Escrito nas estrelas
9 Fantasmas do passado
Sei que não posso simplesmente ficar parada aqui, mas minha cabeça dói muito e sei que milha melhor chance de sair dessa é fingir que estou inconsciente. Sou arrastada e sentada em uma cadeira, tento me concentrar nos sons a minha volta e prever seus movimentos. Ouço a cortina sendo fechada do outro lado e o lugar fica parcialmente escuro. Eu abro os meus olhos apenas o suficiente para me situar. Meu agressor se abaixa na minha frente com uma corda na mão, não da para ver se é homem ou mulher, mas não importa. Ergo o meu pé com força e chuto seu rosto, ele cai para trás, mas ele se levanta rápido e vem pra cima de mim, seguro seu pulso e o torço atrás das costas, sinto quando sua cabeça se volta e acerta o meu nariz.
Seja quem for é muito bom. Ele me agarra e me segura meu pescoço me pressionando contra a parede, os meu pulmões lutam por um ar que não vai vir, dobro o meu joelho e acerto o seu estomago. Ele recua se dobrando e eu soco seu rosto de novo mas dessa vez uso meu joelho. Aproveito que ele esta desorientado e dou um soco em sua mandíbula, a cadeira se quebra quando o seu corpo a atinge.
Ele corre novamente em minha direção e eu uso o meu braço acertando seu pescoço e levando -o ao chão. Eu nunca pensei na minha força ou na minha agilidade. Mas é como se todos os movimentos dele fosse em câmera lenta e mesmo meio grogue eu podia antecipar. Eu nunca matei ninguém e isso me assusta essa vontade de quebra-lo ao meio. Quando ele corre em direção a janela e se joga eu não tento impedi-lo, eu fico até aliviada. Estamos no 3º andar, embaixo das janelas em arbustos então provavelmente não morreu.
Depois de passar na enfermaria vou para a sala de treinamento, o Tobias vem em minha direção com uma expressão preocupada.
– O que houve? — ele pergunta segurando meu rosto e o virando de um lado para o outro.
– Tive um pequeno problema. — então ele não pergunta mais nada e me solta.
– Conversamos sobre isso mais tarde. — ele diz e me indica um banco.
Eu devia mesmo estar com uma aparência horrível, pois ninguém falou nada quando o Tobias disse que eu não iria lutar hoje. Assim que todos saem da sala ele me olha e ergue uma sobrancelha.
– Fui atacada no apartamento, não vi quem era por que estava escuro. — digo dando de ombros.
– E isso não te preocupa?
– Não é primeira vez e certamente não será a última. Então não. Tem como você me conseguir uma arma?
– Vou ver o que consigo.
Saímos da sala e passamos por algumas pessoas no corredor. Percebo que o Tobias não é do tipo sentimental, não conversamos sobre o que aconteceu no seu apartamento. Mas eu esperava pelo menos alguma coisa dele, não sei o que exatamente. Talvez ele quisesse esquecer o que aconteceu. Eu viro a esquerda e ele segura o meu braço.
– Pra onde você vai?
Eu estava seguindo sentido contrario dele.
Tenho algumas coisas para resolver, se quiser pode vir e eu responderei suas perguntas.
– Tudo bem.
– É melhor você trazer uma arma. Você vai precisar pra onde vamos!
Vinte minutos depois ele aparece com duas pistolas pequenas, uma de cada lado do corpo. Caminhamos em direção a parte mais pobre da cidade, nas minhas costas eu levo uma mochila com alimentos para o John. Depois de alguns minutos sem nenhuma pergunta eu resolvo abordar o assunto.
