Escrito nas estrelas Parte ll
9 Tempestades no horizonte
Claire
Parada na sala de estar do chalé na da casa de campo do Kyle, eu não conseguia acreditar como a Sarah me convenceu a vir pra cá. O lugar era lindo, mas a minha intuição me dizia que isso não seria umas ferias. A casa é linda, e o chalé onde estou totalmente diferente das casas que eu vi em São Francisco. Seu exterior é feito de madeira do chão ao teto, na sala onde estou consigo ver as vigas do teto, muito bem envernizadas com uma lareira de granito. Em frente a ela tem uma mesinha de centro com rosas vermelhas em um jarro. Há duas poltronas brancas com desenhos a esquerda e um confortável sofá a direita, ideal para um dia frio e chuvoso, o meu quarto as paredes são feitas de gesso na cor verde. Uma cama de ferro branco está colocada no centro, as janelas do chão ao teto tem uma vista maravilhosa para o lago. Elas dão acesso a um deck com duas cadeiras de madeira. Perfeito para ver o por do sol.
Mas sei que não posso ficar aqui, preciso ir até a casa principal. Estamos em um lugar chamado Yorkville a aproximadamente 1:30 minutos de Chicago. O Chalé tem apenas um quarto por isso a Sarah preferiu ficar na outra casa com o Uriah, isso vai ser bom, eles precisam de privacidade e eu também. O caminho de acesso a casa é feito de pequenas pedras, as grandes arvores em volta dela dá uma sensação de estar em um paraíso secreto. Mas nem tudo é perfeito, assim que coloco meus pés dentro da casa, ouço um grito estridente vindo da cozinha acompanhado de um baque surdo.
Encontro a Sarah e a Tris descendo as escadas e corremos em direção ao som, o que vemos na cozinha me deixa chocada. Sentada em uma cadeira tinha uma menina, seu rostinho estava transformado pela fúria, a babá estava ao seu lado e próximo ao meu pé havia um prato quebrado e pelo chão, vários respingos de comida. Ela tinha cabelos castanhos e encaracolados, seus olhos eram de uma cor entre o castanho e o verde, nariz fino e arrebitado e uma boca em forma de coração.
– O que aconteceu aqui. — a voz da Sarah me fez olhar para a babá, sua expressão era de alguém derrotada, por um momento eu senti pena dela. Ela olhou para nos três e uma expressão de alivio passou pelo seu rosto.
– Graças a deus vocês chegaram. Quem de você veio para cuidar dessa... dessa coisinha ... ?- ela estava tão brava que nem conseguia dizer o nome da garota, ou queria dizer um nome feio, mas estava se segurando.
– Como assim cuidar? — eu me ouvi perguntando.
– É você? ótimo, por que eu me demito! diga para o senhor Kyle que não precisa me pagar os meus dias trabalhados.
– Como assim você se demite? há quanto tempo está aqui?
– Há duas semanas, olhe foi muito, ninguém consegue cuidar dessa pestinha.
Eu olhei novamente para a Lara, ela estava sorrindo com sua pequena vitória. Quando percebi, a baba já tinha saído da cozinha furiosa. Nesse momento entrou uma senhora com cabelos grisalhos e pequenas rugas nos cantos dos olhos. Ela olhou para a cozinha e novamente para a garotinha.
– De novo Lara? assim você dificulta as coisas, você tinha prometido ser boazinha lembra?
– Ela era muito chata! não gosto dela.
– E de nenhuma das outras pelo que ouvi. — eu disse para mim mesma, mas quando olhei para a menina ela me encarou.
– Você vai ser minha babá agora? — ela perguntou descendo da cadeira e se postando na minha frente.
– Não! — eu disse com firmeza, o Kyle que se encarregasse disso.
– Não importa, você também vai embora igual as outras. — ela disse e cuspiu em mim.
– Lara! — a senhora ralhou, seu cuspe acertou a parte da frente do meu jeans. — Me desculpe, eu sou a sra. Carson, mas pode me chamar de Olívia.
– Muito prazer eu sou a ....
– Eu sei, Senhorita Claire. — fiquei surpresa, pois ninguém tinha se apresentado ali, e ainda havia a Sarah e a Tris do meu lado. — Como a senhora sabe que eu sou a Claire?
Ela pareceu momentaneamente envergonhada, mas se recuperou rapidamente.
– Desculpe, eu não quis ser indelicada, é que o senhor Kyle a descreveu pra mim. — eu não conhecia a Olívia, mas sabia que ela estava mentindo pelo simples fato de não conseguir me encarar.
– Eu é que tenho que pedir desculpas pelas minhas maneiras rudes. Espero que possamos ser boas amigas.
– Com certeza seremos! — ela disse com um sorriso de covinhas. A minha frente a Lara estava ficando impaciente, provavelmente por não ser o centro das atenções. — Lara peça desculpas pra Claire, vamos.
– Não! — ela cruzou os bracinhos em frente ao corpo.
– Lara, eu estou mandando!
A única resposta dela foi colocar a língua pra mim e ir em direção a uma cadeira que ela puxou até a pia. Ela subiu rapidamente na cadeira e começou a pegar os pratos do escorredor e jogar no chão. Ela já tinha quebrado vários antes que a Olívia chegasse até ela.
