Escrito nas Estrelas
14 Passeio
Notas iniciais
João Lucas ficou sem saber o que fazer. Não se imaginava trabalhando na Império, via como sua família se transformava pelo poder e não queria que isso acontecesse com ele. Lembrou do que o pai disse e, realmente, o Comendador parecia que não estava brincando.
—O que é que eu faço?— ele passou as mãos pela cabeça.
Lucas pegou o celular que estava em cima da cama e ligou para a única pessoa que podia lhe dar alguma luz.
Eduarda estava deitada na sua cama, observando a lua cheia pela janela do quarto. Não tinha conseguido dormir. Repassava todos os detalhes daquele beijo, tinha sido melhor do que ela podia imaginar. O celular estava perto de si, já tinha olhado todas as fotos com Lucas e sentiu o coração disparar no peito quando o ouviu tocar e viu que era ele.
—Oi leki— ela disse ao atender
—Oi Du— ele disse sorrindo ao ouvir "leki". Aquela forma de se tratar era especial, porque era só deles.
—Desculpa ter demorado tanto pra te ligar Du, é que a conversa com meu coroa foi tensa.
—É? o que ele queria?— Du falou curiosa e preocupada com o tom de voz de Lucas.
—Ele quer que eu vá trabalhar, acredita?— o menino disse ainda sem acreditar na proposta do pai.
—Sério leki?! Tu trabalhando?— Du não pode conter o espanto.
—Pois é, ainda tá caindo a ficha.
—O que você vai fazer?— Du perguntou.
—Não sei leki, eu liguei pra você pra ver se, sei lá, você podia me dar alguma luz, porque eu ainda tô atordoado com tudo isso— era verdade, ele não sabia o que fazer.
—Leki, eu não sei nem o que te falar, ainda tô sem acreditar nisso— ela não sabia o que dizer.Imaginar o Lucas trabalhando até que não era estranho. Ela sempre acreditou no potencial dele.
—A gente podia se ver né?! pra conversar melhor— Lucas propôs. A saudade estava grande. Agora que estavam se entendendo melhor, a vontade de tê-la próximo a si chegava a ser sufocante.
—Claro— Du sorriu.
—Amanhã vou te buscar pra gente da uma volta— Lucas disse.
—É?! pra onde a gente vai?
—Ah... passear, uê— Lucas disse com um sorrisinho no rosto.
—Tipo programa de casal— ele completou.
—Tipo casal meloso?!— Du disse com um ar de riso.
—É, tipo casal meloso— ele riu do tom de voz dela.
—Você tá muito bobo ultimamente— Du disse com um grande sorriso no rosto. Estava adorando conhecer esse lado dele.
—É?— ele riu
—Humhum
—A culpa é sua tá— ele riu — você que tá me deixando assim.
Eduarda ficou corada com o que escultou.
—Então.... amanhã você vem me buscar que horas? — Ela disse.
—Podia ser de manhã? a gente aproveitava o sol e caminhava ali na praia.- Lucas disse
—Pode ser - ela disse
—Então fechou
—Boa noite Lucas
—Cansou de falar comigo foi?
—Não— ela riu - é que tá muito tarde e a gente precisa dormir se não o passeio amanhã de manhã, não rola
—É verdade, então boa noite e sonha comigo— Lucas deu um sorriso bobo com o que falou.
—Mais é convencido heim?— ela riu e ele também, quase falava que sonhava com ele quase todas as noites desde que se conheceram, mas achou que era muito cedo pra dizer isso.
Eles ficaram nessa conversa até que finalmente conseguiram desligar porque o sono já estava os dominando.
Já passava um pouco das nove quando Lucas estacionou o carro na frente do prédio de Du e mandou uma mensagem pra ela avisando que já havia chegado. Mal havia dormido a noite. A vontade de vê-la era maior do que o cansaço e sono que poderia ter.
Eduarda já tinha terminado de delinear os olhos e arrumava os cabelos quando viu a mensagem. Respondeu que já estava descendo.
Sua família já havia saído e ela agradeceu por não ter que se estressar tão cedo. Foi na cozinha e deu bom dia a Rosa que quis fazer perguntas, mas ela disse que estava apressada e saiu deixando Rosa bem curiosa com sua cara de felicidade.
Eduarda estava vestindo uma blusa branca soltinha, um short preto e um tênis preto também. Lucas vestia uma bermuda jeans, uma blusa cinza e um all star. Ele a observava andar em direção ao carro com um sorriso de lado. Eduarda deu a volta e entrou no carro.
—Você tá linda— ele disse a olhando. Eduarda sorriu. Ele se aproximou e a beijou. Que bom que agora podia fazer isso.
—Partiu praia?— ele disse dando a partida no carro
—Partiu— ela disse animada.
Não demoraram muito para chegar. Lucas estacionou o carro e os dois desceram e ficaram olhando a praia.
