– Peter..

– Eu só vim trazer o seu diário de volta – ele falou.

– Vai embora, por favor – fiquei um pouco temerosa, se o pegassem ali, a minha situação que não estava boa, com certeza pioraria.

– Eu não resisto — olhando no fundo dos meus olhos.

– Não quero mais fazer isso, ela é minha amiga.

– Eu sinto sua falta, você não sabe como fiquei quando você foi embora sem me avisar, um ano demorou tanto pra passar.

Peter e Lolla namoram há três anos. O primeiro ano foi mil maravilhas. O segundo, nem tanto. Eu e Peter começamos a ficar. Ninguém sabia. Principalmente a Lolla. Eu me sentia mal fazendo isso, mas era mais forte do que eu. Ficamos um ano assim, até que aconteceu toda aquela historia e eu fui embora. O terceiro ano deles até que foi bom, pois eu estava longe. Mas agora eu voltei. Mas voltei evitando Peter, eu não quero continuar com isso. Mas ele não aceita. Infelizmente, essa noite eu não resisti. Ele se aproximou e a gente se beijou. Nos beijamos e nos agarramos muito, mas não passou disso. Acabei dormindo no peito dele. Ele também adormeceu. No outro dia, o sol apareceu – depois de tanto tempo – não era um sol muito forte, mas o suficiente para clarear todo o meu quarto.

– Peter, acorda..

– Hã? — esfregando os olhos.

– Tá na hora da escola.

– Nossa – se levantou rapidamente – preciso ir antes que a cidade acorde.

– Então se apresse.

– Até daqui a pouco – sorriu.

Ele foi embora pela Janela. Respirei fundo, pois não estava tranquila com isso. Escondi muito bem meu diário, me arrumei, tomei café e fui pra escola antes que alguém acordasse. Cheguei na escola, Lolla estava lá sozinha. Passei reto, mas não adiantou.

– Dakota..

– Oi — sorri.

– Você ia passando reto?

– Eu ia? – Respondi me fazendo de sonsa, é eu ia! Você tem a pior amiga que existe.

–Você ainda tá chateada comigo por causa daquilo? desculpa amiga, eu acredito em você sim.

– É — sorri — deixa isso pra lá.

– Senta aqui comigo, tô esperando o Peter.

– Tá — me sentei sem graça.

– Por que será que ele ta atrasado?

– Deve te perdido a hora – falei, eu estava mentindo novamente, sempre assim.

– É, deve ser – ela respondeu.

Me senti muito mal.

– Vou pra sala, tenho umas questões pra terminar – falei tentando sair daquela situação. Meu coração estava aflito, eu não iria continuar naquilo.

– Sério?

– Aham — que desculpa horrível.

– Tudo bem, vou ficar aqui esperando ele.

– Certo.

Cheguei à sala e sentei isolada. Milles se aproximou.

– Posso me sentar aqui? – Ele perguntou.

– Claro.

– Preciso ir ao banheiro, você guarda pra mim?

– Tudo bem – sorri e respondi.

Milles saiu e em poucos minutos Peter entrou. Ele sentou do meu lado.

– O que você ta fazendo?

– Me sentando aqui – ele respondeu, como se aquilo fosse óbvio.

– Lolla tá te esperando lá fora.

– Eu sei.

– Peter..

– Ela nem me viu.

Respirei fundo. Aquela não era uma boa desculpa, só piorava tudo, agora ele estava aqui e ela estava lá fora o esperando. Sei que não sou uma das melhores amigas que ela teve, mas estou tentando melhorar e ele não está colaborando.

– Você pode sentar em outro lugar?

– Por quê?

–O Milles tá sentando ai.

Ele me olhou com raiva.

– Ok – sua voz estava alterada, ele se levantou e saiu nervoso.

Pronto, meu humor mudou.

– Obrigado – Milles falou e após isso se sentou.

– Tudo bem.

– Nossa, que demora do professor – ele falou tentando puxar algum assunto, não foi o melhor começo, certo.

– Você é nerd? – Perguntei.

– Como?

– Quem tá ligando para o professor?

– É – ele estava meio sem graça — eu nem tô.

– Que bom – respondi.

– Você ainda tá trabalhando?

– Sim.

–Que injustiça isso, uma pessoa tão maravilhosa como você pagando pelo que não fez.

– Como você tem certeza disso? – arqueei a sobrancelha.

– O pouco que estou aqui, já te conheço o bastante pra dizer que você é uma pessoa mara.

– Milles – interrompi – Fica quieto, ok? Você não sabe nada sobre mim, você não me conhece, eu não sou maravilhosa, então fica quieto.

Ele me olhou assustado. Balançou a cabeça com uma cara de decepcionado, se levantou e sentou em outro lugar. Lolla voltou indignada.

– Ele foi embora – ela falou.

– Como?

–O Peter, ele entrou e depois foi embora.

Fiquei a manhã toda ouvindo a Lolla reclamar. Depois da aula, eu e a Lolla fomos embora andando e conversando sobre meu ano que passei na cidade grande. Só assim pra ela me dá atenção.

– Tem umas roupas que minha mãe comprou lá, que eu nem usei, quer experimentar? – Falei.

– Claro.

– Vamos lá em casa que eu já te dou.

Chegamos em casa, ela ficou conversando com minha mãe — o que fazia tempo que não acontecia — e eu fui no meu quarto. Não encontrei as roupas e voltei para perguntar para minha mãe onde ela guardou. Quando cheguei lá, ouvi elas conversando. Elas nem perceberam a minha presença. Sei que é feio isso, mas como ultimamente o que eu mais tenho feito é coisa errada, fiquei ouvindo a conversa escondido.

– Ela não me contou nada sobre aquela noite. – Lolla falou, parecia que estava respondendo a uma pergunta.. Que era óbvia.

– Ela disse que escreveu em um diário, você é amiga dela, talvez saiba.

– Quer que eu pergunte?

– Ela não vai dizer, tenta achar esse diário. – Minha mãe falou.

– Ah tia, será?

– Por favor, você não fica curiosa? – Minha mãe estava incentivando ainda mais a Lolla mexer em minhas coisas.

– Um pouco – Lolla respondeu.

– Então, preciso muito disso, me ajuda.

– Tudo bem, vou ver o que eu posso fazer.

Voltei para o meu quarto e gritei lá de cima:

– MÃAE! CADÊ AS ROUPAS NOVAS?

– Está no meu quarto, já vou pegar — ela respondeu disfarçando.

Desci e a Lolla estava sozinha.

– Estava falando com minha mãe? – Perguntei à Lolla.

– Aham.

– Sobre o que? – Insisti

– Nada demais — sorriu.

É, eu não sou a única que mente aqui.

– Dakota, me empresta aquele seu livro que você tava lendo antes de ir embora?

– Claro – respondi.

– Você já terminou de ler?

– Sim.

– Vou lá buscar tá?

– Tá — sorri.

Fui dando corda. Ela foi para o meu quarto e eu fiquei lá em baixo. Esperei alguns minutos e fui atrás. Cheguei lá e fiquei espionando. Ela estava revirando as minhas, atrás do diário, é claro. Entrei de surpresa.