Escrevendo O Destino

6 5. Palavras desnecessárias


Notas iniciais
Oi, leitores queridos!
Antes de mais nada, quero muito agradecer mais duas recomendações que recebi: uma da Letícia, aqui nesta fic, e da Delineador, que recomendou a fic anterior, "Enfrentando o Destino", mas como eu não tou mais atualizando mais aquela, agradeço nesta aqui! ^^ Obrigada de ♥, meninas!!
O capítulo de hoje demorou um pouco mais pra ficar pronto, mas ficou enorme! Espero que gostem.
Boa leitura!

Capítulo 5

Palavras desnecessárias



Acordei com uma mão no meu rosto.

Abri os olhos e vi a Mônica.

– DC, acorda.

– Não, eu não quero sonhar com você. Vai embora.

– Isso não é um sonho. Eu tô aqui.

– Você diz isso toda vez.

– Eu vim pra gente fazer o trabalho de Literatura.

Ok, ela me convenceu. Ela era real agora. A Mônica, nos meus sonhos, normalmente me beija e me agarra, em vez de fazer trabalhos escolares.

Sentei na cama e olhei pra ela. Ela tava tão linda. O que é péssimo. Me dificulta a manter a indiferença. Perguntei no tom mais casual que consegui:

– E aí, como foi seu encontro ontem?

– Foi ótimo. Finalmente o Cebola e eu nos entendemos, depois de tantos anos.

A resposta que eu já esperava. Mas doeu mesmo assim. Meu orgulho me obrigava a dizer o contrário do que eu sentia:

– Que bom pra vocês.

Ela me olhou por um tempo. Parecia estar pensando num jeito de começar aquela conversa difícil.

– Fiquei preocupada com você, DC. Ontem à noite você não tava nada bem.

– Você tá falando de ontem à noite na sua casa?

– Isso.

– Dessa parte você se lembra então.

– Claro que lembro. Você não tava falando coisa com coisa.

– Só que eu tava, Mônica. Você é que esqueceu.

– Esqueci o quê?

– A visita que você me fez ontem.

– Eu não vim aqui ontem.

– Veio sim. Mas eu acredito em você. Sei que você não lembra de nada.

– DC, o que foi que você acha que eu fiz?

– Eu não acho. Você fez.

– Então, por que eu não me lembro?

– O Ângelo apagou sua memória. Ou, se não foi ele, ele tem algo a ver com isso. Mas eu posso provar o que aconteceu.

– Como?

– Na verdade, foi você quem plantou a prova sem querer. Eu não contei pro Ângelo, porque peguei ele na mentira e não confio nele. Mas pra você eu vou mostrar.

Olhei debaixo da cama. Estava ali. A pista que a Mônica tinha deixado pra trás. Uma peça de roupa íntima que não poderia ser de mais ninguém. Uma calcinha com estampa de coelhinhos azuis. Estiquei a mão e a peguei.

– Você deixou isso aqui ontem, Mônica.

Quando ela viu a peça na minha mão, corou violentamente e a apanhou depressa.

– E-eu… ahn… DC… e-eu…

– Confusa?

– Muito. Mas, depois dessa, eu realmente não posso mais negar que eu estive aqui. Por mais que eu não me lembre.

Ela olhou o pedacinho de tecido nas mãos, e ficou pensativa.

– DC… o que aconteceu ontem?

– Ficou curiosa, é?

– Ahn… e-eu preciso saber por que eu tava f-fazendo striptease no s-seu quarto.

Ela fica uma graça quando gagueja. Não consegui conter um sorriso.

– Mesmo com essa prova nas mãos, você não faz nem ideia do que a gente andou fazendo?

– Ahn… eu tenho medo de deduzir.

– Vou te dar uma pista. Não era o trabalho de Literatura.

– Eu te arranhei e tirei a roupa.

– A sua roupa e a minha. Mas só parcialmente.

– A gente…?

– Não. Não deu tempo de chegar lá. O Ângelo interrompeu.

– Então eu ainda sou…

– Ainda somos virgens. Nós dois. Mas por muito pouco.

