– Está atrasada! — digo quando a Clara se aproxima. Ela olha o relógio e revira os olhos, exatamente como eu faço as vezes.

– Você é muito exagerada! — seguimos andando em direção a sede da erudição, paramos em um beco de frente pra porta de entrada.

– Qual é o plano? — ela pergunta.

– Entrar. — digo.

– Como assim ? entrar. Você deve ter pensado em uma forma de entrar sem sermos vistos não é mesmo?

– Na verdade não! o plano é bem simples, nos dirigimos a recepção e pedimos pra falar com o lider da erudição.

– Você só pode estar brincando! e depois você espera que eles nos deixem ir.

– É exatamente isso, se eles se oporem podemos força-los a nos deixar ir. — digo e começo a rir da sua expressão. Nunca pensei que ficasse tão engraçada quando estou chocada. A boca da Clara estava aberta em um O perfeito.

– Você é louca!

– Essa não é a primeira vez que ouço isso, e não será a última que você ouvirá. Você deveria gostar de adrenalina igual a mim.

– É claro que gosto, mas isso é suicídio. Você sabe o que eles farão conosco se nos pegar?

– Não, mas estou louca pra ver eles tentarem.

Começo a andar em direção ao prédio, no meio do caminho percebo que a Clara ainda continua parada no mesmo lugar.

– Você não vem? não é obrigada, mas é pegar ou largar!

– Estou começando a achar que isso vai ficar feio. — ela resmunga e me segue. — tenho outra opção?

– Se quiser entrar não!

– Ok, seja o que deus quiser então.

– Hummm... você acredita em deus?

– Claro! — ela diz com firmeza.

– Então é melhor começar a rezar. Vamos precisar de toda a ajuda!

Quando chegamos na recepção, uma garota morena vestida com um uniforme da erudição nos recebe com um sorriso. Até ela perceber a semelhança entre mim e a Clara. Seu sorriso se transforma em uma expressão de espanto. Ela leva a mão ao telefone e eu automaticamente a seguro.

– Soubemos que vocês estão retendo alguns amigos nossos contra sua vontade aqui. Viemos apenas pega-los, seja boazinha e não faça escândalos, está bem?. Ela abria a boca e a Clara foi rápida tampando-a. — Isso fica comigo!

Peguei o cartão que estava em cima da mesinha sem que a garota percebesse, e escondi por dentro da minha calça. Se não estivesse errada isso daria acesso a todas as portas ali dentro.

– E agora? — a Clara pergunta. Soltamos a garota e recuamos.

– Vamos procurar pela Sarah e pelo Tobias. — me viro pra garota pelo que parece não sabe o que a erudição apronta depois do expediente. — Essa garota aqui é meu clone, ela é incrivelmente poderosa, se eu fosse você não a deixaria irritada. Então finja que não nos viu.

A garota ficou mais nervosa ainda. Saímos andando pelo corredor e uso o cartão pra abrir algumas portas. Infelizmente esse cartão não abriria as portas que eu queria, mas não se pode ter tudo. As pessoas nos olhava desconfiada, Salva a aparência mais jovem e o cabelo curto da Clara éramos idênticas, e pra varia estávamos vestidas com roupas de outra facção.

– Já estou começando a ficar entediada! — a Clara resmunga ao meu lado.

– Calma. Tudo a seu tempo.

No final do corredor aparecem cinco homens de terno, parecido com os capangas do Mathew.

– Droga! — ela diz.

– Pronta para o show? — pergunto.

– Você...nós vamos lutar com eles?

– O que está com medo? é a unica forma de chegarmos até eles! tem outra sugestão?

– Não!

– Ok?. — os homens estavam se aproximado cada vez mais. Ela acena que sim com a cabeça.

– Vocês não de veriam estar aqui! — diz o cara mais alto com um nariz de tucano.

– Sério? — digo com sarcasmo.

– Venham conosco! — ele diz e tenta segurar o meu braço. Eu me desvencilho e dou um soco no seu nariz, ouço o som quando ele é quebrado. Sangue escorre pela boca do cara que começa a me encarar furioso.

Depois disso, tudo virou uma confusão. Eu dei uma rasteira no primeiro cara e quando o segundo tomou seu lugar, bati com as mãos dos dois lados do seu ouvido, aproveitei pra dar vários socos e chutes. Do meu lado a Clara era rápida e precisa nos seus golpes, uma boa lutadora.

Depois de alguns minutos resolvemos que já estava bom e paramos de lutar, eu estava com o lábio inferior cortado e alguns arranhões e a Clara estava com uma das mãos segurando um lado das suas costelas.

Fomos empurradas por corredores sempre descendo.

– Você está bem? — movimentando apenas os lábios.

– Espero que você tenha um bom plano pra nos tirar daqui. — ela sussurra de volta.

Apenas dou risada da sua expressão furiosa. Acho que depois que descobri que meu tempo aqui na terra é mais curto do que eu esperava, resolvi que ficar irritada por coisas pequenas é bobagem. A vida foi feita pra ser vivida com intensidade e é exatamente isso que vou fazer.

Finalmente depois de descer vários lances de escadas, seguimos por um corredor mal iluminado, com várias celas dispostas uma em frente pra outra.

– Acho que vocês vão gostar dos seus companheiros de sela. — ele nós empurra para dentro de uma cela maior. A primeira pessoa que vejo é a Sarah, ela está sentada em cima de uma pequena cama com os joelhos no queixo e lágrimas nos olhos. Ela salta da cama quando me vê, eu a abraço enquanto ela continua a chorar descontrolável.

– Você está bem? — pergunto procurando ferimentos pelo seu rosto.

– Sim... — nos sentamos na cama.

– Então o que foi que aconteceu? eles fizeram alguma coisa com você?

Mas ela não responde, apenas continua a chorar. Pelo canto do olho vejo alguém se aproximar.

– Ela está só assustada! — ouço a voz do Tobias ao meu lado. Olho pra ele, aparentemente ele está bem.

– Você está bem? — pergunto.

– Estou, obrigado! — a Sarah ainda continua me abraçando, mas a crise de choro parece estar passando.

– E você?

– Eles disseram que estavam te torturando e não paravam de me perguntar onde você escondia a fórmula. Mas eu não sei e eles descreviam o que estavam te fazendo.

– Calma! não fizeram nada comigo, acabei de chegar.

– Mas sua boca está sangrando!

– Arrumamos uma pequena briga lá em cima.

– Isso é típico de você. — ela diz com um pequeno sorriso nos lábios.

– Eu não pensei que eles poderiam usar tortura psicológica, desculpe por ter demorado tanto pra vir.

– Tudo bem. Você tem um plano pra nos tirar daqui?

– Eu esperava que você tivesse. — digo e ambas rimos. Somos muito boas para criar planos idiotas, mas que dão certo.

Pela primeira vez dou uma olhada na cela. No canto do outro lado vejo a Clara abraçada a um garoto. Ele me parece familiar. Quando ele se aproxima eu levo um susto.

– Gabriel? o que você está fazendo aqui?

Ele me olha com uma expressão confusa.

– Você me conhece?

– Que brincadeira é essa? — pergunto.

– Brincadeira nenhuma! — ouço uma voz dizer do lado de fora da cela.

Quando me viro vejo outro Gabriel me encarando.

– Estava com saudades Claire. Me perguntava quando você nós daria a honra da sua visita. — ele diz rindo. — Sabe acho que dessa vez eles me deixarão terminar o que eu comecei três vezes e não terminei. Será um prazer mata-la.

A Sarah me aperta um pouco mais, as lembranças dos ataques voltam a minha mente.