Escrito nas estrelas

15 Proposta perigosa


O som do mar é uma das únicas coisas capaz de me acalmar nesse momento. O contato dos meus pés com a água me faz sentir viva, a areia sob meus pés me lembra que devo ter os pés no chão. Sem distrações, sem perdas de controle, diferente de tudo o que aconteceu nas três últimas semanas.

O Tobias não é culpado de nada disso, fui eu que me deixei levar pelas minhas emoções. Todas as escolhas foram tomadas por mim. Até mesmo aquela que resultou na minha quase morte. Não imaginei que que as coisas tivessem ocorrido dessa forma, uma pancada na cabeça, provavelmente um traumatismo e consequentemente... morte cerebral....

É engraçado como as coisas as vezes apenas acontecem, por que tem que acontecer. Coisas banais e sem sentido. Um pequeno desvio do caminho e você terá que dar uma volta maior para encontra-lo novamente.

Desde que sai da audácia, estou andando sem rumo. Sou oficialmente de novo uma sem facção. Engraçado! se eles soubessem que ser um sem facção é até mais digno do que ser classificado, como se todos fossem animais.

Agora estou no antigo prédio próximo ao esconderijo do Uriah e me lembro de que não tomei precaução para não ser seguida. Ele abre a porta rapidamente e eu entro.

– Precisamos sair daqui! — digo, ele me olha com uma expressão de confusão no rosto e eu explico. — não tomei muito cuidado ao vir pra cá. Além do mais já está na hora de sair, nada de ficar por muito tempo no mesmo lugar.

– Tudo bem, posso fazer isso amanhã.

– Não, tem que ser essa noite!

– o que está acontecendo? você parece nervosa! — ele diz.

– Nada, só vamos fazer isso tá legal?

– Tudo bem, não quer mesmo me contar?

– Não vou mais ficar na audácia! ficarei aqui até o dia da fuga.

– Aconteceu algo?

– Não! pegue tudo o que você precisa daqui e vamos desativar. ok?

– Mas pra onde vamos, nem ao menos temos um lugar ou suprimentos! — ele diz impaciente.

– Não se preocupe! tenho um lugar e ele já está equipado.

– wow, sério? por que você não me falou dele?

– Não era importante naquela época.

– Quantos segredos mais você esconde de mim? — perguntou ele rindo.

– Muitos provavelmente. — respondo no mesmo tom de brincadeira, rindo também.

– Estava com saudades de vê-la sorrir! — ele diz.

– E eu com saudades de te dar uma surra. — começamos a trocar alguns socos de brincadeira.

– Mas e o Tobias? precisamos avisa-lo de onde vamos ficar.

– Deixei um bilhete dizendo que ficarei bem. — paro com a brincadeira. — entraremos em contato com ele pra saber se quer vir conosco.

– Mas por que ele não viria? — me lembro de que ele não sabe que o clone da Tris está na audácia. -

– As coisas mudaram um pouco. A Tris está na audácia.

– Sinto muito, sei como se sente com relação a ele.

– Ok. sem problemas. Preciso de foco, nada pode dar errado nessa fuga, e o Tobias era uma distração para mim. Ele sabe se cuidar.

– Eu não sei. — ele diz pensativo. — temos que lembrar que aquela não é a Tris, tenho medo que ele se esqueça disso.

– Ele já é bem grande. Errando e aprendendo meu caro. — dou um suspiro. — vamos lá, não temos a noite toda.

– Você acha que ele vai ficar com ela? — prendo minha respiração e olho para longe, me lembrando do beijo deles hoje de manhã. — sou um estúpido, me desculpe, eu...

– Tudo bem, e sim eles já estão juntos.

– Desculpe mais uma vez.

– Você já está soando repetitivo. — digo tentando fazer brincadeira. — Se quer um conselho, acho que deveria assumir o seu romance com a Sarah, não podemos nos dar ao luxo de perder tempo sofrendo com os vários " e se" da vida.

Ele me olha surpreso.

– Como você sabe disso? quero dizer não faz muito tempo.

– Eu sei, três meses! e eu não seria uma boa irmã se não soubesse o que acontece com a Sarah.

– Eu sei vocês são muito ligadas, nos íamos contar, só estava esperando um pouco sabe.

