Notas iniciais
Bem, nesse capítulo vai um pouco de explicação sobre a história de Sara. Espero que gostem e desfrutem!

Ela mal chegou ao salão e já foi recepcionada por Greg que não aparentava uma boa expressão.

— Onde você se meteu? Sua madrinha já estava preocupada – ele censurou-a.

— Não te interessa Greg! – ela bufou.

— E por que você está tão corada, senhorita Sidle? Aliás, por que você se apresentou ao conde Grissom como uma Willows e não como Sidle? – ele quis saber.

— Você faz perguntas demais Greg! Eu já disse que não te interessa! E se minha madrinha perguntar por mim, diga-lhe que estava indisposta e que fui para meu quarto.

Ela subiu as escadas rapidamente e trancou-se em seu quarto. Nem esperou que sua serva viesse ajudá-la a vestir a roupa de dormir. Soltou o cabelo, pegou sua camisola de seda branca e deitou-se em sua grande e confortável cama. Tentou dormir, porém as lembranças do que ocorrera no jardim a impediram.

— Não perca seu coração, Sara! – ela dizia para si mesma – Não se deixe levar por sentimentos tolos. Você tem uma missão maior. Você prometeu isso a sua mãe – ela sempre repetia – Aquela família tinha de pagar pelo crime que cometeram. Precisava ter sangue frio para executar seu plano até o fim.

Lembrou-se do motivo que a levara a morar com sua madrinha Lady Catherine Willows.

Ela era apenas uma adolescente. Morava com a mãe. O pai havia morrido devido um acidente de trabalho. Foi o que disseram. Embora ela suspeitasse que ele tivesse sido assassinado. Sim assassinado. Porque depois que seu querido pai morrera, sua linda mãe passara a receber constantes visitas de um cavalheiro.

Ele era muito elegante, usava sobretudo, botas e uma cartola. Era muito bonito também. Ela lembrava bem daqueles olhos azuis e daquele cabelo louro escuro entremeado de fios grisalhos. Sentiu vergonha quando aquele homem todo bem vestido entrou em sua singela casa. Ela também usava roupas bem simples.

— Vá chamar sua senhora! – ele ordenou.

Pelo visto parecia que ele desconhecia seu parentesco com a dona da casa. Não o contradisse, apenas fez uma reverência, assentiu e rumou para o quarto da mãe.

— Mamãe, tem um senhor lá na sala querendo falar com a senhora.

— Ele disse o que queria?

— Não. Ele apenas exigiu que eu a chamasse. Não vá mamãe. Não gosto daquele homem... – ela suplicou.

— Tenho que ir querida. Quero que faça uma coisa para mim. Promete que irá fazer?

— Prometo!

— Quero que vá para seu quarto e não saia de lá por nada. Aconteça o que acontecer. Promete?

— Prometo de dedinho – ela cruzou os dedinhos na frente da boca e beijou-os.

Ela dirigiu-se para seu quarto enquanto sua mãe foi para a sala receber o convidado importante. Não soube o que passou ou quanto tempo decorreu. Durante o tempo em que esteve em seu quarto ouviu uns gritos e uns gemidos que não sabia de onde vinham ou por quem eram produzidos. Apenas quando julgou ter passado tempo o bastante e sua mãe não apareceu, ela foi ao quarto de sua genitora. Encontrou a porta entreaberta. Nem sinal daquele monstro em forma de homem. Chamou sua mãe. Não obteve resposta.

Quando entrou no quarto viu uma cena terrível. Sua mãe estava deitada na cama quase inconsciente, com parte de seu vestido levantado mostrando suas pernas e sua intimidade. Parecia que ela estava machucada porque o lençol da cama estava manchado de sangue. Sara arregalou os olhos temendo o pior. Tocou sua mãe e respirou aliviada. Ela estava viva.

Talvez tivesse sido melhor que ela tivesse morrido. Porque depois do que lhe acontecera ela perdera o brilho, a alegria de viver. Com o passar do tempo ela foi definhando, escondendo-se em seu próprio mundo. Até que um dia não suportando seu sofrimento interno, ela tirou sua própria vida. Somente muito mais tarde ela soubera que sua mãe fora vítima de estupro e o nome do culpado: Conde Grissom.

Pouco tempo depois apareceu Catherine Willows dizendo que era sua madrinha e que a levaria para sua casa e que cuidaria dela. Sara não comentou com ninguém seu desejo secreto de vingança, nem mesmo para seu melhor amigo Greg. Não apresentou-se ao jovem conde como Sara Sidle para que ele não desconfiasse de quem ela era e para que ele também não comentasse sobre ela para sua família.

E era exatamente por isso que sentia um pouco de remorso e mágoa por seu plano não ter dado certo. Precisava seduzir o jovem conde Grissom, para depois acabar com a família que acabou com a dela.

****

Grissom por sua vez se recriminava por quase ter perdido o controle e possuído a bela e jovem Sara no jardim.

— Maldição! – ele dizia para si mesmo.

Lady Catherine nunca o perdoaria se ele tivesse desonrado sua afilhada em sua própria casa. Embora ela tentasse provar o contrário, sabia que Sara ainda era uma donzela. Soube disso no momento que investira nas carícias. Ela era inocente.

Como estava próximo a mesa do ponche, serviu-se de uma bebida para tentar acalmar seu ânimo. Bebeu-o de uma só tragada. Naquele momento sentia falta de uma bebida mais forte.

— Enfrentando algum problema, lorde Grissom? – a voz da dona da casa o tirou do devaneio.

— Não – ele negou – Apenas apreciando a excelente bebida.

— Gostaria de desculpar-me em nome de minha afilhada. Ela estava indisposta e subiu para o quarto.

— Ela está bem? – ele perguntou curioso.

— Apenas uma indisposição. Coisas de mulher.

— Ah! – ele murmurou.

— Milorde, amanhã reunirei alguns amigos, poucas pessoas aqui em casa, e gostaria de saber se milorde compareceria. Sabe como é dia de festa, nunca podemos dar atenção a todos.

— Me sentiria honrado. A que horas devo apresentar-me?

— Às quatro da tarde está bom? Assim tomaremos um chá enquanto conversamos e o senhor poderá ter a chance de conhecer melhor minha afilhada e tirar toda má impressão que teve dela.

— Combinado. Estarei aqui amanhã milady, às quatro da tarde. Agora devo retirar-me. Tenha uma boa noite – ele despediu-se, depositando um beijo no dorso da mão de Catherine e saiu cantarolando. No dia seguinte veria a menina Willows novamente.

Notas finais
E então? Posso contar com os comentários? Beijinhos da Bia!!