– Nossa! — do meu lado a Tris olhava para a garotinha horrorizada.
– Vocês não virão nada ainda. — a voz da Olívia chegou até mim em meio ao choro da Lara. Nesse momento o Tobias e o Uriah apareceram na cozinha e observaram a cena que se desenrolava a nossa frente.
– Quantas babás foram contratadas para cuidar dela até hoje? -eu me ouvi perguntando.
– Já perdi as contas, principalmente no último ano. O recorde de tempo foram três semanas.
– Wow, — o Tobias atrás de mim assobiou.
Eu não tinha a intenção de cuidar dessa pestinha, mas no momento não tínhamos escolha. A Olívia não poderia preparar o almoço e cuidar dela ao mesmo tempo.
– Ok, eu cuido dela por enquanto!
Mal sabia eu que até que o dia terminasse, me arrependeria de ter me feito essa promessa. A Lara não facilitou em nada, vivia correndo de um lado para o outro. O maior problema era a piscina em frente a casa e o lago ao fundo do chalé onde eu estava. A garota sabia mais palavrões do que eu poderia aprendi até hoje, e ele sabia usar eles muito bem. Fiquei me perguntado como o Kyle deixou que ela chegasse a esse ponto. Mas eu até que tinha dó dessa criança, não consigo ver o Kyle dando atenção ou carinho para qualquer um que seja muito menos para uma criança. Ela estava correndo em direção ao lago novamente, todos os outros tinham fugido e me deixado na mão, bom até eu se pudesse teria escapado.
– Volta aqui Lara! — eu gritei quando sai correndo atrás dela.
– Me solta! — ela gritou quando eu a segurei. — Você não é minha mãe! não pode me dar ordens.
Mais cedo a Sarah tinha me dito que a esposa do Kyle havia morrido assim que a Lara nasceu. Isso e o distanciamento do pai com certeza é o motivo por essa criança ser tão rebelde, já percebi que salvo Olívia ela repele todos que se aproximam, provavelmente por que tem medo que a deixem.
– Calma! — segurei seus dois braços junto ao corpo enquanto ela se contorcia. — Não sou sua mãe! mas você vai me obedecer.
eu a joguei sob meu ombro e a carreguei para o chalé enquanto ela batia seus pequenos punhos nas minhas costas. No horizonte o céu já estava ficando laranja com o por do sol. Ao entrar tranquei as portas e janelas e a soltei dentro de casa.
– Nada de bagunça, se você tirar algo do lugar por menor que seja você vai devolver. Está me ouvindo. — eu disso com a voz firme.
Como para me desafiar ela pegou o vazo de flores da mesinha de centro e jogou no chão, água, cacos e flores ficaram esparramadas. Ela me encarou de volta e eu tive que admitir, ela era tão teimosa e obstinada quanto eu.
– Pega do chão Lara! -eu disse firme.
– Não!
– ok então, — eu tranquei todas as portas que davam para os outros cômodos. A deixei na sala e fui fazer algo pra comer. — quando voltei na sala uma hora depois, ela estava sentada no chão. — Você está com fome? — ela não respondeu, mas eu sabia que sim. — você pode comer depois que limpar essa bagunça que você fez.
– Não vou limpar nada!
– Você quer comer?
– Não!
– Sem problemas. — eu me sentei em frente a lareira com um prato no meu colo, essa garota precisava de disciplina, algo que nem o pai e nem as várias babas conseguiram dar. — tem certeza que não quer? está uma delicia — eu tinha feito uma sopa de feijão com carne, que tinha aprendido ainda com minha mãe, a Sarah sempre gostou.
– Já disse que não! você não me ouviu?
– Não, o que eu ouvi foi seu estômago roncando. Sabe se você continuar sem comer vai ficar tão magrinha que daqui a alguns dias não vai desaparecer.
Isso parece ter chamado a sua atenção.
– Você está mentindo!
– Não estou não, eu conheci uma garota que não comia, ela ficou tão fininha que um dia não conseguimos mais ver ela.
Ela ficou quieta por um tempo, pensei que ela não fosse mais falar ou tivesse dormido.
– Foi isso que aconteceu com minha mãe? ela não quis comer e desapareceu. — Quando me voltei em sua direção o seu lábio inferior estava tremendo com o choro reprimido, isso cortou o meu coração. Me levantei e a peguei no colo, ela não resistiu.
– Não querida, isso não aconteceu com a sua mamãe.
– Então o que aconteceu?
Pela primeira vez passou pela minha cabeça que o Kyle nunca tivesse falado sobre isso com ela, Esse bastardo estava precisando de um bom sacode.
– Você já viu as estrelas a noite?
– Já. — ela fungava com o rosto enterrado em minha camiseta.
– Sua mamãe precisava ir, mas ela não queria. Ela queria ficar aqui cuidando e olhando por você.
– É verdade?
– Sim, é claro que é. Eu acho que ela ficaria muito feliz se você comesse alguma coisa. Você está com fome?
Ela balançou a cabeça.
– ótimo, por que eu fiz uma sopa deliciosa pra nós.
Me levantei do chão e nos duas andamos de mãos dadas para a cozinha. Essa criança não precisa de várias babas, mas apenas de carinho e atenção e enquanto eu estiver aqui eu darei isso a ela. Essa é uma promessa.
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