Ela ficou vermelhinha de novo.

– Eu quero saber os detalhes.

– Pra quê, Mô? Se você esqueceu, algum motivo deve ter. Deixa quieto.

– Mas foi tipo uns beijinhos, coisa assim leve?

– Não.

– Mas, tipo… digamos que, se fosse, sei lá, um filme. Seria um filme proibido pra menores?

– Hummmm… não sei. Me deixe pensar.

Comecei a rever a cena na minha cabeça. Todas as carícias, nos mínimos detalhes. Mas isso me fez ficar… excitado.

Um coelho azul me acertou.

– Do Contra!!!

– Ah, foi mal. Eu tava tentando determinar a classificação indicativa da nossa pegação ontem. Daí acabei me empolgando. Mals aí!!

Ela corou mais uma vez.

– E aí?

– Então… levando em conta a quantidade de mordidas, lambidas, gritos, gemidos e mãos bobas, definitivamente seria proibido pra menores de 18.

– DC, você tá exagerando! Não rolou tudo isso, não pode ser!

– Você tá com uma mordida no seio esquerdo. Pode conferir.

Ela olhou dentro do decote e arregalou os olhos em choque.

– Ai, meu pai! Que vergonha.

Ela ficou pensativa.

– DC… só mais uma dúvida.

Ela tava mesmo curiosa. Achei graça disso.

– Foi… bom?

– Foi ótimo. Você é muito boa nisso, sabia? Só é uma pena que eu nunca vou saber se foi bom pra você também.

Ela cobriu o rosto.

– DC… eu não entendo… Por que o Ângelo me fez esquecer?

– Você deve saber isso melhor do que eu. Você mesma disse pra eu não confiar nele. Por que você acha isso, se não lembra de nada?

Ela foi pega de surpresa com a minha pergunta.

– Eu… eu não sei, DC. Só a minha intuição é que me diz pra não confiar nele.

– Você tava fugindo dele.

– Eu não lembro disso.

– É claro que não. Mas eu tenho uma teoria pra explicar porque ele apagou a sua memória, mas a minha não.

– E qual é?

– Se você se lembrasse, isso mudaria muitas coisas na sua vida e na de muitas pessoas. Mas eu me lembrar disso não faz diferença nenhuma pra ninguém. Meus sentimentos não mudaram nada com isso. Mas o mais importante que a gente precisa descobrir, Mônica, não é por que o Ângelo fez o que fez.

– Não?! E o que é então?

– A gente precisa descobrir por que você fez o que fez. Independente de ter esquecido depois.

– Por que você diz isso? Nossa pegação, como você diz, começou por iniciativa minha?!

– Ô, se foi!! Eu achava que a Amanda tinha atitude, mas depois de você, nada se compara. Você tava pegando fogo ontem, Mô.

– Talvez a gente devesse mesmo pedir a ajuda do Ângelo pra resolver esse mistério.

– Não. Você avisou ontem, e você tava certa. A gente não pode confiar nele.

Ela ficou pensativa de novo.

– DC… você acredita mais em mim do que num anjo da guarda?

– Acredito. Eu preciso acreditar.

Precisa acreditar?

Olhei nos olhos dela e segurei suas mãos.

– Preciso, Mônica. Porque, se você se lembrasse de tudo que aconteceu aqui ontem, e ainda assim saísse correndo pros braços do Cebola, isso significaria que você fez tudo por maldade. Que você me levou até as nuvens só pra me atirar lá de cima. Que você cuspiu nos meus sentimentos. E eu ia te odiar pra sempre. Por isso eu preciso acreditar que você não se lembra de nada daquilo.

Ela começou a chorar.

Abracei ela bem apertado, e ficamos assim um tempão.

Quando ela se acalmou um pouco, finalmente disse:

– DC… eu sinto muito por não poder me lembrar de nada do que houve entre a gente. Me desculpa.

– Tudo bem, Mô. Eu sei que não é culpa sua.

– Eu… queria. Queria poder me lembrar.