– Sim, e fico feliz que ela esteja com um cara legal como você. No entanto ela precisa saber sobre a sua condição. Não é justo ela entrar nisso de olhos fechados.

– Eu sei, e você tem razão! vai contar a ela sobre você?

– Não sei, isso é um pouco complicado. Quero poupa-la o máximo possível.

– Não vejo qual a diferença do meu caso pro seu, ambos não queremos que ela sofra! — ele diz com uma expressão de pesar no rosto.

– Você pode não ver, mas há. — digo e encerro o assunto, começamos a desativar o antigo posto policial.

* * * * * *

– Ai, droga! — digo exasperada.

– O que foi? — do meu lado o Uriah pergunta. Acabamos de ativar as câmeras de segurança no novo esconderijo.

– Uma das câmeras não está funcionando. Fique aqui enquanto vou verificar.

– Qual delas?

– A externa! volto em alguns minutos, se isso não acontecer, quero que vá atrás de mim.

– Tenha cuidado!

Sigo em direção a porta, do lado de fora tudo parece calmo. Olho em direção a câmera minúscula no teto, onde ela deveria estar, mas só encontro o seu lugar vazio. Algo está muito estranho aqui, minha nuca começa a arrepiar. Olho em volta, pelo canto do olho vejo um movimento a alguns metros de onde estou, se movendo sem fazer nenhum ruído. Me preparo para lutar.

– Não quero lutar com você! — ouço uma voz muito parecida com a minha atrás de mim, mas não consigo localizar o intruso.

– Devo também acreditar que papai Noel existe? — pergunto com ironia.

– Quem decide isso é você, eu particularmente nunca acreditei. Se ele existe mesmo, esqueceu de mim. — a voz dessa vez veio da minha esquerda, encosto na parede para proteger minhas costas.

– Hummm .... uma garota complexada! interessante....

– Chega de rodeios, preciso da sua ajuda...- lentamente a minha frente vejo surgir uma sombra de uma garota.

– E direta também! mas você não dá as cartas por aqui.

A garota anda confiante em minha direção, para poucos metros de mim. A minha frente está uma versão mais jovem de mim, talvez dois anos. Diminuo os espaço entre nos e a olho atentamente. A semelhança é incrível.

– Como devo chama-la? — pergunto.

– Isso importa? eu sou você!

– Podemos ser feita do mesmo material, mas é a nossa essência que nos diferencia. Você vai precisar me dar uma boa razão pra essa visita tão indesejada.

– Acredite, se eu pudesse teria feito isso sozinha, mas preciso de ajuda.

– Pra ser mais exata, da minha! — começo a rir. — não é por que você se parece comigo, que vou confiar em você. Deveria saber disso.

Ela começa a ficar impaciente, e por experiência própria sei que ela está se debatendo entre conter a raiva ou extravasar em mim.

– Também sei disso! — ela trinca os dentes. — mas nos temos um problema.

– Nós ou você?

– Nós, a audácia já tem o seu DNA, mas as pesquisas estão demorando muito e eles estão ficando impacientes.

– Como assim? — pergunto ficando alerta.

– Conseguiram quando você foi levada pra enfermaria.

– O acidente de carro! — falo mais para me mesma. — Isso quer dizer que alguém provocou.

– Exato! — ela olha em volta e depois pra mim. — resumindo preciso pegar algo que deixei na erudição, mas não posso invadir lá sozinha.

Começo a rir.

– Você quer invadir a erudição? mas você não acabou de sair de lá. Além do mais isso deve ser humanamente impossível.

– Se não percebeu ainda, não sou humana. — ela diz rindo. Não sei por que ou o que ela quer recuperar, só sei que irei ajuda-la.

– Você disse que nós tínhamos um problema?

– Sim, a erudição está atrás de você. Acho que tem a ver com algo sobre você ter a fórmula do soro.

– Eles devem estar loucos, eu não tenho fórmula alguma.

Ela me encara e depois balança a cabeça.

– Ok, eu só preciso de apoio externo. Acredito que você dará conta de abrir algumas portas certo?

– Eu não disse que concordaria em te ajudar.

– Eu sei, mas tem algo lá dentro que eu tenho certeza que você irá querer de volta! Acredito que podemos chegar a um acordo.

Seu olhar fica sombrio quando diz essas palavras e eu não estou certa de que quero ouvir o que ela vai me dizer a seguir.