Escrevendo O Destino
2 1. Até o fim dos tempos
Notas iniciais
Morri de saudade de vcs!!
Antes de mais nada, quero muito agradecer a recomendação da Isabella Oliveira! Uma recomendação ainda no prólogo é um presente muito maior do que eu podia sonhar. Obrigada!!! ♥
Consegui voltar mais cedo de viagem, mas infelizmente não consegui escrever muitos capítulos como eu esperava... Eu fiquei relendo o primeiro capítulo, e mudando tudo, até que ele ficasse do meu gosto... e finalmente ele saiu!
Estou muito mais exigente comigo mesma agora nessa fic, pois, além de ter que manter o nível da fic anterior, escrever do ponto de vista do DC é um desafio maior do que eu esperava. Afinal, ele é muito diferente da Mônica e muito diferente de mim! Pra conseguir mergulhar na personalidade dele, li e reli milhares de vezes todas as revistas em que ele participa... Vamos ver se até o final eu consigo me manter fiel à personalidade dele, né!
Ah! Nessa fic eu não vou colocar citações no início, como na anterior. O nome do capítulo sempre vai ser o nome ou o trecho de uma música que expressa o que o DC sente, e a música vai ser citada em algum momento do capítulo. Fiz dessa forma, pois o DC é muito musical e se expressa pelas músicas que ouve e toca. Achei que combinava mais com ele. Vocês também vão notar que a linguagem tá bem mais informal. Mas é que o DC é assim, relax! rsrs
Recomendo que vcs releiam o primeiro capítulo da primeira fic, pra relembrar alguns fatos do dia em que a Mônica viajou pro futuro. Agora o DC vai narrar o mesmo dia, só que de um jeito completamente diferente, claro ^^
Boa leitura!
Capítulo 1
Até o fim dos tempos
Era a hora do intervalo. Me sentei na lanchonete junto com o resto da turma.
– Ah, nem acredito que hoje é sexta-feira! Que dia mais feliz! – Magali comemorou.
Eu não entendia o porquê de tanto alarde em torno das sextas-feiras. Era um dia tão… comum. Gosto bem mais de segunda-feira, uma nova semana inteira pela frente, cheia de coisas boas por vir.
– Gentem!!! Vocês não sabem o que eu acabei de descobrir – Denise se sentou ao meu lado.
– O quê? – todos perguntaram ao mesmo tempo. Menos eu, é claro.
– O Instituto Denisesco de Notícias apurou que hoje vai rolar um grande acontecimento. O bafão do século XXI!
– Conta logo! – Carmem exigiu.
– Sabe quem vai ser pedida em namoro hoje?
– Quem? Quem? – Cascuda estava roendo as unhas.
– A Moniquinha, meu bem. O Cebola até fez uma reserva naquele restaurante carésimo, o Saveur – Denise respondeu, olhando pra mim. Fiz minha melhor cara de indiferença.
– Sério, amiga?! Ai, que tudo!! – Marina soltava suspiros.
– Falar nisso, por que eles não estão sentados aqui com a gente? – Magali reparou.
– Ah, queridinha, eles estão ocupados, não tá vendo? – Maria Mello apontava a janela. Mônica e Cebola estavam lá fora, no pátio, se beijando, ou melhor, se engolindo. Eca.
– Pois é! Se eu fosse um certo alguém – Denise continuava me encarando – eu ficava esperto.
Nem me dei o trabalho de responder.
Ela se irritou com meu descaso:
– E você, DC? Não vai falar nada?
– Denise, na boa… meu desinteresse pelo que o Cebola faz ou deixa de fazer não poderia ser maior.
– Aham, sei! Só que você, fófis, nunca foi de esconder seu interesse pela Mônica.
– É, talvez. Mas, se vocês me dão licença, eu tenho mais o que fazer – levantei e saí sem olhar pra trás.
Fui até o pátio e cutuquei a Mônica no ombro. Ela, enfim, desgrudou a boca daquele ceboludo e olhou pra mim.
– Preciso falar com você – saí arrastando-a pelo braço.
– Não tá vendo que eu tô ocupada?
– Ah, nem vi, foi mal.
Entramos no corredor dos armários. Mônica me olhava com uma cara que era uma mistura de brava e curiosa.
– O que você quer, Do Contra? Fala logo.
– A gente precisa se organizar pra fazer o trabalho de Literatura.
Era um trabalho em duplas, e eu tinha sido sorteado pra fazer par com ela. Na hora, eu achei legal, mas agora não tinha mais certeza.
– Ah, é mesmo.
– Eu queria começar a fazer hoje, pode ser?
– Mas por que hoje? É só pra daqui a duas semanas!
– Ao contrário do resto das pessoas, eu não gosto de deixar pra fazer os trabalhos em cima da hora.
– Ai, DC, sinto muito. Não vai dar não… eu tenho um encontro hoje à noite.
– Fiquei sabendo.
