Claire

As palavras do Kyle não saiam da minha cabeça, em uma coisa ele tinha razão. Evitar os problemas não vai ajudar em nada. Ir embora e esquecer o que está acontecendo aqui é o mesmo que fugir. Detesto ter que concordar com ele. A minha vontade é de socar tanto aquele rostinho até que ele fique irreconhecível.

– Claire! Planeta terra chamando.... — só ouvir essa voz me dá nos nervos.

Quando me viro pra ele, um sorriso de deboche está estampado no se rosto, seguro minha mão direita para não tirar esse sorriso com um tapa.

– O que você quer agora?

– Você não ouviu nada do que foi dito, não é mesmo.

– Se você acha que vou me desculpar perdeu seu tempo.

– Imagine! seria esperar muito de você.

Não sei por que estou aqui, o Uriah tinha levada a Sarah pra algum lugar, por que estava difícil fazer a reunião com ela chorando o tempo todo. De todos ali a única pessoa que não me incomodava era o Mathew. Na verdade eu mais me sentia como um peixe fora d' água.

– Qual é o seu problema? será que não pode me deixar em paz um minuto? Será que é pedir muito que você cuide da sua vida? — me levanto e a Cadeira sai voando pra trás. Quando tento me afastar ele segura o meu braço.

– Não, mas você vai ficar e ouvir até o fim.

– Quem você pensa que é para me dar ordens?

– Só o seu chefe.

– O que?

– Você saberia se estivesse prestando atenção quando estávamos falando, mas não, você estava em um mundo de fantasias. Sonhando acordada, já disse pra você descer das nuvens, ou vai acabar sendo atropelada pela vida real. — ele soltou meu pulso bruscamente.

– Você fala como se isso já não tivesse acontecido. — falo enquanto massageio o lugar onde ele apertou com força.

– Ficar se lamentando não vai mudar o fato de que você está morrendo. Aceite isso, e siga com o que resta da sua vida.- sua voz subiu uma oitava ao dizer isso. Ele começou a andar de um lado para o outro.

– Kyle! — a voz do Arthur sou potente e alta pela sala.

Me aproximei do Kyle e olhei bem dentro dos seus olhos escuros, não estava magoada por suas palavras, mas ninguém vai me dizer o que fazer.

– Eu tenho pena de você! Vai morrer sozinho lentamente, consumido pela sua maldade.

– Isso não me assusta! Agora se já acabou com o seu sermão, vamos ao que interessa, Preciso de alguém pra cuidar da minha filha e protege-la. O Arthur indicou você, no inicio eu não queria, mas você é tia dela e é óbvio que precisa de um trabalho para se manter. — ele olhou para as minhas roupas, com cara de desdem. A Clara tinha me emprestado, mas suas roupas ficavam um pouco justas em mim.

– Dispenso!

– Não acho que você está em condição de dispensar trabalho. Afinal pensei que você fosse independente, não gostasse de depender dos outros.

– E não gosto, mas não quero e nem preciso trabalhar para você, além do mais não levo jeito com criança. Ser babá não é minha praia.

– Não é para ser babá, ela tem quem cuide dela, só preciso de alguém que seja capaz de protege-la caso aconteça algum imprevisto.

– Pode esquecer!

– Você é muito teimosa, não acredito que você não precise de trabalho. De que vão viver então pode saber?

– Claro! diferente do que você possa pensar, não sou nenhuma sem teto. Tenho dinheiro suficiente para que os netos da Sarah não precisem trabalhar.

– Como você conseguiu tanto dinheiro. — ele perguntou e eu vi que ele não acreditava em mim. Azar o dele.

– De forma honesta é claro! ai desculpe você não sabe o que é isso.

– Não me provoque garota!

– Chega vocês dois. — a voz do Arthur parecia cansada.

– Claire, entendemos que você não precisa e nem quer o nosso dinheiro. Mas nós precisamos da sua ajuda. A filha do Kyle se chama Lara, ela quase foi sequestrada há 2 dias quando passeava com a babá.

– Sinto muito mas não posso. Por que não pedem a Clara, talvez ela aceite.

– Precisamos da Clara aqui, para treinar os recrutas já que a Tris e o Tobias vão voltar para o centro de Chicago.

Já tinha até me esquecido que eles estavam aqui. A Tris devia estar dando pulos de felicidade por dentro. Ficar longe do Tobias seria bom pra mim, cortar os laços de uma vez por todas. E por outro lado, talvez essa fosse a melhor solução, apesar de eu odiar o Kyle por ter prazer de torturar as pessoas, isso poderia me ajudar a obter algumas respostas. Mantenha os amigos sempre perto de você e os inimigos mais perto ainda. Tenho pena dessa criança, ninguém merece ter um pai como esse, mas ela está em perigo, ou assim eles dizem, não posso ignorar isso.

– Quantos anos a garota tem?

– Quatro.

– Ok, mas tenho três condições.

– Sem problemas. — o Arthur disse animado e depois olhou para o Kyle quando esse não disse nada. Kyle?

– Claro, quais seriam as condições?

– 1º não recebo ordens de você.

– Feito! — o Arthur respondeu quando o Kyle abriu a boca para protestar.

– 2º só vou ficar até encontrarem alguém.

– E qual seria a terceira?

– Não quero vê-lo na minha frente!

– Humm.. isso vai ser complicado, pois vamos morar sob o mesmo teto. Afinal de contas você vai trabalhar em tempo integral.

– A época da escravidão já acabou ou você se esqueceu? não abusa da sorte.

– Ele tem razão Claire, morar lá vai facilitar as coisas.

Droga eu não havia pensado nisso. A garota precisava de proteção 24 horas, no que foi que eu me meti dessa vez.

– Se virem, só vou ficar durante 8 horas por dia, vou procurar pela Sarah. Vamos para Chicago assim que amanhecer. Com licença.

Nem pensar ficar em baixo do mesmo teto que esse ogro, só de pensar nisso sinto um arrepio subir pela minha espinha. Que seja o que deus quiser.