Escrito nas estrelas Parte ll
11 Controlados
Claire
As vezes fico pensando como seria, sem toda essa loucura em que estamos vivendo hoje. Quando deixei o Kyle falando sozinho mais cedo e vim para o chalé, a única coisa que eu queria é esquecer tudo isso por um tempo. Não fui pra Chicago para comprar roupas como disse para a Sarah, apesar de ter feito isso. Fui atrás de respostas, durante a semana, revirei a casa inteira e não encontrei nada que indicasse o que o Arthur e o Kyle estavam fazendo
Encontrar o Gabriel não foi difícil, eu sabia onde ele estava antes mesmo de sair de casa, invadir sistemas sempre foi fácil pra mim, mas primeiro preciso saber o que procurar. O que ele disse ainda esta dondo voltas na minha cabeça. Ele me disse que ele foi uma especie de voluntário na sala de tortura, deixando subtendido que nem o Arthur e nem o Kyle queria fazer aquilo, mas foi preciso por alguma razão. O que me leva a outra pergunta, por que o Gabriel iria colaborar, a menos que ele conhecesse os dois antes e tivesse que ser punido por algo. Foi quando me lembrei que o Gabriel nasceu aqui, se me lembro bem, tanto o Gabriel, a Clara e o Clone da Tris tinham sido levados apos um ataque a quatro anos, mas e se isso foi algo deliberado?
Sentada em uma cadeira no deck, a minha frente se encontrava o lago e no horizonte os últimos raios de sol tingia o céu de laranja, refletindo no lago. Isso deveria me deixar calma, mas cada vez eu dicava mais agitada. Atrás de mim a porta do meu quarto que dava acesso ao deck se abriu, quando me voltei o Kyle estava parado lá me olhando, em poucos passos ele estava ao meu lado, silenciosamente ele se sentou na outra cadeira. Não falamos por um bom tempo, somente olhando para o por do sol, finalmente eu decidi voltar para dentro, mas ele me impediu.
– O que foi agora? — seu olhar se fixou em mim, um músculo na base do seu pescoço saltou e percebi que ele estava tentando se controlar.
– Eu queria te pedir desculpas por hoje mais cedo... — ele pedindo desculpas, se isso não for um milagre está perto. — fiquei preocupado e acabei perdendo a cabeça.
– Não precisa se preocupar comigo, sei me cuidar.
– Não, você não sabe e esse é o problema.
– Desculpe. como é que é? — perguntei erguendo uma sobrancelha.
– Você não sabe se proteger, por que não sabe onde está o perigo.
– Ok, então o minimo que você pode fazer é me contar, não?
– Não posso! mas preciso que você pare de procurar, não é seguro pra você.
– Não estou procurando nada.
– Esta sim, eu conheço você Alice, você nunca está satisfeita com a explicação que te dão.
– Espere um pouco, do que você me chamou, Alice? Quem é.
Seu rosto ficou branco como papel, e ele olhou pra longe.
– Ninguém, foi um lapso de memória. Mas estamos falando de outra coisa.
– Tudo bem então vamos falar de forma clara está bem.
– Eu vi o que você fez com o Gabriel.
Ele não parecia surpreso.
– Não é o que parece.
– Eu sei, quem te obrigou a fazer aquilo?
Ele voltou sua atenção para mim.
– Você o encontrou, e ele deixou escapar não foi. Não sei por que estou surpreso você sempre consegue o que quer.
– Sabe as vezes tenho a impressão de que você está falando de outra pessoa.
– Estamos falando de você, de quem mais seria?
– Me diz você?
– Não perca o foco da conversa.
– Não perdi e você não me respondeu. Quem te obrigou.
– É complicado.
– É claro que é, mas vou facilitar para você. A ida dos três clones para São francisco foi algo planejado por você, só não sei com que propósito. Vocês tem que prestar contas pra alguém, ou não teriam feito aquilo e por último você sabia ou deduziu o que eu tinha visto. Por que não explicou.
– Eu não tinha certeza, mas desconfiei quando te encontrei vindo daquela direção e por você me tratar com tanta hostilidade depois de eu te-la ajudado.
– Ter me ajudado? quando foi isso?
– Quando você desmaiou, não se lembra?
– Aquele encontrão foi com você? — me lembro de ter perguntado pra Sarah dias depois se ela sabia quem era, mas ela não soube me dizer.
– Me disseram que foi uns seguranças que me levaram para a enfermaria.
– Os meus, entenda, eu estava ali para supervisionar uma tortura, não podia chamar atenção.
– Você fez bem mais que supervisionar. Mas você ainda está me enrolando. Não pense que eu acredito nesse negócio de genes ruim e genes bom, sei que existe uma coisa mais podre do que a loucura de alguns cientistas por trás disse.