– Ficou sabendo? Como?! – ela ficou vermelha. Não que eu achasse isso fofo. De jeito nenhum.
– Eu lanchei com a Denise hoje.
– Ai, aquela fofoqueira! Ela vai ver só – ela bufou de raiva, e começou a andar em direção à lanchonete. Puxei-a de volta pela blusa.
– A gente ainda não terminou de combinar o trabalho de Literatura.
– Eu já falei que hoje eu não posso, DC.
– Mas o seu encontro não é de noite? A gente pode fazer de tarde.
Ela me olhou como se eu tivesse proposto algo absurdo.
– Logo se vê que você não entende nada de meninas! Eu preciso me embelezar pro encontro! Fazer as unhas, cabelo, maquiagem, escolher a roupa…
– Pois se eu fosse você, não perdia tempo com isso.
– Por quê?! Você acha que não vai adiantar nada?! Que nem caprichando no visual eu vou conseguir impressionar o Cebola?! Seu grosso – ela estava ofendida de verdade.
Segurei seu queixo e me aproximei.
– Você entendeu errado, Mônica. Você sempre entende errado o que eu digo. O que eu quis dizer foi que você não precisa de nada disso pra ficar linda.
Ela mais uma vez corou. Tá, eu admito. Isso era fofo. Um pouco.
O sinal tocou, quebrando o clima.
– Ahn… amanhã a gente faz o trabalho, pode ser? Eu te ligo mais tarde pra gente combinar o horário direitinho – ela disse antes de sair correndo.
– O problema é que amanhã, Mônica, vai ser tarde demais – sussurrei pra mim mesmo.
Enfim o sinal tocou, e saí da sala. A aula do professor Licurgo estava um saco. Nem mesmo eu conseguia discordar disso.
Enquanto aguardava meu irmão no portão da escola pra gente voltar pra casa, vi mais uma vez o casal 20 se agarrando. Não bastasse eles ficarem trocando bilhetinhos e atrapalhando a aula de História, agora me obrigam a ficar vendo essa cena desagradável.
Meu irmão finalmente chegou e me salvou da ânsia de vômito que eu já estava sentindo. Começamos a caminhar em silêncio.
– Mano, o que aconteceu, que você tá azedo?
– Dá um tempo. Eu nem falei nada.
– Mas eu tô vendo sua cara.
– Não quero falar sobre isso.
– É a Mônica?
– Não.
– Ou seja, sim.
Não respondi.
– Ela vai se acertar com o Cebola, né?
– Parece que sim. Mas eu nem ligo.
– Do Contra, você pode até enganar os outros com essa sua aura de indiferença, como se nada te atingisse, mas a mim você não engana. Eu te conheço desde o dia em que você nasceu.
– E, mesmo assim, ainda não aprendeu quando eu quero ficar quieto.
Meu celular tocou. Era um SMS da Amanda. Guardei o celular sem ler.
– Quem é?
– Por que a curiosidade?
– Porque, pelo seu desdém com a mensagem, só pode ser de uma pessoa importante. Deixa eu ler – ele tirou o celular do bolso da minha mochila.
– Cara, essa Amanda é aquela que a gente conheceu na praia mês passado?!
– Essa mesma.
– Aquela gata!?
– Se você acha…
– Claro que ela é, seu retardado. “Gato, vim passar o fim de semana em São Paulo. Que tal se a gente fizer algo hoje? Beijo. Amanda” – ele leu impostando a voz. – Você vai responder ela, não vai?
– Não sei ainda.
Entrei em casa e subi pro meu quarto. Nimbus veio atrás.
– Quer saber, DC? Eu acho que você tem mais é que ficar aí o fim de semana inteiro de luto pela Mônica, e deixar a Amanda pra lá. Eu acho que você devia continuar ignorando todas as meninas bonitas e legais desse mundo. É bom que sobra mais pra mim.
– Sabe qual é o seu problema e do resto dos homens? É que vocês tratam a Amanda e as demais meninas bonitas como se elas fossem objetos. Mas eu sou diferente.
– É, você trata a Amanda como se ela não existisse.
– Eu só não quero ficar iludindo a moça.
– Prefere ficar se iludindo, achando que um dia a Mônica vai bater na sua porta. Aliás, coisa que ela já fez, e você fez o favor de dar o fora nela.
– Eu não ia dar o grande passo antes que ela resolvesse a vida dela com o Cebola.
– Pois hoje à noite ela vai resolver, maninho. Ela vai aceitar o pedido de namoro dele, eles vão se casar, se reproduzir e morrer velhinhos e juntos. Tudo como manda o script dos casais perfeitos. Mas mesmo assim eu acho que você deve continuar ignorando a Amanda, igual todo mundo espera que você faça.
– Tá bom, chega! Você venceu. Me dá esse telefone aqui. Vou sair com ela. Tá feliz agora?
– Vou ficar feliz se você voltar dizendo que beijou ela.
– Por quê?
