Escrevendo O Destino
8 7. Você está solitária esta noite?
Notas iniciais
Eu só tou podendo postar dia sim, dia não, mas ontem e hoje aconteceram tantas coisas, que resolvi antecipar o capítulo pra comemorar!!
Primeiro motivo pra celebrar: a fic, no sexto capítulo, atingiu os 100 reviews! Marca que a fic anterior só atingiu no capítulo 9! Mas, mais que a quantidade, estou imensamente feliz com a qualidade dos reviews!! Tenho os leitores mais queridos e dedicados do Nyah, com certeza!!
Segundo motivo: recebi mais duas recomendações, das leitoras Jéssica e MaisquePleura!! Suas lindas, nem sei como agradecer vcs! Vcs arrasam, divas!!
Terceiro motivo: a leitora Rutch Reis fez um lindo desenho da fic! Com DC, Mônica e Pérola, no futuro! A Pérola ficou perfeita, muito mais linda do que eu tinha imaginado ela!! Pra que todos vejam o desenho, coloquei ele na capa!!! Por favor, deem uma olhadinha!! Rutch, coloquei nas notas da história os créditos do desenho, tá! Obrigada, sweetheart!!
Depois de tudo isso, a inspiração fluiu muito, e o resultado foi um capítulo especial, que, além de antecipado, ficou enorme!! Com quase 11 páginas do Word!! (um capítulo normal tem entre 4 e 6)
E, como prometido, um momento kawaii no final. Pra que tenha o mesmo impacto, na hora da música, abram este link e imaginem que é o DC cantando em vez do Elvis rsrsrs
http://www.youtube.com/watch?v=bgTyWu8nMn0
Espero que gostem.
Boa leitura!!
Capítulo 7
Você está solitária esta noite?
Já era noite quando larguei as baquetas. Subi pra sala de tevê e liguei num canal qualquer. Eu não tava prestando atenção mesmo.
Minha mãe sentou do meu lado:
– Filho, você tá mesmo assistindo um programa de tendências da moda? Logo você?
– Ah, eu nem vi que programa era, mãe. Toma aqui o controle. Pode mudar se quiser.
– Você tá com a cabecinha em outro lugar, né? Eu te conheço.
– Eu queria estar em qualquer lugar, menos aqui, mãe.
– Qual o problema, filho?
Ela pôs o braço em volta do meu ombro.
– Ah, mãe. São as mulheres.
Ela deu risada.
– É sério, mãe! Não é pra rir não – fiz bico.
– E o que foi que a Mô… quer dizer, o que as mulheres aprontaram dessa vez?
– Ah, elas são doidas. Não sabem o que querem. E eu cansei, sabe? Vou banir as mulheres da minha vida.
– Filho, só porque uma mulher pisa na bola com você, você não precisa banir todas elas.
– Mas só uma me interessa, mãe. E já que ela não quer saber de mim, então eu vou morrer sozinho. Igual a Eleanor Rigby da música dos Beatles.
– Maurício, não fala isso. Essa música é muito triste! E, por mais que você seja uma alma velha, você não acha que tá muito novo pra falar que vai morrer sozinho não, rapaz?
– Pode ser. Mas você é a única mulher com quem eu quero papo daqui pra frente.
– Ah, que bom! Achei que ia ser banida também – ela riu. – Mas olha só como são as coisas, filho. Você acaba de falar que queria estar em outro lugar agora, e justo hoje chegou essa carta pra você. Lá do Japão.
Peguei o envelope nas mãos dela.
– É a documentação do meu intercâmbio?
– Isso! Não te entreguei antes porque, desde a hora que você acordou, você tava com a Mônica, e depois você foi ensaiar com a banda. Abre logo, que eu tô curiosa!
Abri o envelope. A carta tava escrita em japonês.
– Lê pra mim, mãe.
– Preguiçoso. Me dá aqui.
Os olhos dela ficaram cheios d’água.
– Eles aprovaram seu cadastro, filho. O ano letivo começa em 1º de abril.
Ela me abraçou bem apertado, e abriu um berreiro:
– Meu caçulinha vai embora!! O que vai ser de mim agora?! Chuif...
– Mãe, relaxa! Eu volto. É só por um ano.
– E eu vou lá te visitar, é claro! A gente tem que arrumar suas malas. Agora lá tá frio e…
– Ainda é 9 de fevereiro, mãe.
– Ah, é mesmo.
– Tá querendo se ver livre de mim tão rápido?
– Claro que não! Você é meu príncipe, querido. Mas é que eu tô tão orgulhosa de você!! Vem, vamos contar pro seu pai e pro seu irmão.
– A gente bem que podia jantar fora pra comemorar, hein?