– Está bem, vou te contar tudo, você vai acabar descobrindo mesmo, e pode acabar se machucando no processo. Você já ouviu falar na marca da besta?
– Sim, há muitos anos atrás as pessoas associavam isso a bíblia.
– Exato. A marca da besta como era conhecido é um chip que foi implantado na palma da mão das pessoas. Nele estavam muitas informações pessoais, bancaria, e até mesmo genética. Foi dito pra população que era um beneficio, você não teria que ficar horas em bancos, ficar fazendo fichas cadastrais, tudo seria eletronicamente. Mas era só uma forma de controlar as pessoas, saber onde elas iam, o que faziam, com quem se relacionavam etc.
– Isso eu já sei.
– O que você não sabe é que esse chip passou por muitas modificações, hoje ele é implantado atrás da orelha esquerda e é muito mais agressivo do que o primeiro. Ele é feito de material sintético, então você não consegue perceber se passar a mão por cima.
– O que eles querem com isso?
– O de sempre, controle poder. O chip solta uma espécie de veneno na sua corrente sanguínea, com isso correndo em suas veias fica mais fácil para o seu corpo responder aos comandos do chip. Ele suplanta totalmente a sua identidade.
– E você vira um fantoche, mas nesse caso permanente.
– Exatamente.
– Eles estão testando isso nos clones não é mesmo?
– Sim!
Eu me levantei e comecei a andar de um lado para o outro.
– Mas se eles tinham os clones para servir de cobaias, por que organizar as pessoas em comunidades, isolando-as.
Quando eu olhei pra ele, vi a resposta.
– Seriamos os próximos não é, o experimento mais importante por que somos humanos. — Ele não respondeu, mas não me encarou.- Mas e toda essa coisa de divergentes?
– Vocês não respondem ao chip!
– E o soro de regeneração? — perguntei com um fio de esperança, de que isso também fosse mentira.
– Não, isso é real.
Não é difícil entender por que o governo quer o soro, mas eles não precisam de mim, então por que o pessoal de São francisco me queria?
Não percebi que tinha falado em voz alta até ele me responder.
– Por alguma razão, diferente dos outros divergentes que só desenvolveram resistência contra o Chip. Você desenvolveu anti corpos contra o Soro, isso nos dá a Chance de trazer de volta as pessoas que estão sendo controladas. Ter você é um grande trunfo nas mãos, pode arruinar os planos do governo.
– Mas eu estava na base deles, eles devem saber onde estou agora.
– Eles não sabem, são poucos os humanos que temos na base e todos de confiança, quanto aos clones...
Ele deixou a frase morrer, não precisava entender.
– Onde você se encaixa nisso? por que está com eles.
– Alguém precisa para-los. Eu sou um dos homens de confiança do presidente e com o Tobias na politica de Chicago, estamos tentando para-los.
– Os rebeldes?
– Eles querem acabar com isso pela força. Não precisamos de uma guerra civil agora. Sei que é difícil pra assimilar, mas você queria a verdade agora a tem.
Sua expressão mudou pra zangada, não sabia o que eu tinha feito, ou dito para deixa-lo bravo.
– É você que está nesse angu.
– E você esta no meio dele, na linha de frente. Entende por que não quero que você saia por ai sozinha?
– Não vou virar uma prisioneira por causa da loucura dos outros.
– Você só vai sair daqui quando eu autorizar.
– E quem vai me impedir? aqueles seus capangas que estão espalhados pela propriedade? devo dizer que não foi difícil passar por eles.
– Você vai fazer o que eu mandar! fim de papo. — ele estava se aproximando cada vez mais, mas eu não rucuei.
– Não!
Um rosnado escapou de sua garganta e ele me segurou, de repente eu estava pressionada contra o seu corpo musculoso, sua boca desceu sobre a minha. Eu arfei de susto, foi quando sua língua tocou a minha, exigindo uma resposta. Seus lábios sob o meu era duro, uma mistura de raiva e desespero, que rapidamente foi ficando mas suave e macios. Por deus isso estava me deixando louca, as suas mãos explorando todo o meu corpo, sua boca e língua fazendo maravilhas, Um som rouco subiu pela minha garganta, enquanto eu precionava o meu corpo ainda mais contra ele. Só que tão abruptamente como o beijo começou ele acabou, ele me soltou, seu olhar era uma mistura de desejo e arrependimento, sem uma palavra ele fez o mesmo caminho de volta, batendo a porta do meu quarto e eu fiquei lá sem saber ao certo o que tinha acontecido. Me sentei na cadeira e coloquei a cabeça entre as mãos.
– Nossa, o que foi isso?
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