– Meu verdadeiro nome é Claire Eaton, tenho 18 anos e nasci em uma cidade chamada Chicago. — ele fica quieto então continuo. — Minha mãe morreu quando eu tinha doze anos e não conheci meu pai. Agora é só eu e minha irmã Sara Eaton de dezesseis anos, nos eramos sem facção. Depois que minha mãe morreu fomos trazidas pra São Francisco e fomos morar com um casal. Eu não consigo me lembrar de aproximadamente duas semanas, tempo em que eu sai de lá e cheguei aqui, mas minha irmã não consegue se lembrar de nada da sua antiga vida. Mas eu sim. No início foi difícil convencê-la de que aquelas pessoas com quem morávamos não eram nossos pais como eles afirmavam. Até que eu raquiei o sistema da nossa facção e descobri que existia um sora da memória. Acredito que nos duas tomamos, mas não teve efeito em mim.
Ele não falou por algum tempo, e entendo que era muita coisa pra processar.
– Você acha que isso aconteceu comigo? — ele finalmente pergunta.
– Eu acredito que sim. A sua falta de memória, você tem lembranças de uma roda gigante e trens, eu vi isso em Chicago. Ainda tem o seu medo do Marcos Eaton, ele tem um filho chamado Tobias em quem sempre batia.
– Você quer dizer que aquele homem é meu pai? — sua expressão é de desespero e angustia.
– Essa é a única explicação que tenho, se não fosse como explica sua paisagem do medo. Ele tentou fazer isso uma vez com a Sarah, por isso a minha paisagem.
– Eu fui tenho lembranças de ser chamado por Tobias por uma mulher que acho ser minha mãe e pela Tris!
Ele disse o último nome com uma nota de desespero e impotência na voz, não sei quem a Tris é mas deve ser muito importante para ele. Resolvo não tocar em um assunto que o deixa tão transtornado. Eu sei que ele esta sofrendo e tudo isso é muito difícil de assimilar.
– Espera um pouco, você e sua irmã tem o sobrenome do Marcos então isso quer nos somos....
Ele não consegue terminar a frase, eu sei o que esta passando por sua mente, ele parece horrorizado com isso.
– Não, A Sarah é nossa irmã, mas nos não somos! Não sei por que o Marcos me deu o seu sobrenome. Minha mãe talvez soubesse, mas nunca me disse. Sei que deve ser difícil saber que seu pai tinha um casa fora do casamento.
– Ele não é meu pai mesmo que pelas minhas veias corra o seu sangue. — sua expressão era dura.
Paramos em frente de um prédio abandonado, quando entramos o Tobias para.
– Quem mora aqui? — com isso sei que ele não encerrou o assunto.
– O John é um amigo, eu o conheci seis anos atrás quando ele me salvou de um ataque, ele sumiu por algum tempo depois disso e voltei a vê-lo quatro anos antes como um sem facção.
– Ele é confiável?
– Sim, ele me ensinou muita coisa.
Subimos as escada e paramos em frente ao apartamento de número 213. Bato três vezes e espero, depois mais uma e em seguida duas. É uma forma dele saber que sou eu. O John abre a porta e me dá o seu familiar sorriso que eu conheço tão bem. Mas quando ele olha pro Tobias seu sorriso se desfaz e ele fica branco como papel.
– Você está bem pergunto? — depois de alguns minutos ele reage.
– Sim, entrem por favor.
O Tobias também esta olhando de um jeito estranho pra ele como se estivesse tentando se lembrar de algo importante.
– Você já se conhecem? — pergunto olhando para os dois.- O John me olha meio sem jeito, sei que ele esta ocultando algo. — é melhor vocês falarem.
– Eu sei que o conheço , mas não consigo me lembrar.
– John é melhor você desembuchar logo. Não vai me querer irritada. — avisa.
De repente o Tobias dá um passo para trás agora seu rosto esta igual o do John alguns minutos atrás.
– Você está morto! Eu me lembro de você deitado no hospital e eles desligando seus aparelhos, seu nome é .....- ele tenta puxar o nome na memória.
– Uriah? — o John diz como quem pede desculpas por algo.
Eu me sinto como uma cega no meio de um tiroteio, sem saber pra onde ir ou o que fazer.
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