Escrevendo O Destino

15 14. Sempre foi você


Notas iniciais
Oi, leitores lindos! Como vcs estão?

Esses capítulos perto do fim estão muito difíceis de fazer... é o momento em que eu não posso deixar nenhum furo! Então, haja releitura, re-escrita, revisão, re-tudo!! Hehehehe

Quero muito agradecer duas recomendações que recebi: uma da ManuReis, nesta fic aqui, e uma da Hidden M, na fic anterior (que eu não atualizo mais, então agradeço aqui). Muito obrigada mesmo, suas lindas!!

Quero também agradecer a sugestão de música que a leitora Catlouise sugeriu faz tempo, ainda no review do capítulo 7, e que se encaixou perfeitamente agora neste momento da história. A música é "Always", do Panic! At The Disco, que é muito linda! Catlouise, obrigada!

As músicas do capítulo de hoje são:

November Rain: http://www.youtube.com/watch?v=T3YLovhk6aA

Vento no Litoral: www.youtube.com/watch?v=ck1hnWcatro (link não verificado)

Always: http://www.youtube.com/watch?v=YHJioXF67oE

Vamos ao capítulo?

Boa leitura!

Capítulo 14

Sempre foi você

No dia do meu aniversário, terminei tudo com a Kazumi. Era um erro continuar iludindo ela. Eu ainda não estava nem perto de esquecer a Mônica. Ainda mais depois do telefonema dela.

Eu sabia que era um erro ter qualquer esperança com relação à Mônica. Mas acho que a esperança frustrada ainda é melhor do que a perspectiva de uma vida inteira sem ela.

O que me resta é esperar.

Então eu espero.

E espero.

E espero.

E o tempo passa...

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Mônica está sentada num banco de praça, de costas pra mim.

Ela olha por cima do ombro, com um olhar sofrido, e sussurra:

– Do Contra, me ajude...

Eu me aproximo. Olho ela de cima. Ela está... se tocando.

– Me ajude, meu amor...

Seguro ela pelos ombros e beijo seus cabelos. Ela conduz minha mão até seu íntimo.

– Eu preciso de você, DC.

Nos beijamos. Os lábios dela têm gosto de lágrimas.

– Eu tô aqui, linda. Você não precisa mais chorar.

Ela geme com meu toque, de olhos fechados.

Quando ela os abre, me olha sem me reconhecer.

– Quem é você?

Não consigo acreditar no que ouço.

– Sou eu, Mônica.

– Se afasta de mim!! Eu não sei quem você é!!

Ela sai correndo, me deixando desolado. Mais uma vez.

Acordo num sobressalto, soltando a respiração que eu estive prendendo. Pesadelos desse tipo têm se tornado muito frequentes nos últimos cinco meses.

Pego o notebook e ligo pro meu irmão pelo Skype.

Ele atende, sorridente na webcam.

Fala, maninho!

E aí, Mandrake? Como você tá?

Eu tô bem, e Mandrake é a vovozinha!

Minha vovozinha é a sua vovozinha também, seu imbecil.

É mesmo!! Ops! Mas diga, DC, o que que tá pegando?

Tô sem sono e resolvi ligar. Saber como tá tudo por aí.

Por aqui tá tudo bem. Com os velhos, com a turma Tudo em ordem.

E a Ramona?

Acho que dessa vez a gente se entende pra valer.

Que bom.

Anda, pergunta logo.

Perguntar o quê?

Da Mônica. Eu sei que você ligou pra perguntar dela. Toda vez que você liga no meio da madrugada, é pra isso.

Então, como ela tá?

Ela tá bem. Até voltou pra banda.

Ela tinha saído da banda?

Tinha. Depois que você foi embora, ela não queria mais cantar. Dizia que não tinha mais inspiração. Mas o humor dela tá bem melhor, ela quase voltou a ser a Mônica de sempre.

Por que “quase”? O que tá faltando pra ela ficar bem?

Ninguém sabe. Mas algo me diz que é um rapaz contrariado que tá morando no Japão.

Sorri.

Por que você liga pra mim pra perguntar dela, DC? Por que não liga pra ela direto?

