Escrito nas Estrelas
15 Conselho de Criança
Notas iniciais
A conversa com os demais convidados foi muito produtiva. A jovem criada da casa logo providenciou café, enquanto todos aguardavam o jantar ficar pronto. Lindsey logo se enturmou com Emilly e perdeu a vergonha de quando havia chegado. Convidou a nova amiga para brincar com sua boneca nova. Em pouco tempo pareciam que já se conheciam de longa data.
O jantar foi servido e novamente se reuniram. O arranjo nos assentos foi muito bem distribuído. Pelo menos Sara assim pensou, quando percebeu que ficara longe dos olhares perturbadores do conde Gilbert Grissom.
Enfim chegou a hora de todos recolherem-se para seus aposentos. Sara ficou no mesmo quarto que Lindsey. Como no dia seguinte planejava explorar a propriedade, precisava descansar bastante. Catherine, como já era uma senhora, ficaria em um quarto sozinha, porém junto ao seu. Sara já se aprontava para dormir, quando foi surpreendida por um comentário de sua pequena pestinha.
— Acho que você devia namorar o conde Grissom, Sar – disse Lindsey enquanto brincava com sua boneca recém-ganhada. Ela fitava o brinquedo enquanto ajeitava seus cabelos de cachos bem semelhantes a um verdadeiro e fingia que a boneca andava.
— O que você entende de namoro pestinha — ela indagou enquanto fazia cócegas na barriga da menina. Lindsey gargalhou – Você é apenas uma criança e só está falando isso porque ele te deu a boneca. Não vou namorar o conde só porque você quer – Sara explicou.
— Eu gosto do conde Grissom. Ele é legal. É mais legal que o barão Stokes – opinou a menina sem desviar a atenção do brinquedo – Bella também acha.
— Quem é Bella? – Sara indagou curiosa. Não haviam conhecido nenhuma pessoa com aquele nome.
— Minha boneca – contestou Lindsey.
— Pois bem, diga á Bella que ela está enganada. E vamos dormir – ela convidou a pequena, puxando o lençol da cama, fazendo-a deitar.
— Me conta uma história Sar? – ouviu a menina pedir enquanto se deitava junto a ela e se ajeitava.
— Tudo bem eu conto. Era uma vez...
E ela narrou a história de Cinderella para a linda menina que partilhava a cama consigo. Quando terminou de contar ficou imaginado como seria bom se a vida fosse como as histórias de contos de fadas, sempre com finais felizes, no entanto, a realidade infelizmente não era assim. Na vida real nem sempre havia finais felizes. Deixou os pensamentos de lado, relaxou e logo dormiu.
No dia seguinte levantou-se bem cedo. Certificou-se de que Lind ainda dormia. Foi até seu baú e tirou de lá o exemplar de seu livro preferido. Ainda nem havia terminado de lê-lo. Arrumou-se usando um vestido solto. Desceu a escada alegremente e foi para a sala de jantar. A mesa com o café da manhã já estava posta, entretanto ela optou apenas por um pouco de café. Tinha pressa de encontrar-se com os personagens de seu livro e saber o que lhes aconteceria.
Decidiu sentar-se no balanço da varanda. Ali teria a companhia do trinar dos pássaros e poderia relaxar. Abriu o livro na página marcada e pôs-se a ler avidamente e nem notou que tinha companhia.
— Que livro a senhorita tem nas mãos? Parece muito interessante está tão compenetrada! – Grissom perguntou ao ver o livro que ela tinha nas mãos e imediatamente sentou-se ao lado dela no balanço.
Ela levou um susto tão grande que o livro quase lhe escapou das mãos. Revirou os olhos, exasperada. Estava bom demais para ser verdade.
— O senhor não devia estar dormindo? É muito cedo – ela o recriminou.
— Digo o mesmo para a senhorita. Vai dizer-me o nome do livro que lê, ou não?
Ela teve vontade de negar-se a dizer o nome do romance, entretanto quase nunca tinha a oportunidade de compartilhar seu gosto literário com outras pessoas. Ainda que a outra pessoa fosse Gilbert.
— O livro é muito interessante mesmo. É o romance de uma jovem escritora inglesa chamada Jane Austen.
— Qual o título? – ele quis saber.
— Orgulho e Preconceito – ela respondeu. E tornou a lançar sua atenção para a história que tinha nas mãos.
— Desculpe-me a intromissão e se pareço indiscreto, entretanto permita-me saber uma coisa: a senhorita realmente sabe ler? Desculpe-me a pergunta, contudo é que não são todas as jovens que sabem ler – ele argumentou.
Ainda que fosse sem querer, ela não conseguiu conter o riso.
— Eu lhe perdoo milorde e sim, eu sei ler. Minha madrinha fez questão de que eu aprendesse a encantadora magia das letras. Sou muito grata a ela, pois me salvou da ignorância.
— “Tenho lutado em vão. Não adianta. Meus sentimentos não serão reprimidos. Precisa me permitir dizer-lhe com que intensidade eu a admiro e a amo”.
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