– Ótima ideia! Vou reservar uma mesa pra gente lá no Saveur.
– NÃO!!! Quer dizer, nesse restaurante não, mãe. Já enjoei da comida de lá. Vamos em outro.
– Hoje o dia é seu, meu lindo. Você é quem manda.
Que sorte a minha. Um sinal do destino que chegou na hora certa. Meu lugar era mesmo do outro lado do mundo. O lugar, neste planeta, o mais distante possível da Mônica. Quem sabe a distância me salvasse do magnetismo que ela exerce em mim.
O domingo foi bem tranquilo. Fomos pra casa dos meus avós e anunciamos as novidades a todos. A choradeira foi geral, mas todo mundo tava feliz por mim.
Na segunda-feira, cheguei cedo à escola. Enquanto a aula não começava, coloquei o fone de ouvido. Não queria papo com ninguém.
Mônica e Cebola chegaram de mãos dadas. Ver essa cena não me afetou como eu esperava. Faltava pouco pra eu ir embora deste lugar. E então eu nunca mais teria que ver esses dois.
Na hora do intervalo, Denise se sentou do meu lado antes que eu tivesse oportunidade de sair da sala.
– Fala, gatz! Tá sabendo do bafão?
– Denise, você não tem mais o que fazer não?
– Nossa, o bofe tá zangado hoje, gentem! Que meda!!
Respirei fundo e contei até 1. Eu conto de trás pra frente, é claro.
– Eu vou te perdoar, porque sou sua amiga e vim aqui te dar as boas notícias. Você quer ouvir ou não?
– Eu tenho opção?
– Não. Eu vou contar de qualquer jeito. Minha equipe de repórteres investigativos apurou o que aconteceu na grande noite de sexta-feira no Saveur!
– Eu já sei o que aconteceu, Denise. A Mônica já me contou.
– E mesmo assim você tá com essa cara de quem chupou limão azedo? Devia estar comemorando! Depois dizem que nós mulheres é que somos complicadas.
– Eu não entendi.
– A Moniquete deu o fora no Cebolitos, honey!! A louca!!
– O quê?!?
– Ué! Ela não tinha te contado? Por que a surpresa?
Dei um beijo no rosto dela.
– Valeu, Dê.
– De nada, gato. Se joga!!
Saí correndo da sala, procurando a Mônica. Eu ia tirar essa história a limpo, e ia ser agora.
Ela tava na lanchonete, na mesa com o resto do pessoal. Puxei ela pelo braço.
– Do Contra! O que foi agora?
– Quero conversar com você.
Entramos no ginásio de esportes, onde seria a próxima aula.
– Já falei que a gente vai fazer o trabalho de Literatura hoje lá em casa.
– Você deu o fora no Cebola?
– Não que isso seja da sua conta, mas foi. Por quê?
– Você mentiu pra mim. Você tinha me dito que vocês tinham se entendido.
– Exatamente. Conversamos e vimos que nos amamos muito, mas só como amigos. E resolvemos colocar um ponto final nessa novela.
Eu não conseguia acreditar no que eu tava ouvindo.
Não sabia se ficava feliz ou com raiva.
– E por que você não me disse isso? E eu me culpando, achando que tinha traído a amizade do Cebola por ter te beijado! Você quer me enlouquecer, é? Pois eu não vou deixar.
Saí pisando duro e entrei no vestiário pra colocar o uniforme de Educação Física.
O intervalo acabou, e a turma se reuniu no ginásio. Hoje a aula era de vôlei. Os meninos jogavam primeiro. Eu não curto muito vôlei, mas reconheço que dar pancadas na bola é uma ótima forma de extravasar a raiva.
Quando chegou a vez das meninas, sentei num pedaço mais afastado da arquibancada. Denise sentou do meu lado.
– E aí? Já se acertou com ela?
– Eu não. Essa Mônica é doida, isso sim. Não sabe o que quer da vida.
– Pois minha intuição feminina diz que você tem algo a ver com o fora que ela deu no Cê.
– Por que você acha isso?
– Ela não tirava o olho de você durante a partida de vôlei dos meninos.
– Ah, é?
– Sim, sim, sim! Sou testemunha ocular que ela tava te dando uma conferida básica! E olha que, com o Titi e o Nimbus jogando, fica difícil olhar pra outra coisa, viu!
– Denise… a turma inteira sempre esteve na torcida pelo Cebola… Por que você tá me ajudando?
– Ah, eu já tava cansada dessa novela mexicana deles! E vamos ser francos, né? O Cebola é muito legal e tudo mais, mas ele tem cara de que não tem pegada nenhuma! A Mônica precisa de alguém que pegue ela de jeito.
– E eu tenho cara de quem tem pegada, é?