—Você quer tomar um sorvete Du?— Lucas perguntou
—Quero, tá fazendo calor
—Bora andar até achar um quiosque— Lucas segurou na mão dela e eles foram andando.
Eduarda estava feliz. Olhou para sua mão sendo segurada por ele. Já tinha se imaginado andando de mãos dadas com ele e a sensação disso realmente estar acontecendo era maravilhosa e ela acabou sorrindo.
—Que foi?— Lucas perguntou,ele a observava.
—Nada— ela ficou corada e olhou para o mar.
—Du?— ele chamou. Ela olhou.
—Eu tô muito feliz em estar aqui com você— ele disse e sorriu. Ela sorriu de volta.
—Eu também
Lucas parou de andar, ficou na frente dela, colocou as mãos na sua cintura a abraçando e a beijou. Um beijo calmo. Eduarda aos poucos levou suas mãos para a nuca dele e fez carinho na sua cabeça. Quando o beijo acabou Lucas beijou a bochecha dela. Passou a mão pela cintura dela e voltaram a caminhar. Ela apoiou a mão na cintura dele também.
Tinha um quiosque a uns poucos metros de distância, eles foram até lá compraram sorvetes de chocolate e sentaram numa mesa.
—Hum....esse sorvete tá bom né? deixa eu provar o seu?— Lucas disse e lambeu o sorvete dela antes que ela pudesse ter alguma reação
—Mais o meu é igualzinho ao seu Lucas!— ela ficou olhando a boca dele suja de sorvete e acabou rindo.
—Que é que tem?— ele riu passando um guardanapo na boca.
—Me conta aí como é que foi a conversa com seu pai, você ainda não falou nada, foi muito tensa?— ela disse quando eles terminaram o sorvete
—Foi leki, eu não sei o que fazer. Eu nunca me imaginei nessa vida sabe? eu não quero ficar brigando e discutindo por causa daquela empresa— ele falou meio triste
—Não fica assim leki— Du disse olhando carinhosamente para ele.
—E se eu ficar igual a eles?
—Você não vai ficar igual a eles— ela falou firmemente. Sabia que ele não era como a família.
—Ele tá me forçando a aceitar Du, se não....— ele suspirou - nem sei o que vai acontecer...
Eduarda sentiu um peso no coração, não gostava de ver ele assim.
—Eu acredito que você vai se sair muito bem lá Lucas
—Sério?— ele disse
—Sério. Aquela empresa também é sua e se teu pai quer que você vá pra lá, vai. Eu acredito em você Lucas— ela disse o mais sincera possível.
—Você acredita mesmo em mim?— ele a olhou comovido. Ela era a primeira pessoa que tinha dito isso a ele.
—Acredito— ela passou a mão no rosto dele — você também tem que acreditar em você. Uma vez eu ouvi uma frase que dizia mais ou menos assim : " não deixe que seus medos sejam maiores do que os seus sonhos". Eu acho que é verdade. O medo as vezes impede que a gente faça o que mais temos vontade.
Lucas ficou mais aliviado com as palavras dela. Teve certeza que ela era realmente sua luz.
—Você faz eu me sentir melhor— ele segurou a mão dela e beijou - Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida— Lucas sentiu o coração acelerar, nunca tinha sentido nada tão forte por alguém,nem essa sensação de vulnerabilidade e segurança ao mesmo tempo,mas precisava dizer isso a ela. O quanto era importante.
Eduarda ficou gelada. Não conseguiu falar nada. Abriu um sorriso tão lindo que Lucas a beijou sem nem pensar duas vezes.
Quando o beijo acabou ele encostou a testa na dela.
—Você também é um presente pra mim— ela disse com o rosto totalmente corado pela emoção.
—Obrigado por me escutar— ele disse
—A gente é parceiro, lembra?— ela disse
—Humhum— ele sorriu
Eles estavam felizes em ter alguém com quem conversar tão claramente assim, sem medo de se expor. Eles sabiam que podiam contar um com o outro. Que iam se entender só pelo o olhar, sem dizer palavra alguma. Que aquela ligação era única.
—E....o que você decidiu, sobre seu pai?— Ela perguntou quando eles se afastaram um pouco.
Lucas respirou fundo, sabia que aquela decisão mudaria sua vida.
—Eu vou encarar, você tem razão, aquela empresa também é minha. Tá na hora de participar dela, de saber como, realmente, funcionam os negócios da família.
Lucas sabia que estava dando um passo muito importante e estava nervoso com essa mudança. Nervoso, por saber que iria se meter em briga de cachorro grande. Mas, alguma coisa dentro de si, lhe dizia que esse era o caminho certo a se fazer. Sentia que estava em uma nova fase de sua vida, uma fase que lhe aproximou mais de Eduarda e estava feliz por isso. Com ela tinha coragem para enfrentar o que fosse preciso.
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