Quando o filme acabou, fiz um comentário.

– Estou com medo – Disse.

– Medo? Do filme? – Ele falou.

– Não, apenas uma má impressão — eu havia recebido duas notícias que poderiam piorar minha vida, mas não disse nada.

– Relaxa, não vai acontecer nada. – ele me acalmou.

– Eu gosto de você, Milles.

– Eu também gosto de você – ele sorriu.

– Acho que estou gostando mais do que devia – Confessei.

– Fico feliz.

– Tenho medo de tudo acabar.

– Está apenas começando – ele falou.

Sorri.

Ele me abraçou e me beijou. Ficamos juntos algumas horas. Sábado de manhã.

– Bom dia, fui cedinho comprar pão de queijo pra você, vem tomar café – Bebel falou.

– Bom dia — esfregando os olhos — que delicia, já vou.

Me sentei e terminei de acordar.

– Está sabendo da volta de John? – ela disse abrindo a Janela.

– Como?

– Achei que você ia querer saber.

– Ele voltou? – Perguntei.

– Depois de tanto tempo, ele saiu de casa.

– Mas ele não ia fazer a cirurgia ainda?

– Parece que ele já fez há alguns dias, estava de recuperação, ai ele tirou a faixa e desfilou seu rosto pelas ruas essa manhã.

– Não acredito!

– A cidade inteira está comentando.

– E o resto do corpo?

– Ele veste roupas cumpridas para esconder o resto do corpo, e o pior é que esse homem só usa preto pra colocar medo nas pessoas.

– Ele sempre foi ridículo.

– Mas de acordo com as pessoas, agora ele é um homem "obscuro"

Respirei fundo. Eu tinha um dia todo pela frente para sobreviver. Desci para tomar café com meus pais.

– Bom dia. – disse minha mãe.

– Dormiu bem? – perguntou meu pai.

– Bom dia, acho que sim. – respondi.

– Se cuide agora viu? – Minha mãe falou.

– Por quê? – perguntou meu pai.

– O John saiu da toca.

– Por que eu devo me cuidar?

– Ele vai querer se vingar do que você fez com ele.

– Ele não fez nada até agora, não vai fazer mais.

– Por favor, vamos mudar de assunto – meu pai estava visivelmente incomodado.

– Ok!

– E ai? O trabalho comunitário acabou? – perguntou meu pai.

– Sim, ontem foi o último dia.

– Fico feliz.

– Fica feliz com essa injustiça? – disse minha mãe.

– Dela ter cumprido o que foi pedido. – meu pai falou.

– Se é que foi injusto mesmo. – minha mãe falou.

– Samantha.. chega..!

– Bom — me levantei — o clima pesou.

– Aonde você vai? – perguntou meu pai

– Passear com a Pepa, fui. – Disse.

Fui passear com a Pepa, e o dia aparentemente estava lindo, até que eu me encontrei com Peter.

– Bom dia, Dakota. – Disse Peter.

– Eu sei que você entrou no meu quarto – respondi.

– Quer chamar a policia?

– Onde está a folha?

– Que folha?

– Não seja idiota, cadê a página do meu diário? – perguntei.

– Qual delas?

– A última — falei firme.

– sim, está comigo — sorriu.

– Se você mostrar pra alguém, lembre-se que seu pai também vai se ferrar.

– Eu não ligo.

– Agora que ele está bem.

– Esqueça o Milles e a Lolla, e fique comigo.

– Eu já disse que não.

– Eu te amo. – Peter disse.

– Isso não é amor — falei nervosa.

– Quer saber? Aqui está sua página — disse me entregando a folha.

– Assim? — estranhei a atitude, afinal, ele fez tudo aquilo para se entregar depois?

– Essa é a original.

Me enganei.

– Pra você guardar de recordação, eu não preciso, já fiz algumas copias.

– Não acredito.

– Inclusive deixei uma no correio da sua casa, da casa da Lolla, e na editora para publicarem – Ele falou.

– Você é ridículo.

– E você é linda.

A Pepa começou a latir para ele.

Nervosa, voltei para casa para tentar recuperar a cópia. Em poucos minutos cheguei em casa. Olhei no correio e a folha estava lá. Rasguei-a em vários pedacinhos e joguei fora. Mas a original estava comigo.

Entrei correndo e fui para o meu quarto.

– Seus pais saíram – Disse Bebel.

Nem liguei para a Bebel. Fui para o meu quarto preocupada com o que me esperava. Deitei na cama e fiquei pensando no que eu ia fazer. Eu rasguei uma, mas há várias cópias.

Minutos depois, Lolla entra nervosa no meu quarto.

– Você pode me explicar o que é isso? — ela segurava uma das cópias da página. – Lolla falou nervosa.

– A cópia da última página do meu último diário — pela primeira vez, fui sincera.

– Isso é verdade, Dakota? – Lola perguntou.

Respirei fundo e não disse.

– Eu não acredito que você foi capaz de fazer tudo isso, sua vadia – ela já estava vindo em minha direção.

O rosto dela passava raiva e mágoa. Meus olhos encheram de lágrimas e minha respiração acelerou.

Eu não consegui dizer nada.

"Hoje, com toda certeza, é o último dia que eu registro algo no meu diário, pois depois de hoje, quero começar uma nova fase na minha vida, sem precisar escrever nada. Já tomei banho e estou pronta para dormir, mas minhas lágrimas não deixam. Cheguei em casa toda suja por causa do incêndio, assustei minha família, me assustei. O que aconteceu foi que, John, aquele velho desgraçado ficou sabendo que eu me encontrava com Peter na cabana deles, perto do lago. Não sei como. Recebi uma mensagem, e como das outras vezes, marcava de nos encontrar escondido. A gente sempre transava, mas fazia dias que não passava de uns amasso, acho que estava esfriando, sei lá. Achei que era tipo uma "reconciliação" e fui. Mas cheguei lá, o velho estava rindo da minha cara e com o celular na mão. Ele dizia que sabia de tudo e que ia contar para todo mundo. Comecei a xinga-lo e ele disse que queria que eu fizesse com ele tudo que eu fazia com Peter há um ano. Vi que o velho além de desgraçado era safado, então tentei sair correndo. Como ele é homem e mais forte, ele me puxou (não gosto nem de lembrar) e arrancou a minha blusa. Comecei a me debater e ele caiu em cima de um armário que continha alguns produtos tóxicos. Alguns dos produtos caíram nele, e outros no chão. Com muita raiva, ele me puxou e me apertava forte pelo braço, enquanto beijava meu pescoço, passando aquela barba nojenta dele em mim, juro que estou chorando agora só de lembrar. Para minha sorte, vi um isqueiro dentro do bolso dele, pois ele fumava, e peguei enquanto ele tentava abusar de mim. Acendi e joguei. Quando ele viu que começou a pegar fogo, ele me soltou assustado, perguntando o que eu tinha feito. A cabana era de madeira, não demorou muito para o fogo se espalhar. Peguei minha blusa e sai correndo. Ele tentou correr atrás de mim, mas o infeliz caiu, e como o seu corpo estava molhado com o produto, começou a pegar fogo nele. Ele começou a pedir ajuda e eu sai correndo, tentando me salvar do fogo. Por sorte, consegui sair. Em poucos segundos, a cabana inteira pegava fogo, e eu estava do lado de fora, toda suja, chorando. Coloquei a blusa, me sentindo muito humilhada, e fui para a casa. Não contei nada para minha mãe, nem para ninguém. E amanhã, se John estiver vivo ou morto, eu não me importo, eu quero que esse velho apodreça no inferno."

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.