– Quem toca bateria normalmente tem. Tô saindo com um baterista de uma banda aí. E por enquanto eu não tenho do que reclamar não!!
Essa era a Denise. Que parceira de crime mais improvável eu fui arrumar.
Às duas da tarde, fui pra casa da Mônica, conforme o combinado. Foi ela quem atendeu a porta.
– Oi, DC. Entra.
– Então, vamos fazer esse trabalho logo, né!
Agora as coisas iam ser do meu jeito. E meu contato com ela seria estritamente profissional. Pelo menos enquanto ela continuar fazendo jogo duro.
– Vamos. Você já pensou em alguma coisa?
– Ainda não.
– Bom, o trabalho basicamente é a gente escolher um autor da Literatura Brasileira e falar sobre a obra dele.
– A gente pode escolher qualquer autor? Então vamos escolher um bem diferente!
– Tipo quem?
– Hummmm… me deixe pensar. Que tal o Renato Russo?
– Renato Russo, DC?! E por acaso ele é autor da nossa Literatura?
– Com certeza!
– Mas no nosso livro não cita ele.
– E daí? Ele é um grande poeta, apreciado por milhões de pessoas mesmo anos depois de sua morte. Influenciou gerações inteiras! E tem um estilo muito próprio e marcante. Ele se encaixa perfeitamente na descrição de grande autor da língua portuguesa.
– Será que o professor vai concordar com isso?
– Se a gente fizer um trabalho bem legal, bem inovador, tenho certeza que ele compra a ideia.
– Tipo o quê?
– Ah, sei lá. A gente pode aproveitar que a obra dele é musical, e fazer algo relacionado com música.
– Já sei! E se a gente fizesse uma peça de teatro musical?
– Estilo Broadway?
– É!
– Sabe que eu achei maneiro?
– A gente precisa inventar um roteiro então!
– “Vamos fazer um filme”!
– Hein? Mas não era peça?
– É o nome de uma música dele, “Vamos fazer um filme”. A gente pode fazer um filme em vez de peça. Assim a gente edita, adiciona efeitos especiais, cenário… Bem melhor que uma peça! Quê que cê acha?
– É uma boa! Mas a gente tem que montar uma história.
– Acho que a gente pode contar a história de uma revolução! Daí a gente faz uma introdução bem apoteótica com “Geração Coca-cola”!!
– Ah, não! Vamos fazer um romance!
– Mas o casal principal tem que ser revolucionário.
– Pode ser! E qual vai ser o nome dos personagens?
– “Eduardo e Mônica”, claro.
– Ai, DC, você é muito bom nisso. Tô vendo que nosso filme vai ser demais!!
Passamos a tarde pesquisando as músicas de Renato Russo, e no início da noite a gente já tinha o roteiro quase pronto. A história se passaria nos anos 80, num país fictício, chamado Monte Castelo, cuja ditadura proíbe a liberdade de expressão, principalmente por meio das artes e da música, e o casal principal lideraria a revolução contra o governo totalitário.
– Olha, o que você acha desse figurino pra Mônica? – Mônica entrou no quarto com uma roupa estilo anos 80.
Não que eu não quisesse ser sincero com ela, mas também não queria dar o braço a torcer. Só que não tinha como contrariar a verdade, então eu falei:
– Você tá linda, Mô.
Ela enrubesceu um pouco com o elogio. Durante a tarde toda, a gente conseguiu trabalhar juntos sem que nenhum clima estranho pintasse entre a gente. Você tinha que estragar tudo, Do Contra cabeção.
Mas, já que tá feito, então vou fazer o serviço completo.
– Mô… por que você deu o fora no Cebola? Eu achei que você quisesse cumprir o seu destino.
– E quem disse que meu destino é com ele?
– É com quem então?
Ela ficou com o olhar triste.
– Só sei que com ele é que não é.
– Mô… você tá livre agora. Por que você não me dá uma chance? Eu sei que você sente algo por mim.
– É complicado, DC. Mas um dia você vai entender. Vai ser melhor assim pra nós dois.
– Você prefere ficar sozinha a ficar comigo? Eu sou tão repugnante assim?
– Claro que não, Do Contra. Olha só pra você! Você é lindo, inteligente, legal… qualquer menina daria tudo pra ficar com você.
– Faltou mencionar que eu tenho pegada.
Ela jogou o Sansão em mim.
– Seu convencido.
– Tô mentindo, por acaso?
– Ahn… não é esse o ponto da nossa conversa.
– Mas de que me adiantam todas essas qualidades, se a única menina que me importa não quer ficar comigo?
– Você precisa ter paciência, Do Contra. A mulher da sua vida tá te esperando num futuro não muito distante.