– Se você quiser mesmo saber como foi, tem um jeito.

– Como?

Segurei o queixo dela.

– Basta que a gente faça tudo de novo.

O olhar dela ficou triste.

– Eu não posso, DC.

Claro que não. Ela era comprometida agora.

– Entendo.

Ela olhou o relógio.

– Droga. Já é hora do almoço, e depois a gente tem ensaio da banda. Não fizemos nada do trabalho hoje.

– Não tem problema, Mô. A gente ainda tem duas semanas pra fazer. Almoça aqui em casa hoje. O ensaio é aqui na minha garagem mesmo, daí você já fica por aqui.

– Claro, vou adorar.

– Mas sábado, aqui em casa, é dia de sushi. Tudo bem pra você?

– Que delícia! Adoro sushi! – ela lambeu os lábios. – Feitos pela dona Keiko, então, devem ser ótimos!

– Não é minha mãe quem faz o sushi. Você não conhece a regra?

– Que regra?

– Sushis devem ser feitos por homens.

– Credo! Que machista.

– Não é machismo. É por causa da temperatura das mãos.

– Afe!! Tem isso?

– Tem! Por isso hoje é o dia de folga da minha mãe, e a cozinha é do Nimbus.

– E você não vai ajudar ele não?

– Eu não! Eu sou um desastre na cozinha.

Ela sorriu.

– Pois algo me diz que, um dia, você vai cozinhar muito bem. E eu vou gostar de provar suas receitas malucas.

– Ah, é?

– É! Então é melhor começar a treinar.

Ela gosta de homens que cozinham. Não vou desperdiçar a dica.

– Vou pensar no seu caso.


Depois do almoço, descemos pra garagem e começamos a organizar as coisas enquanto os outros não chegavam.

– Olha, essa é a música que eu vou sugerir hoje – ela me estendeu um pen drive e uma cifra.

Coloquei o pen drive no som. A música era Enjoy The Silence, do Depeche Mode.

A letra, de alguma forma, me intrigou.


Votos são ditos para serem quebrados

Sentimentos são intensos, palavras são triviais

Prazeres permanecem, a dor também

Palavras são insignificantes e esquecíveis


Tudo que eu sempre quis, tudo que eu sempre precisei

Está aqui em meus braços

Palavras são muito desnecessárias

Elas só podem fazer mal


Isso me lembrou de uma coisa que a Mônica disse naquele dia.

A gente conversa muito melhor quando não usa palavras.


Acho que agora eu entendi o que eu tinha que fazer.

Puxei a Mônica pelo braço e, tão rápido que ela não pudesse reagir, dei-lhe um beijo.

No início, ela hesitou, mas logo ela correspondeu. Por fim, ela tava puxando os cabelos da minha nuca, me deixando louco.

– Caham!!

Era a Magali que tinha chegado.

– Mônica!! O que você tá fazendo?! E você, DC?!

– Calma, Magá! – me apressei em explicar. – Não é o que parece.

– Pois o que parece é que vocês estavam se agarrando pra qualquer um que chegasse pudesse ver.

– Tá. É o que parece – admiti.

– Ainda bem que era eu chegando! E se fosse o Cebola? Mônica, vem aqui, quero conversar em particular com você.

Magali arrastou Mônica pra fora da garagem.

A Magá tinha razão. Eu não podia agir assim, de forma tão imprudente. Se eu quisesse vencer meu rival, teria que usar a inteligência e a diplomacia. E a infidelidade passava longe disso.

A Mô tava começando a ficar dividida.

Isso era bom.

Aém disso, antes de esquecer tudo, ela mostrou que me quer. Talvez esse desejo ainda existisse dentro dela. Eu senti, nesse beijo agora, que ainda existe.

Talvez essa fosse a minha chance.

Eu só tinha que ser paciente.

Minha hora há de chegar.

Notas finais
E aí, amados? O que acharam?
A Mônica tá mentindo ou não?
Comentem, please!
Sei que parece clichê, mas é verdade: quanto mais reviews, mais rápido os escritores se inspiram! ^^
Beijos a todos!