Escuridão

1 Quem tem medo do escuro?


Notas iniciais
Boa leitura :)

Abri os olhos lentamente encarando a escuridão, voltando, assim, a consciência. Meu corpo estava mole, sem forças, e minha cabeça pesava, como se estivesse usando bigornas como brincos. Não sentia vontade de levantar, mas eu tinha necessidade de fazê-lo. Não tinha escapatória, tinha que levantar.

Calmamente, levantei o tronco, sentando e sentindo uma superfície macia sob minhas ancas. Pisquei os olhos algumas vezes, tentando acostumar-me com a falta de luz, embora fosse em vão. Não conseguia ver nada, mas conseguia sentir. Um vento gélido encobriu o meu corpo, me dando calafrios e fazendo a vontade de permanecer deitado voltar. No entanto, me levantei. A primeira coisa que senti foi o chão frio tocar meus pés descalços; era horrível, como se estivesse pisando sobre gelo puro, contrastando com minha pele quente. Levantei-me completamente, sentindo uma leve tontura ao fazê-lo. Cambaleei para o lado, mas consegui retomar o equilíbrio.

Com um suspiro profundo, comecei a andar. Meus passos podiam ser ouvidos no silêncio profundo do lugar, num tap, tap enjoativo. O silêncio era tanto que eu poderia ouvir qualquer mínima coisa que resolvesse quebra-lo. Tal como os meus pés. Dei de encontro com uma porta, abri-a lentamente, vendo a escuridão me envolver novamente. Tateei pela parede, seguindo em uma direção qualquer, sem saber exatamente onde eu estava.

Dei três passos, antes de sentir algo atrás de mim. Meu coração palpitou por um segundo, e senti meu corpo gelar. No entanto, não consegui ter coragem de olhar para trás. Apenas aumentei o passo, rezando para o que quer que fosse que estivesse atrás de mim, não me seguisse. Meu coração já estava acelerado, e, como se fosse para piorar minha situação, ouvi um barulho. Era um estalo, que rompeu com o silêncio de vez, e me fez parar no meio do caminho. Engoli em seco, ouvindo meu coração rapidamente bater em meus ouvidos.

Acalme-se, pensei. Mas, logicamente, não consegui me acalmar. Ouvi outro estalo, que me fez dar um pulo antes de voltar a caminhar rapidamente. Andando sem rumo, acabei topando em alguma coisa, batendo meu dedo mindinho. Suprimi o grito de dor, e me curvei, de modo que poderia segurar o dedo para tentar parar a dor. Em vão, claro. O dedo começou a latejar, mas, sabendo que não havia cura para aquilo, voltei a andar. Entrei em um cômodo, que, ao contrário do resto do local, tinha um feixe de luz luar entrando pela janela, o que me fez perceber onde eu estava.

Respirei fundo, sabendo que não faltava muito para chegar ao meu destino. Apressei o passo, tomando cuidado para não bater em nada, dessa vez, até que finalmente entrei em outro cômodo.

Meu corpo tremia, minha boca estava seca, e os olhos, pesados. Forcei-me a andar mais um pouco, até finalmente alcançar o objeto de meus desejos. Meus dedos apalparam sua superfície lisa e gélida, e logo a abri.

Para meu contentamento, uma grande luz dourada me encobriu, machucando meus olhos nos primeiros segundos. Mas logo depois, acostumei-me. Sorri, suspirando aliviado. Estendi o braço, tentando alcançar o que me fizera ir até ali, e, assim que consegui, abracei-o. Senti a superfície gélida contra meu peito, mas não me importei. Levei a jarra de água até a boca, sentindo o melhor liquido de todos descer por minha garganta, me dando uma sensação de alivio e prazer.

Depois de matar minha sede, fechei a porta, encarando a escuridão novamente. Porém, dessa vez, tinha renovado minhas forças para atravessá-la. Portanto, sem pensar duas vezes, caminhei rapidamente de volta ao meu quarto, onde fechei a porta e me enfiei por debaixo das cobertas.

Notas finais
Morreram de medo? Muahahah
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!