– Ah, DC, fala sério! É muita vergonha alheia, você aí com quase 16 anos, sem nunca ter beijado uma menina! Isso queima meu filme também! Justo eu, que sou conhecido pelo sucesso com as mulheres, não posso ficar circulando por aí com um mané que nem você.
– Valeu pela preocupação com a minha pessoa. Totalmente altruísta da sua parte. Agora vaza do meu quarto.
– Já fui.
O Nimbus tinha razão. Já que a Mônica ia ser feliz pra sempre com o careca, eu tinha que seguir com minha vida.
Peguei o celular e digitei:
“Oi, Amanda. Dá uma chegada aqui em casa depois.
Daqui a gente decide o que fazer. Té +. DC”
30 segundos depois, ela respondeu:
"Combinado, gato. Passo aí às 17h. Bjo."
Liguei o rádio, tentando matar o tempo até a hora de a Amanda chegar. Sintonizei numa estação que toca rock antigo. Essas músicas que os jovens ouvem hoje em dia não estão com nada. Tava rolando uma música da banda Bon Jovi, uma das minhas favoritas pra treinar bateria. Eu tava curtindo, até que a letra em inglês invadiu meus ouvidos:
"Quando ele te abraça apertado
Quando ele te puxa para perto
Quando ele diz as palavras que você precisa ouvir
Eu queria ser ele, porque essas palavras são minhas
Para te dizer até o fim dos tempos
Que eu vou te amar, querida, para sempre"
Música idiota. Arranquei o rádio da tomada e atirei longe.
Agora a cena estava grudada na minha cabeça, e se recusava a sair. Cebola abraçando a Mônica, sussurrando declarações de amor superficiais no ouvido dela, e ela se derretendo. Ela, entrando na igreja com um vestido de noiva, e Cebola no altar. Eles, na lua-de-mel, ele despindo ela… argh. Que nojo.
Do Contra, seu burro. Já há tanto tempo você assiste de camarote ao lenga-lenga eterno desses dois, e ainda não se acostumou? Mas talvez fosse por isso mesmo que eu me recusava a desistir dela. Acho que sempre tive esperança de que a Mônica se cansasse dele e finalmente me desse uma chance. Só que agora eles vão oficializar tudo, e a mim não resta alternativa senão esquecê-la.
Desci pra garagem pra tocar bateria. A melhor coisa pra esvaziar a cabeça de pensamentos indesejáveis.
Toquei até que meus braços não tivessem mais forças. Larguei as baquetas, exausto.
Ouvi aplausos atrás de mim. Olhei e vi a Amanda parada na porta.
– Amanda! Você tava aí?
– Há mais de meia hora. Mas você fica ótimo tocando. Eu não queria interromper.
Ela se aproximou e se sentou no meu colo. Eu sempre gostei de mulher com atitude, e eu não podia negar que isso a Amanda tinha de sobra. Até demais.
– Amanda, eu tô tocando há horas, tô um grude só. Eu preciso muito tomar um banho... você se importa?
– Hummm... Nossa, que atirado você, gato. Lá na praia você tava tão na sua, e agora você tá me chamando pra tomar banho com você? – ela enfiou as mãos por baixo da minha camiseta e acariciou meu tórax. – Eu não sou desse tipo, que já cede assim no primeiro encontro, mas acho que pra você eu vou abrir uma exceção.
Me senti corar.
– N-n-não, Am-m-manda, você e-entendeu mal... E-eu n-n-não...
– Eu já disse que topo, gato, não precisa ficar explicando não.
Ela colocou as mãos em minha nuca, aproximou seu rosto do meu e fechou os olhos, esperando que eu avançasse o resto da distância que nos separava.
E este seria o meu primeiro beijo. Assim, sem o menor significado, com alguém que eu nunca tinha imaginado, pois até hoje eu só tinha me imaginado beijando uma pessoa. Ela. Mas não adiantava mais esperar, me guardar pra ela. O destino dela já estava traçado. Longe de mim.
Imitando a Amanda, coloquei as mãos na nuca dela, fechei os olhos e me aproximei.
– DO CONTRA!!!
Viro pra trás e vejo a Mônica na porta, esbaforida, e com uma expressão que eu não sabia dizer se era ódio ou puro choque.
O que ela tava fazendo ali, agora?!?
Notas finais
O que vcs acham que a Mônica vai fazer?
Pra quem precisa refrescar a memória: o DC deu um fora na Mônica na edição 30, e ele explica porque fez isso na edição 36.
A música citada no capítulo, do Bon Jovi, se chama "Always". É linda! Pra quem não conhece, segue o link com vídeo, letra e tradução: http://www.vagalume.com.br/bon-jovi/always.html
Eu juro que vou tentar escrever rápido o segundo capítulo, mas eu só vou postar quando eu gostar dele! Pode ser que ele demore a sair uns dias (uns 3 ou 4 no máximo).
Bjooooos, meus leitores amados! =*
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