Escuridão do passado
41 Capítulo- 41
Notas iniciais
Nós havíamos voltado para o castelo. Era noite e eu estava acomodada em um dos quartos. Aro permitiu que eu decorasse como quisesse. Mas seria perda de tempo. Logo eu iria embora. Não podia abusar. Alice veria a qualquer momento onde eu realmente estava.
Eu estava passando o tempo lendo alguns livros bem antigos que os Volturi mantinham em seu castelo. A história era bem interessante. Dizia sobre alguns seres sobrenaturais que existiam, além dos vampiros. Nunca vi esse livro. O encontrei em uma caixa de vidro na biblioteca, e a base dessa caixa era vermelha.
Meus olhos cravaram na frase: Lobisomens, eles existem.
Claro que existem. Eu já havia visto. Ele era muito furioso e tinha um desejo em mente. Matar-me. O que o impedia era o fato de eu ser vampira. Compartilhávamos a mesma força, mas ainda sim consegui sair intacta.
Antes que eu pudesse terminar de ler o próximo parágrafo, bateram na porta repetidas vezes. Essa pessoa era bem insistente, e parecia estar com pressa.
Levantei-me sem pressa alguma, com a intenção de irritar quem quer que esteja atrás daquela porta. Abri e logo ele começou a dizer.
–Senhorita Cullen. –falou um vampiro que julguei ser da guarda. Ele tinha a testa franzida em preocupação. –Recebi ordens de que deveria levá-la para um local seguro. Rebeldes invadiram o castelo, e algum deles pode encontrá-la a qualquer minuto.
Dei de ombros.
–Qual o problema? Sei me defender muito bem.
–A senhorita não entendeu. Eles estão preparados. Tem poderes que julgo ser os melhores. Não sabemos se os Volturi possam vencer dessa vez.
–Dessa vez? Isso já aconteceu antes?
–A séculos. –Ele limpou a garganta. –Por favor, me acompanhe senhorita. Não podemos perder tempo. Eles já estão dentro do castelo.
Eu percebia uma pitada de desespero em sua voz. Mas mesmo assim ele não perdia a postura.
Assenti e ele se pôs a andar.
Ele dava passos largos, enquanto eu andava tranquilamente. Por conta disso ele passou a ficar oito passos à minha frente. Corri até ele, até que chegamos à porta do jardim.
–O jardim? Isso não seria mais arriscado do que permanecer no meu quarto?
–Por favor, silêncio. Eles podem nos ouvir.
Dito isso, ele abriu a porta. Andamos até chegar atrás de uma árvore grande. Lá eu pude perceber uma espécie de gancho.
–Porque esse gancho está enfiado no gramado?
–A senhorita tem um problema sério para se calar.
–Perdão?
–Sabe que vampiros tem uma audição aguçada, não?
–Claro que sei. Conheço bem minha espécie. –falei sentindo-me ofendida.
–Pois não parece.
A luz do luar me permitia ver a expressão um pouco furiosa em seu rosto. Algo que sua voz não demonstrava. Não que eu precisasse de luz para isso. Mas se não fosse ela, eu nem me incomodaria em notar.
–O que eles querem?
–Se vingar. A muito tempo atrás os Volturi fizeram a coisa certa e queimaram o castelo desses rebeldes.
–O que? Por quê?
Ele ignorou minha pergunta. Suponho que para que eu fique calada.
Ele agachou-se na direção do gancho de tamanho pequeno. Mas grande o bastante para fazer o que ele fez. Ele puxou para cima, e então entendi que aquilo era uma porta que levava até algum lugar subterrâneo. Senti-me uma otária por não perceber que a grama que tinha ali era falsa.
–Muito bem. Agora pule. –ele pediu.
–Oi?
–Pule.
–Não. –cruzei os braços no peito. –Como vou saber o que tem lá? Você pode ser um dos rebeldes que quer me manter escondida até tudo acabar. Depois quando for embora, me levará consigo.
Ele suspirou. Sem dizer nada, ele estendeu-me sua mão em forma de punho, permitindo-me ver um anel com a letra V.
–Volturi. –sussurrei.
–Isso mesmo. Agora se apresse. Não quero ter problemas com Aro.
–Espere. Onde está Alec?
–Está batalhando contra os rebeldes.
–Quero que ele venha comigo.
–Sinto muito, senhorita. Mas creio que isso não será possível. Os poderes dele são muito valiosos, e poderia nos fazer uma falta enorme.
–Mas você disse que há uma grande possibilidade de não vencermos. Isso quer dizer que Alec vai...
–Não necessariamente. Pode ser que ele escape.
Fiquei parada.
–Qual o problema? –ele perguntou.
–Não.
–Não o que?
–Não vou entrar. Vou atrás de Alec. –falei decidida.
Antes que ele pudesse impedir, corri o mais rápido que pude em direção ao castelo. Ao chegar em um certo lugar lá dentro, o guarda me alcançou, assim impedindo que eu continuasse.