– Você viu isso quando leu minha mão também?
– Foi.
– E onde tá essa mulher agora?
Ela abaixou a cabeça.
– Em algum lugar do futuro, DC.
Desisto. Quando a Mônica teima com algo, é pior que mula quando empaca.
– Preciso ir agora. Já tá de noite e minha mãe vai me ligar daqui a pouco.
– Amanhã é minha vez de ir pra sua casa, pra gente continuar o trabalho.
– Combinado.
Quando cheguei na porta, soltei sem pensar:
– Tô indo embora do país, Mônica.
– O quê?
– Tô indo pro Japão.
O rosto dela ficou muito triste.
– Quando?
– Mês que vem.
Esperei que ela dissesse algo, mas ela ficou calada. Apesar disso, não conseguiu disfarçar a tristeza.
– Boa noite, Mô.
Saí pela porta sem olhar pra trás.
Jantei, vi com minha mãe alguns detalhes da viagem e fui me preparar pra dormir.
Deitado na cama, tava perdido nos meus pensamentos, sobre o trabalho de Literatura, sobre as músicas que a gente ia usar, e sobre as próximas duas semanas que eu passaria com a Mônica fazendo esse trabalho. Será que eu ia sobreviver? Porque é um milagre que eu tenha escapado incólume do último fim de semana, com a Mônica me torturando desse jeito. Ela diz que não me quer, mas age completamente ao contrário. Quem está sendo do contra agora?
Meus devaneios foram interrompidos pelo toque do celular. Era a Mônica. Que estranho. O que ela queria às onze da noite?
– Alô?
– Oi, DC.
– Oi, Mô. Tá tudo bem?
– Eu… não tô conseguindo dormir.
– E…?
– Eu queria ouvir sua voz.
Será que meu sorriso ia transparecer na minha voz?
– E minha voz te ajuda a acalmar, é?
– Não muito. Foi por isso que eu vim aqui.
– Onde?
– Olha aqui fora.
Levantei num pulo e corri até a janela. Vi a Mônica me encarando de volta, vestida num pijama e com o celular ao ouvido.
– Você enlouqueceu, Mônica? – era uma pergunta retórica. É claro que ela tinha enlouquecido. Desde sexta-feira as atitudes dela só confirmam isso.
– Posso subir aí?
– Isso seria algo totalmente absurdo e fora de propósito. Então, pode sim. Quer que eu atire um lençol ou algo assim?
– Pode ser.
Desliguei o celular, peguei os lençóis da minha cama e amarrei um no outro, pra que virassem uma corda, e atirei pra Mônica lá embaixo. Ela subiu sem dificuldade.
– Oi – ela disse, pulando a janela.
– É só isso que você vai dizer? "Oi"?
– Então… eu não tava conseguindo dormir, daí vim pra cá.
– Você quer que eu te ajude a dormir?
Ela fez que sim com a cabeça.
– Mas tipo, quem manja de hipnose e essas paradas é o Nimbus. Eu posso chamar ele se você quiser.
– Não! Seu bobo.
A expressão dela era muito séria.
– É que eu… fiquei apavorada de pensar que você vai embora pro Japão, e que eu nunca mais vou te ver. E só o seu abraço podia me acalmar agora.
Meu choque não me permitiu formular qualquer resposta.
– Eu juro que não vou te agarrar nem fazer nada estranho, quero só um colinho hoje.
Como negar um pedido desses? Impossível.
Ela se deitou na cama, e me puxou junto. Quando deitei, ela se aninhou no meu peito e fechou os olhos. Fiz cafuné em seus cabelos, e cantei pra ela:
Are you lonesome tonight?
Você está solitária esta noite?
Do you miss me tonight?
Você está com saudade de mim esta noite?
Are you sorry we drifted apart?
Você lamenta que tenhamos nos afastado?
Does your memory stray
Suas lembranças a levam
To a brighter summer day
Para um dia ensolarado de verão
When I kissed you and called you "Sweet heart"?
Quando eu te beijava e te chamava de querida?
Do the chairs in your parlour seem empty and bare?
As cadeiras da sua sala parecem vazias?
Do you gaze at your doorstep and picture me there?
Você olha sua porta e me imagina lá?
Is your heart filled with pain?
Seu coração está cheio de dor?
Shall I come back again?
Devo voltar mais uma vez?
Tell me dear, are you lonesome tonight?
Diga-me, querida, você está solitária esta noite?
A respiração dela agora era constante. Ela estava dormindo.
Beijei sua testa, e sussurrei:
– Eu vou ter que te contrariar, linda. Vou te mostrar que seu destino é comigo.
Notas finais
Sábado tem mais!
Beijos a todos!
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