Na nossa última conversa, ela me disse pra aguardar por um sinal dela. E até agora nada. Então eu vou ficar na minha. Não vou correr atrás.

Eu não entendo vocês dois. Ficam com esse orgulho besta, quando você sempre liga pra perguntar dela, e ela me pergunta de você todo dia.

Ela pergunta de mim?

Todo santo dia.

E o que será que ela tá esperando pra me ligar? Será que ela tá com alguém? Será que é por isso que ela tá melhor, Nimbus?

Ela não tá com ninguém. E olha que não é por falta de candidato não.

Manda um beijo pra ela. Aliás, um beijo não, um abraço. Não quero que ela pense que eu tô apaixonado por ela nem nada assim.

Nimbus deu uma gargalhada.

Como se ela já não soubesse disso! Ela e o resto do mundo! Mas pode deixar que eu dou seu recado pra ela.

Até mais, mano.

Vê se dorme, cabeção.

Desliguei o notebook e me sentei na poltrona ao lado da janela.

É dia 1º de novembro. Fim do outono. Mas com jeito de inverno. Faz muito frio já. Uma chuva fina molha as folhas das árvores caídas no chão. O cenário me lembra uma música: November Rain, do Guns n Roses. Pego meu iPod e procuro por ela.

Quando olho nos seus olhos

Vejo um amor reprimido

Mas, querida, quando eu te abraço

Você não sabe que eu sinto o mesmo?

Nada dura para sempre

E ambos sabemos que corações podem mudar

E é difícil segurar uma vela

Na chuva fria de novembro

Estamos nisso por tanto tempo

Tentando matar a dor

Mas amantes vêm e vão

E não dá pra saber quem você está deixando escapar hoje

Indo embora

Se pudéssemos acertar tudo

Eu poderia dormir em paz

Sabendo que você é minha

Toda minha

Então, se você quer me amar

Não se contenha

Ou eu acabarei indo embora

Na chuva fria de novembro

Você precisa de um tempo para si?

Você precisa de um tempo sozinha?

Todo mundo precisa de um tempo para si

Você não sabe que você precisa de um tempo sozinha?

Eu sei que é difícil manter o coração aberto

Quando até mesmo os amigos parecem te prejudicar

Mas se você pudesse curar um coração partido

Não haveria tempo para te cativar

Às vezes eu preciso de um tempo para mim

Às vezes eu preciso de um tempo sozinho

Todo mundo precisa de um tempo para si

Você não sabe que você precisa de um tempo sozinha?

E, quando seus medos se acalmarem

E ainda houver sombras

Eu sei que você pode me amar

Quando não houver ninguém a quem culpar

Então, deixe para lá a escuridão

Nós ainda podemos achar um jeito

Nada dura para sempre

Nem mesmo a chuva fria de novembro

Espero que esse sinal do destino venha logo, e que minha agonia acabe. Que vá embora junto com a chuva de novembro.

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Mais um ano letivo está prestes a começar. As cerejeiras estão floridas de novo. Meu ano de intercâmbio havia se encerrado. Mas eu prorrogo o prazo por mais um ano. Não sinto vontade de voltar ao Limoeiro, porque estou complemente envolvido em mil atividades.

Trabalho na empresa dos meus avós, uma pequena floricultura. Os negócios não estavam indo muito bem quando cheguei, então resolvi ajudar. Com algumas mudanças no modelo de negócio, a floricultura voltou a prosperar. A clientela cresceu. Comecei a ficar cada vez mais interessado em estudar Administração. Mas, é claro, sem nunca deixar de lado a música.

Ainda toco na banda com Kazumi. Ficamos bons amigos, depois daquela tentativa fracassada de namoro. Hoje ela é minha confidente, e faz torcida pra que eu me entenda com a Mônica.

Também dedico meu tempo a investir na Bolsa de Valores. Pego todas as regras que me ensinaram no curso de Mercado Financeiro, e faço tudo ao contrário. Por incrível que pareça, a tática dá muito certo. Em poucos meses, já conquistei meu primeiro milhão de reais, a partir da minha mesada. Um terço do valor eu dei aos meus avós, pra ajudar nas despesas da casa, um terço eu apliquei numa poupança, pra pagar minha faculdade, e o terço restante eu doei pra caridade. De início, eu achava que especular na Bolsa era podre, mas com o tempo eu vi que a melhor maneira de enfrentar o sistema era estar dentro dele. Eu gostava de me sentir como o Robin Hood, tirando dos ricos e entregando aos pobres, subvertendo as práticas que eles ensinam na escola. Um jeito brilhante de ser do contra, afinal.

