Escrito nas Estrelas
2 Noite dos Mascarados
Notas iniciais
Sara observou do alto da escada o salão de festas todo enfeitado e preparado para receber os convidados para o grande baile. Era a primeira vez que abriam os salões da casa para uma festa desde a morte de Lorde Willows, o falecido marido de sua madrinha. Observou satisfeita todos os arranjos feitos para aquela cerimônia. Haviam convidado todos os lordes e ladies do condado de Nevada. Todos sem exceção. Por isso Sara estava bastante apreensiva. Nada podia dar errado. Nada.
Assim que se adentrava pela grande porta de madeira de lei da mansão Willows, havia um longo tapete vermelho – posto especialmente para aquela ocasião – pelo qual os convidados entrariam. Um pouco mais adiante, no lado direito, havia uma enorme mesa com ponches, vinhos, cervejas e água, e outra com as comidas que seriam servidas durante a festa. Seguindo mais a frente via-se o tablado onde já se encontrava a orquestra que tocaria na cerimônia e que já deixava soar as primeiras notas. Ao lado esquerdo do tablado ficava a escada onde se encontravam a senhora e as senhoritas donas da casa.
Ser afilhada da poderosa Lady Catherine Willows era um título de honra e ao mesmo tempo de temor. Era uma grande responsabilidade corresponder a tal situação. Por isso naquela noite decidiu apresentar-se ao seu convidado especial como Sara Willows. A ingênua e tola Sara Sidle que ela era, naquela noite estava enterrada. Precisava dessa discrição para que seu plano desse certo. Por sorte, sua vinda para a casa da madrinha, só era sabido por pessoas bem íntimas da família. Sentiu a mão de sua madrinha apertar carinhosamente a sua.
— Nervosa querida? – ela perguntou amavelmente.
— Um pouco – respondeu a jovem sinceramente com um sorriso tímido.
Sara contemplou sua madrinha durante algum tempo. Ela era linda. Tinha praticamente a mesma altura de Sara, talvez um pouco mais alta, seu cabelo louro avermelhado era curto – corte moderno para a época em que viviam – usava como enfeite uma presilha dourada nas encantadoras madeixas. Era dona de lindos olhos azuis que lembravam água cristalina. Ela usava um elegante vestido longo de seda vermelho bem junto na cintura e solto nos quadris, com um profundo decote em V que evidenciava ainda mais seus seios volumosos. Diferente do vestido de Sara, o seu não possuía mangas, apenas alças grossas. Embora fosse uma viúva – uma linda e jovem viúva, pois ela ainda não tinha cinquenta anos – já fazia algum tempo que deixara de usar as comuns roupas pretas, símbolo de luto e a sociedade hipócrita em que viviam lhe condenava por isso. Catherine pouco se importava. Quando lhe perguntavam por que ela não usava preto, ela tinha a resposta na ponta da língua:
— Foi meu marido quem morreu, não eu.
Sara rezava todos os dias para que a madrinha encontrasse alguém que pudesse ampará-la. Ainda que o Lorde Willows lhe tivesse deixado bem financeiramente, toda mulher independente de sua idade precisava de um bom homem ao seu lado.
O primeiro convidado foi anunciado por James Sullivan, o mordomo da casa:
— Lorde Gregory Sanders.
Sara teve que se esforçar para não descer correndo os degraus restantes da escada, assim que ouviu o nome de seu melhor amigo. Sua madrinha sempre lhe dissera que uma dama não descia correndo as escadas em hipótese alguma.
Catherine, Lindsey e ela chegaram calmamente a recepção e fizeram uma mesura ao rapaz que acabara de chegar, o qual prontamente respondeu ao cumprimento, beijando o dorso da mão de cada uma das mulheres ali presentes.
— Que bom que você veio Greg – ela o saudou. Seu melhor amigo era um jovem, talvez um pouco mais novo que ela, de cabelo louro e espetado e de olhos castanhos. Ele usava uma linda máscara prateada que não escondia sua bela.
Greg ia respondendo quando James anunciou mais um convidado:
— Barão Nicholas Stokes.
Eles viram entrar um homem alto de cabelos pretos e olhos castanhos que usava uma elegante máscara dourada. As damas fizeram-lhe uma mesura e o nobre retribuiu-lhes com o mesmo gesto de Sanders.
James Sullivan anunciou os outros convidados que haviam chegado. Eram Duques, Barões, Condes, Baronesas, Condessas, Duquesas que não acabavam mais. Em certo momento, Sara ouviu o nome que tanto ansiava:
— Conde Gilbert Grissom.
Não dava para ver direito a aparência física de conde Grissom. Ele usava uma elegante máscara preta que combinava com seu traje em preto e branco. Conseguia perceber apenas que ele era alto e que tinha ombros largos. Ela quase perdeu o fôlego ao perceber que seu inimigo era charmoso.
Todos os convidados já estavam presentes. Todos devidamente mascarados. A noite dos mascarados começava naquele momento. A orquestra começou a tocar a primeira música.
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