Todos sabemos que um dia vamos morrer, mas não sabemos quando e nem como. Nunca tinha pensado sobre isso, mas agora acredito que essa seja a parte boa, não saber. Infelizmente eu não posso me dar a esse luxo. É como se eu tivesse uma etiqueta com o prazo de validade colado em mim. No entanto não tive muito tempo para pensar nisso, as duas ultimas semanas eu treinei das seis da manhã as meia-noite. Eu precisava de algo para focar e me esquecer, as únicas pausas era quando eu tinha que pegar os bilhetes da Sarah na igreja. Ela já tinha conseguido o carro e os alimentos, isso me fez lembrar que de manhã eu havia instalado um vírus na rede da audácia, que iria abranger todo o sistema incluindo o do governo, nos dando acesso ao satélite.

O plano é simples, precisamos de um mapa para nos orientar quando estiver na estrada. o propósito do vírus é enfraquecer o sistema de detecção de ameaças e nos permitir invadir sem ser notados. Ele foi criado pelo John e neste momento ele deve estar fazendo isso no antigo posto policial, onde esta escondido agora. Eu também gostaria de estar lá, mas hoje tem uma festa aqui e preciso fazer uma social. Só de pensar no vestido que a Cara me convenceu a compara sinto vontade de chorar.

– Você não deveria estar na festa?

A voz do Tobias chega até mim, meu coração salta uma batida e minha garganta se fecha. Se controlar para não chorar é a pior parte. Eu preferiria que ele me ignorasse como fez na últimas semanas. Eu não sou posso dizer que sou masoquista ou do tipo que quer o bem de todos, como a forma altruísta com a qual a Tris morreu.

Antes de tudo isso eu sou humana, cheia de desejos e sonhos, ou o que sobrou deles. Sei também que ser forte não é lutar até o fim por algo, mas saber a hora de desistir. E o Tobias não precisava de mim, o melhor que eu podia fazer é mantê-lo longe, assim quando eu explodir feito uma granada, espero que poucas pessoas sejam atingidas.

– Posso ajudar? — digo ignorando sua pergunta.

– O treinamento já acabou faz horas.

– Eu sei.

Olho para minhas mãos e elas estão vermelhas, feridas. Realmente eu preciso parar um pouco, além do mais quanto antes eu ir a festa, mais rápido posso ir embora. O John esta me esperando. Paro de lutar e vou em direção aporta onde o Tobias está parado. Quando passo por ele, ele segura o meu braço.

– Eu sinto muito.

Seu rosto tem uma expressão triste, e eu sei que ele precisava desse tempo para pensar, assim como eu.

– Eu também.

Saio e não olho para trás. Não levo muito tempo para me trocar, mas quando entro no salão ele lá, com a Ashley pendurada em seu braço como sempre. A minha esquerda vejo a Cara acenando para mim, ela esta com o Gabriel e outro garoto chamado Clayton um dos iniciados.

– Eu disse que este vestido ficaria muito bom em você. — ela diz rindo.

O Vestido é azul, acima do joelho, sem mangas e um pouco decotado. Eu me sentia um pouco estranha como se estivesse quase sem roupa. Ele não era muito curto, mas o decote....

– Você está sexy. — Foi a vez do Gabriel falar.

– Obrigada! — digo rezando para que eles esqueçam minha aparecia e mudem de assunto.

– Você quer dançar?

– Desculpe, eu não sei dançar. Por que você não convida a Cara?

– Por que ela me prometeu uma dança.- O cleyton diz rindo e puxando a Cara para a pista de dança.

– Sem problemas, eu te ensino. — desistindo eu me deixo conduzir para a pista. Para meu azar a musica a musica é romântica. — Faz muito tempo que eu quero ficar a sós com você.

– Eu não quero magoar a Cara, então.....

– Mas eu quero é você!

– Sinto muito mas não posso.

Sua expressão fica dura.

– É por causa do Tobias? eu vejo como ele olha pra você.

– Nós não temos nada.

– Então por que você não me dá uma chance? — ele insiste.

– Sinto muito. — paro de dançar e tento me soltar, mas ele me segura com mais força.

– Por que você não quer? não sou bom o bastante para você?

– Por favor, não quero uma cena. Me solta!

– Só depois que você me responder.

Eu tento me soltar mais uma vez, mas ele é muito forte. Me lembro do medo que tenho de ser atacada novamente. Mas o que vem não é o medo familiar, mas sim a raiva de saber que alguém quer fazer escolhas que é direito meu. Talvez os meus medos agora sejam outros. Eu dobro o joelho e o acerto entre as pernas.

Assim que ele me solta, saio em disparada pela porta sem olhar para trás. Na rua sinto a brisa do mar no meu rosto. Me dirijo para a antiga casa, onde o John morava. Ele precisava encontrar algo que estava perdido lá, chamado GPS. Deve ser alguma tecnologia antiga, ele gostava de guardar coisas velhas.

Assim que entro procuro por uma lanterna, vir aqui a noite não é a melhor escolha, mas durante o dia há mais chance de ser visto. Encontro a lanterna no armário da cozinha. Começo a minha busca pelo quarto, arrasto camas e cômodas. Ao retirar todas as gavetas do criado mudo, finalmente encontro algo parecido com um tablete, um pouco menor como o John descreveu.

Quando me viro para a porta com a lanterna, vejo alguém parado lá. Eu direciono a luz e fico alerta.

– Ai, vira isso pro outro lado. — Ouço o Tobias falar. Uma onda de alivio passa pelo meu corpo.

– O que raios está fazendo aqui? — pergunto.

– O meu trabalho!

– Que seria?

– Proteger você! — ele diz como se isso fosse óbvio.

– De onde você tirou isso.

– A minha memória esta voltando, já me lembrei de muitas coisas.

– E o que isso tem a ver com o que estamos conversando?

– Eu fui enviado pra esse lugar para te proteger. — ele diz. — não sei de muita coisa, mas disso eu tenho certeza.

– ótimo, você está dispensado. Não preciso dos seus serviços.

– Não é você quem decide isso. Alguém confiou em mim para te manter longe do perigo e é isso que vou fazer.

– É difícil acreditar nisso. Por que alguém te mandaria pra cá sem memória. Seria como dar um tiro no próprio pé.

– Eu pensei nisso, acredito que quem me enviou não é responsável por isso. Preciso descobrir quem foi.

– Ótimo, vai fazer isso e me esquece.

Saio do quarto e vou pra saída, mas paro quando passo pela cozinha ouço um barulho como se fosse um pequeno bip, muito baixo.

Abro todas as portas dos armários a procura do som, embaixo de da pia tem uma pequena esfera, ela tem uma luz vermelha que pisca, que parece piscar cada vez mais rápido. Atrás de mim ouço o Tobias arfar, no segundo seguinte ele me agarra e me puxa, saímos tropeçando nas coisas pelo caminho e a última coisa que ouço é um estrondo que fere os meus ouvidos e depois apenas o silêncio.