página em que estava aberto e ficou pasma. Nessa página havia a imagem de uma criança no meio de chamas — igual ao seu sonho. O título da imagem estava incompleto. Só podia-se ler "Semente do…"-Importa-se Yumi?

-Onde você conseguiu este livro?

-É herança de minha mãe. É um antigo diário, de um antepassado. É algo meio que pessoal. Pode me devolver?Yumi devolveu o livro para Allan e saiu da biblioteca. Ela viu um caminhão chegando na escola. Era um carregamento de armas “O que armas fazem na escola?”, pensou ela. Conversou com as pessoas que estavam lá. Diziam que um animal apareceu na mata nos últimos dias e fez três vítimas, por isso, o colégio contratou alguém para capturá-lo. Um vulto na mata via tudo com atenção.

Yumi não ligou muito. Foi para o seu quarto tentar descansar um pouco. Quando conseguiu dormir, começou a sonhar. Era o mesmo sonho que teve de manhã. Mas dessa vez estava um pouco diferente. A criança discursou algo diferente das últimas vezes:

-Não resista ao medo, Yumi. O medo é a única coisa que você tem. Acorde… Acorde o medo que me alimenta. Acorde.

-Por que você está aqui?!

-Acorde-me Yumi... Apenas acorde-me... Liberte o medo que me alimenta... Acorde... Acorde...

-Acorde Yumi! — disse Allan, quase gritando.

Yumi acordou assustada. Allan estava ao seu lado. Ele havia a ouvido gritar e entrou no seu quarto para ver o que estava acontecendo.-Vai me contar o que está acontecendo agora?

-Pelo jeito eu não consigo esconder nada de você, né Allan?

-Claro que não! Eu te conheço a um bom tempo. É meio difícil de você esconder algo de mim.

-Sabe aquele pesadelo que eu tenho de vez em quando?

-Aquele que você tem desde os 8 anos, quando ficou órfã?

-Sim. Exatamente esse. Eu não me lembro de nada ocorrido naquele dia, mas desde aquele dia eu tenho este pesadelo. Mas agora ele está mais freqüente. Antes, eu só tinha este sonho de vez em quando. Levava algumas semanas até eu tê-lo de novo. Só que agora... Já é o quarto dia seguido que eu tenho este pesadelo.

-E o que ocorreu hoje na floresta?

-É aí que entra a parte estranha. Hoje de manhã, enquanto eu ia á sala de aula, passando pelo corredor vazio, eu ouvi uma voz de criança. Ela me guiou até a mata. A voz me dizia algo sobre "deixar o medo me dominar." A voz era idêntica a da criança do meu sonho.

-E o qu...

-Não acabei. Lembra quando você me encontrou na biblioteca? Lembra daquele livro? Eu o abri em uma página no meio. Lá havia uma gravura de um menino no meio de chamas. Um menino idêntico ao de meu sonho! A gravura tinha um nome, mas estava incompleto. Estava escrito "semente do..."

-…Medo. "Semente do Medo." Quem escreveu aquele diário era meio confuso. No início, ele conta a vida do autor, como qualquer diário. Mas, de repente, ele virá uma espécie de catálogo de criaturas míticas. Uma delas é a “Semente do Medo” Não sei se é o nome desta gravura, mas o nome é citado várias vezes. Talvez seja o mesmo. O que você acha que isto tem há ver com seu sonho?

-Não sei... Um aviso, eu acho...

-Um aviso?! Diga-me Yumi, você sabe quem é aquela mulher e aquele homem?

-Não. Não faço a mínima idéia.

-Lembre-se que você perdeu a memória de todos os fatos ocorridos antes de seus 8 anos. Talvez estes sonhos não sejam avisos, mas lembranças perdidas. Assim como o professor disse hoje.

-E aquela criança? Porque eu a ouvi me chamar hoje de manhã, e a vi naquele livro?

-Sabe Yumi, acho que é tudo uma brincadeira da sua mente. Eu estava lá com você, e não ouvi nada. No mais, já é tarde. Vá dormir um pouco, e tente esquecer estas coisas.

Boa noite, Yumi.

-Já vai dormir Allan?

-Não. Vou sair para relaxar um pouco.

-Então por que me deu “boa noite”?

-Porque eu te conheço, e sei que está exausta, querendo dormir um pouco. Boa noite.Allan saiu do quarto. Yumi ainda não conseguia parar de pensar no seu sonho. Dormiu na esperança de tê-lo novamente, para poder entendê-lo melhor.

Longe dali, um misterioso jovem mascarado pegava várias armas. Ele foi até o colégio de Yumi, e entrou na mata. "Eu sinto que ele está quase recuperando seus poderes. Ele achou uma hospedeira. Tenho que impedir que ele desperte completamente deste sono!"

Ao entrar na floresta, um vulto começou a se alastrar por entre as árvores. O jovem mascarado começou a atirar na tentativa de acertá-lo. O vulto fugiu, indo para o mais longe possível.

Yumi começou a dormir, começou a ter o mesmo sonho de sempre. “Esta na hora de acordar… Esta na hora de me acordar... Liberte o medo que me alimenta... Me acorde... Está na hora de me acordar... ME ACORDE!"

Yumi levantou-se assustada. "Era só eu sonhando de novo", pensou Yumi. Ela estava com falta de ar, ofegante. De repente, ela viu tudo começar a pegar fogo. O fogo se alastrou rapidamente em seu quarto. Ela tentou sair dos dormitórios, mas o fogo havia bloqueando a saída. Os outros alunos viram Yumi correr assustada sem entender o motivo. Yumi estava sonhando acordada. Ela corria para fugir do fogo que a sua mente criava, e só ouvia uma voz de criança dizendo "Está na hora de acordar"... Ela subiu as escadas, indo para o telhado, na esperança de se livrar do fogo.

Na floresta, o jovem mascarado caçava o vulto. Ao avistá-lo, viu que era apenas uma criança. Mesmo assim, não teve piedade. Pegou a corrente que segurava e começou a enfocá-la. No mesmo instante, Yumi parou de ter alucinações. Viu que não havia fogo, e a voz cessou. Percebeu que estava em cima do telhado da escola. "Como eu vim parar aqui?", pensou Yumi. Na floresta, o menino estava quase sendo morto pelo mascarado, quando lhe deu um chute, livrando-se dele.-Você não impedira que eu acorde!

-Diga-me — disse o mascarado — você achou que eu teria piedade de você nesta forma de criança?

-Volte a sonhar Yumi! — gritou o menino — Liberte o medo que me alimenta! Me acorde! — disse a criança, arranhando o mascarado, que o soltou.O mascarado ia atacá-lo de novo, mas ele desapareceu, como mágica. "Está recuperando os seus poderes...", pensou o misterioso jovem. O menino começou a correr, gritando: "Volte a sonhar, Yumi! Liberte o medo que me alimenta! Me acorde!"

Assim que o menino se libertou, Yumi começou a ter alucinações novamente. A voz estava ainda mais forte e o fogo se alastrava velozmente. Yumi olhou para baixo, e, para livrar-se das chamas, jogou-se do telhado, sem se importar com a própria vida.