–Me solta. –gritei.
–Não. –ele sussurrou.
No começo achei que a palavra dele se referia a não me soltar. Mas depois entendi que ele só estava se lamentando por eu ter gritado.
Em segundos chegaram três vampiros desconhecidos por mim, e eles não usavam qualquer roupa ou objeto que me lembrassem dos Volturi.
Rebeldes.
Antes que eu pudesse processar em minha cabeça, dois deles partiram para cima do cara que até então estava ao meu lado tentando me proteger. Senti remorso na mesma hora. Acabei colocando ele em risco. Tudo por conta da minha infantilidade. Mas era infantil querer estar segura com Alec ao meu lado? Ninguém mandou esse cara vir atrás de mim.
Meus pensamentos foram cessados a partir do momento em que um dos rebeldes pulou em cima de mim. Caí de costas no chão com ele por cima. Ele colocou uma mão em meu pescoço, enquanto a outra se pôs no meu queixo, forçando para arrancar minha cabeça fora.
Utilizando meu joelho, bati com força nas partes dele. Ele recuou um pouco, já pronto para ignorar o ocorrido e continuar com o que estava fazendo. Mas fui mais rápida e aproveitei sua pequena distração para tirá-lo de cima de mim.
Tentei correr escada abaixo, mas quando pisei no primeiro degrau, o rebelde pulou em cima de mim de novo, e caímos escada abaixo. Ao alcançarmos o fim dos degraus, ele pegou-me pelo pescoço e me levou até a parede mais próxima. Eu não podia tocar os pés no chão por causa da altura. Estava prensada na parede sendo segurada apenas por sua mão, quando de repente, um vulto preto o jogou para longe. Os dois lutavam tão rapidamente que ainda não pude identificar quem era. Deitei no chão e fechei os olhos apenas desejando que tudo isso acabasse.
Abaixo de mim, senti pedaços de tijolos. Devem ter caído no momento em que o vampiro me jogou com força na parede.
Permaneci com os olhos fechados e minha mente viajou.
Comecei a pensar em Henry. Como estaria ele agora? Se divertindo com meu irmão? Pensando em mim? Em casa no maior tédio? E então eu lembrei. Ele é humano. Neste momento deve estar dormindo. Eu sentia uma vontade enorme de vê-lo novamente. Mas quem garante que eu saia viva daqui hoje? Se é que estou viva.
Minha audição captou sons vindos do salão principal, onde os Volturi passavam o maior tempo. Coisas se quebravam, e gemidos de dor eram ouvidos. Agora pude ouvir um homem gritando, logo depois que Jane falou sua preciosa palavra. “Dor”.
Quando isso ia acabar? Não se passaram nem cinco minutos, mas já me parecia a eternidade.
Senti-me sendo levantada do chão e levada para algum lugar. Não sei dizer ao certo, porque não tive coragem de abrir os olhos.
Depois de alguns minutos, a pessoa que estava me carregando, deitou-me em algo macio. Julguei ser minha cama. Eu não deixaria de reconhecer meu colchão.
Hesitante, abri meus olhos. Eu queria descobrir quem me carregara de forma tão carinhosa até minha cama.
E lá estava ele. Claro que era ele. Como não deduzi antes?
–Alec. –sussurrei para ele.
Ele se agachou ao lado da cama e passou a mão por meus cabelos.
–Como você está? –ele perguntou preocupado.
–Estou bem. E você?
–Estou ótimo! Você deveria ter obedecido ao Jordan. Ele iria te proteger.
–Eu estava indo atrás de você. Queria ficar com você. Eu fiquei tão preocupada.
–Agora você me ofendeu. Eu sou muito bom no que faço. Não deveria estar preocupada comigo.
–Eles eram em quantos?
–Cento e cinco. Um número bem menor do que nas outras vezes, mas dessa vez eram mais poderosos.
–E Jordan?
Ele não respondeu. Apenas abaixou a cabeça.
–Ah não! – exclamei.
–Calma Any. Está tudo bem. –ele mantinha a voz calma.
–Eu nunca vou parar de me culpar.
–Sinto muito. –e eu percebi sinceridade na sua voz.
–Mas e então? Acabou?
–Falta uma dúzia deles. Vão morrer em pouco tempo. Os Volturi já estão dando um jeito neles. Fica tranqüila.
Assenti.
–Alguém de nós se foi?
–Dois da guarda. Você não os conhece.
–E Becca e Thais?
–Estão bem.
Suspirei aliviada.
–Tenho que voltar lá. –ele falou já se levantando.
–Não. –agarrei seu pulso.
–Any...
–Fica. Por favor. Por mim. Não quero perder você.
Ele hesitou por um tempo.
–Por favor! –sussurrei.
Com cuidado, ele se deitou ao meu lado na cama.
Enlacei meus braços em volta dele e deitei a cabeça em seu peito.
–Isso tudo é medo de eu fugir? –ele brincou.
E em um tom sério na voz eu respondi.
–É.
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