Sou um assassino. Um genocida. Um cruel e sanguinário ditador megalomaníaco que pensa possuir poder sobre mundos que não me pertencem. Destruo famílias, namoros, casamentos e amizades apenas por curiosidade. Simplesmente com o objetivo de entreter a mim e a pessoas que nem conheço.

Faço experimentos com vidas e se não gosto dos resultados, simplesmente destruo-os. Às vezes faço com seres que desconheço completamente. Vejo-os na rua, tenho uma ideia e resolvo executá-la. Quase sempre à custa de milhares de vidas inocentes e despreparadas, incapazes de se proteger.

Às vezes começo bem, gosto dos resultados, gosto das cobaias, o ritmo das coisas me agrada. Mas então algo, qualquer coisa, talvez nem tenha a ver com o experimento, acontece e me desanima. Ou atrai minha atenção para outra coisa. Ou simplesmente me entedeio com aquela situação em especial. Então destruo tudo. Corrompo evidências, apago testemunhas, atrapalho investigações e destruo todo pequeno traço de o que um dia foi um mundo próspero e feliz. Simplesmente porque senti vontade.

Uma minoria de experimentos prospera. Uma minoria de experimentos funciona, se desenvolve bem, me agrada e até mesmo é exibido ao mundo. Essa minoria faz sucesso. Essa minoria esconde a dor, o sangue, o sofrimento e os sonhos destruídos que causei. Essa minoria conquista sorrisos, patrocínios, incentivos e admiração. Pessoas que nunca me viram gostam de minhas experiências deturpadas e cruéis, sem saber pelo o que essa minoria e todos os outros recusados passaram.

Uma palavra bem colocada e todos me amam. Um desenrolar inesperado e todos me adoram. Uma piada diferente e todos gostam de mim. Um acontecimento estranho e todos me acham inteligente. Tsc. Pobres coitados. Mal sabem eles os crimes dos quais estão sendo cúmplices. Da dor que estão causando indiretamente. Das famílias, dos sonhos, dos amores e das vidas que foram destruídas por causa única e exclusiva deles.

Sou um ditador megalomaníaco, cruel, sanguinário, sádico, deturpado. Consigo o que quero através de ameaças e chantagens. Apago o que não me agrada com mortes, incêndios, enchentes e qualquer maneira perversa de assassinato que me vier à cabeça. Já perdi a conta de quantos universos criei e destruí em questão de segundos. Quantos promessas fiz, apenas para ter o prazer de destruir esperanças. Quantos laços de confianças criei, apenas para ser mais divertido na hora de me livrar de tudo.

Conheço muitas pessoas assim. Elas são famosas. Elas são importantes. Eles são adoráveis, carinhosos, carismáticos e gentis... Em público. Quando estão sozinhos, confinados em seus laboratórios demoníacos, mudam totalmente. Tornam-se cruéis. Tornam-se sádicos, megalomaníacos, manipuladores, ameaçadores e... Criadores maravilhosos, com ideias sensacionais, mais poderosos que magos, mais inteligentes que Newton ou Einstein. Tornam-se deuses.

E ainda assim fazem sucesso. Com todo esse complexo de superioridade, com todos esses genocídios, com toda essa crueldade, tornam-se admirados e respeitados, provando o ditado “o que os olhos não veem, o coração não sente”. Pois se seus tão devotos fãs tivessem a menor suspeita da malignidade muito além da imaginação humana que essas pessoas provocam... Mas basta um resultado levemente agradável para todo o sofrimento tornar-se justificável e ignorável

A cada história que começo, a cada personagem que crio, a cada parágrafo que escrevo, construo um novo universo. Cada personagem é um ser independente, carregado de sentimentos e promessas. Cada novo pensamento transformado em palavra é uma nova vida que floresce, trazendo esperanças e expectativas de melhoras. Cada vez que um personagem abre os olhos ele pensa “quem sabe? Talvez desta vez seja diferente”. Apenas para ter suas esperanças totalmente trucidadas por minha mente doentia.

Cada vez que apago algo, cada vez que desisto de uma história, cada vez que perco o interesse em um pobre conto... Cometo assassinatos. Destruo personalidades simplesmente por elas não me agradarem, reescrevo alguém, modificando-o a meu bel prazer, obrigando-o a mudar seu modo de ser, sua própria essência, apenas para me agradar. Sou um assassino. Sou um destruidor. Sou um ser sem coração, manipulador, cruel, sádico, megalomaníaco, deturpado, sanguinário, com complexo de deus.

As coisas inadmissíveis que faço, apenas por diversão, apenas por curiosidade... E ainda assim, coisas tão bondosas, gentis, preocupadas e solidárias. Eu sou um maníaco perseguidor com complexo de deus.

Sou um ser sem coração, manipulador, cruel, sádico, megalomaníaco, deturpado, sanguinário, com complexo de deus e superioridade, perfeccionista, maníaco, perseguidor, psicopata e muitas coisas muito piores. Eu sou um escritor.