Mas o que eu custo a admitir pra mim mesmo é que o motivo de eu não voltar ao Limoeiro é porque fico apavorado de pensar que a Mônica vai me rejeitar. Já tem quase um ano que não nos falamos.

Me lembro de uma citação de Renato Russo que usamos no nosso trabalho de Literatura, da música Vento no Litoral:

Aonde está você agora

Além de aqui dentro de mim?


Talvez ela tenha mudado de ideia sobre mandar algum sinal. Acho melhor não questioná-la, nem confrontá-la com isso. Meu irmão e a Magali sempre me dão notícias dela, então eu sei que ela tá bem. É o que importa.

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Estou num lugar ao ar livre. Um vasto campo, cujo pasto é bem verde.

Olho meu antebraço esquerdo. Tenho uma tatuagem branca que diz:

あなたは私の運命です。

Você é o meu destino.

Uma criança vem correndo em minha direção.

É uma menina. Ela deve ter uns três anos no máximo.

Ela me estende a mãozinha, e eu a seguro.

– Papai, você tem que perdoar a mamãe. Ela tá fazendo isso por mim.

Me ajoelho pra olhar nos olhos dela. Ela se parece muito com alguém. Minha mãe, talvez. Mas o sorriso dela me lembra outra pessoa.

– Quem é sua mãe, meu bem? O que ela tá fazendo?

Ela não responde, mas me abraça. Com força.

Ela era muito forte pra alguém dessa idade.

Ela só podia ser filha da Mônica.

E minha filha também.

Desta vez, acordo calmamente. Afinal, este foi um sonho bom. Diferente dos pesadelos que estou acostumado a ter.

Será que os sonhos do futuro que a Mônica tinha eram assim? Será que ela sonhou com essa menininha também? Nossa filha?

Será que a mulher da minha vida era a Mônica esse tempo todo?

Era disso que ela falava quando dizia que queria cumprir o destino dela?

O destino dela era comigo, afinal?

Mônica, quando você vai me mandar esse sinal de que você falou? Eu não aguento mais esperar.

É madrugada do dia 9 de outubro de 2014. Eu já estou há um ano e meio longe de casa, longe dela. Meu coração me diz que já é hora de voltar.

Recorro ao meu iPod pra pegar no sono, como sempre, e deixo que as músicas toquem aleatoriamente.

A música Always, do Panic! At The Disco, invade meus ouvidos. Gosto dessa música. Ela me transmite paz.

Sou uma mosca que está presa numa teia

Mas acho que minha aranha morreu

Que vida pequena e solitária

Eu poderia tentar me convencer de que estou bem

Sempre foi você quem se apaixonou por mim

Agora o tempo está sempre chamando por mim

Eu sou a luz que pisca no fim da estrada

Pisque de volta para me avisar

Sempre foi você...

Acho graça do fato de que todas as músicas do mundo fazem sentido quando você ama alguém. Todas as músicas me lembram a Mônica.

A mãe da minha filha.

Sorrio. Sei que foi só um sonho, mas gosto de pensar que um dia vai ser verdade.

Chego da escola e pego o notebook. Desbloqueio a Mônica no Skype. Ela tá offline. Claro, lá são 4 da manhã. Penso em ligar no celular dela. Não sei se devo. Mas já são dezesseis meses sem ouvir a voz dela, e acho que não vou conseguir esperar mais nem um minuto.

Preciso perguntar se ela viu o mesmo futuro que eu.

A campainha toca. Que estranho. Não tô esperando visita nenhuma, e aqui no Japão, ninguém nunca, nunca, vem à sua casa sem marcar com antecedência.

Quando abro a porta, quase desmaio de susto.

– O que você tá fazendo aqui!?!?

Notas finais
E aí, queridos? Quem vocês acham que é? Quem será, quem será?!?

Comentem!

Beijos a todos =*